quarta-feira, 6 de julho de 2016

BEAUTIFUL DREAMER


Que tal ouvir um disco com o singelo título BEAUTIFUL DREAMER e o subtítulo “Lullabies the whole world loves”. Na capa uma jovem mãe com uma bebezinha no colo dormindo profundamente. Suspeito, não?
Bom este disco existe, foi lançado em 1993, e tem 12 faixas muito interessantes, e no conjunto realmente servem não só para dar aquela relaxada e puxar uma soneca. Mas também para uma pausa para meditação e introspecção. Todas as peças são orquestradas.

Vamos então às faixas:
Brahms
  1. Lullaby – Johann Brahms, o título original da canção é Wiegenlied: Guten Abend, gute Nacht, Op. 49, nº 4 – publicada em 1868, é uma das canções mais usadas pelos pais para ninar os seus bebes e um dos temas mais famosos e reconhecidos no mundo. Foi dedicada a Bertha Faber por ocasião do nascimento de seu segundo filho, sua amiga, por quem Brahms foi apaixonado na juventude.
    Partitura de Schlafe, mein Prinzchen
  2. Sleep, My Little Prince, Sleep – Bernhard Flies, um compositor pouco conhecido nascido na Alemanha em 1770, seu título original é Schlafe, mein Prinzchen, schlaf ein, há algumas controvérsias sobre a canção ser realmente de sua autoria, estudos recentes apontam que seu compositor seria de fato, Johann Friedrich Anton Fleischmann, entretanto esta canção já foi atribuída erroneamente a Wolfgang Amadeus Mozart, com o número K350 no catálogo Köchel.
    Capa da partitura de Too Ra Loo Ro Loo Ral
  3. Too Ra Loo Ro Loo Ral - James Royce Shannon, é uma canção americana de origem irlandesa escrita em 1913 para o musical Tin Pan Alley Shameen Dhu. A gravação original da canção feita por Chauncey Olcott alcançou a posição # 1 nas paradas musicais. E repetiu o sucesso com Bing Crosby em 1944 vendendo mais de um milhão de cópias e alcançou a quarta posição na Billboard.
    Gershwin
  4. Summertime – Gershwin, a canção é uma das partes mais conhecidas da peça Porgy & Bess de 1935, um jazz standard muito popular, considerada uma das melhores canções do autor. Gershwin declarou que essa música foi baseada em uma canção ucraniana de ninar, Oi Khodyt Son Kolo Vikon (Um Sonho Passa Pela Janela).
    Ned Washington, Leigh Harline & Walt Disney
  5. When you wish upon a star – parceria de Leigh Harline e Ned Washington, para a adaptação de Walt Disney para Pinóquio em 1940. Cantada no desenho pelo Grilo Falante. A canção é um dos ícones da Walt Disney Co.
    Harold Arlen & Edgard Yipsel "Yip" Harburg 
  6. Over the Rainbow – parceria de Harold Arlen e Edgar Yipsel "Yip" Harburg é uma das canções mais famosas da década de 1930. Escrita para o filme o Mágico de Oz, é citada como uma personificação da esperança e dos sonhos da juventude sobre um mundo melhor.
    Robert Schumann
  7. Traumerie – Robert Schumann, parte da Opus 15 do compositor, conhecida como Cenas da Infância, no original Kinderszenen, composto em 1838. Um conjunto de 12 peças, originalmente era trinta, exprimindo as reminiscências da infância. Numa resposta a forma que Clara Schumann costumava trata-lo como criança. Traumerei é uma das peças mais famosas do compositor alemão. Numa tradução livre Traumerei seria A Sonhar.
    Ponce
  8. Estrellita – Manuel Ponce, escrita em 1912 é a mais famosa peça do compositor mexicano, não é uma canção de amor, e sim de saudade.
    Engelbert Humperdinck
  9. Prayer – Engelbert Humperdinck, a música faz parte da ópera infantil Hänsel und Gretel, João e Maria – em português, baseado no conto dos irmãos Grimm composta entre 1891 e 1892 é um dos temas mais famosos da peça. O título em alemão é Abendsegen, também conhecida como Evening Prayer.
    Sir Joseph Barnby
  10. Sweet and Low – Sir Joseph Barnby, originalmente um poema de Alfred Lord Tennyson, publicado em 1847, considerada uma de suas canções mais famosas, o arranjo para coral foi composto em 1863.
    G.H.Clutsam
  11. Ma Curly Headed Baby - George Howard Clutsam, uma das várias composições populares do compositor australiano, teve a sua primeira gravação em 1912 com a cantora Marguerite Dunlap, arranjo para voz e orquestra, pelo selo Victor, de acordo com a Discography of American Historical Recordings.
    Abraham Goldfaden
  12. Sasins and Almonds - é uma canção de ninar tradicional judaica popularizado no arranjo por Abraham Goldfaden. É uma canção de ninar comum entre os judeus Ashkenazi europeus.
    Grieg
  13. Solvejg’s song – Edvard Grieg, escrita em 1875 pelo compositor norueguês, como uma das canções que compõem a música incidental para a peça Peer Gynt de Henrik Ibsen, ela aparece no terceiro ato. Posteriormente ela apareceria também em sua Suíte nº 2 – Opus 55. Uma canção simples e extrema beleza.
    S.Foster
  14. Beautiful Dreamer – Stephen Foster, considerado o pai da música norte americana, autor de clássicos populares como "Oh! Susanna", "Camptown Races", "Old Folks at Home", "My Old Kentucky Home", "Jeanie with the Light Brown Hair", "Old Black Joe", e "Beautiful Dreamer", não se sabe ao certo quando foi composta se em 1862 ou 1864, foi publicada postumamente, uma das mais belas serenatas do autor, uma canção com tema repetitivo tocado em arpejos, a versão apresentada pelo arranjo de Mantovani a deixou extremamente relaxante.


Vale a pena a audição e boa introspecção.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

GEMINIANI


Francesco Xaverio Geminiani, nascido em Lucca, sua data de batismo é 05 de dezembro de 1.687 foi um grande violinista e compositor italiano. Em algumas publicações seu nome do meio está grafado como Saverio.

Filho do famoso violinista Giuliano Geminiani, que foi seu primeiro professor, tornou-se aluno de Carlo Ambrosio Lonati, apelidado de Il Gobbo (O Corcunda), um violinista qualificado, estudou contraponto com Alessandro Scarlatti, posteriormente, e violino com Arcangelo Corelli.

C.A. Lonati        -              A.Scarlatti -                 A. Corelli
Aos vinte anos, em 1707, substituiu seu pai na Capela Palatina de Lucca. Em 1711 ele se tornou spalla e regente da Ópera de Nápoles. Após um breve retorno à sua cidade natal, em 1714 ele foi para Londres, onde suas performances brilhantes lhe deram, em um curto espaço de tempo, grande reputação.

Dois anos após sua chegada a Londres, publicou 12 sonatas para violino, baixo e cravo, que dedicou ao barão Kielmansegge, camareiro do rei George I. Este trabalho obteve grande sucesso.

Handel
O barão, que era seu protetor, falou ao rei, e obteve permissão para que Geminiani executasse algumas de suas produções em sua presença. Handel, que era o cravista da corte, cedeu parte do seu cravo e ambos fizeram um duo, Geminiani justificou a proteção de seus amigos.

Em 1727, o cargo de professor de música e compositor no estado da Irlanda estava vago, e o Conde de Essex indicou o nome de Francesco Geminiani, mas seu nome foi recusado por ele ser católico. O cargo foi dado a Mathieu Bubourg que tinha sido seu aluno e recusou a indicação. Enquanto isso, suas obras publicadas aumentavam a sua reputação. Numa visita que fez a Paris, entrou em contato com Padre Castel que havia publicado no Journal des Savants uma análise apologética da unidade harmônica de suas peças musicais, de volta a Inglaterra, ele traduziu a matéria para o inglês e publicou, silenciando as críticas.

Esteve outras vezes em Paris, onde lançou edições revisadas e corrigidas de muitas de suas obras. Em 1755, na Inglaterra lançou uma revista chamada Harmonical Miscellaney, sem o sucesso que o compositor esperava, e após duas edições fracassadas desistiu da ideia.

Foi à Irlanda em 1761, onde se encontrou com o seu Bubourg, então integrante da orquestra do rei, o pupilo fez questão de saudá-lo e demonstrar toda a gratidão que tinha com o seu antigo mestre.

Francesco Geminiani reunira material durante vários anos para a publicação de um livro sobre música, entretanto uma serviçal roubou os manuscritos, o que lhe causou profunda depressão, o que provavelmente causou sua morte em Dublin no dia 17 de Setembro de 1762.

Geminiani não foi uma unanimidade, alguns o mencionam como modelo de excelência na música instrumental. Outros que suas composições são ousadas e inventivas, porém sem ritmo ou melodia. Independente disto Francesco tentou abandonar o estilo de Corelli, com formas mais modernas, mas mantendo a pureza do estilo de seu mestre.

Em sua obra de composição se destacam suas sonatas para violino e baixo contínuo e seus concerti grossi, onde introduziu a viola como parte do concertino. Para este estilo ele também adaptou algumas sonatas para violino e baixo de seu mestre Corelli.

Escreveu um tratado sobre a arte do violino em 1751, Art of Playing the Violin, que sumariza a prática do instrumento no século XVIII, sendo uma referência até os dias de hoje.

Seu Guida harmonica (c. 1752) é um dos mais originais tratados de harmonia, dando instruções detalhadas para a realização do baixo continuo. Outras de suas obras teóricas são Art of Accompaniment on the Harpsichord, Organ, etc. (1754), Lessons for the Harpsichord, e Art of Playing the Guitar (1760).

Francesco Geminiani foi o primeiro italiano iniciado na Maçonaria, fato ocorrido em 01 de Fevereiro de 1725 na Queen’s Head Lodge, sendo considerado o mais antigo maçom da Itália.

Foi diretor artístico da PHILOMUSICAE ET ARCHITECTURAE SOCIETAS APOLLINIS, sociedade cultural estabelecida em Londres e criada pela Queen’s Head Lodge, com intuito de patrocinar propagar e desenvolver a música de câmara em detrimento a música religiosa e operística. 

Para ouvir e baixar algumas peças do compositor, clique aqui!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

AS ESTAÇÕES - O INVERNO



Mais uma vez o Inverno está chegando e este ano ele já entregou o seu cartão de visitas nesse final de Outono...

Só para registrar o em 2016 o Solstício de Inverno aqui no Hemisfério Sul ocorrerá às 19 horas e 34 minutos do dia 20 de Junho de 2016. A Estação mais fria do ano terminará no dia 22 de Setembro, com o Equinócio da Primavera.

Não tornarei a falar sobre o Solstício de Inverno, pois já foi comentado aqui.

No ano passado comentei sobre a Sinfonia Nº 1 - Sonhos de Inverno - em Sol Menor - Op 13 de Tchaikovsky Se não viu, aproveite e clique aqui, inclusive revendo a postagem, vi que ainda não abordei o compositor como prometido, que lapso!

Desta vez darei continuidade ao que fiz no Equinócio de Outono em que sugeri algumas músicas com o Outono como tema. Então agora farei isto com o Inverno, serão dez canções em vários estilos... 

Começamos com algumas músicas brasileiras, que não retratam exatamente o Inverno, mas os sentimentos de reflexão e recolhimento:

Quero que vá tudo pro inferno de Roberto Carlos parceria com Erasmo Carlos lançada em 1965 no álbum Jovem Guarda, música que o cantor baniu de seu repertório.


O Inverno do Meu Tempo de Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola em parceria com Roberto Nascimento, lançado em 1979 no álbum Cartola – 70 anos.


As aparências enganam – música de Tunai e Sérgio Natureza, lançada em 1979 por Elis Regina no álbum Essa Mulher.


Inverno de Adriana Calcanhotto em parceria com Antônio Cícero, a canção faz parte de seu terceiro álbum “A Fábrica do Poema” lançado em 1994.


Nem um dia, canção composta por Djavan e que fez parte do álbum Malásia lançado em 1996.

E algumas internacionais:



Wintertime Love – The Doors – faixa do terceiro álbum da banda - Waiting For The Sun - lançado 1968.


Winter - The Rolling Stones, faixa do álbum Goats Head Soup de 1973.


Winterlong – Neil Young – faixa da coletânea de 1977 – Decade.


Lua D’Inverno música instrumental da banda portuguesa de gothic metal Moonspell faixa do álbum Wolfheart lançado em 1995.



Winter – Haruko pseudônimo da cantora Susanne Stanglow canção do álbum Wild Geese lançado em 2009.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Assim falou Zaratustra

Nietzsche


Richard Strauss compôs a peça no ano de 1896. É um dos primeiros trabalhos feitos para homenagear Nietzsche, embora este estivesse com uma paralisia geral nessa época. Mas, ele deve ter ouvido as notícias referentes a essa homenagem feito pelo compositor.

Richard Strauss

Poema Sinfônico "Assim falou Zaratustra" (Also sprach Zarathustra)

Seu número de catálogo é Opus 30 / TrV 176 - escrita durante o período de 4 de fevereiro a 24 de agosto de 1896. A obra teve a sua estreia no dia 27 de novembro de 1896 em Frankfurt — Frankfurter Opern- und Museumsorchester, com a regência do próprio autor.

O Poema Sinfônico tem inspiração na obra literária homônima de Friedrich Nietzsche, de 1885, que conta a trajetória de Zaratustra, ou Zoroastro, o profeta persa (século VII aC) que desce de seu refúgio solitário na montanha e vai compartilhar seu conhecimento com a humanidade. 
Valendo-se da voz de Zaratustra, Nietzsche denuncia o servilismo à religião e os abusos da sociedade contra o indivíduo. A idéia central do livro é a de que somos seres em transição, do macaco ao que o autor chamou de übermensch, o homem-além-do-homem (ou simplesmente traduzido como super-homem). 


Kubrick
Tal teoria foi inserida por Stanley Kubrick em seu filme "2001, Uma odisseia no espaço" de 1968, e a utilização da música na trilha-sonora conferiu à obra uma imensa popularidade.


Strauss declarou que não foi sua intenção produzir música filosófica, nem muito menos traduzir musicalmente o livro, mas sim homenagear a grande figura de Niezsche e sua obra-prima. As 9 partes são, segundo o compositor, um panorama do desenvolvimento da raça humana desde sua origem, passando pelo contato com a religião, com a ciência, até atingir a figura nietzschiana do übermensch.

A peça utiliza os seguintes instrumentos para sua execução:
A disposição aproximada da orquestra seria está, acrescentando e substituindo alguns instrumentos, tais como o piano pelo órgão, os oboés entrariam próximos aos fagotes e saem a corneta, gongo, caixa e xilofone.

Órgão, 1 Flautim, 3 Flautas, 3 Oboés, 1 Corne-inglês, 3 Clarinetas, 1 Clarineta-baixo, 3 Fagotes, 1 Contrafagote, 6 Trompas, 4 Trompetes, 3 Trombones, 2 Tubas, Tímpanos, 1 Bumbo, Címbalos, Triângulo, Glockenspiel, Carrilhão ou sino, 2 Harpas, e 64 Cordas (16 primeiros-violinos, 16 segundos-violinos, 12 violas, 12 violoncelos e 8 contra-baixos).

Com duração aproximada de 35 minutos, divididos em nove partes, que são tocadas ininterruptamente. Segue comentário e a duração aproximada de cada uma delas:


I. Einleitung, oder Sonnenaufgang
(Introdução, ou O Nascer do Sol) — cerca de 2 minutos
O impacto indescritível disso que seria o contato do homem com o poder de Deus (no programa da estreia em Berlim escrito pelo próprio autor) é construído sobre uma nota grave sustentada pelo órgão, com ajuda dos contrabaixos e do contrafagote, no qual irá se apoiar o inesquecível chamado de 3 notas dos trompetes, complementado pela marcação contundente dos tímpanos. O sol nasce e o homem se confronta com a dor do conhecimento, a certeza da morte.
Instrumentos com destaque na primeira parte. 

II. Von den Hinterweltlern
(Dos habitantes dos mundos ocultos) — cerca de 3 minutos
Originalmente, Strauss intitulou essa passagem como Von Göttlichen, Do Divino, e aqui a música traduz a primeira tentativa do homem em encontrar respostas para os mistérios, apelando para as "verdades" religiosas. Um doce tema nasce nos violoncelos e espalha-se pelas cordas com ecos do canto medieval "Credo in unum Deum" (Cremos em um só Deus).


Violencelo e as demais cortas dominam a segunda parte.


III. Von der großen Sehnsucht
(Do imenso desejo) — cerca de 2 minutos
A tentativa de encontrar conforto na saciedade de seus instintos. As cordas "deslizam" com o tema do desejo e são sistematicamente interrompidas pelos sopros com uma sonoridade sôfrega e desconfortável. No ápice melódico, uma brutal interferência que enuncia a dúvida e prepara o próximo trecho.

IV. Von den Freuden und Leidenschaften
(Das alegrias e das paixões) — cerca de 2 minutos
A revolta do homem frente à falta de respostas e sua entrega às paixões, numa melodia gloriosa nos violinos que simboliza os prazeres carnais, até culminar num comentário jocoso dos trombones simbolizando o fastio.

V. Das Grablied
(A canção do túmulo) — cerca de 2 minutos e meio
O sentimento de impotência e desolação, o desespero do homem (numa melodia que aparece no violino-solo do spalla) frente à invencível morte.




VI. Von der Wissenschaft
(Da ciência) — cerca de 4 minutos
Começa numa passagem sombria, na qual o homem tenta, outra vez, encontrar respostas, agora nas ciências e no aprendizado. Adiante os sopros saltitam, simbolizando o conhecimento, e o tema principal ecoa em confronto.

VII. Der Genesende
(O Convalescente) — cerca de 5 minutos
O movimento trata da ascensão do homem a super-homem, libertando-se do mal e da ignorância. Os temas anteriores retornam, inebriados pela atmosfera da superação dos desejos terrenos. A fanfarra pontua a presença de Zaratustra, que ri extasiado (repiques do oboé) e comemora seu triunfo.
oboé

VIII. Das Tanzlied
(A Canção dançante) — cerca de 8 minutos
Volúpia e felicidade na melodia valsante trazida pelo primeiro-violino, num movimento que vai acumulando tensão em direção ao êxtase triunfal que aos poucos vai se desfazendo até o movimento de conclusão:

IX. Nachtwandlerlied
(Canto do viajante noturno) — cerca de 5 minutos
O sino convida às profundezas da noite. É um “finale” enigmático, deixando "o problema" do homem não resolvido. Ecoa o Universo, as esferas, como se o homem fosse se diluir na matéria da qual ele se destacou. A atmosfera permanece serena mais ainda ambígua, cheia de interrogações. Simbolizando essa dúvida, uma dissonância entre o flautim e os violinos antecede a finalização da peça em suaves pizzicatos.
flautim


Texto de Rafael Fonseca.



A peça apresentada nesta postagem é dirigida pelo maestro letão Maris Jansons a frente da Bavarian Radio Symphony Orchestra.



quarta-feira, 8 de junho de 2016

AS ESTAÇÕES - A PRIMAVERA


Um oratório, sim um oratório. Esta é a classificação de Die Jaherszeiten (As Estações) de Joseph Haydn. Da obra vou apresentar apenas a parte que se refere à Primavera, pois se trata da estação que está se aproximando.
Gottfried van Swieten
Este oratório de Franz Joseph Haydn teve o seu libreto fornecido por Gottfried van Swieten, que já havia entregue anteriormente o libreto de A Criação. O processo de composição de As Estações foi imensamente difícil, pois sua saúde debilitada fez com que levasse dois anos para concluir o trabalho. A magnitude do trabalho demonstra que a demora é justificada. A obra teve sua estreia em 1801 com imenso sucesso, embora inferior ao de A Criação.
Como disse no início, é um oratório, entretanto “As Estações” não têm por tema central elementos da religião cristã, tampouco da mitologia clássica. E sim a essência da vida cotidiana, baseando-se em episódios da vida rural.
A obra é dividida em quatro partes. Cada uma é representando uma das estações - Primavera, Verão, Outono e Inverno.
Focarei uma parte desta obra, a cada estação.
Os movimentos que compões esta parte são:

01 - Introdução e Recitativo: Seht, wie der strenge Winter flieht!
02 - Coral dos Camponeses: Komm, holder Lenz!
03 - Recitativo: Vom Widder strahlet jetzt
04 - Ária: Schon eilet froh der Ackersmann
05 - Recitativo - Der Landmann hat sein Werk vollbracht
06 - Coral com solistas - Sei nun gnadig, milder Himmel
07 - Recitativo - Erhort ist unser Flehn
08 - Solistas e Coral - O wie lieblich ist der Anblick

Haydn
 Segue uma adaptação da letra original em alemão, para o português, do segundo movimento, o Coral: “Komm, Holder Lenz.”

CORO DOS CAMPONESES
Venha bela Primavera! Graça divina venha!
A natureza desperta de seu sono da morte.

MULHERES E MENINAS
Vem a primavera doce.
Já sentimos o suspiro quente,
Breve tudo renascerá.

HOMENS
Não se alegram muito em breve!
Muitas vezes envolto em névoa
O inverno retorna e se espalha
Seu frio entorpece as flores e botões.

TODOS
Venha amada Primavera! Graça divina venha!
Desça sobre nossos campos!
Venha, primavera doce, oh venha

E não se demore.

Nota Explicativa:
Oratório é um gênero musical cantada com conteúdo narrativo, assemelha-se à ópera em sua estrutura (árias, coros, recitativos), entretanto não se destina à encenação. Em geral, os oratórios têm temática religiosa.
O nome oratório da Congregação do Oratório, atualmente conhecida como Confederação do Oratório, uma comunidade de apóstolos criada em 1565, na cidade de Roma, por São Filipe Néri. Aí eram produzidos espetáculos de música sacra, no período que transcorreu de 1571 a 1594.

A gravação que consta no link é de Herbert von Karajan com a Filarmônica de Berlim, feita em 1972, dentro de uma igreja.
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-d0FXRU4xRVBQMTg?resourcekey=0-NZgbCn_Qfi1qT1mrD8DidQ&usp=sharing