quarta-feira, 13 de maio de 2015

PHILIP GLASS

Philip Morris Glass considerado um dos compositores mais influentes do final do século XX. A sua música é normalmente chamada de minimalista, embora ele não aprecie esta expressão. Nascido na cidade de Baltimore em Maryland nos Estados Unidos no dia 31 de janeiro de 1937, filho de Ida e Benjamin Charles Glass, imigrantes judeus da Lituânia.
Seu pai era dono de uma loja de discos e, assim a sua coleção de discos em grande parte consistia dos itens não vendidos, incluindo música erudita moderna como Hindemith, Bartók, Schoenberg, e Shostakovich e música clássica ocidental incluindo Quartetos de cordas de Beethoven e Piano Trio de Schubert, que ele cita como uma grande influência em seu trabalho em uma idade muito precoce.
Ainda criança estudou flauta no Instituto Peabody. Posteriormente cursou Matemática e Filosofia na Universidade de Chicago.
Em 1954 Glass foi a Paris pela primeira vez, lá conheceu os filmes de Jean Cocteau, que o impressionaram.
O teclado tornou-se o seu principal instrumento quando se matriculou na Juilliard School of Music. Teve como professores Vincent Persichetti e William Bergsma. Em 1959, conquistou o Prêmio Compositor IMC dos Estudantes da Fundação BMI, um dos mais prestigiados prêmios internacionais para jovens compositores.
No verão de 1960, ele estudou com Darius Milhaud em Aspen Depois de deixar a Juilliard, em 1962, mudou-se para Pittsburgh.
Ganhou uma bolsa de estudos e foi novamente para Paris, onde estudou com o professor de composição eminente Nadia Boulanger entre o Outono de 1964 e o verão de 1966. Os anos em Paris como estudante deixaram uma impressão duradoura e que influenciaram seu trabalho desde então, como o compositor, ali estudou compositores como Franz Schubert, Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart.
Enquanto esteve em Paris entrou em contato com a obra musical de Pierre Boulez, recentemente afirmou que depois de tão abertamente dizer não gostar deles, atualmente aprecia a música de Boulez e Stockhausen com ênfase no último. Entretanto ficou impressionado com os filmes e apresentações teatrais. Assistiu filmes revolucionários da Nouvelle Vague francesa, como os de Jean-Luc Godard e François Truffaut, fez amizade com o escultor Richard Serra e sua esposa Nancy Graves, com atores e diretores como JoAnne Akalaitis, Ruth Maleczech, David Warrilow, e Lee Breuer, com quem Glass mais tarde fundou o grupo de teatro experimental Mabou Mines. Em 1966 foi diretor musical da produção de Breuer para Mãe Coragem de Brecht.
Casou-se com a sua primeira esposa, a diretora e escritora de teatro, a lituana JoAnne Akalaitis com quem foi casado entre 1965 e 1980, tiveram dois filhos, o casal Juliet Glass, nascida em 1968, e Zachary Glass, nascido em 1971.
Ainda neste período conheceu o músico indiano Ravi Shankar que mudou sua percepção da música indiana. Encontraram-se pela primeira vez durante as filmagens de Chappacqua (1966), foram parceiros na composição da trilha sonora para este filme. Por influência de Shankar, começou a escrever peças com base em estruturas repetitivas de música indiana. Em 1990 voltariam a trabalhar juntos em Passages.
Partiu para o norte da Índia em 1966, onde entrou em contato com refugiados tibetanos e se interessou pelo budismo. Conheceu Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, em 1972, e tem sido um forte apoiante da independência do Tibete desde então.
Em março de 1967, retornou aos Estados Unidos, indo para Nova Iorque onde assistiu uma apresentação do minimalista Steve Reich que fez com que ele simplificasse seu estilo de compor. Entre o Verão de 1967 e o final de 1968, compôs nove obras incluindo Strung Out, Gradus, Music in the Shape of a Square em homenagem a Erik Satie, How Now e One plus One. Em um dos concertos com estas obras, as partituras foram pregadas nas paredes fazendo com que os músicos tivessem que se locomover durante a apresentação.
Em 1970, de Glass e Klaus Kertess (proprietário da Galeria Bykert) formou uma gravadora chamada Chatham Place Productions.
A música de Glass tornou-se mais complexa e dramática como demonstram as peças Music in Similar Motion (1969), e Music with Changing Parts (1970), que entusiasmou jovens artistas tais como Brian Eno e David Bowie.
Philip Glass produziu inúmeros trabalhos entre óperas, sinfonias, concertos, trilhas sonoras para filmes e outros trabalhos em colaboração com outros músicos.
Dentre as óperas Einstein on the Beach (1976), e Satyagraha (1980) esta última baseada na vida de Mahatma Gandhi que inclui diversos mantras. Compôs também a cantata Itaipu (1989) que possui texto em guarani. Pela falta de sensibilidade que demonstrou, esta obra recebeu muitas críticas dos ambientalistas brasileiros, por ser considerada como uma exaltação ao enorme projeto hidroelétrico, construído durante a ditadura militar. O lago formado atrás da barragem causou imensos danos ambientais, destruindo uma vasta área de floresta nativa e deixando submersa aquela que era então a maior catarata do mundo - o Salto de Sete Quedas. Ironicamente, e aparentemente dando pouca importância à controvérsia, Glass denominou o segundo movimento da sua obra "O Lago".
Também é dele Days and Nights in Rocinha (1997) que foi escrita após uma visita de Glass a favela da Rocinha antes do Carnaval.
Glass compôs trilhas sonoras para diversos filmes, começando por Koyaanisqatsi (1982), dirigido por Godfrey Reggio que está entre as trilhas sonoras mais influentes. Podemos citar também como trabalhos na área de trilha sonora para filmes Mishima (1985), Kundun (1997) sobre o Dalai Lama, a trilha sonora dos demais documentários da trilogia Qatsi em Powaqqatsi (1988) e Naqoyqatsi (2002), além de O Show de Truman: O Show da Vida (1998), que usou partes das trilhas de Mishima e Powaqqatsi e As Horas (2002)2 o qual recebeu uma indicação para o Oscar. Recentemente produziu a trilha para os filmes O Ilusionista (2006) e Notas Sobre um Escândalo (2006), também indicado ao Óscar de melhor trilha sonora.
Compôs a ópera "Corvo Branco", encomendada pela Expo 98 e estreada em Lisboa no encerramento do evento, com libreto de Luísa Costa Gomes.
Junto ao grupo mineiro Uakti compôs todas as músicas do álbum Águas da Amazônia e também compôs a trilha sonora do filme Nosso Lar.
Philip Glass atuou no dia 23 de junho de 2007 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa e no dia 24 no Theatro Circo em Braga. Quatro anos depois atuou também a solo na Casa da Música, no Porto, em 25 de Maio de 2011, com uma reação fortemente positiva do público.
Além de trabalhos sinfônicos, Glass também possui fortes ligações com rock e música eletrônica, sendo que o artista de música eletrônica Aphex Twin já colaborou com Glass. Vários outros artistas foram influenciados por sua obra como Mike Oldfield, John Williams e bandas como a Tangerine Dream. Brian Eno inclusive confirma a influência que teve de Glass.
Possui um estúdio frequentado por artistas famosos como David Bowie, Björk e Lou Reed, quando vivo, chamado Looking Glass.
Também foi casado com Luba Burtyk, Candy Jernigan, falecida aos 39 anos vítima de um câncer, Holly Critchlow com quem teve mais dois filhos Marlowe e Cameron, desde 2008 vive com a violoncelista Wendy Sutter e reside entre Nova York e Cape Breton na Nova Scotia no Canadá.
Além dos quatro filhos tem uma neta Zuri nascida em 1989, filha de Zachary.
Dentre seus amigos e colaboradores constam artistas plásticos como Richard Serra e Chuck Close, escritores: Doris Lessing, David Henry Hwang, Allen Ginsberg, cinema e diretores de teatro incluindo Errol Morris, Robert Wilson, JoAnne Akalaitis, Godfrey Reggio, Paul Schrader, Martin Scorsese, Christopher Hampton, Bernard Rose, coreógrafos Lucinda Childs, Jerome Robbins, Twyla Tharp, e músicos e compositores Ravi Shankar, David Byrne, o maestro Dennis Russell Davies, Foday Musa Suso, Laurie Anderson, Linda Ronstadt, Paul Simon, Joan La Barbara, Arthur Russell, David Bowie, Brian Eno, Roberto Carnevale, Patti Smith, Aphex Twin, Lisa Bielawa, Andrew Shapiro, John Moran, Bryce Dessner e Nico Muhly. Entre os colaboradores recentes Woody Allen, Stephen Colbert, e Leonard Cohen.
Curiosidade:
O seriado norte-americano Battlestar Galactica usa uma de suas músicas na trilha sonora - "Metamorphose One".

No anúncio da Nokia ao produto N81, a música apresentada é "Japura River".

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Johann Nepomuk HUMMEL


Johann Nepomuk Hummel, pianista e compositor austríaco de origem eslovaca, nascido no dia 14 de Novembro de 1.778, Pressburgo atual Brastilava na Eslováquia, e que na época pertencia ao reino austríaco, filho Margarethe Sommer Hummel  e Josef Hummel que fora diretor da Escola Imperial Militar de Música em Viena e maestro da Orquestra do Teatro Schikaneder. Durante dois anos Hummel foi discípulo de Wolfgang Amadeus Mozart, que se oferecera para dar aulas gratuitamente ao menino, impressionado com a sua vocação musical. Aos nove anos fez sua primeira aparição em público num dos concertos de Mozart.
O pai de Hummel, em seguida, levou-o em uma turnê europeia, em Londres, teve aulas com Muzio Clementi por quatro anos.
Os professores: Mozart - Clementi - Albrechtsberger - Haydn e Salieri
da esquerda para a direita
Em 1791, Joseph Haydn, que estava em Londres, compôs a Sonata em A bemol para Hummel, que tocou a obra no Hanover Square Rooms, na presença de Haydn. Ao término Haydn agradeceu ao jovem e lhe deu um guinéu (moeda de ouro).

guinéu

O terror causado pela Revolução Francesa fez com que cancelasse uma turnê planejada pela Espanha e França. Retornou a Viena, a partir desta época teve aulas com Johann Georg Albrechtsberger, Joseph Haydn, e Antonio Salieri.
Beethoven
Nessa época, o jovem Ludwig van Beethoven chegou a Viena e teve aulas de Haydn e Albrechtsberger, tornando-se um colega e um amigo. A chegada de Beethoven, foi dito, quase destruiu a sua auto-confiança. Uma amizade marcada por altos e baixos, a amizade mútua desenvolvida em reconciliação e respeito.
Elisabeth Rockel
Em 1804, Hummel sucedeu a Joseph Haydn como Mestre de Capela do príncipe Esterházy em Eisenstadt. Permaneceu na função durante sete anos, até de ser demitido por negligenciar seus deveres. Após isso, ele visitou a Rússia e a Europa e se casou com a cantora de ópera Elisabeth Rockel, em 1813. Eles tiveram dois filhos. Teria sido para ela que Beethoven escreveu Fur Elise.
Em 1819 ocupou o cargo de Mestre de Capela em Stuttgart e Weimar, onde formou uma estreita amizade com Goethe e Schiller, colegas do teatro de Weimar. Durante a estada de Hummel em Weimar, ele fez da cidade a capital musical europeia, convidando os melhores músicos da época para visitar e tocarem lá. Ele criou um dos primeiros programas de aposentadoria aos músicos, com turnês beneficentes. Foi também um dos primeiros a lutar por direitos autorais musicais contra a pirataria intelectual.
Antes da morte de Beethoven, ocorrida em 1827, Hummel visitou-o em Viena, por várias vezes, acompanhado de sua esposa Elisabeth e seu aluno Ferdinand Hiller.

Hummel publicou o Curso Teórico e Prático de Instrução Sobre a Arte de Tocar Pianoforte em 1828, que vendeu milhares de cópias em poucos dias de sua publicação.
A técnica pianística do final do século 19 foi influenciada por Hummel, através de sua instrução de Carl Czerny, que mais tarde ensinou Franz Liszt. Czerny foi aluno de Beethoven, mas ao ouvir Hummel, trocou de professor.

Schubert
Mais tarde tornou-se amigo de Franz Schubert que conheceu em concerto dedicado à memória de Beethoven. Schubert dedicou suas últimas três sonatas para piano à Hummel. No entanto, uma vez que ambos os compositores estavam mortos no momento da primeira publicação das sonatas, os editores mudaram a dedicatória para Robert Schumann, que ainda estava ativo na época.

Chopin                                Schumann

A influência de Hummel também é notada nas primeiras obras de Frédéric Chopin e Robert Schumann.
Franz Lizst
Franz Liszt quis estudar com Hummel, mas o seu pai, Adam Liszt, se recusou a pagar o alto valor cobrado por Hummel, Liszt acabou estudando com Czerny.


Os alunos: Carl Czerny, Friedrich Silcher, Ferdinand Hiller, Sigismond Thalberg. Felix Mendelsssohn, Adolf von Henselt
(da esquerda para direita)

Czerny, Friedrich Silcher, Ferdinand Hiller, Sigismond Thalberg, Felix Mendelssohn e Adolf von Henselt estavam entre os alunos mais proeminentes de Hummel.
Meyerbeer

No final de sua vida, Hummel viu o surgimento de uma nova escola de jovens compositores e virtuosos, e viu sua própria música saindo de moda. Sua técnica em estilo disciplinado e limpo, e seu classicismo equilibrado, se opuseram a ele para a escola crescente de bravura tempestuoso exibida pelos gostos de Giacomo Meyerbeer e Liszt. Compondo cada vez menos, mas ainda altamente respeitado e admirado, Hummel morreu tranquilamente em Weimar em 17 de outubro de 1837.
Sua música foi rapidamente esquecida. Mais tarde, durante o renascimento clássico do início do século 20, Hummel foi preterido, assim como Haydn teve que esperar até a segunda metade do século 20, Hummel foi ofuscado por Mozart.
Ele era maçom e em seu testamento deixou uma parcela considerável de seu famoso jardim em Weimar a sua loja maçônica Anna Amalia zu den Drei Rosen. (Goethe também foi um membro deste influente loja).




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quarta-feira, 22 de abril de 2015

CARL FRIEDRICH ABEL

Viola da Gamba
O último dos virtuoses de viola da gamba antes que o instrumento fosse esquecido por um período aproximado de 150 anos. Abel nasceu em uma dinastia da realeza musical alemã; seu avô, Clamor Heinrich Abel, era músico da corte de Hanover e compositor. Seu pai, Christian Ferdinand Abel, era um amigo próximo de Johann Sebastian Bach. É possível que a parte de violoncelo no Concerto de Brandenburgo No. 6 tenha sido escrito por ele.

Carl Friedrich Abel nasceu em Köthen, uma pequena cidade alemã no ducado de Anhalt-Köthen, no dia 22 de Dezembro de 1.723, no mesmo ano em que a família Bach partiu para Leipzig, e com a morte de seu pai, em 1.737, aos 13 anos de idade Carl foi morar com a família Bach, e foi aluno de Johann Sebastian Bach.

      Johann Adolf      Wilhelm Friedman
Hasse                          Bach     
Foi recomendado pelo seu professor ao diretor da Orquestra da Corte de Dresden, Johann Adolf Hasse, onde permaneceu entre 1743 e 1758. Na época em que integrou a orquestra além da viola da gamba, tocava também violoncelo e cravo. Também neste período conheceu o filho mais velho de Bach, Wilhelm Friedemann.

No inverno de 1758-1759, Abel chegou a Londres, onde passou o resto de seus dias, com exceção de um período na década de 1780, quando Abel visitou sua terra natal.

Abel com o Pentacorde
e o seu inventor 
Nesse período apresentou suas próprias composições tocando vários instrumentos, dentre os quais um violoncelo de cinco cordas conhecido como um pentacorde, recentemente inventado por John Joseph Merlin.
Quando Johann Christian Bach chegou a Londres em 1762, eles se tornaram amigos, e em 1764, os dois homens estavam a trabalhar como músicos de câmara na corte da rainha Charlotte.

Em 1765, eles apresentaram o seu primeiro concerto conjunto na Casa Carlisle em Londres, estabelecendo assim a série de concertos Bach - Abel, o precursor de concertos públicos modernos vendidos.
Johann Christian            Theresa  
           Bach                      Cornelys      
Durante dez anos, os concertos foram organizados pela Sra. Theresa Cornelys , uma cantora de ópera veneziana aposentada que era dona de uma sala de concertos em Carlisle House em Soho Square.
Em 1775 se tornaram independentes dela. No entanto, a concorrência de série similar começou uma tendência de queda para os concertos Bach - Abel. Por volta de 1780, Abel prosseguia a série sem Bach, que combatia o declínio de sua saúde e fortuna jogando todos os seus esforços em produções de ópera e de publicação; ele morreu em 1782, aos 46 anos. Com a morte do parceiro, Abel ainda permaneceu como organizador e músico de vários instrumentos novos e antigos. Abel decidiu tirar umas férias e revisitar a família e os amigos na Alemanha; ele não retoma a série de concertos até ao seu regresso a Londres em 1785.
Abel sentiu a ausência de seu parceiro de negócios; aliado a sua tendência ao alcoolismo o que provavelmente contribuiu para sua morte relativamente cedo, aos 64 anos, que ocorreu em Londres, no dia 20 de junho de 1787.
  Rainha Charlotte                  Sir Edward Walpole               Thomas Erskine
Carl Friedrich Abel foi estimado por toda a sociedade britânica; tinha entre seus amigos, a Rainha Charlotte, Sir Edward Walpole, Thomas Erskine, Conde de Kelly, Laurence Sterne, e Elizabeth, condessa de Pembroke. Alguns deles tinham sido alunos de Abel. Thomas Gainsborough pintou dois retratos dele.
    Laurence Sterne                          Thomas Gainsborough
Abel deixou cerca de 30 sinfonias e concertos para flauta, violoncelo e violino e uma grande quantidade de música de câmara, marchas militares, e várias peças de música de câmara para a viola da gamba. Grande parte dessa música foi escrita para cumprir as obrigações profissionais - shows, contratos publicitários e afins, muitas de suas publicações foram concebidas para uso por amadores.
Condessa de Pembroke

Dois manuscritos que pertenceram à Condessa de Pembroke, apresentam uma visão muito diferente do compositor, revelando uma voz musical muito pessoal, emocional eficaz e disciplinada, um verdadeiro "filho" de Johann Sebastian Bach , apesar de não estar relacionado a ele por sangue.



Curiosidade:
Mozart
Abel e Bach conheceram o Wolfgang Amadeus Mozart quando ele tinha por volta dos seus oito anos, na época em que excursionou por Londres. Este encontro tornou uma das obras de Abel muito famosa, fama conquistada por um equívoco, um manuscrito de Mozart foi catalogado como sua Sinfonia nº 3 em Mi Bemol, K18 na primeira edição completa das obras de Mozart por Breitkopf & Härtel, posteriormente descobriu-se que a obra pertencia a Carl Friedrich Abel e que o menino Mozart havia copiado provavelmente para estudo. Essa obra foi publicada originalmente como o trabalho de conclusão de Abel em seis sinfonias, Op. 7.


Em tempo, assim como Johann Christian Bach, Louis Spohr, Carl Friedrich Abel também pertenceu à Sublime Ordem.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ludwig (Louis) Spohr

Ludwig Spohr, nascido em 05 de Abril de 1784, 231 anos no domingo de páscoa, mais um alemão, oriundo do ducado de Brunswick-Lüneburg, filho de Karl Heinrich Spohr e Juliane Ernestine Luise Henke. Adotou o nome francês Louis fora da Alemanha.
Na infância demonstrou interesse e habilidade com o violino, tendo aulas como Maestro Dufour, que recomendou à família que o enviasse para estudar em Braunschweig. Foi lá que, aos quinze anos, impressionou o Duque Herzog Ferdinand, que o contratou para fazer parte do seu grupo musical de câmara.
Duque Herzog Ferdinand
Aos dezoito anos foi enviado para uma viagem que durou um ano inteiro, patrocinada pelo Duque de Brunswick, a São Petersburgo acompanhando o violinista virtuoso Franz Anton Eck, então seu professor. Nesta época compôs o seu primeiro concerto para violino. Ao retornar, o duque concedeu-lhe uma licença para uma turnê pelo norte da Alemanha.
Aos vinte anos, em Dezembro de 1804, em Leipzig um influente crítico musical, Johann Friedrich Rochlitz, ficou impressionado não só com a sua habilidade técnica ao violino como também por sua música.
Johann Friedrich Rochlitz
Com o sucesso de sua turnê e a fama que alcançara na Alemanha, em 1805, Spohr foi contratado como mestre de concerto na corte de Gotha, cargo que ocupou até 1812.
Apaixonou-se pela bela harpista de 18 anos Dorette Scheidler, filha de um dos cantores da corte. Casaram-se no ano seguinte, para ela escreveu algumas peças pelo obscuro instrumento. No dia 27 de Maio de 1807 nasce a sua primeira filha Emilie Zahn. No ano seguinte em 06 de novembro, nasce  Johanna Sophia Luise Wolff.
De 1813 a 1815, trabalhou como regente no Theater an der Wien, Viena, onde conheceu e se tornou amigo de Ludwig van Beethoven.
Entre 1816 e 1817 viajou com a esposa pela Itália apresentando-se juntos como um duo de violino e harpa, com muito sucesso.
Foi o diretor de ópera em Frankfurt pelo período de 1817 até 1819, produzindo suas próprias óperas, sendo a primeira delas, Faust, que havia sido rejeitada em Viena. Nesta época nasce a sua terceira filha, Therese em 29 de Julho de 1818.
Da esquerda para a direita: Dorette Scheidler (primeira esposa) e suas filhas: Emilie Zahn, Johanna Sophie e Therese, Marianne Pfeiffer (segunda esposa)
Resolveu apresentar-se novamente com a esposa visitando a Inglaterra (1820) e Paris (1821), foi então que durante as viagens, Dorette decide abandonar a carreira de harpista e se concentrar na criação das filhas.
Carl Maria Von Weber
Com a decisão da esposa, ele decide aceitar o cargo de diretor de música na corte de Kassel, que foi mais longo cargo de Spohr, de 1822 até a sua morte, posição oferecida a ele por sugestão de Carl Maria von Weber.
Dorette Scheidler morre em 1834. A dor da perda só é apaziguada ao conhecer a pianista Marianne Pfeiffer, de 29 anos de idade, com que se casa em 03 de Janeiro de 1836. Em Junho de 1838, falece sua filha caçula, Therese.
Em 1857, ele foi aposentado, contra a sua própria vontade, e no inverno do mesmo ano, quebrou o braço num acidente que pôs fim a sua forma de tocar violino. No entanto, ele conduziu sua ópera Jessonda no cinquentenário do Praga Conservatorium, no ano seguinte, com toda a sua antiga energia.
O compositor faleceu em Kassel, no dia 22 de Outubro de 1859.
Escreveu música em todos os gêneros. Produziu mais de 150 obras catalogadas com número Opus e outra centena não catalogada.
Dentre elas:
- 20 concertos, sendo quatro para clarineta e dezesseis para violino;
Os quatro concertos de clarineta, foram todos escritos para o virtuoso Johann Simon Hermstedt.
- 10 sinfonias, sendo a décima inacabada;
- 36 quartetos de corda, como também quatro interessantes quartetos duplos para dois quartetos de cordas.
- Também escreveu uma variedade de outros quartetos, duetos, tercetos, quintetos e sextetos, um octeto e um noneto, obras para violino solo ou para harpa solo, e obras para violino e harpa para serem executadas por ele e sua esposa conjuntamente.
Embora obscuras hoje, as melhores óperas de Spohr são Faust (1816), Zemire und Azor (1819) e Jessonda (1823), sendo a última proibida pelos Nazistas pelo fato de ela mostrar um herói europeu apaixonado por uma princesa indiana.
Escreveu dúzias de canções, muitas delas colecionadas como Deutsche Lieder (Canções alemãs).
Spohr também, como também uma missa e outras obras corais. Os seus oratórios, particularmente Die letzten Dinge (O Juízo Final) (1825—1826), foram grandemente admirados durante o século XIX.
Além de obras musicais, Spohr escreveu um método de ensino chamado Escola de Violino, publicado em 1832 e uma interessante e informativa autobiografia, publicada após sua morte em 1860.
Spohr era um conceituado violinista, e inventou a queixeira para violinos por volta de 1820. Ele também era um regente significativo, sendo um dos primeiros a usar a batuta e também inventando letras de ensaio que são postas periodicamente do início ao fim de uma partitura de maneira que o regente possa economizar tempo pedindo a orquestra ou cantores para começar a executar a partir de uma letra específica.
Para além de compositor Spohr foi também um notável violinista e professor. Como violinista diz-se que apenas teve paralelo em Paganini e como professor o seu método de ensino fez escola.
A sua sexta sinfonia "Histórica" é uma paródia a vários géneros musicais.
Em Kassel existe um museu dedicado à sua memória.

Assim como Haydn, Mozart e seu contemporâneo Johann Nepomuk Hummel, Spohr era ativo como maçom.

Para ouvir parte de sua obra:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-fml0MjVYNC1HRDhnTlhxNUJhLXlCZG1FZUNRYUVyMEVsZnprVjlvNloza1E?resourcekey=0-40A8Ie-Z3KwIaLX_BVVqMg&usp=sharing

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Johann Christian Bach - J.C. Bach

Johann Christian Bach, com um pouco de sua história encerro o ciclo Bach. Nascido em Leipzig no dia 05 de setembro de 1735, o mais novo dentre os filhos de Johann Sebastian com Anna Magdalena Wülken.
Apenas uma pequena parte de sua educação musical foi com o seu pai, acredita que o Livro II de O Cravo Bem Temperado tenha sido escrito e utilizado na sua instrução e também com seu primo Johann Elias. Christian tornou-se copista de seu pai até 1750, ano em que Johann Sebastian Bach faleceu, a partir de então se tornou aluno de seu meio-irmão, Carl Philipp Emanuel Bach, na cidade de Berlim. Apenas em suas primeiras composições existem a influência deste seu irmão, havendo pouquíssima referência de seu pai em toda a sua obra.
Giovanni Battista Martini
Em 1754, foi à Bolonha na Itália, aperfeiçoar-se na arte do contraponto com o padre Giovanni Battista Martini. Posteriormente estudou em Nápoles e Milão. Nesta última cidade, converteu-se ao catolicismo e foi admitido como organista da catedral da cidade, em 1760, atuando no cargo por dois anos. Lá, escreveu duas Missas, um Réquiem, um Te Deum, entre outras obras.
Compôs algumas árias que seriam inseridas em obras de outros autores, prática comum, conhecida com pasticci. Foi o único dos quatro filhos músicos de Johann Sebastian Bach a escrever peças em italiano. 
Interior do Teatro Regio de Turim
O Teatro Regio em Turim ofereceu um contrato para que compusesse uma ópera séria, ARTASERSE, com estreia em 1760. Em virtude do grande sucesso da obra, os teatros de Veneza e de Londres ofertaram contratos para outros trabalhos. Johann preferiu a oferta da casa londrina e rumou para Inglaterra em 1762, fixando-se na capital do reino, o contrato previa a composição de duas óperas para o King’s Theatre of London. 
Catedral de Milão - século XVIII

O cargo de organista foi mantido em aberto pela Catedral de Milão na expectativa de seu retorno, o que nunca ocorreu.


Carl Friedrich Abel
Em Londres, teve início sua carreira de músico de aluguel, sem um empregador definido. Foi um dos primeiros músicos autônomos, ora como prestador de serviços, ora como empresário do entretenimento. Fortalecendo-se nesta posição com o advento dos concertos e apresentações públicas, em 1765, ano em que J.C. conheceu o músico Carl Friedrich Abel, e juntos fundaram uma empresa de concertos públicos, empreitada imitada em muitas outras capitais europeias, surgindo um novo ramo de negócio, que decretaria o fim da música escrita para câmara de príncipes e aristocratas, tirava das mãos dos nobres e dos clérigos o papel de produtores musicais. Alcançou grande reconhecimento artístico e ganhou a alcunha “Bach Inglês”. Com Abel, apresentava o Bach Abel Concerts, entre 1764 e 1779, viajando por toda a Europa.
Sua maneira de compor era altamente melódica e brilhantemente estruturada, o que diferenciava de seu pai e dos irmãos mais velhos. Em suas composições há destaque para a melodia e para o acompanhamento, sem muita ênfase na complexidade contrapontística.
Johann Christian foi designado Mestre de Música da Rainha e seus deveres incluíam ministrar aulas de música a ela e seus filhos e acompanhar o Rei Jorge III ao piano, enquanto o rei tocava flauta.
W.A.Mozart - circa 1765
Foi em Londres, entre 1764 e 1765, J. C. fez amizade com o pré-adolescente Wolfgang Amadeus Mozart, que visitava a cidade dentro do roteiro de apresentações do menino prodígio, organizadas por seu pai, Leopold Mozart. Quando Mozart e J. C. Bach se encontraram pela primeira vez, Leopold relatou que os dois eram inseparáveis. Ambos sentavam-se ao órgão, Mozart no colo de Johann Christian, ambos tocando durante várias horas. J.C. Bach teria sido uma das mais importantes influências de Mozart.
Sua primeira ópera londrina, Orione, foi uma das pioneiras no uso da clarineta. Sua ópera La Clemenza di Scipione escrita em 1778 foi uma das mais populares entre os londrinos por muitos anos e tem paralelos interessantes com a última obra de W.A.Mozart desse gênero: La Clemenza di Tito de 1791.
Foi através de Christian que surgiram algumas importantes inovações tais como a distinção entre a sinfonia e a abertura de ópera que durante o barroco eram a mesma coisa, bem como o formato sonata, base da revolução feita pelo classicismo. A forma sonata aparece em algumas de suas sinfonias no primeiro movimento.
Faleceu pobre, no dia 01 de Janeiro de 1782, foi sepultado numa vala comum para indigentes, na igreja de St. Pancras Old, no registro de seu enterro seu sobrenome estava grafado com Back.
St. Pancras Old Church

Mozart, numa carta a seu pai, disse que "foi uma perda para o mundo da música". Na ocasião em que Johann Christian faleceu, Mozart estava compondo seu "Concerto para Piano nº 12, em Lá maior, K 414, o Andante do segundo movimento tem um tema semelhante ao encontrado na abertura da ópera La calamità del cuore de J. C. Bach.
Somente no século XX foi que o mundo musical começou a entender que os filhos de Johann Sebastian Bach tinham o direito de compor num estilo diferente do de seu pai sem que, com isso, seus idiomas musicais fossem inferiores ou sem qualidade, e que compositores como Johann Christian passaram a ser vistos com um interesse renovado. Ele foi um dos primeiros compositores a dar preferência ao recém desenvolvido pianoforte em detrimento dos antigos instrumentos de teclas, como o cravo.
Embora a fama de J. C. Bach tivesse declinado nas décadas após sua morte, sua música ainda era apresentada nos concertos de Londres com alguma regularidade, frequentemente junto com as obras de Haydn.
Um relato completo da carreira de J. C. Bach é fornecido no quarto volume de History of Music de Charles Burney.
Na árvore da família Bach existem mais dois Johann Christian Bach, mas nenhum deles foi compositor.
Foi o único da família a realmente ter feito parte da Sublime Instituição.

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quarta-feira, 11 de março de 2015

Johann Christoph Friedrich (J.C.F.) Bach


Johann Christoph Friedrich Bach nasceu em Leipzig no dia 21 de Junho de 1732, foi o nono filho de Johann Sebastian Bach com Anna Magdalena, sua segunda esposa, e o segundo a atingir a idade adulta. Suas primeiras aulas de música foram com o pai, assim como os outros filhos compositores, posteriormente foi aluno de um primo distante, Johann Elias Bach.
Estudou na Escola St. Thomas, e em 1749, iniciou seus estudos na Universidade de Leipzig, mas teve de abandoná-los no ano seguinte devido à morte de Johann Sebastian. Aos dezoito, aceitou o cargo de músico da corte do conde de Bückeburg, casa que serviria até sua morte. Como o conde era um apreciador da música italiana da época, teve que adaptar-se ao estilo, entretanto guardando o estilo de seu pai e de seu irmão Carl Phillip.
No ano de 1755 casou com a cantora Lucia Isabel Munchhunsen, filha do organista da corte, Ludolf Munchhausen. No ano de 1759, tornou-se Konzertmeister, cargo que agregava as obrigações de compor e reger a orquestra da corte. No ano seguinte tiveram um filho chamado Wilhelm Friedrich Ernest Bach, que fora batizado pelo conde Wilhem, e que no futuro seria diretor música de Frederico Guilherme II da Prússia.
Em 1778, acompanhado do Conde Wilhelm, ausentou-se por um tempo da corte para visitar os irmãos Carl Philipp, em Hamburgo, e Johann Christian, em Londres, levou na viagem também o seu filho, Wilhelm Friedrich Ernst, que necessitava novas influências musicais. Conheceram então a música de Mozart e Gluck, que também influenciaram a obra de Johann Christophe, tornando-se então mais clássico no final da carreira, diferentemente do início de suas obras marcadas pelo estilo do norte da Alemanha, influência paterna, e pelo italiano, dominante na corte onde trabalhava.
Em 26 Janeiro de 1795, Johann Christoph Friedrich faleceu em Buckeburgo. Seu corpo foi enterrado em 31 de Janeiro no cemitério de Jetenburger, onde também jaz sua viúva Lucia Isabel desde 1803.
Foi o último filho de Johann Sebastian a tornar-se compositor. Deixou como legado uma obra que reflete sem nenhum descrédito o nome da família. Ele era um virtuoso marcante do teclado, com amplo repertório, incluindo vinte sinfonias, pouco mais de trinta sonatas para cravo, uma dezena de sonatas para flauta, perto de vinte concertos para piano, algo em torno de vinte obras sacras, e outros tantas formas de composição.
Uma parte significativa de sua obra estava arquivada no Instituto Estadual de Pesquisa Musical (Staatliches Institut für Musikforschung) e se perdeu durante um bombardeio na Segunda Grande Guerra Mundial. Conhecido como o Bach de Bückeburg, não devendo ser confundido com o primo de seu pai Johann Christoph Bach.



quinta-feira, 5 de março de 2015

Carl Philipp Emanuel (C.P.E.) Bach

Deus é a minha consolação, a minha confiança, minha esperança e minha vida.

Paixão segundo S. Mateus por C.P.E. Bach
Carl Philipp Emanuel Bach nascido em Weimar no dia 8 de Março de 1714 é o segundo filho de Johann Sebastian Bach e Maria Barbara Bach. Possivelmente o compositor mais importante de sua geração, elo entre o estilo barroco de J.S.Bach, e o estilo clássico de Haydn e Mozart.
Os pais Maria Barbara e Johann Sebastian

Aos dez anos de idade, ingressou na Escola de São Tomás em Leipzig, por vontade do pai, foi estudante de Direito nas Universidades de Leipzig (1731) e Frankfurt (1735), graduando-se em 1738, porém decide abandona a carreira jurídica e dedicar-se exclusivamente à música.
Frederico II
De 1740 a 1768 esteve em Berlim, a serviço da corte de Frederico - o Grande. Sua reputação foi estabelecida devido às suas séries de sonatas, a primeira delas contendo seis peças, as Sonatas Prussianas dedicadas a Frederico II publicadas em 1742. Em seguida, dois anos depois, por outra série de seis sonatas, Sonatas Württemberg; dedicadas ao grão-duque de Württemberg. Neste período escreveu o Magnificat, no qual aparece a influência de seu pai; o que não era comum em sua obra, uma cantata de Páscoa; várias sinfonias; pelo menos três volumes de canções; e algumas cantatas seculares e outras peças ocasionais.
Seu trabalho principal concentrou-se na composição para cravo, para o qual compôs, em toda a sua vida, cerca de duzentas sonatas e outros solos, incluindo o conjunto Mit veränderten Reprisen (1760-1768). Emanuel Bach tinha preferência pelo clavicórdio ao invés do cravo por considerá-lo mais suave e intimista, entretanto em meados do século XVIII este instrumento perde a popularidade na Alemanha sendo gradualmente substituído pelo pianoforte. As últimas cinco séries de sonatas escritas entre 1780 e 1787, foram para este instrumento.
Cravo                              Clavicórdio                            Pianorte
Uma das obras mais importantes de C.P.E. Bach é a Versuch über die wahre Art das Clavier zu spielen (Ensaio sobre a maneira correta de tocar teclado), que versa sobre a boa execução do instrumento. É um guia para a ornamentação, fundamentos estéticos, dedilhado, baixo contínuo e improvisação e que serviu de alicerce aos métodos de Muzio Clementi e Gabriel Cramer.
Em 1768, sucedeu Georg Philipp Telemann, seu padrinho, como Mestre de Capela de Hamburgo e, assim passou a dedicar-se à música sacra. No ano seguinte, produziu seu oratório Die Israeliten in der Wüste (Os Israelitas no Deserto), uma composição memorável não só por sua beleza, mas também pela semelhança com o oratório Elijah de Felix Mendelssohn. Entre 1769 e 1788, foram escritas mais de 20 peças para a Paixão e cerca de 70 cantatas, litanias, motetos e outras obras litúrgicas.
Carl Philipp Emanuel Bach introduziu em suas obras instrumentais seções de diálogo e passagens de recitativo. Seu estilo expressivo e de muitos de seus contemporâneos era marcado principalmente pela surpresa, mudanças bruscas na harmonia, modulações estranhas, pausas tensas e mudanças de textura. Características do chamado Empfindsamer Stil (Estilo Sensível) que teve seu auge nas décadas de 1760 e 1770, estilo também conhecido por Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto) termo utilizado para denominar a literatura alemã do mesmo período, era um estilo sensível e dramático. Com influência das ideias iluministas, a música como veículo do sentimento. Carl Philip Emanuel Bach participou intensamente do movimento musical de seu tempo, e contribuiu para a criação de um estilo musical que foi se afastando cada vez mais do Barroco. Neste estilo é possível encontrar elementos que predizem não só o Classicismo, mas também o Romantismo.
Dentre os seus alunos mais famosos estão Johann Christian Bach, seu irmão, e Frantz Xaver Dussek.
Ele morreu em Hamburgo em 14 de Dezembro de 1788.
Influenciou vários outros compositores, dentre eles:
- Wolfgang Amadeus Mozart disse a seu respeito, "Ele é o pai, nós somos os filhos".
A maior parte da formação de Haydn derivou de um estudo de sua obra. 
Ludwig van Beethoven expressou acerca dele a mais cordial admiração e respeito.
Durante o século XIX, ficou esquecido... Robert Schumann dizia que "como um músico criativo ele permaneceu muito longe de seu pai".
Já Johannes Brahms considerava muito a obra de Emanuel Bach e interpretou algumas de suas composições.
Jean Pierre Rampal
Atualmente, recomenda-se aos estudantes de música que conheçam e interpretem as Sonaten für Kenner und Liebhaber (Sonatas para Conhecedores e Amantes), que ouçam seus oratórios Die Israeliten in der Wüste (Os Israelitas no Deserto) e Die Auferstehung und Himmelfahrt Jesu (A Ressureição e Ascensão de Jesus). Enquanto que o seu Concerto para Flauta em Ré Menor tem sido interpretado pelos maiores flautistas do mundo, incluindo Jean-Pierre Rampal.
“Um músico não pode mover os sentimentos a menos que ele também seja movido. Ele deve necessariamente sentir todos os afetos se ele espera despertá-los na sua audiência. O revelar do próprio humor estimulará o humor no ouvinte. Se a música tem passagens tristes, o artista tem que se adoecer e tem que se sentir triste. Da mesma forma, em passagens vivamente joviais o executante têm que se pôr novamente no humor apropriado e, assim, constantemente variando as paixões, ele conseguira despertar os afetos nos outros.”

https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-SzZtZ2hlMC0tc3c?resourcekey=0-P4IqHHvJmv4lAkqfQR1fwg&usp=sharing


quarta-feira, 4 de março de 2015

Wilhelm Friedman (W.F.) BACH

Johann Sebastian e seus filhos: Carl Phillip Emanuel, Johann Christian, Wilhelm Friedman e Johann Christophe Friedrich.

Desta vez falarei sobre os filhos de Johann Sebastian Bach, que teve sete filhos com Maria Barbara, sua primeira esposa e treze filhos com Anna Magdalena, sua segunda esposa, sendo que desta extensa prole, quatro foram compositores e instrumentistas, são eles: Wilhelm Friedman Bach, Carl Phillip Emmanuel Bach, do primeiro matrimônio, Johann Christian Bach e Johann Christophe Friedrich Bach, do segundo.
WILHELM FRIEDMANN BACH
Nascido em 22 de novembro de 1710, na cidade de Weimar na Alemanha, foi o segundo filho de Johann Sebastian e de Maria Barbara, o primeiro dos meninos. Era o preferido do mestre Bach.
Desde cedo seu pai encarregou-se de sua formação musical e especialmente para ele compôs Os Pequenos Prelúdios e Fugas (o Klavierbüehlein vor Wilhelm Friedmann Bach), além de seis sonatas para órgão e os primeiros prelúdios e fugas de O Cravo Bem Temperado.
Na segunda metade da década de 1720, foi enviado a Merseburg para estudar violino com Johann Gottlieb Graun. Ao terminar a escola, em 1729, matriculou-se na Universidade de Leipzig, onde durante quatro anos estudou direito, filosofia e matemática, parecia ter um futuro promissor. Trabalhou como ajudante do pai, dando aulas particulares, ensaiando com os músicos da orquestra. Graças à influência de seu pai foi aprovado nos testes para organista da Igreja de Santa Sofia em Dresden em 1.733, cargo que ocuparia por treze anos. Posteriormente foi ser diretor de música na Chantre de Notre Dame de Halle, tendo à sua disposição excelentes conjuntos e assim a sua fama de virtuoso tomou notoriedade. Em 1762, foi convidado para ser mestre de capela em Darmstadt, entretanto não existe comprovação se chegou a ocupar o lugar. Demitiu-se das suas funções em Halle em 1764 e, a partir daí, e até o final da vida, passou a dedicar-se exclusivamente à composição e ao ensino, levando uma vida independente, sem emprego fixo, primeiro em Halle e, depois, em Brunswick e Berlim.
Os seus recitais de órgão causaram sensação, arranjou alguns alunos influentes. Wilhelm, apesar de talentoso, parece ter-se tornado sombrio e pouco regrado na sua vida social, principalmente pelo alcoolismo. Rapidamente caiu em desgraça na Berlim do século XVIII. Nos últimos vinte anos da sua vida, a sua situação material tornou-se cada vez mais precária, passou por dificuldades financeiras sendo obrigado a vender bens pessoais e manuscritos paternos recebidos em herança para poder subsistir. A grande influência musical de seu pai se revela, em algumas passagens de suas composições, por isso atribuía a seu pai algumas das suas composições, na esperança de facilitar a sua venda. Perdeu ou vendeu cerca de 100 Cantatas de seu pai. Ficou na história como uma espécie de vilão. Mas é um estigma injusto, pois foi um excelente compositor.
Morreu na miséria, devido a uma infecção pulmonar em 01 de Julho de 1784. Ignora-se a localização da sua sepultura.
Embora as suas composições, sejam pouco conhecidas do grande público, retratam a forte personalidade que o destaca entre todos os seus irmãos. Em sua obra aliou o contraponto e uma inspiração romântica e até impressionista, principalmente em suas Fantasias. Oscilando entre o velho e o novo, com características que, não raro, antecipam a tensão emocional do romantismo, ao lado de elementos barrocos “arcaicos”, intimamente relacionado à estética da escola de organistas do norte da Alemanha do final século XVII. Apesar dessa ambivalência estética deixou boa quantidade de peças de excelente qualidade e foi muito apreciado há seu tempo pela notável capacidade de improvisação.
Ao todo foram: Uma Missa alemã em ré menor, 21 cantatas, 9 sinfonias, obras para órgão (fugas, prelúdios de coral), música de instrumentos de tecla (12 sonatas, 8 fugas, 42 polonesas, 10 fantasias, uma dezena de concertos).

Para ouvir algumas peças de sua obra acessem ao link: