quinta-feira, 10 de março de 2016

PIAZZOLLA

Astor Pantaleón Piazzolla nascido em Mar del Plata – Argentina no dia 11 de março de 1921, caso ainda estivesse vivo, completaria 95 anos, filho único dos imigrantes italianos Vicente “Nonino” Piazzolla e Asunta Mainetti, foi um bandoneonista e compositor argentino, cujo repertório incluía clássicos, como Adios Nonino, Libertango, dentre outras composições que trouxeram ao tango elementos do jazz e da música erudita.
Vicente, Asunta e Astor
Em 1925, aos quatro anos foi com a sua família viver em Nova York em busca de melhores condições de vida, permaneceram lá até 1936, com um breve retorno a sua cidade natal em 1930.
Nos Estado Unidos se tornou fluente em espanhol, inglês, italiano e francês. Em 1929 ganhou seu primeiro bandoneón de seu pai, que comprou o instrumento numa casa de penhores por dezenove dólares. A garoto estuda durante um ano com Andrés DÁquila, e realiza a sua primeira gravação não comercial em acetato, Marionete Spagnol, em 30/11/1931, na Rádio Recording Studio.
Dois anos mais tarde, em 1933, passou a estudar com o pianista húngaro Bela Wilda, discípulo de Sergei Rachmaninoff, e com ele aprende a gostar de música clássica, em especial de Johann Sebastian Bach.
Tempos depois conheceu o cantor Carlos Gardel, que se tornou amigo da família e convidou o pequeno Astor a participar do filme “El Dia Que Me Quieras” em 1935, onde Astor fazia uma pequena aparição, como entregador de jornal. Esta cena é emblemática na história do tango.

No ano seguinte, 1936, a família regressa para Mar del Planta, Astor Piazzolla estava com 15 anos de idade e mesmo ainda muito jovem começou a tocar em algumas orquestras de tango, quando passou a ter um contato mais direto com o tango e tornar-se um grande admirador das interpretações do violinista Elvino Vardaro, um exímio tocador de tango, que mais tarde viria a fazer parte de seu grupo.


Anibal Troilo

Dois anos mais tarde, aos 17 anos de idade, resolveu sair de Mar Del Plata e rumou para capital Buenos Aires, lá começou a tocar em diversos grupos e em algumas orquestras de tango, até realizar o seu sonho, em 1939, quando consegue ingressar na Orquestra de Aníbal Troilo Pichuco, que era um dos melhores intérpretes do bandoneon.

Alberto Ginastera
Raul Spivak
Necessitando evoluir musicalmente, e ser o arranjador da orquestra Troilo, inicia seus estudos com Alberto Ginastera em 1941.

No ano seguinte casa-se com Dedé Wolff, em 1943 nasce Diana, no mesmo ano estuda piano com Raul Spivak. Em 1944 nasce Daniel. Seus arranjos são considerados avançados para sua época.
Diana, Dede, Astor e Daniel - Mar del Plata - 1954

Francisco Fiorentino
Data de 1943 sua primeira composição de caráter erudito a Suíte para Cordas, Harpa e Orquestra. Em 1944 deixa a Orquestra de Troilo para acompanhar a orquestra do cantor Francisco Fiorentino por dois anos.
Em 1946, forma a sua primeira orquestra que dura apenas três anos, com esta orquestra desenvolve em suas obras um grande impulso criativo e colocando mais dinamismo harmônico nas orquestrações, enfim um tango ousado e moderno, e muito diferente daquele normalmente tocado dentro da Argentina, o que fez com seu nome começasse a aparecer.
Ainda neste ano compõe El Desbande, considerado por ele como seu primeiro tango.
Começa a compor trilhas sonoras para filmes e em 1949, desfaz a orquestra e por pouco quase não abandona o tango por completo. Por esse tempo ele estudava com os grandes maestros Bartok e Stravinsky e ainda direção orquestral com Hermann Scherchen, além de ouvir muito jazz. 
Bela Bartok                      Igor Stravinsky                  Hermann Scherchen
O músico perseguia um estilo, uma música que em nada se parecia com o tango. Aos 28 anos decide abandonar o bandoneon para dedicar-se à escrita e para aprofundar seus estudos musicais.
Entre 1950 e 1954 compõe várias obras, claramente distintas da concepção do tango até então, quando começa a definir o seu estilo: Para lucirse, Tanguango, Prepárense, Contrabajeando, Triunfal, Lo que vendrá.
Fabien Sevitzky
Em 1953 participa do Concurso Fabien Sevitzky com a obra: Buenos Aires (três peças sinfônicas) - composta em 1951, conquistando o primeiro prêmio, a obra é apresentada na Faculdade de Direito de Buenos Aires pela Orquestra Sinfônica da Radio do Estado com a adição de dois acordeões e sob a direção do próprio Sevitzky.
Dentre os prêmios deste concurso estava uma bolsa de estudo do governo francês e Piazzolla foi para Paris estudar música clássica com Nadia Boulanger, quando teve a oportunidade de mostrar a ela o seu tango. Nadia passou a incentivar Piazzolla com uma frase:
Nadia Boulanger

"Astor, suas peças clássicas são bem escritos, mas o verdadeiro Piazzolla está aqui, nunca mais deixar isso para trás." Isto fez com que retornasse ao tango e ao bandoneón. Desta forma começou a trabalhar com mais afinco e eficiência a estrutura sofisticada do tango e gravou uma série de músicas.

Em 1955, Astor Piazzolla retornou para a Argentina e fundou o Octeto Buenos Aires, quando ele passou a mostrar verdadeiramente a sua nova música e dando início a idade contemporânea do tango. Esse Octeto durou até 1958, quando ele retornou para Nova Iorque para trabalhar como arranjador.
Permaneceu nos Estados Unidos até 1959, e nessa época escreveu a canção Adiós Nonino, uma das mais conhecidas de suas composições, feita em homenagem ao seu pai, quando este estava no leito de morte, Vicente “Nonino” Piazzolla. Diria, vinte anos depois: “Talvez eu estivesse rodeado de anjos. Foi a mais bela melodia que escrevi e não sei se alguma vez farei melhor".



Com Adiós Nonino,Decarísimo e Muerte de un Ángel começou a trilhar um caminho de sucesso que tería picos em seu concerto no Philarmonic Hall de Nova York e na musicalização de poemas de Jorge Luis Borges.
Regressou então para Argentina onde fundou muitos de seus quintetos que ficariam famosos.
Astor e Amelita
Em 1966 seu casamento com Dedé Wolff acabou e pouco tempo depois passou a namorar a cantora Amelita Baltar. 
Desse época, até por volta do início da década de 70, Piazzolla fez diversas composições e atuou em Paris, Itália e Buenos Aires. Em 1973, após um período exaustivo de grande produtividade como compositor, ele sofreu um ataque cardíaco fazendo com que ele tivesse que diminuir as suas atividades artísticas.
Nesse mesmo ano mudou-se para Itália e durante esse período fez uma série de gravações e composições que duraram por volta de cinco anos.
Em 1973, teve algumas músicas usadas como trilha sonora do filme Toda Nudez Será Castigada, dirigido por Arnaldo Jabor e adaptado da peça homônima de Nélson Rodrigues. A principal delas foi Fuga n° 9, do disco Música Contemporânea de la Ciudad de Buenos Aires, Vol.1 (1971).
Por conta disso, Piazzolla ganhou uma Menção Especial do Júri, como melhor trilha, no Festival de Gramado do mesmo ano.
Em 1974 separou-se de Amelita Baltar e dois anos mais tarde conheceu Laura Escalada com que viveu até sua morte.
Astor e Laura Escalada
 
Em 1988, participou do Programa Chico & Caetano da Rede Globo. Participação de Astor Piazzolla no Programa Chico & Caetano em 1988

Até por volta de 1990, Astor Piazzolla fez uma série de concertos com o seu quinteto, inúmeras gravações, principalmente pela Europa, América do Sul, Japão e Estados Unidos.
No dia 4 de agosto de 1990, em Paris, Astor Piazzolla sofreu um acidente vascular cerebral e dois anos mais tarde, faleceu em Buenos Aires no dia 4 de julho de 1992.
Piazzola deixou um legado de mais de 1000 obras, gravações com diversos artistas como Gary Burton, Tom Jobim e Fernando Suarez Paz, entre outros.
A música de Astor Piazzolla é sem dúvida uma das maiores expressões artísticas que a Argentina já deu ao mundo. Incorporando ao tango um pouco de jazz e um pouco de música clássica, Piazzolla conseguiu um resultado formidável e ao mesmo tempo inovador, sofisticando esse ritmo portenho e revolucionando seus conceitos.

Por muito tempo recusou escrever ou colocar uma letra na sua grande obra-prima, porém, aceitou a proposta da cantora argentina Eladia Blázquez, que lhe apresentou um poema que havia escrito sob a versão musical, e ele, comovido, concordou. Resta referir que Eladia renunciou a quaisquer direitos de autor que podia reclamar, enaltecendo ainda mais esta grande obra do tango.
Astor Piazzolla e Eladia Blázquez - 1988

ADIÓS NONINO
Desde una estrella al titilar...
Me hará señales de acudir,
por una luz de eternidad
cuando me llame, voy a ir.
A preguntarle, por ese niño
que con su muerte, lo perdí,
que con "Nonino" se me fue...
Cuando me diga, ven aquí...
Renaceré... Porque...

¡Soy...! la raíz, del país
que amasó con su arcilla.
¡Soy...! Sangre y piel, del "tano" aquel,
que me dio su semilla.
Adiós "Nonino".. que largo sin vos,
será el camino.
¡Dolor, tristeza, la mesa y el pan...!
Y mi adiós.. ¡Ay! Mi adiós,
a tu amor, tu tabaco, tu vino.
¿Quién..? Sin piedad, me robó la mitad,
al llevarte "Nonino"...
Tal vez un día, yo también mirando atrás...
Como vos, diga adiós ¡No va más..!

Recitado:
Y hoy mi viejo "Nonino" es una planta.
Es la luz, es el viento y es el río...
Este torrente mío lo suplanta,
prolongando en mi ser, su desafío.
Me sucedo en su sangre, lo adivino.
Y presiento en mi voz, su propio eco.
Esta voz que una vez, me sonó a hueco
cuando le dije adiós Adiós "Nonino".

¡Soy...! La raíz, del país
que amasó con su arcilla...
¡Soy...! Sangre y piel,
del "tano" aquel,
que me dio su semilla.
Adiós "Nonino"... Dejaste tu sol,
en mi destino.
Tu ardor sin miedo, tu credo de amor.
Y ese afán... ¡Ay...! Tu afán
por sembrar de esperanza el camino.
Soy tu panal y esta gota de sal,
que hoy te llora "Nonino".
Tal vez el día que se corte mi piolín,
te veré y sabré... Que no hay fin.

Para ouvir e baixar, inclusive a versão cantada - acesse:

quarta-feira, 2 de março de 2016

AMARAL VIEIRA


José Carlos Amaral Vieira nascido em São Paulo – Capital no dia 2 de março de 1952. Amaral Vieira é um dos mais bem sucedidos, versáteis e completos músicos brasileiros de sua geração. Este grande êxito dentro da carreira artística deve-se à postura de seriedade de sua intensiva atividade musical, que lhe assegurou, no Brasil e Exterior, uma sólida posição como pianista, compositor, pedagogo e musicólogo.
Ele não veio de uma família musical, começou a tocar piano aos seis anos de idade. Apaixonou-se pelo som do piano enquanto ouvia as lições de sua irmã cinco anos mais velha do que ele, que tocava sem entusiasmado. Ele disse a ela: "Você acabou de tocar por cinco minutos, e eu vou fazer isto pelos próximos cinquenta e cinco anos." Seus pais acreditavam que o ouviam era a filha praticando, entretanto ela lia um livro, enquanto o seu irmão tocava piano. O guri tentou persuadir seus pais a deixá-lo ir para a escola de música, enquanto eles diziam que um rapaz deveria jogar futebol ao invés de tocar piano. Mas ele não se intimidou.
Aos oito anos de idade faz o primeiro recital de piano, início de aclamada carreira como intérprete, suas primeiras composições datam de 1961:
- Opus 001 Fuga para quatro vozes,
- Opus 002 Allegro (incompleto) para orquestra de cordas,
- Opus 003 Allegro com brio (incompleto) para piano.

João de Sousa Lima

No Brasil estudou piano com o famoso compositor e maestro brasileiro João de Sousa Lima, que reconheceu o talento do jovem e disposto a dar-lhe aulas particulares especiais, disse: "Eu vou te ensinar, mas com uma condição... Eu não vou fazer concessões especiais para você, porque você é jovem eu vou tratá-lo como um adulto." 

Arthur Hartmann             Lucette Descaves                     Olivier Messiaen
Estudou também composição com Artur Hartmann. Posteriormente em 1965, quando tinha 13 anos, ingressou no Conservatoire Supérieur de Musique de Paris teve como professora de piano Lucette Descaves e o compositor Olivier Messiaen foi seu mestre e orientador em composição. Prosseguiu seus estudos como bolsista do DAAD e diplomou-se na Escola Superior de Música de Freiburg, Alemanha, onde teve aulas com Carl Seemann (piano) e Konrad Lechner (composição). 

Seemann     -       Lechner

Após ser diplomado, foi convidado pelo British Council a aperfeiçoar seus conhecimentos em Londres num estágio com o pianista Louis Kentner, que foi discípulo de um aluno pessoal de Liszt na Hungria.

Louis Kentner

Foi recomendado para o cargo de chefe do Departamento de Música da Escola Yehudi Menuhin para as crianças musicalmente talentosas no Reino Unido. Um posto muito cobiçado, por seu prestígio e estabilidade financeira. Entretanto pensou:
- Eu sou um brasileiro. Não tenho o dever de trabalhar para o meu próprio país?
Todo mundo ao redor dele tentou dissuadi-lo, dizendo que ele estava jogando fora uma oportunidade de ouro. Optou por retornar ao Brasil.
Hoje, ele comenta: "Se eu tivesse aceitado a proposta, tenho certeza que não teria me desenvolvido. Eu poderia ter sido abençoado com oportunidades, mas a minha vida teria sido sem desafios. E este é o desafio que nos faz crescer como seres humanos”.
Em 1977 retorna ao Brasil, fixa residência em São Paulo e tem início a sua carreira como divulgador da música de concerto, com ênfase especial à apresentação de um repertório de grande responsabilidade e muitas vezes, ainda inédito em nosso país, como foi o caso da apresentação integral, pela primeira vez na América Latina, do Ciclo das 19 Rapsódias Húngaras de Franz Liszt, que Amaral Vieira realizou no Museu de Arte de São Paulo.
Em 1978 conquistou o Prêmio Internacional de Composição "Arthur Honneger". Dois anos depois conquistou o Grande Prêmio da Fondation de France (outorgado à sua Trilogia opus 137).
Em 1984 aconteceu em São Paulo o Festival Amaral Vieira - O Compositor e sua Obra – foram 14 concertos, com a interpretação de 157 peças de sua autoria, mobilizando quase 200 musicistas no evento.

Lizst

Recebeu o Prêmio Liszt do governo húngaro em 1986 por ocasião do centenário de morte do compositor e em reconhecimento aos seus estudos, gravações e performances da música de Franz Liszt.
É responsável desde 1989 pelo LAUDATE DOMINUM, um programa de rádio dedicado à música sacra que não faz distinção de credo ou de período estético, da música antiga à contemporânea. Ecumênico na acepção plena da palavra, o programa contempla compositores das mais diversas épocas, nacionalidades e credos religiosos e é transmitido ainda nos dias de hoje pela Rádio Cultura FM de São Paulo, aos Domingos, às 9 horas da manhã, com reapresentação as terças-feiras, sempre às 22 horas. Neste programa já foram apresentadas centenas de obras inéditas em nosso país. O programa também vai ao ar aos domingos na Rádio Sodré de Montevidéu (Uruguai).
Amaral Vieira dedica grande parte de seu tempo ao trabalho de pesquisa musical, e em 1990 funda o Arquivo de Música Sacra Brasileira “Furio Franceschini”.
Em 1992 recebe no Japão o Prêmio Min-On1992 da Honra Suprema pelo conjunto de seu trabalho cultural, sendo a primeira vez que foi outorgado a um artista latino americano.
Daisaku Ikeda
No mesmo ano, recebe o convite do Presidente da SGI, para se apresentar no Ikeda Auditorium da Universidade Soka, com a Orquestra Sinfônica Fuji, interpretando sua obra O Alvorecer do Século da Humanidade, inspirada em texto literário de Daisaku Ikeda, Presidente da ‘SGI’, Soka Gakkai International, Japão, com a presença de mais de cinco mil pessoas e transmissão ao vivo por TV para todo o Japão.
No ano seguinte, em fevereiro de 1993, recebe o Prêmio SGI de Cultura do Japão, pelo seu trabalho artístico em prol da Cultura e da Paz Mundial.
No Brasil, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) concedeu por sua obra Fantasia Coral para mezzo-soprano, piano, órgão, harpa, coro e duas bandas sinfônicas, o prêmio de “Melhor Obra Vocal de 1992”.
Foi presidente da Sociedade Brasileira de Musicologia entre os anos de 1993 e 1995.
Elias Álvares Lobo
André da Silva Gomes
 Deve-se a ele, entre outros menores, três grandes achados para a Musicologia: o quarto ato, até então desaparecido, (na versão de canto e piano) da ópera “A Louca” (1862) do compositor paulista Elias Álvares Lobo; o “Tratado de Contraponto e Composição” (1830) do compositor luso-brasileiro André da Silva Gomes; em novembro de 1995 descobriu uma composição inédita de Villa-Lobos, a Valsa Brilhante de 1904, para violão constando em catálogo das obras do mestre como “não localizada”. As três obras em manuscritos originais únicos.
Foi novamente agraciado pela APCA com o prêmio da “Melhor Obra Sinfônica de 1993” com “Sons Inovadores”.

Entre janeiro de 1994 e abril de 1995, Amaral Vieira realizou com o mais absoluto êxito tournées pelo Oriente Médio, Alemanha, Bélgica, Japão, China e Bolívia, além de apresentações no Brasil, num total de 85 concertos.

Em dezembro de 1995, quatro de suas obras sacras (Missa Pro Defunctis para coro a cappella, Requiem in Memoriam e Te Deum para coro e orquestra, e Stabat Mater para coro e cordas) foram gravadas pela Orquestra, Coro e Solistas da Eslováquia, e, em agosto de 1996, tiveram seu lançamento simultâneo em CD: na Eslováquia pelo selo Slovart Music e no Brasil pelo selo Paulus.
Em 1996 Amaral Vieira foi agraciado com seis prêmios em reconhecimento ao seu trabalho:
Prêmio Ary Barroso, “Personalidade Artística de 1995”; Prêmio Ateneu Rotário de 1996, do Rotary Club de São Paulo; Prêmio “Homem do Ano 1996” atribuído pela Tertúlia Pensão Jundiaí; Prêmio de “Honra ao Mérito, Paz e Cultura”, atribuído pela Associação Brasil SGI; Prêmio “Taplow Court Culture Award”, da Inglaterra, pelo conjunto de seus trabalhos; Prêmio de “Melhor Obra Sinfônica de 1996” pela APCA para a sua Canção da Juventude opus 274, para orquestra.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convidou Amaral Vieira para a realização de uma extensa viagem de concertos por oito países da América Latina, apresentando-se com extraordinário sucesso na Colômbia, Equador, Peru, Chile, Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia, recebendo sempre a mais calorosa acolhida por parte do público e críticos musicais.
Nesse mesmo ano realizou duas tournées no Japão (uma de fevereiro a maio, e outra de setembro a dezembro) quando se apresentou em 114 recitais por várias cidades daquele país e concertos com orquestra nas cidades principais, estes últimos, exclusivamente dedicados às suas obras orquestrais.
Em abril/maio de 1996 foram gravadas no Japão as seguintes obras de Amaral Vieira: Sons Inovadores - opus 266 para orquestra, Alvorada de Esperança da Civilização Universal - opus 268 para piano, O Alvorecer do Século da Humanidade - opus 259 para piano e orquestra, Canção da Juventude - opus 274 para orquestra e Words of Encouragement - opus 267 para solistas vocais, coro misto, coro infantil, orquestra de cordas, piano, celesta harpa e percussão, com as quais saiu um CD “Vieira’s World” do selo Min-On.
No mês de junho/1996 fez uma tournée pela Hungria e Romênia após o que foi convidado a integrar o Júri do 4º Concurso Internacional de Piano “Dinu Lipatti” na Romênia.
Um estojo com três álbuns contendo suas interpretações para as obras de Liszt foi editado em setembro em Paris, pelo Selo SM International, com distribuição mundial.
Recebe mais duas honrarias do Japão: Prêmio "Soka University Award of Highest Honor" - Professor Emeritus, o mais alto prêmio daquela Universidade e "Certificado da Amizade Soka", pela Congregação Estudantil da Universidade Soka, ambos em 1997.
Três álbuns inteiramente dedicados às suas composições foram editados em 1997 nos Estados Unidos. No mesmo ano teve suas obras para órgão gravadas pelo artista inglês Iain Quinn (“Obras Completas Para Órgão (1984/96)”).
Em 1997 esteve em Portugal fazendo concertos e ministrando cursos de interpretação para pianistas, tendo sido convidado a fazer parte do Júri do Concurso Internacional do Porto em 1998. Em seguida viajou para a Eslováquia, onde duas de suas obras sacras (Te Deum in Stilo Barocco e Missa Choralis) foram gravadas pela Orquestra e Coro daquele país, estando o CD resultante desse registro, já disponível, na Europa, pela Slovart Records, e no Brasil, pela Paulus.
Em outubro do mesmo ano, seguiu para o Japão, para o lançamento de seu CD “The Refined Timbre of the Historic Fortepiano” gravado em um Schweighofer de 1840; na mesma viagem fez, com muito sucesso, concertos na China, onde foi convidado pela China Performing Arts Agency, a maior agência de concertos do mundo, a voltar em 1999 para uma grande tournée de concertos pelo país.
Em 1998 o compositor tomou posse da Presidência da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, tendo terminado seu mandato em dezembro de 2002.
Suas turnês de concertos incluíram, afora o Brasil, quase todos os países da Europa, América do Sul, Oriente Médio, China e Japão.
Recebe o prêmio da APCA para orquestra e “Melhor Obra Camerística de 1999” com seu quinteto “Fronteiras”.
Assume durante o período de 1999 a 2001 a Direção Artística do Festival Internacional São Bento de Órgão, realizado no Mosteiro de São Bento (SP) que trouxe ao Brasil organistas os mais famosos e recebeu uma média de público de 1.200 pessoas a cada recital.
Em janeiro de 2000 Amaral Vieira foi eleito para a Cadeira nº 39 (Patrono Luciano Gallet) da Academia Brasileira de Música, tendo sido à época o mais jovem Acadêmico dessa prestigiosa Instituição, criada por Villa-Lobos.
Em abril de 2001 assumiu a presidência da Fundação Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, cargo que ocupou por oito anos.
Tendo completado em 2002, cinquenta anos de idade, muitas foram as comemorações com execuções de suas obras durante o ano todo em várias cidades do Brasil e exterior.
Em março de 2003, recebe do Japão, o “Prêmio Arte da Soka Gakkai”, pelo conjunto de seu trabalho como compositor, pianista e divulgador da arte musical em todos os seus segmentos. Este prêmio foi instituído no início desse ano e Amaral Vieira é o primeiro artista estrangeiro a recebê-lo.
Fez parte do Júri do XIX Concurso Internacional de Piano de Epinal na França em 2003, 2007 e 2009, quando o presidiu.
Em fevereiro/março de 2005 esteve pela sétima vez no Japão, onde fez uma tournée de 15 concertos, e em 2008, mais uma tournée de 24 apresentações completando assim, somente naquele país, desde 1994, o espantoso número de 250 concertos em mais de 200 cidades. Nesta mesma viagem recebeu o Prêmio de “Embaixador Honorário da Música” da Universidade Soka dos Estados Unidos por sua importante e incessante contribuição para a Arte em nosso país e no mundo.
Amaral Vieira tornou-se, no Japão, o mais conhecido artista brasileiro dentro de sua área. O público acorre sempre com incomum entusiasmo aos seus recitais, cujos ingressos se esgotam de dois a três meses antes de cada tournée. É importante ressaltar que os teatros japoneses são geralmente de grandes dimensões, chegando a comportar até 5.000 pessoas num único evento.
Em 2006 compôs o “Concerto Breve” opus 321, para piano e orquestra. A obra foi encomendada pelo “Projeto Guri” em comemoração aos 10 anos de sua existência e estreada em dezembro daquele ano, na Sala São Paulo, pela Orquestra do Projeto Guri, tendo como solista o jovem pianista Fausto Ito sob a regência do Maestro John Neschling.
No mês de julho de 2008, o pianista foi agraciado com o prêmio "2008 Golden Laurel Award", outorgado pela "The Delian Society" pelo conjunto de sua obra. É a primeira vez que esta distinção é conferida a um compositor brasileiro. O prêmio é dado uma vez ao ano para um único compositor vivo no mundo. A indicação foi feita por membros da sociedade e a escolha final ratificada por uma comissão internacional. A organização dedicou uma página a Amaral Vieira oficializando o recebimento do Golden Laurel Award, que pode ser acessado no site www.deliansociety.org/vieira.html. Fundada em 2004, essa renomada sociedade musical com sede na Florida (EUA) atua em mais de 30 países em seis continentes.
Em dezembro de 2010 foi apresentada, no Teatro do MASP (SP), a estreia mundial de sua “Cantata de Natal” opus 327 para solistas, coro a quatro vozes, dois pianos, saxofone, tímpanos e percussão.
Em abril de 2011 aconteceu a estreia mundial de sua obra “Missa Paschalis” opus 328 para coro a quatro vozes e orquestra, no Domingo de Páscoa, na Catedral da Sé de São Paulo.
Suas gravações fonográficas contam atualmente com mais de 120 títulos e incluem obras dos mais diversos compositores, assim como o registro de suas próprias composições, que ultrapassam 500 obras, e têm sido gravadas por ele próprio e por outros artistas em vários países do mundo.
Entre algumas de suas composições mais notórias podem ser citadas:
Sonata Piccola, Op. 123
Trilogia - Elegia, Noturno e Toccata Op. 137
Fábulas, Op. 174, 10 peças para piano
Cinco Bagatelas para piano, Op. 178
Te Deum, Op. 181
Missa pro defunctis, Op. 187
Prólogo, Fuga e Final, Op. 194
Requiem in Memoriam, Op. 203
Te Deum in stilo barocco, Op. 213 (1986)
Stabat Mater, Op. 240
O Alvorecer do Século da Humanidade, Op. 259 (1991)
Sons Inovadores, Op. 266 (1992)
Palavras de Encorajamento, Op. 267
Alvorada de Esperança da Civilização Universal Op. 268
Canção da Juventude, Op. 274
Missa Choralis. Op. 282 (1984)
The Snow Country Prince, Op. 284
Aquarelas Japonesas Op. 325 (2010)
In Natali Domini (Cantata de Natal) Op. 327

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

LE CHEVALIER DE SAINT GEORGE


Nascido Joseph Bologne em 25 de Dezembro de 1.745 na comuna francesa de Baillif na região de Guadeloupe, nas Antilhas Francesas, no Caribe. Filho de um rico fazendeiro, George de Bologne de Saint-George, com sua escrava Nanon, que foi uma espécie de segunda esposa mantida discretamente no ambiente doméstico.

Quanto à sua data de nascimento existem algumas dúvidas por ser filho de uma escrava, tendo três datas diferentes de nascimento sido atribuído a ele, sendo mais aceita a citada.
O jovem teve uma infância privilegiada na fazenda de seu pai. Tendo bastante tempo disponível seu pai lhe deu aulas de música e esgrima. Aos oito anos de idade, Joseph partiu para Bordeaux com sua irmã, por parte de pai, Élisabeth para frequentar a escola. Sua mãe Nanon desembarcou no mesmo porto dois anos depois, para visitar Joseph permanecendo por algumas semanas. Retornando mais tarde juntamente com George. Passaram a viver no bairro de Saint-Germain em Paris.
Luis XV
Em outubro de 1756 aos treze anos entrou para a Academia de Esgrima de Nicolas Texier de La Böessière, uma escola de elite para os filhos da aristocracia. No período matutino tinha aulas de matemática, história, línguas estrangeiras, música, desenho e dança. Enquanto que o período da tarde era dedicado à esgrima. Joseph treinou com o filho de La Böessière e tornou-se um amigo da família.
Em 01 de abril de 1757, seu pai, George obteve a posição de Cavalheiro da Câmara do Rei, o que significava que ele era um assistente pessoal do rei Luís XV.
Em 05 de abril de 1762 o Rei Luís XV decretou que os negros e pessoas de cor deveriam se registrar com o secretário do Almirantado no prazo de dois meses. Nanon registrou a si mesma enquanto que La Böessière registrou Joseph.
Saint-George e um pequeno número de outras pessoas de cor superou a barreira do racismo e ascendeu à classe média, o jovem era dotado, mas seus talentos inatos foram ampliados pelo esforço incansável, permitindo-lhe, não só para ser melhor, mas acima de tudo para superar a barreira racial que o colocou na classe social de mulatos, porque seu pai era branco e sua mãe era negra.
Em 10 de maio, 1763, Joseph de Bolonha era um oficial do ministério público responsável por levar as ordens do Rei para o Tribunal de Guerra. Ele permaneceu no cargo por 11 anos, a idade mínima para o cargo era 25 anos, e Joseph tinha apenas 17 anos.
Seu pai, George de Bologne de Saint-George deixou em testamento, em 09 de dezembro de 1765, para Mademoiselle Anne Nanon, uma mulher negra livre, uma soma de três mil libras, e para o Monsieur de Saint-George, Conselheiro do Rei, uma soma de cinquenta mil libras.
Joseph estudou na Academia de esgrima por seis anos, até seus dezenove anos. Foi lá que se tornou conhecido como Le Chevalier de Saint-George.
A espada sendo reservado para a nobreza, o aprendizado de armas, fortemente regulamentado para excluir os estudantes e mestres indesejáveis, pertencia à elite. A figurar entre essa aristocracia, e, em primeiro lugar, no entanto, não foi pouca coisa. Por sua preeminência na esgrima, Saint-George adquiriu uma posição de invulnerabilidade que era tanto físico e social.
Saint-George tornou-se conhecido no mundo da esgrima como "o deus de armas".
Antonio Lolli    -     François-Joseph Gossec     -     Carl Stamitz
Além do talento para o esporte, ele desenvolveu também o talento para as artes, sendo um excelente dançarino. Ele também tinha domínio tanto no cravo quanto no violino. Alguns compositores de sucesso que dedicaram obras para ele, inclusos na lista Antonio Lolli (1764), François-Joseph Gossec (1766) e Carl Stamitz (1770), sendo que este último se dirigiu a ele em italiano por seu título oficial completo.
Jean-Marie Leclair
Não existem comprovações, mas acredita-se que ele tinha tido aulas de violino com Jean-Marie Leclair, outro compositor importante da época, e tenha estudado composição com Gossec.
Gabriel Banat
Tornou-se maestro de Le Concert des amadores em 1773, combinando as suas funções de regência com a de compositor. Entre 1773 e 1775, produziu oito concertos para violino e duas sinfonias concertantes, de acordo com a Lista de Obras compilada por Gabriel Banat.
Com a fama de sedutor, Saint-George teve pelo menos um relacionamento romântico sério, mas as atitudes raciais tornou impossível para ele se casar com ninguém em seu nível da sociedade.
Marquise de Montesson
Embora tendo sido rejeitado para o cargo de diretor na Ópera de Paris, Saint-George mais tarde foi nomeado diretor musical do teatro privado da Madame Marquise de Montesson, nascida Charlotte-Jeanne Berauld de la Haye-de-Riou. Dirigindo entre duas e três performances semanais. Sua primeira comédia musical foi uma obra em três atos, Ernestine, para a qual escreveu apenas a música. Foi realizada na Comédie-Italienne em 19 de Julho de 1777. A música foi dada geralmente boas críticas, mas a imprensa criticado o trabalho para suas letras.
Joseph foi uma das figuras mais importantes na cena musical da segunda metade do século XVIII. Foi um dos primeiros músicos na Europa conhecido por ter ascendência africana.
Atingiu o seu auge profissional como compositor publicando duas sinfonias concertantes em 1776 e mais duas em 1778. Em 1777, ele escreveu três concertos para violino e seis quartetos de cordas. Algumas pessoas chamam Saint-George a Mozart Negro, mas esse apelido não é preciso, de acordo com Dominique-René de Lerma, um especialista na obra de Saint-George e Professor de Música na Universidade Lawrence, em Appleton, Wisconsin. Saint-George foi sempre muito mais do que uma figura na música clássica. Ele foi um dos melhores esgrimistas da Europa e um coronel heroico na Revolução Francesa. Saint-George escreveu a música para uma segunda comédia musical, La Chasse [A caça], realizada pela primeira vez em 12 de outubro de 1778. Foi um grande sucesso com o público e foi unanimemente elogiado pela imprensa.
Marie Antoniette
No início de 1779, Saint-George começou a tocar música para a rainha Marie-Antoniette em Versalhes, que era uma de suas admiradoras e apoiadora.
Saint-George foi viver em Lille quando a Revolução Francesa eclodiu em julho de 1789. Ele entrou para a Guarda Nacional em Lille no final daquele ano. Ele obteve a patente de capitão em 1790. Saint-George o soldado ainda era um músico e um esgrimista, então ele organizou concertos e demonstrações de esgrima em Lille, enquanto estacionados na cidade.
Em 01 de setembro de 1791 uma delegação de homens de cor, liderado por Julien Raimond de Saint-Domingue, solicitou à Assembléia Nacional, que lhes permitam lutar em defesa da Revolução e seus ideais igualitários. No dia seguinte, a Assembléia aprovou um corpo composto principalmente de homens de cor, com 800 infantaria e 200 funcionários de cavalaria. Saint-George foi nomeado para ser o seu coronel. Seu nome oficial era légion Franco de cavalerie des Américains, mas logo se tornou conhecido por todos como o légion Saint-George [Saint-George Legion]. O coronel escolheu seu amigo e protegido Alexandre Dumas como tenente-coronel. Tal como o seu coronel, ele era o filho de um aristocrata francês e um escravo Africano. Mais tarde, ele teve um filho, também chamado Alexandre Dumas, que ganhou fama como autor de Os Três Mosqueteiros.
Alexandre Dumas
Saint-George desempenhou um papel crucial em travar "la trahison de Dumouriez" [A traição de Dumouriez] em Lille, em abril de 1793. General Charles François Dumouriez tinha sido derrotado em Neerwinden, Bélgica em março e tinha posteriormente fez um armistício secreto com a Áustria . Ele pretendia capturar Lille, coroar o filho do Rei morto como Louis XVII, e usar a cidade como base para recuperar o controle da França para a monarquia. Dumouriez enviou Geral Miaczinski a uma cidade perto de Lille com 4.000 soldados. Miaczinski disse Saint-George e Alexandre Dumas do plano em pessoa. Eles deixá-lo acreditar que permitiria que seus soldados para tomar o Lille. Quando chegou o momento para ele assumir o controle de Lille, Miaczinski trouxe apenas uma pequena escolta. Saint-George e Dumas o prendeu e enviou-o a Paris, onde foi executado. Suas tropas não tentaram tomar a cidade; Dumouriez refugiou-se fora da França; eo jovem República Francesa foi salvo.
Charles François Dumouriez
Saint-George foi um herói, mas não por muito tempo. Suas ligações com a aristocracia fez vulnerável a falsas acusações de mau uso de fundos públicos. Simon Dufresse, um Comissário, escreveu uma denúncia contundente. Alexandre Dumas, aparentemente, tinham diferentes simpatias políticas do que o seu coronel. Ele se juntou a outros em acusar o seu comandante de delito. Coronel Saint-George foi preso no dia 04 de novembro de 1793 e foi preso sem julgamento. Robespierre caiu eventualmente, sinalizando uma mudança nos ventos políticos. O Comité de Segurança Pública, finalmente, decidiu que Saint-George tinha sido removido sem causa. Em 23 de outubro de 1794 que ordenou a sua libertação da prisão. Esperanças de voltar à sua antiga posição Saint-George 'foram frustradas por um decreto geral de 25 de outubro de 1795. Anne Nanon, sua mãe, morreu durante este período difícil na vida de Saint-George, 16 de dezembro de 1795. Muito antes de morrer, Nanon tinha gravado uma escritura testamentária de 18 de Junho 1778, assinado Anne Danneveau, pelo qual ", ela dá e lega ao Sr. De Boulogne St-George, vivendo rue Saint Pierre, todos os seus pertences, móveis e imóveis pertencente a ela no dia de sua morte ".
O testamento mostra desejo deliberado de Nanon, por amor maternal, para privar-se de sua verdadeira identidade para esconder as origens africanas de Saint-George.
Saint-George viajou para Saint-Domingue, agora Haiti, entre 2 de abril de 1796 e 6 de abril de 1797. Na primavera de 1797 Saint-George regressou a Paris e assumiu o comando da sua orquestra final, Le Cercle de l'Harmonie [Círculo de Harmonia], uma organização de concertos recém-criada no Palais-Royal, na antiga residência do Duque de Orléans.
Saint-George escreveu sinfonias, concertos para violino e orquestra, quarteto de cordas, Sonatas, e canções no estilo de Mozart e Haydn. Ele também escreveu pelo menos cinco óperas com uma possível sexta ópera, Le droit de seigneur.
Saint-George vivia sozinho em um pequeno apartamento em Paris durante os últimos dois anos de sua vida. No final da primavera de 1799 uma infecção da bexiga não tratada o levou a tornar-se fraco e febril. Ele ficou na casa de Duhamel até sua morte em 10 de junho de 1799.
Se for verdadeiro que seus últimos anos foram vividos com simplicidade, Joseph Bologne de Saint-George não morreu no esquecimento: os jornais de Paris noticiaram sua morte como a de uma personalidade nacional.
Marius Casadesus
Jean-Jacques Kantorow
O esquecimento quase total veio um pouco mais tarde, ao longo dos séculos 19 e 20. Em 1936 o violinista Marius Casadesus fez um primeiro esforço de revivê-lo, porém isso só veio acontecer de fato a partir de 1974, quando Jean-Jacques Kantorow espantou o mundo com gravações de algumas sonatas e concertos. De lá para cá têm surgido cada vez mais estudos, biografias e gravações, incluindo integrais dos concertos e dos quartetos.

Chevalier com as três rosas, símbolo maçônico da época.

O Chevalier foi um dos primeiros maçons negros na França. Ele foi iniciado numa loja parisiense do Grande Oriente da França chamada Les Soeurs 9 [As nove irmãs].


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