quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Leopold Mozart

Celebrando, ainda que tardiamente, o Dia dos Pais, falaremos sobre um compositor que é muito mais conhecido como o Pai de um Gênio.

Trata-se de Johann Georg Leopold Mozart, ou simplesmente, LEOPOLD MOZART, o pai de Wolfgang Amadeus Mozart.
Descendente de uma família de artesãos católicos estabelecida há décadas na atual Baviera Alemã, na cidade de Augsburgo, nascido no dia 14 de Novembro de 1.719, filho de Johann Georg Mozart, um encadernador de livros, e Anna Maria Sulzer, sendo o primogênito dentre oito irmãos, a partir de 1.722 a família passa a viver numa casa de propriedade dos jesuítas, membros da Companhia de Jesus, que cuidam da educação do Leopold, no colégio San Salvador entre 1727 a 1736. Foi nesta época que tomou parte no coro infantil dos jesuítas e aprendeu a tocar violino e piano.
Aos dezoito anos, Leopold decide deixar a sua cidade natal em direção para estudar lógica, ciência e teologia, em seguida Filosofia e Direito na Universidade de Salzburgo, em 1737.
A desatenção e às constantes faltas culminaram com a sua expulsão da Universidade. Como em sua terra natal havia atuado como ator, cantor e músico, decidiu investir no que realmente gostava, envolvendo-se com o teatro, e direcionou seus estudos para o violino e órgão, contrariando assim, o desejo de sua família e seguisse a carreira clerical. A partir de então não mais se encontra com os pais.
Leopold inicia sua carreira como violinista profissional como um dos cânones da Universidade. Neste contexto, ele compõe sua primeira obra chamada de "Seis Sonatas de Igreja e Câmara", Opus 1.
Anna Maria
Walburga Pertl
Conheceu Anna Maria Walburga Pertl e com ela se casou em 21 de novembro de 1747. Eram conhecidos como o mais belo casal de Salzburgo. Desta união vieram ao mundo sete filhos, sendo eles: Johann Leopold Joachim, Maria Anna Cordula, Maria Nepomucena Walpurgis, Maria Anna Walburga Ignatia, "Nannerl",nascida em 30 de Julho de 1.751, Johann Karl Amadeus, Maria Crescentia Franziska de Paula e Johann Chrysostomus Wolfgang Amadeus, "Wolferl", nascido em 27 de Janeiro de 1.756. 

Maria Anna
Walburga Ignatia
Johann Chrysostomus
Wolfgang Amadeus
Dos sete filhos, cinco morreram antes de completarem o primeiro ano de vida, chegaram à idade adulta apenas “Nannerl” e o caçula Johann Chrisostomus.
A esta época Leopold dava aulas de música, e desenvolvia alguns métodos de ensino. 





Em julho de 1756, Johann Jacob Lotter publicava o Ensaio sobre o ensino do violino (Versuch einer gründlichen Violinschule) escrito por Leopoldo em 1755, e que se tornaria um método bastante utilizado pelos violinistas de sua época. 

Arcebispo Sigismund Christoph
von  Schrattenbach
No ano seguinte Leopold foi nomeado compositor de câmara da corte de arcebispo Sigismund Christoph von Schrattenbach, e 1758 ocupava o cargo de segundo violinista, e vice-mestre de capela de Salzburgo em 1763.






Quando Nannerl tinha sete anos de idade começou a ter aulas de cravo com o pai, a menina aprendia com tal facilidade que Leopoldo desenvolveu um caderno com uma série de exercícios intitulado “Para o cravo, este livro pertence à senhorita Maria-Anna Mozart” segundo consta nas memórias de Maria Anna seu irmão esperava pacientemente que ela terminasse os exercícios para que ele passasse horas tocando terças no cravo de sua irmã. Logo Leopold começou a observar e anotar no caderno quanto tempo Amadeus levava para aprender uma peça. A primeira delas, um Scherzo de Wagenseil, levou meia hora em 24 de Janeiro de 1761, o menino tinha apenas cinco anos.
A partir deste instante Leopold passa a dedicar-se exclusivamente aos dois filhos, Maria Anna e Wolfgang que seguiram a carreira musical. A filha foi uma excelente musicista e o filho...
Leopold compôs uma grande variedade de música, sendo bastante conhecido em sua época principalmente na atual Alemanha. Suas composições incluem serenatas, oratórios, sonatas para pianoforte, música sacra, divertimentos e trios para diversos instrumentos, sinfonias e concertos. Muito de sua obra se perdeu ou foi esquecida com o passar dos anos em razão da supervalorização das obras de seu filho Wolfgang.
Haydn

Arenger
Dentre as suas obras uma sempre teve um questionamento sobre a sua real autoria por muitos estudiosos, trata-se da Sinfonia dos Brinquedos inicialmente atribuída a Joseph Haydn, posteriormente a Leopold Mozart e atualmente discute-se que a autoria seria de um monge beneditino tirolês chamado Edmund Angerer.

Leopold Mozart, como dito no início é mais conhecido como o pai de Wolfgang Amadeus Mozart, e apesar de não ter sido compositor extraordinário como o seu filho. Dentre as obras que escreveu, merece destaque O concerto para trompete em ré maior.

No dia 28 de Maio de 1787, faleceu em Salzburgo.

Para acessar parte da obra deste compositor clique no link abaixo:
https://drive.google.com/drive/folders/0B4FphzZsBcqhfjFpc2FCNzNiWGFKZUgxbV9UZE45dGlXdVh1czZzR1JHb0hhNFA1R1E2Zmc?resourcekey=0-of-W5-26EWYaqFReU3UbdQ&usp=sharing

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Férias de Julho...

Férias de Julho...
Aqueles dias mais frios em que não é necessário levantar cedo... Opa! Não, não é o caso... Não estou em férias!

Mas desde o dia 21 de junho, estamos vivendo o Inverno Austral, a estação mais fria das quatro estações do ano. Iniciado com o Solstício de Inverno no hemisfério sul, e que terminará com o equinócio de primavera. As baixas temperaturas características desta estação faz com que várias espécies de animais, principalmente de pássaros, migrem para as regiões mais quentes, enquanto outros animais, como ursos, hibernam. O Brasil não possui as quatro estações bem definidas. Mais ao sul de nosso país ocorre a geada e alguns poucos municípios até neve pode aparecer, como no município de São Joaquim, Santa Catarina.
Nesta estação as noites são mais longas que os dias, mas quando deitamos para dormir, o relógio parecer ir contra este fenômeno e a noite acaba antes de nosso sono.
O Inverno de 2015 começou às 13h38 do dia 21 de junho de 2015 e terminará dia 23 de setembro de 2015.
As quatro estações do ano: outono, inverno, primavera e verão resultam do movimento de translação da terra em torno do sol em conjunto com a inclinação do eixo terrestre em 23°27’ em relação ao plano orbital, responsável pela variação de energia solar que atinge a superfície terrestre nestas determinadas época do ano.
 
Tchaikovsky
Para estes dias mais frios, ao invés do habitual Concerto de Vivaldi, que tal variarmos para Piotr Ilitch Tchaikovsky compositor russo nascido em Votkinsk em 07 de Maio de 1840, e a sua Sinfonia Nº 1 - Sonhos de Inverno em Sol menor, op. 13, foi escrita em novembro de 1866 e revista em 1874.
Sua primeira apresentação pública ocorreu no dia 15 de Fevereiro de 1.868 com regência de Nikolai Rubinstein, a quem Tchaikovsky havia dedicado esta sinfonia.
Nikolai Rubinstein

Com uma duração total aproximada de quarenta e cinco minutos, a obra é dividida em quatro movimentos:

1º Movimento: Allegro tranquilo
2º Movimento: Adagio cantabile, ma non tanto
3º Movimento: Scherzo — Allegro scherzando giocoso
4º Movimento: Finale — Andante lugubre – Allegro moderato

Os dois primeiros movimentos da peça foram intitulados por Tchaikovsky, sendo o primeiro movimento, Sonhos de um Dia de Inverno, que passou a designar a própria sinfonia, um primeiro tema apresentado por flauta e fagote, e um subsequente pelo clarinete; o segundo movimento intitulado Terra de Desolação, Terra de Nevoeiros é baseado numa única melodia entoada pelo oboé.

Em breve, a biografia de Tchaikovsky.

Aproveitem os quatro movimentos enquanto bebem um bom vinho para aquecer.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

RICHARD STRAUSS

Quem não conhece a melodia acompanhada de batidas de tímpanos, em volume crescente, com que o diretor Stanley Kubrick inicia o clássico 2001: Uma odisseia no espaço? Richard Strauss escreveu essa introdução, chamada O nascer do sol, para o seu poema sinfônico Assim falou Zaratustra. É com ela que Strauss inicia a sua interpretação sonora do texto do filósofo Friedrich Nietzsche. O nascer do sol é considerado uma das aberturas mais geniais e também uma das mais conhecidas da história da música.

Richard Georg Strauss nascido no dia 11 de junho de 1864, em Munique, na Baviera (atual Alemanha). Filho de Franz Strauss, professor de música e principal trompetista da orquestra da corte de Munique do século XIX e Josephine Pschorr  de uma família cervejeira proeminente de Munique.
Aos quatro anos aprendeu a tocar piano com o pai. Em 1871, compôs suas primeiras partituras: “Schneiderpolka” (uma polca) e “Weihnachtslied” (um cântico de Natal), sua mãe escreveu o texto e coube a Richard fazer a música. Em 1872 recebeu instrução de violino na Escola Real de Música de Benno Walter, primo de seu pai. Estudou teoria musical e orquestração com um regente assistente da Orquestra Tribunal de Munique e também participava de ensaios da Orquestra do Estado Bávaro ou Orquestra do Estado da Baviera. Uma das três maiores orquestras da cidade de Munique, junto com a Orquestra Sinfônica da Rádio Bávara e a Orquestra Filarmônica de Munique.
Antes de completar dez anos, já havia escrito uma serenata para instrumentos de sopro.
Em 1874, ouviu óperas de Richard Wagner, Lohengrin e Tannhäuser. A influência da música de Wagner sobre o estilo de Strauss seria profunda, entretanto seu pai proibiu-o de estudá-lo. Strauss lamentou profundamente a hostilidade conservadora de seu pai para com as obras progressistas de Wagner. A influência paterna foi crucial em seu desenvolvimento musical. Em 1875, frequenta as aulas de composição e instrumentação de Franz Meyer, regente da orquestra da Corte. Em 1876, iniciou estudos de harmonia, contraponto, fuga e piano.
No início de 1882, em Viena, Richard Strauss fez a primeira apresentação do seu Concerto para Violino em Ré menor, tocando uma adaptação para piano da parte orquestral, com seu Benno Walter como solista.
Quando ele deixou a escola já tinha composto mais de 140 obras entre canções, peças orquestrais e de câmara, e continuou a escrever música quase até sua morte.
Ainda em 1882 entrou na Universidade Ludwig Maximilian de Munique (LMU), onde estudou Filosofia, estética e História da Arte, mas não a música. Deixou a universidade três anos depois.
Hans von Bullow
Entre 1884 foi a Berlim, onde estudou brevemente, a arte da regência, observando o maestro Hans von Bülow nos ensaios. Bülow gostava muito do jovem e decidiu que Strauss deveria ser seu sucessor como maestro da orquestra Meiningen. Em 1885, tornou-se seu assistente e, um mês mais tarde, quando Bülow renunciou, tornou-se regente titular daquela orquestra. Foi também diretor das casas de ópera de Weimar (1886), de Berlim (1898) e de Viena (1919-1924).
Em 1885 compõe “Burleske”, para piano e orquestra, primeira partitura de caráter nitidamente Straussiano.
Em 1886, Strauss compôs seu primeiro poema sinfônico, "Aus Italien", iniciando então uma bem-sucedida carreira de compositor.
Faz algumas viagens à Itália, onde compõe seus primeiros poemas sinfônicos: Para os Italianos e Don Juan.
Em 1889 é nomeado maestro assistente em Bayreuth e assume a direção do Teatro da Corte de Weimar. Estreia do poema sinfônico Don Juan e compõe Morte e Transfiguração.
A fim de se restabelecer de uma doença, parte para a Grécia em 1892. No ano seguinte vai à Sicilia e ao Egito. Compõe Guntram, sua primeira ópera em Weimar em 1894.
Pauline de Ahna
No dia 10 de setembro de 1894, Richard Strauss casou-se em Weimar com a soprano Pauline de Ahna. Ela foi a primeira a cantar o papel de Freihild em sua primeira ópera, Guntram. Ela era famosa por ser irascível, tagarela, excêntrica e franca, mas o casamento, ao que tudo indica, era essencialmente feliz e ela era uma grande fonte de inspiração para ele.
Posteriormente, Cosima Wagner o convidou a reger Tannhäuser em Bayreuth, tornando-se amigo da viúva de Wagner. Foi nomeado maestro da Corte de Munique, inicia a composição de “Till Eulempiegel”.
Em 1896 assume a regência titular da Opera de Munique. Paralelamente sucede ao seu protetor Hans von Bülow à frente da Orquestra Filarmônica de Berlim.
A obra que mais o evidenciou foi “Assim falou Zaratustra” com a sua famosa parte inicial, escrita em 1.896, inspirada no livro homônimo de Nietzsche, escrito onze anos antes, narrando a história do filósofo Zaratustra ou Zoroastro, que fundou uma corrente de pensamento, o Zoroastrismo, que critica o modo de vida que existia no novo testamento, dizendo que os homens devem ser livres, ao invés de fazer o que dizem as instituições. Essa nova forma de liberdade se traduziria no nascimento do Super-Homem.
Ao concluir “Assim Falou Zaratustra” e começou a escrever “Don Quixote”. Esta última é uma obra fácil de ser entendida.
Em 1897, o casal teve um filho, Franz Alexander. Em 1924, Franz casou-se com Alice von Grab, uma mulher judia, em uma cerimônia católica. Franz e Alice tiveram dois filhos, Richard e Christian.

Em 1898, instala-se com a família em Berlim, assumindo a direção da Orquestra Imperial da Prússia, fundou a Associação dos Compositores Alemães.

Hugo von Hofmannsthal
Em 1900, em Paris, conhece o poeta Hugo von Hofmannsthal, cujos libretos expressam magistralmente os sentimentos dos personagens e são uma complementação perfeita para a brilhante música de Strauss. 
A parceria teve início em 1909 com a estreia de "Elektra", terminando com a morte do poeta em 1929, seguiram-se a Elektra:
O Cavaleiro da Rosa,
Ariadne em Naxos, 
A Mulher sem Sombra,
A Helena Egípcia (1928)
Arabella (1929-1932).

Em 1905, publica em alemão e com sua própria revisão o Grande Tratado de Instrumentação de Hector Berlioz. 

Strauss Villa
Ainda naquele ano, constrói Strauss-Villa sua residência na Alta Baviera Garmisch-Partenkirchen. O edifício é baseado na lei de conservação de 01 de outubro de 1973, um monumento arquitetônico.

Oscar Wilde
No dia 9 de dezembro de 1905 estreava em Dresden, na Alemanha, a ópera "Salomé",baseada em um drama de Oscar Wilde, a peça desencadeou protestos por causa do erotismo sedutor e perturbador na música e na narrativa, foi o grande sucesso dos palcos em 1905 e 1906. 

Salomé
Com seu poder mortal de sedução, a ópera e a mundialmente famosa Dança dos sete véus foram temporariamente proibidas – mesmo assim, fizeram sucesso nos palcos de toda a Europa.

Irmã desta seria a ópera Elektra, composta entre 1906 e 1908, uma nova fase se abriu na sua produção musical, dedicada principalmente à ópera. Em 1908, assume a direção da Ópera da Corte de Berlim.

Em 26 de janeiro de 1911 estreou em Dresden a divertida ópera "O Cavaleiro da Rosa", provavelmente a peça mais encenada de Richard Strauss. Uma fascinante homenagem à Viena dos tempos da imperatriz Maria Teresa.

Richard Strauss, Pauline e Franz (foto de 1910)
Durante a Primeira Guerra Mundial, Richard Strauss foi ardente partidário da dinastia dos Hohenzollern. Apesar disso, durante a década que se seguiu à derrota da Alemanha o músico foi acolhido internacionalmente com calor e respeito.

Em 1917, colabora com a criação do Festival de Salzburgo, admirador de Mozart que era. Assume em 1919, a co-direção da Opera de Viena ao lado de Franz Schalk.

Em 1923, Strauss esteve no Brasil, onde deu memoráveis concertos no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Stefan Zweig
Abandona todas as suas funções em 1924 para se dedicar à composição. Em 1929, inicia-se uma longa crise existencial, profissional e estética, que durariam dez anos. Em 1931 pede a Stefan Zweig que assine o libreto da ópera A Mulher Silenciosa.
Em 1932, Strauss compôs a ópera "Arabela". Nessa época, a Alemanha já era nazista e Strauss acabou se envolvendo com o regime.
Após a subida ao poder de Hitler (1933), Richard Strauss foi nomeado diretor do Reichsmusikkammer (Câmara de Música do III Reich), cargo que ocuparia por três anos. Isso levou a suspeitas de simpatia com o nazismo, o que fez com que o compositor sofresse o desdém de outros músicos, que protestaram veementemente contra o regime nazista, entre os quais Toscanini, Arthur Rubinstein e Otto Klemperer. É sabido que Strauss dedicou uma canção a Joseph Goebbels, ministro da propaganda da Alemanha Nazista. Por outro lado, sabe-se também que ele colaborou com o escritor judeu Stefan Zweig, autor do libreto de uma de suas óperas, Die Schweigsame Frau, e fez tudo para proteger sua nora, Alice von Grab, que era judia.
Substitui em 1933 os maestros Otto Klemperer e Arturo Toscanini que se recusam a reger no Festival de Bayreuth sob o regime nazista, como este último havia recusado de fazê-lo sob o fascismo italiano. Apesar de exigir que o nome de Zweig constasse dos cartazes de A Mulher Silenciosa, comprometeu-se com o governo a participar das manifestações oficiais e enriquecer com sua arte e imagem os assuntos caros ao regime. Compõe o Hino Olímpico para os Jogos Olímpicos de Berlim de 1936.
Strauss também foi, durante muitos anos, um maestro atuante e promotor de outros compositores, foi ativo na política cultural e defendeu os direitos dos artistas. A fim de melhorar a posição social dos compositores, ele prestou uma contribuição para a mudança da legislação do direito autoral.
Não mais presidente da Câmara de Música do Reich, nos anos seguintes ele se arranjou com o regime, também para proteger a sua nora e netos judeus.
Durante o nazismo era importante que suas peças estivessem suficientemente presentes nas programações e, por esse motivo, a sua atitude oportunista funcionou bem para o nacional-socialismo.
Em 1938, estreia de “Friedenstag” e “Daphne”.
Friedenstag (Dia da Paz), Op. 81, é uma ópera em um ato de Richard Strauss, do libreto alemão escrito por Joseph Gregor. Strauss tinha a esperança de trabalhar novamente com Stefan Zweig em um novo projeto após a sua colaboração anterior de schweigsame Die Frau, mas as autoridades nazistas tinham assediado Strauss sobre a sua colaboração com Zweig, que era de ascendência judaica.
Daphne, Op. 82, é uma ópera em um ato de Richard Strauss, com o subtítulo “Tragédia Bucólica em um ato”. Libreto alemão escrito por Joseph Gregor. A ópera é baseada frouxamente na figura mitológica Daphne de Ovídio's Metamorphoses e inclui elementos tomados de As Bacantes de Eurípides.
Em 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, cai no ostracismo. Richard Strauss não foi mais importunado pelos nazistas. Com o tempo foi se recolhendo em sua casa de campo em Garmisch e diminuindo suas atividades. Em 1941, conclui a ópera Capriccio.
O tema da ópera Capriccio pode ser resumido como “Qual é a maior arte, poesia ou música?” Esta questão é dramatizada na história de uma condessa dividida entre dois pretendentes: Olivier, um poeta, e Flamand, um compositor.
Em 1944, Richard Strauss comemorou seu aniversário de 80 anos e conduziu a Filarmônica de Viena em gravações de suas próprias grandes obras orquestrais.
Em 1945, estabelece-se na Suíça e reflete sobre sua vida artística na composição de Metamorfoses (Metamorphosen), que muitos consideram ser a sua maior obra.
Após a derrota de Hitler, em 1945, os Aliados instalaram na Alemanha um comitê de “Desnazificação”, e Strauss foi chamado a depor, mas o tribunal o inocentou de qualquer filiação ao Partido Nazista. Convidado a reger seus concertos em Londres em 1947, foi recebido com entusiasmo, naquela que seria sua última e triunfal turnê.
Muita gente se surpreendeu ao saber que Strauss ainda estava vivo quando foi a Londres, em sua primeira viagem de avião, para um festival organizado por Sir Thomas Beecham. Ao ser consultado sobre planos para o futuro, só pôde responder: “Bem... Morrer!”.
Pouco depois, em 1948 compôs seu último trabalho, “Quatro Últimas Canções” (em alemão: Vier Letzte Lieder), um conjunto de obras para soprano e orquestra que estão entre as últimas peças de Richard Strauss, compostas em 1948, quando o compositor tinha 84 anos.
Richard Strauss - 1948
A estreia ocorreu em Londres em 22 de maio de 1950, tendo por solista a soprano Kirsten Flagstad acompanhada da Orquestra Filarmônica, regida por Wilhelm Furtwängler.
Strauss não viveu para ouvir sua obra apresentada. Poucos anos de sua morte, já havia se tornado um dos mais famosos ciclos de canções (lieder) do repertório lírico.
Strauss regeu pela última vez em 1949, nas comemorações de seu 85o aniversário.
Richard Georg Strauss morreu de insuficiência renal com 85 anos em 08 de Setembro de 1949, em sua casa em Garmisch Partenkirchen, na Alemanha. Encontra-se sepultado em Richard Strauss Villa, na Baviera. A esposa de Strauss, Pauline de Ahna, morreu oito meses depois, em 13 de Maio de 1950, com 88 anos.

Richard Strauss é a síntese da música germânica no fim do século XIX e início do XX. Herdeiro direto de Richard Wagner no sinfonismo, de Franz Liszt no conceito (dando continuidade à tradição dos poemas sinfônicos) e de Hector Berlioz na grandiloquência.
Notabilizou-se como regente orquestral na Alemanha e na Áustria.  Ele era um mestre da instrumentação moderna e de uma nova sonoridade. Um mágico do som da Baviera... O compositor tornou-se famoso em todo o mundo.
Não confundir Richard Strauss com a família “Johann Strauss”: pai, filho e irmãos.
Richard Strauss era ateu, duvidava de todas as religiões, exceto talvez a religião da razão. “Eu nunca me converterei, e eu permanecerei fiel a minha velha religião clássica até o fim de minha vida”, declarou pouco tempo antes de sua morte.

Sua atitude dúbia frente ao nazismo continua sendo uma mancha em sua biografia.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Michel BLAVET

Michel Blavet foi um flautista virtuoso da França. Nascido em Besançon no dia 13 de Março de 1.700.
Seu pai, Jean Baptiste Blavet um torneiro de madeira qualificado, profissão que seguiu por algum tempo, até que caiu em suas mãos a sua primeira flauta... Foi na oficina de seu pai, que começou a manipular este instrumento que mais tarde seria sua predileção. Blavet tornou-se famoso por manter entonação impecável, mesmo quando tocava peças ou tonalidades difíceis.
Aos 21 anos de idade, descrevia a si mesmo como um músico. Curiosamente, nunca ter tido um professor, foi autodidata em quase todos os instrumentos que aprendeu a tocar, tendo se especializado na flauta, e no fagote, acabou se tornando um flautista canhoto.
Assim como a maioria dos compositores do período barroco que primeiro conquistaram fama como intérpretes virtuosos; Vivaldi, o violinista, ou Bach, com os teclados, ampliando e enriquecendo o repertório de seus instrumentos. Michel Blavet, talvez, tenha sido o flautista francês mais ilustre de seu século, ampliando as possibilidades do instrumento aperfeiçoado pela família Hotteterre durante o reinado de Luís XIV.
Charles-Eugène Lévis
Em 1723, pouco depois de seu casamento, mudou-se para Paris onde trabalhou para o duque Charles-Eugène Lévis, atraiu elogios de Telemann e Quantz e tinha entre seus fãs Voltaire que expressou sua admiração por sua forma de tocar e Marpurg que o definia como um virtuoso da mais alta excelência. Três anos mais tarde, prestava serviço ao Duque de Carignan, para quem ele escreveu sua primeira composição, em 1728, quando publicou o seu primeiro livro de música para flauta, contendo seis sonatas para duas flautas sem grave.
Suas composições foram feitas principalmente para a flauta. Seus primeiros trabalhos se assemelham com obras de câmara de Corelli, posteriormente suas sonatas se desenvolveram a partir do estilo sonata de violino francês, assumindo o novo estilo galante.
Relatos da época demonstravam que em sua audiência o estilo 'excitante, exata e brilhante do seu modo de tocar fez a flauta popular na França.
    Leclair                Guignon        Mondonville       Aubert
Entre 1731 e 1735 apresentou-se no Spirituel Concerto com Jean Marie Leclair, Jean Pierre Guignon, Jean Joseph de Mondonville, Jean Baptiste Senaillé e Jacques Aubert.
Louis de Borbon - Conde de Clermont
Grão Mestre 
Por volta de 1732, tornou-se superintendente da música de Louis de Borbon, Conde de Clermont, em cujo serviço ele permaneceu por 30 anos. Compôs a Marcha para Grande Loja, tendo sido ingressado na Sublime Instituição por influência do Grão Mestre da Ordem na França, seu patrão.
Em 1740, ele se tornou um flautista na Ópera de Paris.
Muitas de suas obras foram perdidas, as sobreviventes incluem um único concerto que lembra Vivaldi, o Concerto em Lá menor para Flauta e cordas, e três livros com seis sonatas cada, estas obras escritas nas chaves mais fáceis, pois foram feitas para amadores. O primeiro, já mencionado, foi dedicado ao príncipe de Carignan. Os outros dois escritos para flauta e baixo contínuo, publicados em 1732 e 1740, um dedicado à duquesa de Bouillon, em seguida, amante do conde de Clermont, o outro para o próprio Conde. São algumas das obras mais delicadas escritas para a flauta.
Aos quarenta anos de idade era o principal flautista da corte do Rei Luiz XV e da Orquestra de Paris, com estas duas atribuições viu-se obrigado a recusar o convite para o mesmo cargo na corte de Frederick, o Grande, na Prússia, cargo aceito por Quantz. Que teria feito o seguinte comentário sobre Blavet:
"Sua disposição amável e a sua forma envolvente, originou uma amizade duradoura entre nós, e eu sou muito grato a ele por seus numerosos atos de bondade."
Por razões pedagógicas publicou, entre 1744 e 1751, três compêndios de pequenas peças para flautas transversais, violinos e viola, que consiste em arranjos para dois instrumentos, sem linha de baixo, de árias de ópera ou peças para cravo por vários compositores diferentes, incluindo Rameau e Handel, cuja música era raramente ouvida em França no momento.
Em 1752, compôs a primeira ópera cômica francesa ao estilo italiano, Le Jaloux Corrigé.
Algumas de suas partituras trazem marcas para respiração, um h, que ajudam bastante na compreensão do fraseado musical.
Faleceu em Paris no dia 28 de Outubro de 1768.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

LUIGI BOCCHERINI


Luigi Rodolfo Boccherini, compositor italiano conhecido por suas obras de música de câmara e por ser um dos primeiros virtuoses do violoncelo.
Nascido no dia 19 de fevereiro de 1743, na pequena cidade de Lucca, na época capital da Toscana, região próspera devido à produção da seda e contando com um movimento cultural intenso com as três melhores salas teatrais de toda a região na época.
Filho de Maria St. Domenico di Prosperi e Leopoldo Antonio di Boccherini, músico violoncelista, foi o terceiro filho do casal dos cinco herdeiros do casal, os demais eram Maria Ester, que seria bailarina, Giovanni, Anna-Matilda e Riccarda.
Seu pai era considerado um dos músicos mais bem pagos da cidade e da Toscana, sendo nomeado em 1747, o baixista temporário da Capela do Estado de Lucca.
Nesse ambiente a vocação de Luigi manifestou-se logo assim coube a seu pai lhe ensinar teoria musical e violoncelo, logo já tocava melhor do que seu pai, então passou a ter aulas com Don Domenico Francesco Vannucci, um excelente professor violoncelo e mestre de capela da Catedral de Lucca.
No final de 1752, o Abade Vannucci recomendou que o menino fosse enviado a Roma estudar com Giovani Battista Costanzi, um dos melhores violoncelistas da época e os primeiros a usar o violoncelo como instrumento de concerto.
Quatro anos mais tarde, em 1756, seu pai conquistou uma vaga na orquestra do Teatro Imperial da corte de Viena, por intermédio do embaixador - o conde Domenico Battista Sardini, e outra de violoncelista para Luigi. Ainda conseguiu que os outros filhos participassem no corpo de baile do mesmo teatro. Leopoldo ainda manteve o seu ordenado como baixista em Lucca. A sua cordialidade abri-lhe várias portas entre a nobreza vienense, entretanto Luigi queria ser respeitado e admirado em sua terra natal. Conseguiu uma posição como violoncelista no Conselho Municipal de Lucca, participando de diversos eventos, nada muito relevante.
Retornou a Viena, por mais dois anos, até que em 1764, o Conselho de Lucca o nomeou, após um atraso de três anos, como músico titular da capela. Permaneceram em Viena sua irmã Maria Ester que se casaria com o bailarino Onorato Vigano e seu irmão Giovani Gastone que se tornaria famoso ao escrever o libreto para Ópera O Retorno de Tobias de Joseph Haydn, e outras peças e oratórios.
Entendendo que o seu salário não estava à altura de seu talento em 09 de dezembro de 1764, pediu uma licença sem remunerada e foi para Milão, um dos ambientes mais refinados na Itália. Lá permaneceu por nove meses desenvolvendo suas composições vocais e instrumentais. Luigi formou um quarteto com discípulos do grande Tartini, nos violinos Filippo Manfredi e Pietro Nardini, e na viola Giovanni Giuseppe Cambini.
O estado de saúde de seu pai fez com que voltasse a Lucca, até que em 30 de agosto de 1766 aos 54 anos de idade, seu pai veio a falecer, deixando-o bastante confuso, Leopoldo, não só era seu pai, mas o melhor de seus conselheiros, sem ele não tinha feito qualquer viagem, nem aceito qualquer compromisso.
Estreitou sua amizade com Manfredi e juntos partiram em definitivo de Lucca, em uma excursão da Lombardia. Graças aos muitos amigos Manfredi, que era membro da Maçonaria e ao virtuosismo da dupla, a turnê foi um sucesso.
Partiram para o sul da França, em cidades como Dijon, Montpellier e Toulouse, e por fim seguiram rumo a Paris.
Nos salões de Paris eram capazes de atender grandes compositores (Leclair, Guillemain, Mondonville, Jarovich. Mestrino, Stamitz, Pisendel, Brenda, Kiesewetter, Fodor), violinistas (Somis, Pugnani, Gossec) e o violoncelista do momento Jean Pierre Duport, que se tornou amigo e um grande admirador de Luigi.
Foi em Paris que conheceu Brillon de Jouy, uma instrumentista especialista no fortepiano, para ela Luigi compôs e dedicou as suas Seis Sonatas para piano e violino de 1768.
Pela amizade com Madame Brillon, Manfredi e Luigi tocavam nos melhores salões parisienses.
Pouco depois Joaquin Atanasio Pignatelli Aragon Moncalvo, conde de Fuentes, embaixador de Espanha em Paris convidou os dois amigos a se mudarem para Madrid, onde muitos italianos: Scarlatti Farinelli, Sacchetti, Brunetti, Comfort, Corsellim etc. desfrutavam de uma excelente reputação.
Boccherini foi para Madrid , onde foi empregado pelo Infante Luis Antonio da Espanha, o irmão mais novo do rei Charles III . Lá, ele floresceu sob o patrocínio real, até que um dia, quando o rei expressou sua desaprovação a uma passagem de um novo trio, e ordenou a Boccherini sua modificação. O compositor, sem dúvida irritado com esta intrusão em sua arte, dobrou a passagem, o que levou à sua imediata demissão . Em seguida, ele acompanhou Don Luis de Arenas de San Pedro, uma pequena cidade nas montanhas de Gredos. Nessa cidade e na cidade de Candeleda, Boccherini escreveu muitas das suas obras mais famosas.
Luigi passou por tempos difíceis após a morte de seu patrono espanhol, morrendo quase na pobreza em Madrid no dia 28 de Maio de 1805. Deixou dois filhos. Sua linha de sangue continua até hoje na Espanha. Ele foi sepultado na Pontifícia Basílica de São Miguel até 1927, quando Benito Mussolini repatriou seus restos mortais para a Igreja de San Francesco de sua terra natal, Lucca.
Boccherini é um daqueles compositores injustamente esquecidos pela voragem da história. Na verdade a sua obra tem qualidade mais do que suficiente para ser recordada.
O musicólogo francês Yves Gérard (1932-) catalogou as obras de Boccherini o que como já vos disse explica o G. à frente do número que identifica as obras do compositor. Por exemplo G. 480 significa a obra número 480 na catalogação de Gérard.
O  seu minueto do Quinteto de Cordas em Mi , Op. 11, No. 5 (G 275) é extremamente popular e presente em diversos filmes e desenhos animados.

Musica notturna delle strade di Madrid "(Quinteto de Cordas em C Maior, Op 30 No. 6, G324), também é frequentemente utilizada em filmes como "Master and Commander: The Far Side of the World".
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-fjVveUdFdUl1LUpzYjFrWXVzc1JFbUlWNFZHc0VmOHpBb3RTeTRoRUZ0SG8?resourcekey=0-YYuXqzOn1FkHgXI-MGZY8Q&usp=sharing

quarta-feira, 13 de maio de 2015

PHILIP GLASS

Philip Morris Glass considerado um dos compositores mais influentes do final do século XX. A sua música é normalmente chamada de minimalista, embora ele não aprecie esta expressão. Nascido na cidade de Baltimore em Maryland nos Estados Unidos no dia 31 de janeiro de 1937, filho de Ida e Benjamin Charles Glass, imigrantes judeus da Lituânia.
Seu pai era dono de uma loja de discos e, assim a sua coleção de discos em grande parte consistia dos itens não vendidos, incluindo música erudita moderna como Hindemith, Bartók, Schoenberg, e Shostakovich e música clássica ocidental incluindo Quartetos de cordas de Beethoven e Piano Trio de Schubert, que ele cita como uma grande influência em seu trabalho em uma idade muito precoce.
Ainda criança estudou flauta no Instituto Peabody. Posteriormente cursou Matemática e Filosofia na Universidade de Chicago.
Em 1954 Glass foi a Paris pela primeira vez, lá conheceu os filmes de Jean Cocteau, que o impressionaram.
O teclado tornou-se o seu principal instrumento quando se matriculou na Juilliard School of Music. Teve como professores Vincent Persichetti e William Bergsma. Em 1959, conquistou o Prêmio Compositor IMC dos Estudantes da Fundação BMI, um dos mais prestigiados prêmios internacionais para jovens compositores.
No verão de 1960, ele estudou com Darius Milhaud em Aspen Depois de deixar a Juilliard, em 1962, mudou-se para Pittsburgh.
Ganhou uma bolsa de estudos e foi novamente para Paris, onde estudou com o professor de composição eminente Nadia Boulanger entre o Outono de 1964 e o verão de 1966. Os anos em Paris como estudante deixaram uma impressão duradoura e que influenciaram seu trabalho desde então, como o compositor, ali estudou compositores como Franz Schubert, Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart.
Enquanto esteve em Paris entrou em contato com a obra musical de Pierre Boulez, recentemente afirmou que depois de tão abertamente dizer não gostar deles, atualmente aprecia a música de Boulez e Stockhausen com ênfase no último. Entretanto ficou impressionado com os filmes e apresentações teatrais. Assistiu filmes revolucionários da Nouvelle Vague francesa, como os de Jean-Luc Godard e François Truffaut, fez amizade com o escultor Richard Serra e sua esposa Nancy Graves, com atores e diretores como JoAnne Akalaitis, Ruth Maleczech, David Warrilow, e Lee Breuer, com quem Glass mais tarde fundou o grupo de teatro experimental Mabou Mines. Em 1966 foi diretor musical da produção de Breuer para Mãe Coragem de Brecht.
Casou-se com a sua primeira esposa, a diretora e escritora de teatro, a lituana JoAnne Akalaitis com quem foi casado entre 1965 e 1980, tiveram dois filhos, o casal Juliet Glass, nascida em 1968, e Zachary Glass, nascido em 1971.
Ainda neste período conheceu o músico indiano Ravi Shankar que mudou sua percepção da música indiana. Encontraram-se pela primeira vez durante as filmagens de Chappacqua (1966), foram parceiros na composição da trilha sonora para este filme. Por influência de Shankar, começou a escrever peças com base em estruturas repetitivas de música indiana. Em 1990 voltariam a trabalhar juntos em Passages.
Partiu para o norte da Índia em 1966, onde entrou em contato com refugiados tibetanos e se interessou pelo budismo. Conheceu Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, em 1972, e tem sido um forte apoiante da independência do Tibete desde então.
Em março de 1967, retornou aos Estados Unidos, indo para Nova Iorque onde assistiu uma apresentação do minimalista Steve Reich que fez com que ele simplificasse seu estilo de compor. Entre o Verão de 1967 e o final de 1968, compôs nove obras incluindo Strung Out, Gradus, Music in the Shape of a Square em homenagem a Erik Satie, How Now e One plus One. Em um dos concertos com estas obras, as partituras foram pregadas nas paredes fazendo com que os músicos tivessem que se locomover durante a apresentação.
Em 1970, de Glass e Klaus Kertess (proprietário da Galeria Bykert) formou uma gravadora chamada Chatham Place Productions.
A música de Glass tornou-se mais complexa e dramática como demonstram as peças Music in Similar Motion (1969), e Music with Changing Parts (1970), que entusiasmou jovens artistas tais como Brian Eno e David Bowie.
Philip Glass produziu inúmeros trabalhos entre óperas, sinfonias, concertos, trilhas sonoras para filmes e outros trabalhos em colaboração com outros músicos.
Dentre as óperas Einstein on the Beach (1976), e Satyagraha (1980) esta última baseada na vida de Mahatma Gandhi que inclui diversos mantras. Compôs também a cantata Itaipu (1989) que possui texto em guarani. Pela falta de sensibilidade que demonstrou, esta obra recebeu muitas críticas dos ambientalistas brasileiros, por ser considerada como uma exaltação ao enorme projeto hidroelétrico, construído durante a ditadura militar. O lago formado atrás da barragem causou imensos danos ambientais, destruindo uma vasta área de floresta nativa e deixando submersa aquela que era então a maior catarata do mundo - o Salto de Sete Quedas. Ironicamente, e aparentemente dando pouca importância à controvérsia, Glass denominou o segundo movimento da sua obra "O Lago".
Também é dele Days and Nights in Rocinha (1997) que foi escrita após uma visita de Glass a favela da Rocinha antes do Carnaval.
Glass compôs trilhas sonoras para diversos filmes, começando por Koyaanisqatsi (1982), dirigido por Godfrey Reggio que está entre as trilhas sonoras mais influentes. Podemos citar também como trabalhos na área de trilha sonora para filmes Mishima (1985), Kundun (1997) sobre o Dalai Lama, a trilha sonora dos demais documentários da trilogia Qatsi em Powaqqatsi (1988) e Naqoyqatsi (2002), além de O Show de Truman: O Show da Vida (1998), que usou partes das trilhas de Mishima e Powaqqatsi e As Horas (2002)2 o qual recebeu uma indicação para o Oscar. Recentemente produziu a trilha para os filmes O Ilusionista (2006) e Notas Sobre um Escândalo (2006), também indicado ao Óscar de melhor trilha sonora.
Compôs a ópera "Corvo Branco", encomendada pela Expo 98 e estreada em Lisboa no encerramento do evento, com libreto de Luísa Costa Gomes.
Junto ao grupo mineiro Uakti compôs todas as músicas do álbum Águas da Amazônia e também compôs a trilha sonora do filme Nosso Lar.
Philip Glass atuou no dia 23 de junho de 2007 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa e no dia 24 no Theatro Circo em Braga. Quatro anos depois atuou também a solo na Casa da Música, no Porto, em 25 de Maio de 2011, com uma reação fortemente positiva do público.
Além de trabalhos sinfônicos, Glass também possui fortes ligações com rock e música eletrônica, sendo que o artista de música eletrônica Aphex Twin já colaborou com Glass. Vários outros artistas foram influenciados por sua obra como Mike Oldfield, John Williams e bandas como a Tangerine Dream. Brian Eno inclusive confirma a influência que teve de Glass.
Possui um estúdio frequentado por artistas famosos como David Bowie, Björk e Lou Reed, quando vivo, chamado Looking Glass.
Também foi casado com Luba Burtyk, Candy Jernigan, falecida aos 39 anos vítima de um câncer, Holly Critchlow com quem teve mais dois filhos Marlowe e Cameron, desde 2008 vive com a violoncelista Wendy Sutter e reside entre Nova York e Cape Breton na Nova Scotia no Canadá.
Além dos quatro filhos tem uma neta Zuri nascida em 1989, filha de Zachary.
Dentre seus amigos e colaboradores constam artistas plásticos como Richard Serra e Chuck Close, escritores: Doris Lessing, David Henry Hwang, Allen Ginsberg, cinema e diretores de teatro incluindo Errol Morris, Robert Wilson, JoAnne Akalaitis, Godfrey Reggio, Paul Schrader, Martin Scorsese, Christopher Hampton, Bernard Rose, coreógrafos Lucinda Childs, Jerome Robbins, Twyla Tharp, e músicos e compositores Ravi Shankar, David Byrne, o maestro Dennis Russell Davies, Foday Musa Suso, Laurie Anderson, Linda Ronstadt, Paul Simon, Joan La Barbara, Arthur Russell, David Bowie, Brian Eno, Roberto Carnevale, Patti Smith, Aphex Twin, Lisa Bielawa, Andrew Shapiro, John Moran, Bryce Dessner e Nico Muhly. Entre os colaboradores recentes Woody Allen, Stephen Colbert, e Leonard Cohen.
Curiosidade:
O seriado norte-americano Battlestar Galactica usa uma de suas músicas na trilha sonora - "Metamorphose One".

No anúncio da Nokia ao produto N81, a música apresentada é "Japura River".

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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Johann Nepomuk HUMMEL


Johann Nepomuk Hummel, pianista e compositor austríaco de origem eslovaca, nascido no dia 14 de Novembro de 1.778, Pressburgo atual Brastilava na Eslováquia, e que na época pertencia ao reino austríaco, filho Margarethe Sommer Hummel  e Josef Hummel que fora diretor da Escola Imperial Militar de Música em Viena e maestro da Orquestra do Teatro Schikaneder. Durante dois anos Hummel foi discípulo de Wolfgang Amadeus Mozart, que se oferecera para dar aulas gratuitamente ao menino, impressionado com a sua vocação musical. Aos nove anos fez sua primeira aparição em público num dos concertos de Mozart.
O pai de Hummel, em seguida, levou-o em uma turnê europeia, em Londres, teve aulas com Muzio Clementi por quatro anos.
Os professores: Mozart - Clementi - Albrechtsberger - Haydn e Salieri
da esquerda para a direita
Em 1791, Joseph Haydn, que estava em Londres, compôs a Sonata em A bemol para Hummel, que tocou a obra no Hanover Square Rooms, na presença de Haydn. Ao término Haydn agradeceu ao jovem e lhe deu um guinéu (moeda de ouro).

guinéu

O terror causado pela Revolução Francesa fez com que cancelasse uma turnê planejada pela Espanha e França. Retornou a Viena, a partir desta época teve aulas com Johann Georg Albrechtsberger, Joseph Haydn, e Antonio Salieri.
Beethoven
Nessa época, o jovem Ludwig van Beethoven chegou a Viena e teve aulas de Haydn e Albrechtsberger, tornando-se um colega e um amigo. A chegada de Beethoven, foi dito, quase destruiu a sua auto-confiança. Uma amizade marcada por altos e baixos, a amizade mútua desenvolvida em reconciliação e respeito.
Elisabeth Rockel
Em 1804, Hummel sucedeu a Joseph Haydn como Mestre de Capela do príncipe Esterházy em Eisenstadt. Permaneceu na função durante sete anos, até de ser demitido por negligenciar seus deveres. Após isso, ele visitou a Rússia e a Europa e se casou com a cantora de ópera Elisabeth Rockel, em 1813. Eles tiveram dois filhos. Teria sido para ela que Beethoven escreveu Fur Elise.
Em 1819 ocupou o cargo de Mestre de Capela em Stuttgart e Weimar, onde formou uma estreita amizade com Goethe e Schiller, colegas do teatro de Weimar. Durante a estada de Hummel em Weimar, ele fez da cidade a capital musical europeia, convidando os melhores músicos da época para visitar e tocarem lá. Ele criou um dos primeiros programas de aposentadoria aos músicos, com turnês beneficentes. Foi também um dos primeiros a lutar por direitos autorais musicais contra a pirataria intelectual.
Antes da morte de Beethoven, ocorrida em 1827, Hummel visitou-o em Viena, por várias vezes, acompanhado de sua esposa Elisabeth e seu aluno Ferdinand Hiller.

Hummel publicou o Curso Teórico e Prático de Instrução Sobre a Arte de Tocar Pianoforte em 1828, que vendeu milhares de cópias em poucos dias de sua publicação.
A técnica pianística do final do século 19 foi influenciada por Hummel, através de sua instrução de Carl Czerny, que mais tarde ensinou Franz Liszt. Czerny foi aluno de Beethoven, mas ao ouvir Hummel, trocou de professor.

Schubert
Mais tarde tornou-se amigo de Franz Schubert que conheceu em concerto dedicado à memória de Beethoven. Schubert dedicou suas últimas três sonatas para piano à Hummel. No entanto, uma vez que ambos os compositores estavam mortos no momento da primeira publicação das sonatas, os editores mudaram a dedicatória para Robert Schumann, que ainda estava ativo na época.

Chopin                                Schumann

A influência de Hummel também é notada nas primeiras obras de Frédéric Chopin e Robert Schumann.
Franz Lizst
Franz Liszt quis estudar com Hummel, mas o seu pai, Adam Liszt, se recusou a pagar o alto valor cobrado por Hummel, Liszt acabou estudando com Czerny.


Os alunos: Carl Czerny, Friedrich Silcher, Ferdinand Hiller, Sigismond Thalberg. Felix Mendelsssohn, Adolf von Henselt
(da esquerda para direita)

Czerny, Friedrich Silcher, Ferdinand Hiller, Sigismond Thalberg, Felix Mendelssohn e Adolf von Henselt estavam entre os alunos mais proeminentes de Hummel.
Meyerbeer

No final de sua vida, Hummel viu o surgimento de uma nova escola de jovens compositores e virtuosos, e viu sua própria música saindo de moda. Sua técnica em estilo disciplinado e limpo, e seu classicismo equilibrado, se opuseram a ele para a escola crescente de bravura tempestuoso exibida pelos gostos de Giacomo Meyerbeer e Liszt. Compondo cada vez menos, mas ainda altamente respeitado e admirado, Hummel morreu tranquilamente em Weimar em 17 de outubro de 1837.
Sua música foi rapidamente esquecida. Mais tarde, durante o renascimento clássico do início do século 20, Hummel foi preterido, assim como Haydn teve que esperar até a segunda metade do século 20, Hummel foi ofuscado por Mozart.
Ele era maçom e em seu testamento deixou uma parcela considerável de seu famoso jardim em Weimar a sua loja maçônica Anna Amalia zu den Drei Rosen. (Goethe também foi um membro deste influente loja).




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