quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ANTONIO SALIERI


Mais conhecido nos dias de hoje pela frase, que teria dito num momento de demência:
“Eu matei Mozart. Eu matei Mozart.”
Que remete a lendária inveja do músico italiano pelo austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, quase seis anos mais novo, ambos grandes compositores da música erudita mundial, aqui discorreremos sobre Antônio Salieri nascido em Legnago, no sul de Verona, na República de Veneza no dia 18 de Agosto de 1750.
Criado no seio de uma família próspera de comerciantes, Antônio foi enviado para a escola pública para aprender latim, e seu primeiro contato com a música foi em sua própria casa, com seu irmão mais velho Francesco que era aluno do compositor
Tartini
Giuseppe Tartini, Antônio teve aulas de canto, violino, cravo e espineta com Francesco que lhe repassa o que aprendia com o seu professor, posteriormente teve aulas com o organista da Catedral Legnago, Giuseppe Simoni, um aluno de Padre Giovanni Battista Martini.
Francesco era um violinista bastante requisitado na sua aldeia e nas vizinhas e sempre que havia espaço Antônio o acompanhava. Certa vez, quando tinha dez anos de idade seu irmão foi tocar numa aldeia vizinha e não havia lugar para ele no transporte arrumado, pois não se fez de rogado e seguiu a pé para assistir ao irmão sem a autorização dos pais, que ficaram preocupados com o seu desaparecimento, ao retornar foi ameaçado pelo pai deixa-lo trancado no quarto por uma semana a pão e água se ele alguma vez torna-se a fazer isto.
Espineta
Pescetti
Após a morte prematura de seus pais, por volta de 1763 ou 1764, mudou-se para Pádua, e a seguir para Veneza, onde estudou com Giovanni Battista Pescetti, após o falecimento de Pescetti ele estudou com o cantor de ópera Ferdinando Pacini, sendo através dele que Antônio Salieri impressionou o compositor Florian Leopold Gassmann com seu talento que preocupado com seu futuro, levou o jovem órfão para Viena, assumindo financeiramente o restante de sua educação musical, baseada na obra de Johann Joseph Fux, Gradus ad Parnassum, que ele mesmo traduzira do latim.
Chegaram em Viena no dia 15 de Junho de 1766, próximo de completar seus dezesseis anos, Mozart já era reconhecido como um menino prodígio, enquanto Salieri ainda era desconhecido. Em Viena teve também aulas de alemão, francês, italiano, latim e poesia. Gassmann queria que seu pupilo tivesse uma ampla e embasada cultura musical antes de compor qualquer obra, entretanto o jovem começou a criar suas próprias obras em segredo.
Gassmann
Deste período foram poucas as composições que sobreviveram. Disse durante a sua velhice que propositalmente foram destruídas, ou se perderam, exceto algumas obras para a igreja.
Joseph II
Joseph II que era o imperador do Sacro Império Romano, e reconhecido como uma amante da música e tornando Viena a cidade musical da Europa. Gassmann era o compositor da corte de Viena, e o imperador admirava muito sua música e quis conhecer o jovem talentoso vindo de Veneza. Assim foi feito, Salieri estava muito nervoso, entretanto a calma e a tranquilidade reinaram assim que o Imperador começou a falar sobre música. Antônio aproveitou o momento para agradecer a Gassmann e que o considerava como um segundo pai. O nobre solicitou que o jovem cantasse e tocasse piano para ele, impressionando-se com o seu canto e habilidade ao piano. A partir deste momento, o Joseph II solicitou que Gassmann sempre trouxesse seu pupilo para as apresentações de música de câmara diárias realizadas durante jantar do imperador. Assim Salieri se tornou querido pelo Imperador, o que impulsionou sua progressão na carreira e sendo o início da relação entre monarca e o músico que perduraria até 1790 com a morte de Joseph II.
Trapassi
Nos salões da Corte conheceu Pietro Antônio Domenico Trapassi, o Metastasio, e Christoph Willibald Gluck. Metastasio apresentou a prosódia e a declamação de poesia italiana, sendo Gluck seu conselheiro informal, amigo e confidente.
Com a permissão de Gassmann fez sua estreia como compositor de uma ópera bufa completamente original, sua primeira ópera foi composta durante a temporada de inverno e carnaval de 1770 - Le donne letterate, baseada em Les Femmes Savantes de Molière, com um libreto de Giovanni Gastone Boccherini. Inicialmente a música deveria ser composta por Gassman, mas devido a outras atribuições ele repassou a responsabilidade para Salieri, que aceitou a tarefa com entusiasmo. Trabalhou com afinco, dedicação e muita paixão.
Na noite de estreia em Roma, Antônio estava muito ansioso, percorreu a cidade apenas para ver os folhetos com seu nome estampado. Chegando ao teatro, surpreendeu-se ao ver quantos vieram para ouvir a sua primeira ópera. Muitos foram os aplausos, a partir daí foram 34 anos de carreira operística compôs mais de 37 dramas originais.
No ano seguinte, escreveu Armida baseado no poema épico La Gerusalemme Liberata (Jerusalém Livre) de Torquato Tasso sobre um libreto de Marco Coltellini e estreou em 2 de Junho de 1771.
Em 1772 compôs três óperas, duas delas com um sucesso moderado, entretanto, La fiera di Venezia (A Feira de Veneza), foi um grande sucesso. La fiera foi escrita para o Carnaval e estreou em 29 de janeiro. Esta ópera apresentava um novo padrão que seria imitado por compositores posteriores, sendo a mais famosa e bem-sucedida delas Don Giovani de Wolfgang Amadeus Mozart.
Mozart
Seu nome torna-se popular em toda a Europa. Boa parte desta fama deve-se ao imperador Joseph que ajudou a espalhar o seu nome na Itália e na França, ajudado por sua irmã era Marie Antoinette e seus irmãos foram Leopold, Grão-Duque da Toscana, e Ferdinand, o governador da Lombardia. Joseph enviou uma cópia da ópera Armida a seu irmão Leopold e disse-lhe do grande sucesso que desfrutou em Viena. Leopold logo respondeu que ele gostaria de ter Salieri escrevendo uma ópera para Florença.
Durante seu tempo em Viena, Salieri adquiriu grande prestígio como compositor e maestro, particularmente de ópera, mas também de câmara e música sacra. Entre as mais bem-sucedidas de suas 37 óperas encenadas durante sua vida foram Armida (1771), La fiera di Venezia (1772), La scuola de 'Gelosi (1778), Der Rauchfangkehrer (1781), Les Danaides (1784), que foi o primeiro apresentado como uma obra de Gluck, La Grotta di Trofonio (1785), Tarare (1787), Axur, re d'Ormus (1788), La cifra (1789), Palmira, Regina di Persia (1795), Il mondo alla rovescia (1795), Falstaff (1799), e Cesare em Farmacusa (1800).
Também datam desta época a maioria de suas obras poucas instrumentais. Foram peças escritas para ocasiões desconhecidas. Temos:
- dois concertos para forte piano, um em Dó maior e um em Si bemol maior;
- um concerto para órgão em Dó Maior em dois movimentos;
- um concerto para oboé, violino e violoncelo em Ré maior,
- um concerto para flauta e oboé em Dó maior.
Salieri perdeu seu segundo pai e benfeitor. Gassmann faleceu no dia 22 de janeiro de 1774, a esposa e os filhos passam a ser protegidos por Salieri. O imperador ficou muito chateado com a perda de seu querido Kapellmeister, e ofereceu o cargo agora vago de Compositor Oficial da Corte a Salieri. Salieri tinha apenas 24 anos de idade na época quando foi nomeado diretor da ópera italiana pela corte Habsburg, cargo que ocupou entre 1774 e 1792, Durante sua carreira, ele também passou um tempo escrevendo obras para casas de ópera em Veneza, Roma e Paris. Suas obras dramáticas foram amplamente apresentadas em toda a Europa durante sua vida.
Durante esta fase de sua carreira, a música sacra não era prioritária para Antônio, entretanto compôs Alleluia para coro e orquestra em 1774.
No ano seguinte, 1775, conheceu a sua esposa, Therese von Helfersdorfer, ela era filha de um oficial da tesouraria imperial já falecido, antes que ele pudesse ter sua mão em casamento, deveria ter a permissão do guardião que seu pai havia nomeado antes de morrer. O guardião informou que permitiria que Salieri a desposasse caso fosse convencido de que poderia sustentá-la. Salieri afirmou que tinha tais condições, pois recebia trezentos ducados como Kapellmeister da ópera italiana, cem ducados como compositor imperial câmara, e que suas composições e aulas de música rendiam mais trezentos ducados por ano. Teve como resposta do guardião que só poderia considerar o que recebia da corte e se que Salieri retornasse somente se a sua posição houvesse melhorado. Ao tomar conhecimento disto, o Imperador elevou o salário de Salieri a trezentos ducados. Salieri voltou para o guardião e ele consentiu com o matrimônio, que aconteceu em 10 de Outubro daquele mesmo ano e que produziu oito filhos.
Compôs no ano seguinte a sinfonia em Ré maior, e o oratório La passione di Gesù Cristo com texto de Metastasio realizada durante o Advento. Ainda neste ano Joseph reorganizou os teatros da corte com ênfase no teatro falado. Isto permitiu Salieri retornasse à sua terra natal.
Gluck
No ano de 1778 Gluck recusou uma oferta para compor a ópera inaugural para La Scala, em Milão; sobre a sugestão de Joseph II e com a aprovação de Gluck, Salieri foi oferecido a comissão, que ele aceitou com gratidão. Joseph II concedeu permissão Salieri para tirar uma licença de ausência (mais tarde alargado) de um ano permitindo assim que ele escrevesse para La Scala e para realizar uma turnê pela Itália entre 1778 e 1780. Sua ópera L'Europa riconosciuta foi escolhida para inauguração. Salieri incluiu paradas em Veneza e Roma e, finalmente, um retorno a Milão. Nesta época, Salieri fazia sombra em Mozart.
Enquanto estava em licença e devido a má gestão financeira Joseph II decide acabar com a Ópera Italiana, abrindo em seu lugar o Teatro Nacional, que promoveria peças executadas em alemão ou musicais que refletissem o sentimento austríaco.
Após o seu regresso em 1780, Joseph encomendou a Salieri que escrevesse algo para o Teatro Nacional. Der Rauchfangkehrer (O limpador de chaminés) que estreou em 1781. Foi uma das duas únicas óperas alemãs escritas por Salieri. Foi muito bem sucedido até a estreia da ópera, Die Entführung Serail dem aus (O rapto do serralho), de autoria de Wolfgang Amadeus Mozart, que foram os dois grandes sucessos desta experiência e apenas a ópera de Mozart sobreviveria no palco para além do final do século 18.
O imperador decide reativar a Ópera Italiana em 1783. Com cantores em parte escolhidos e controlados por Salieri durante sua turnê italiana, a nova temporada abriria com uma versão ligeiramente retrabalhada de seu sucesso recente Gelosi La scuola de '. Salieri, em seguida, retornou a rotina de ensaios, composição e ensino.
Surge a oportunidade de escrever uma ópera para Paris através do patrocínio de Gluck. A ópera Les Danaides (As Danaides) é uma tragédia lírica em cinco atos com enredo foi baseado numa antiga lenda grega que tinha sido a base para a trilogia de Ésquilo, intitulado Os suplicantes. A ideia original era ajudar Gluck a terminar o trabalho praticamente concluído, mas Gluck não tinha conseguido escrever uma única linha e deu todo o projeto sobre a seu jovem amigo. Gluck temia que os críticos parisienses denunciassem que a ópera era de um jovem compositor conhecido principalmente por peças cômicas e assim a imprensa foi informada que era um novo trabalho de Gluck com a colaboração de Salieri, pouco antes da estreia da ópera a imprensa em Paris foi informada que o trabalho seria, em parte, composta por Gluck e em parte por Salieri, e, finalmente, após o sucesso popular e crítico, através de uma carta ao público de Gluck informava que a obra fora inteiramente escrita pelo jovem Salieri. Les Danaides foi recebido com grande aclamação e sua popularidade com o público e críticos produzidos vários novos pedidos de novas obras para audiências Paris por Salieri. Les Danaides seguiu a tradição da reforma que Gluck tinha começado na década de 1760 e que Salieri tinha emulado em sua ópera Armida anterior. A ópera com sua abertura escura, escrita coral pródigo, muitas cenas de balé, e final eletrizante que descreve um vislumbre de tortura infernal manteve a ópera no palco em Paris por mais de quarenta anos. Um jovem Hector Berlioz registrou a profunda impressão desta obra feita por ele em seu Mémoires.
Da Ponte
Em seu retorno a Viena conhece Lorenzo da Ponte, tem o seu primeiro encontro profissional com Mozart. Da Ponte escreveria o seu primeiro libreto para uma ópera de Salieri, Il ricco d’un giorno (Rico por um dia) em 1784, a obra não teve uma boa repercussão. Para a próxima empreitada, em 1785, Antônio decidiu trabalhar com Giambattista Casti como libretista, La Grotta di Trofonio (A Gruta de Trofonio) que alcança grande sucesso, enquanto Da Ponte trabalha com Mozart em As Bodas de Figaro.
Com o sucesso de ambos, o imperador Joseph II decide que ambos devessem contribuir com uma produção de um único ato para um banquete que daria em 1786. Salieri e Casti produziram uma paródia da relação entre o poeta e o compositor, Prima la Musica e Poi le Parole (Primeiro a Musica e então as Palavras).
Em Paris novamente, vê o fracasso de sua tragédia lírica Les Horaces (Os Horácios), porém o seu trabalho seguinte Tarare, uma ópera parisiense com libreto de Beaumarchais, que ampliava a reforma operística, trazendo uma síntese da poesia e da música que era uma antecipação dos ideais de Richard Wagner do século 18. O sucesso de sua ópera Tarare era tal que foi logo traduzido em italiano por ordem de Joseph II de Lorenzo Da Ponte como Axur, Re d'Ormus (Axur, o rei de Ormuz) e encenado no casamento real do Franz II em 1788. Essa adaptação se tornou o seu maior sucesso internacional. Axur foi amplamente produzido em toda a Europa e até mesmo chegou a América do Sul com a casa real de Portugal em 1824.
Casti
Salieri também criou uma cantata sacra Le dernier Jugement (O Julgamento Final).
Quando retorna a Viena, onde permaneceu para o resto de sua vida, em 1788, Salieri tornou-se Maestro da Orquestra Imperial (Imperiales Königliches Kapellmeister), sucedendo a Giuseppe Bonno, se mantendo no cargo até 1824. Foi presidente do "Tonkünstler-Societät" (sociedade dos artistas musicais) de 1788 a 1795, vice-presidente após 1795, e responsável pelos seus concertos até 1818.
Axur e bem como suas novas composições concluídas até 1792 marcariam o auge de sua popularidade e influência. Assim como seu apogeu da fama estava sendo atingido no exterior, sua influência em Viena começaria a diminuir com a morte de Joseph II em 1790. A morte de Joseph privou Salieri de seu maior patrono e protetor. Durante este período de mudança imperial em Viena e fermento revolucionário na França, Salieri compôs dois dramas musicais extremamente inovadoras adicionais para libretos por Giovanni Casti. Devido, no entanto, as suas inclinações políticas satíricos e abertamente liberais, ambas óperas eram vistos como inadequados para apresentação pública nas culturas politicamente reativas de Leopold II e mais tarde Francis II. Isto resultou em duas de suas óperas mais originais de serem expedidos para a gaveta da escrivaninha, nomeadamente Cublai, gran kan de 'Tartari (Kublai Grande Kahn da Tartária) uma sátira sobre a autocracia e intrigas da corte na corte da Czarina russa, Catarina, a Grande e Catilina uma peça semicômica - semitrágica da conspiração de Catilina que tentou derrubar a república romana durante o consulado de Cícero. Estas óperas foram compostas em 1787 e 1792 respectivamente. Duas outras óperas de pouco sucesso e de longo prazo importância foram compostas em 1789, e um grande sucesso popular La cifra (A Cipher).
Como a posição política de Salieri tornou-se muito insegura estava aposentado como diretor da ópera italiana em 1792. Ele continuou a escrever óperas novas por contrato imperial até 1804, quando ele retirou voluntariamente do palco. De suas obras tardias para o palco apenas duas obras ganharam estima larga popular durante sua vida, Palmira, regina di Pérsia (Palmira, a rainha da Pérsia) 1795 e Cesare em Farmacusa (Caesar em Pharmacusa), ambos desenho sobre o sucesso heróico e exótico estabelecido com Axur. Sua ópera tardia baseada em William Shakespeare As Alegres Comadres de Windsor, Falstaff ossia Le tre burle (Falstaff, ou os três truques), de 1799 encontrou um público mais amplo nos tempos modernos do que a sua recepção inicial prometida. Sua última ópera foi um singspiel alemão Die Neger, (Os negros), um melodrama definido na Virgínia colonial com um texto de Georg Friedrich Treitschke (o autor do libreto para Fidelio de Beethoven), realizado em 1804 e foi um completo fracasso.
Antonio Salieri havia alcançado uma elevada posição social, sendo frequentemente associado com outros celebrizados compositores, como Joseph Haydn ou Louis Spohr. Desempenhou um papel importante na música clássica do século XIX e ensinou compositores famosos como Ludwig Van Beethoven, Carl Czerny, Johann Nepomuk Hummel, Franz Liszt, Giacomo Meyerbeer, Ignaz Moscheles, Franz Schubert e Franz Xaver Süssmayr. Ensinou também ao filho mais novo de Mozart, Franz Xaver.
Antônio Salieri faleceu no dia 07 de Maio de 1825, foi sepultado no Matzleinsdorfer Friedhof, Áustria. Em seu funeral em 22 de junho de 1825 o seu próprio Requiem em Dó menor - composta em 1804 - foi realizada pela primeira vez. Seus restos mortais foram posteriormente transferidos para o Zentralfriedhof (Cemitério Central de Viena). Seu monumento é adornado por um poema escrito por Joseph Weigl, um de seus alunos:

Descanse em paz!
Descoberto pela poeira
A eternidade deve florescer para você.
Descanse em paz!
Em harmonias eternas
Seu espírito agora é posto em liberdade.
Ele manifestou-se
Nas encantadoras notas,
Agora ele está flutuando
Para a beleza eterna.


Sua música foi bastante conhecida na sua época. As lendas a respeito do seu relacionamento com Wolfgang Amadeus Mozart, com quem conviveu em Viena até a morte deste, foram criadas pela peça de teatro de Peter Shaffer, adaptada para o cinema, sob direção de Milos Forman, com o título Amadeus. O filme, vencedor de oito Óscares, em 1984, retrata um Salieri invejoso do gênio de Mozart, ao mesmo tempo admirador e que possui um bom talento musical. Tal imagem é resultante da liberdade ficcional dos realizadores, não correspondendo à figura histórica do compositor. Entretanto serviu para ressuscitar a sua música que lentamente desapareceu do repertório entre 1800 e 1868, e foi raramente ouvida após esse período até a apresentação desta peça e do filme.
Sua obra recuperou alguma popularidade, sendo também objeto de crescentes estudos acadêmicos. Além disso, foi criado o Festival Salieri de Ópera patrocinado pela Fondazione Culturale Antônio Salieri e dedicado à redescoberta de seu trabalho e aqueles de seus contemporâneos. Ele está se desenvolvendo como um evento anual de outono em sua cidade natal de Legnago, onde um teatro foi renomeado em sua honra.
Teatro Salieri. Legnago - VR


https://drive.google.com/drive/folders/0B4FphzZsBcqhVC10QzQ2eDl4VDg?resourcekey=0-k4nSMQgw_eXp3BUIBTs4dQ&usp=sharing

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

QUE BACH É ESSE?





Não vou aqui comentar sobre a sua vida e obra, pois isto já foi feito, vide link:

http://harmoniasangreal.blogspot.com.br/2013/11/johann-sebastian-bach.html


E sim sugerir a audição de parte de sua obra tocada por instrumentos pouco usuais, mas com interpretações surpreendentes:
banjo

Que tal ouvir Bach tocado num banjo acompanhado por um violino, um violoncelo, uma marimba, um contrabaixo, um bandolim, um violão folk e um violão.
O responsável por esta interpretação é o músico nova iorquino Béla Fleck, que gravou em 2001 o álbum Perpetual Motion com transcrições de obras de Domenico Scarlatti, Debussy, Chopin, Tchaikovsky, Brahms, Paganini, Beethoven e claro Johann Sebastian Bach que é o destaque do disco.
As obras de Bach são:
– BWV 777 - Invenção a duas vozes no. 06 em Mi maior,
– BWV 782 - Invenção a duas vozes no. 11 em Sol menor,
– BWV 784 - Invenção a duas vozes no. 13 em Lá menor,
– BWV 793 - Invenção a três vozes (Sinfonia) em Mi menor,
– BWV 796 - Invenção a três vozes (Sinfonia) em Sol maior,
– BWV 801 - Invenção a três vozes (Sinfonia) em Si menor,
– BWV 1006 - Partita no. 03 em Mi maior – Prelúdio
– BWV 1007 - Suíte no. 01 em Sol maior – Prelúdio


braguinha
cavaquinho
Conhece o Ukulelê?
Não confunda com o cavaquinho, ambos têm a sua origem, no braguinha português, uma espécie de viola usada ainda hoje nos Açores, os dois instrumentos tem algumas diferenças tais como:
Encordoamento – enquanto o cavaquinho usa cordas de aço, o ukulele usa o nylon;
Afinação – cavaquinho da corda mais fina para a mais grossa: Ré, Si,
Sol, Ré. Ukulelê também da mais fina para a mais grossa: Sol, Dó, Mi, La;
Tamanho – o cavaquinho tem escala usual de 17”, enquanto que o ukelelê varia de acordo com o seu tipo que pode ser soprano, concert, tenor e barítono.
Como se Toca – o ukelelê normalmente com os dedos, o cavaquinho com palheta.
Sonoridade – ukelelê suave, cavaquinho som cortante.
ukelelê


Bom após esta breve diferenciação eis John King músico nascido em San Diego na Califórnia, que nos brinda com a releitura de algumas obras de Johann Sebastian Bach exclusivamente no ukelelê, em seu álbum JOHANN SEBASTIAN BACH PARTITA NO. 3 AND OTHER WORKS TRANSCRIBED FOR UKULELE de 2006.
As obras gravadas neste trabalho são:
- BWV 147 - Cantata “Herz und Mund und Tat und Leben” - Jesus bleibet meine freude (Jesus Alegria dos Homens)
- BWV 846 - O Cravo bem Temperado, livro I – Prelúdio e Fuga em Dó maior – Prelúdio - (base de Ave Maria de Gounod)
- BWV 1006 - Partita para violino no. 3 em Mi maior – Prelude
- BWV 1006 - Partita para violino no. 3 em Mi maior – Loure
- BWV 1006 - Partita para violino no. 3 em Mi maior – Gavotte en rondeau
- BWV 1006 - Partita para violino no. 3 em Mi maior – menuett I e II
- BWV 1006 - Partita para violino no. 3 em Mi maior – Bourree
- BWV 1006 - Partita para violino no. 3 em Mi maior – Gigue
- BWV 1007 - Suíte para violoncelo em Sol maior – Prelúdio
- BWV 1007 - Suíte para violoncelo em Sol maior – Sarabande
- BWV 1007 - Suíte para violoncelo em Sol maior – Gigue
- BWV 1010 - Suíte para violoncelo no. 4 em Mi bemol maior – Bourree I e II
- BWV 1011 - Suíte para violoncelo no. 5 em Dó menor – Gavotte I e II
- BWV 1012 - Suíte para violoncelo no. 6 em Ré maior – Gavotte I e II

bandolim

Por fim, e para tornar a coisa um pouco mais erudita, o bandolim... Instrumento para o qual Johann Sebastian Bach compôs obra alguma, cabendo então aqui também o trabalho de transcrição das obras feitas pelo bandolinista israelense Avi Avital, que em 2012 lançou o álbum Bach, interpretando as seguintes obras:
- BWV 1034 - Sonata para flauta e baixo contínuo no. 5 em Mi menor – 4 movimentos - adagio ma non troppo, allegro, andante e alegro;
- BWV 1041 - Concerto para violino, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 1 em Lá menor  – 3 movimentos - sem indicação de andamento, andante e allegro assai
- BWV 1052 - Concerto para cravo, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 1 em Ré menor  – 3 movimentos - Allegro, Adagio e Allegro
- BWV 1056 - Concerto para cravo, orquestra de cordas e baixo contínuo no. 5 em Fá menor  – 3 movimentos - sem indicação de andamento, largo e presto

Agradecimento especial ao grande influenciador, que apresentou este material: Vassily Genrikhovich do blog PQPBach - http://pqpbach.sul21.com.br/

Divirtam-se


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

TEREZÍN

Faço esta postagem para cobrir a lacuna da semana anterior, e principalmente para homenagear um blog que sempre frequento e me alimento com obras e textos maravilhosos.

Assim sendo a partir do próximo parágrafo, nada será escrito por mim, apenas reprodução do texto apresentado por Vassily Genrikhovich, no blog http://pqpbach.sul21.com.br , com a devida permissão.



Este magnífico álbum seria tocante mesmo sem as circunstâncias que, a seguir, passo a lhes descrever – e se o leitor-ouvinte é daqueles que prefere apreciar apenas o que escuta, sem se abalar com circunstâncias extramusicais, sugiro que passe direto ao download.
A fortaleza austro-húngara de Theresienstadt (em tcheco, Terezín), foi criada no século XVIII nas proximidades de Ústí nad Labem, ao norte de Praga. Afora sua função defensiva, também serviu como centro de detenção para prisioneiros políticos, mas foi durante o sombrio período da ocupação alemã da Boêmia (1939-1945) que o nome de Terezín foi definitivamente escrito na História da Infâmia.

“Todos tinham fome” – Liana Frankl, 9 anos
Depois da anexação do território tcheco dos Sudetos (1938) e de garantir a influência sobre o estado-fantoche da Eslováquia (1939), o Reich transformou o restante do território da então Tchecoslováquia no Protetorado da Boêmia e Morávia, nominalmente autônomo e governado por tchecos colaboracionistas. Na prática, quem mandava no Protetorado era um Reichsprotektor, cargo que coube, entre outros, a dois dos mais truculentos membros dos quadros do Partido Nazista: Richard Heydrich (assassinado em 1943) e Wilhelm Frick (executado em Nürnberg em 1945).
Josef Novak, 7 anos
Tão logo tomaram as rédeas do poder, os nazistas começaram a esmagar os movimentos de resistência e expulsar os então mais de cem mil judeus tchecos de suas residências. A maior parte deles foi parar na cidadela de Terezín, que rapidamente viu sua população inflar para quase sessenta mil pessoas, amontoadas em condições degradantes e num espaço preparado para receber menos de sete mil. Além dos judeus da Boêmia, Morávia e Eslováquia, Terezín também recebeu deportados da Alemanha, Áustria, Países Baixos e Dinamarca, bem como prisioneiros de outros países.
Helga Weiss, 13 anos
Enquanto a fome, o frio e as epidemias ceifavam vidas entre os prisioneiros, o eficiente aparato de propaganda nazista vendia a imagem de Terezín como uma cidade-modelo, em que os judeus viviam em liberdade e celebravam sua cultura dentro do Reich: o emblema de um tratamento humano e respeitoso que era o antônimo exato do que recebiam. Numa ocasião especialmente infame, os nazistas “embelezaram” Terezín para uma inspeção da Cruz Vermelha e para um filme de propaganda, amontoando os prisioneiros famélicos e doentes em galpões para deixar à vista tão só os pouquíssimos internos em estado razoável de saúde. O resultado da medida, no auge de uma epidemia de tifo, foi mortífero.
“Não no gueto” – Dorita Weiser, 9 anos
Com o advento da “Solução Final”, os guetos foram evacuados, e seus moradores, transportados para campos de extermínio. Além das 33.000 mortes devidas às péssimas condições de vida em Terezín, outras 88.000 pessoas que por lá passaram foram levadas para Auschwitz-Birkenau, Treblinka e Sobibor, ao encontro da morte. No total, das mais de 150.000 vítimas do fascismo que viveram em Terezín, menos de 18.000 sobreviveram – entre os quais apenas 240 das 15.000 crianças.
Ella Liebermann, 16 anos
Apesar da extrema dureza da vida no gueto, e dos abusos e censura rigorosa dos nazistas, a vida e a Arte floresceram em Terezín tanto quanto puderam. Artistas deportados continuaram a escrever, compor, pintar e esculpir suas obras. A pintora Friedl Dicker-Brandeis, notavelmente, deu aulas de Pintura e Desenho para muitas crianças, com o intuito de aliviar-lhes a opressão em que viviam. Estes jovens artistas, que em sua maioria encontraram a morte nos anos subsequentes, deixaram para a posteridade um pungente legado que não só descreve melhor do que quaisquer palavras os horrores que presenciaram, mas que também preservou seus nomes para a posteridade. Alguns destes preciosos desenhos, a um só tempo tocantes e perturbadores, ilustram esta postagem.
Ella Liebermann, 16 anos
Sensibilizada com a história de Terezín, a diva sueca Anne Sofie von Otter rodeou-se de colaboradores para produzir este disco, inteiramente devotado a obras compostas por prisioneiros do gueto. 
Anne Sofie von Otter

Se algumas delas transpiram alegria, serenidade e escracho, é difícil nossas faringes não se apertarem ante a constatação de que a maior parte de seus compositores faleceu em 1944 – o ano da liquidação de Terezín. O que à primeira vista parece uma colagem com os gêneros mais diversos – de canções de cabaré a Lieder em tcheco e em iídiche, e até uma sonata para violino solo – ganha uma coesão admirável graças às interpretações muito sensíveis e reverentes.
No fim, ao extinguir-se a última nota do violino, o silêncio cala fundo, e é como se uma voz nos sussurrasse:
– Esquecer… é repetir.
NUNCA, pois, esqueçamos Terezín.
“A chegada do trem com deportados” – Edita Pollak, 9 anos



Os músicos que acompanham a mezzo-soprano Anne Sofie von Otter no álbum:

Christian Gerhaher, barítono - Daniel Hope, violino - Bengt Forsberg e Gerold Huber, piano
Ib Hausmann, clarinete - Philip Dukes, viola - Josephine Knight, violoncelo - Bebe Risenfors, violão e acordeão

As faixas, seus autores e intérpretes:
Ilse Weber - Karel Svenk - Emmerich Kalman - Hans Krasa

Ilse WEBER (1903-1944)
01 – Ich wandre durch Theresienstadt
Anne-Sophie von Otter, Bengt Forsberg, Bebe Risenfors

Karel ŠVENK (1917-1945)
arranjo de Moshe Zorman
02 – Pod destnikem
03 – Vsecho jde!
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg, Bebe Risenfors

Ilse WEBER
04 – Ade, Kamerad!
Christian Gerhaher, Gerold Huber
05 – Und die Regen rinnt
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Adolf STRAUSS (1902-1944)
arranjo de Moshe Zorman
06 –  Ich weiß bestimmt, ich werd Dich
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Emmerich KÁLMÁN (1882-1953)
07 – Gräfin Mariza – Opereta em três atos: Terezín-Lied
Christian Gerhaher, Gerold Huber

Martin ROMAN (1910-1996)
08 – Karrussell
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Ilse WEBER
09 – Wiegala
Anne Sofie von Otter, Bebe Risenfors

Hans KRÁSA (1899-1944)
Três Canções sobre poemas de Arthur Rimbaud, traduzidas por Vítězslav Nezval:
10 – Čtyřverší
11 – Vzrušení
12 – Přátelé
Christian Gerhaher, Ib Hausmann, Philip Dukes, Josephine Knight

Carlo Sigmund TAUBE (1897-1944)
13 – Ein jüdisches Kind
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg, Ib Hausmann

Viktor ULLMAN (1898-1944)
14 – Drei jiddische Lieder (Brezulinka), Op.53 – no. 1: Berjoskele
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg
Seis Sonetos de Louize Labané, Op.34
15 – No. 1: “Claire Vénus”
16 – No. 2: “On voit mourir”
17 – No. 3: “Je vis, je meurs…”
Anne Sofie von Otter, Bengt Forsberg

Pavel HAAS (1899-1944)
Quatro Canções sobre Poemas Chineses
18 –  Zaslechl jsem divoké husy
19 – V bambusovém háji
20 – Daleko měsíc je domova
21 – Probděná noc
Christian Gerhaher, Gerold Huber

Erwin Schulhoff [Ervín ŠULHOV] (1894-1942)
Sonata para violino solo (1927)
22 – Allegro con fuoco
23 – Andante cantabile
24 – Scherzo
25 – Finale
Daniel Hope
Carlo Sigmund Taube - Viktor Ullman - Pavel Haas - Erwin Schulhoff
Não consegui as imagens de dois compositores: Adolf Strauss e Martin Roman.

Acesse também ao site do Museu Judaico de Praga http://www.jewishmuseum.cz/en/explore/permanent-collection/children-s-drawings-from-the-terezin-ghetto-1942-1944/

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

JOHN FIELD


John Field foi um pianista, compositor e professor irlandês nascido em Golden Lane, Dublin no dia 26 de Julho de 1782, numa família musical de membros da igreja protestante irlandesa, era o filho mais velho de Robert Field, que tocava violino nos teatros de Dublin e mantinha uma escola de música. 
Memorial em Golden Lane
O avô também chamado John Field que era organista numa das principais igrejas da cidade, assim ainda na infância teve com ambos as primeiras noções musicais, posteriormente teve como professor Tommaso Giordani.
Tommaso Giordani
Apresentou-se publicamente pela primeira vez no dia 24 de Março de 1.792, apresentação bastante aceita pela audiência, transformando em sucesso imediato, nessa mesma época datam suas primeiras composições.
Haymarket Theater

A busca por melhores condições financeiras fez com que a família se mudasse para Inglaterra em 1.793, fixando-se por dois meses em Bath no condado de Somerset, e posteriormente dirigiram-se para Londres, onde seu pai arrumou uma colocação na orquestra do Teatro Haymarket.

Tal mudança de ares foi muito importante para o pequeno John, pois seu pai o apresentou a Muzio Clementi, que passou a ser o mestre e mentor. Enquanto tinha aulas com Clementi em troca trabalhava como um demonstrador e vendedor de piano. Tornando-se célebre demonstrador.
Salomon
Por volta de 1795 seu desempenho num Concerto para piano Dussek foi elogiado por Haydn. Aos dezessete anos estreou seu primeiro concerto para pianos. Também estudou violino com Johann Peter Salomon.

As primeiras referências a Field como compositor surgem nas comunicações entre Clementi e a casa Pleyel. Entre 1801 e 1802 publicou um conjunto de três sonatas para piano dedicadas ao seu professor.

Albrechtsberger
Nessa época, teve seu talento reconhecido por Clementi que o levou para acompanhá-lo em uma série de apresentações públicas passando por Paris e pela Alemanha, durante a passagem por Viena estudou brevemente contraponto com Johann Georg Albrechtsberger. Seguiram finalmente para S. Petersburgo na Rússia, onde tiveram enorme sucesso.

Decide acompanhar o seu mestre ainda como demonstrador na Rússia. Tempos depois resolve ser independente, estabelecendo uma carreira com seus concertos na Rússia, dividindo-se entre as cidades de Moscou e São Petersburgo, acaba por fixar residência em São Petersburgo. Em 1.808 casou-se com Adelaide Victoria Percheron, uma ex-aluna, de origem francesa numa cerimônia católica. Tornou-se professor, profissão que demonstrou ser bastante lucrativa, pois tinha uma clientela aristocrática, adota um estilo de vida extravagante, virou um bon-vivant.
Em 1812 compõe a Grande Marcha Triunfal. Dois anos mais tarde compõe os três primeiros noturnos. Tendo início um novo gênero musical.
Glinka
No período entre 1815 e 1819 faz numerosas apresentações em São Petersburgo. Passa a ter uma excelente reputação como professor tendo entre seus alunos Mikhail Ivanovich Glinka, que é considerado o pai da ópera russa. Ainda neste período compõe cinco concertos para piano, uma sinfonia, três noturnos, dois divertimentos, uma polaca, uma valsa dentre outras composições.
Ainda em 1815, torna-se pai de um filho ilegítimo Leon Charpentier, mais tarde Leon Leonov, que viria a tornar-se um famoso tenor na Rússia. Apesar deste deslize manteve o seu casamento e em 1819 nasce seu filho legítimo Adrien, que seguiu os passos do pai tornando-se pianista. Seu casamento foi desfeito em 1821.
Manteve financeiramente a sua mãe, mas somente a reencontrou em 1820 em Londres após quase trinta anos de distanciamento.
Hummel

Moscou passa ser sua residência fixa entre 1822 e 1831 onde realiza vários concertos em parceria com Johann Nepomuk Hummel.


Viaja a Londres em 1831 por convite da Sociedade Filarmónica de Londres onde se encontra quando do falecimento do mestre Muzio Clementi. Ainda neste ano descobre um doloroso câncer no reto, que o fez retornar a Londres, para tratamento médico. 
Lizst

De volta à Rússia, passando pela França onde assistiu a uma apresentação de Franz Liszt e pela Itália, onde passou nove meses um hospital em Nápoles. 

Ajudado por uma nobre família russa, ele retornou a Moscou em 1835, e fez três apresentações em Viena no caminho, como convidado de Carl Czerny. De volta a Moscou, ele compôs seus últimos noturnos, em seus últimos dezesseis meses de vida.
Czerny


Por sua fé não ser clara, tendo pais protestantes e um casamento católico, há uma lenda que diz que, em seu leito de morte, ao ser questionado por um padre sobre sua religião, ele respondeu: "Eu sou clavecista" (Je suis claveciste).

Desde que partiu de Dublin em 1793, nunca mais retornou a sua cidade natal.

Field foi um compositor romântico antes do romantismo. Muito famoso e respeitado por seus colegas em seu tempo. Seus concertos para piano são obras excepcionais, mas a sua maior contribuição para a história da música foi ser o criador do Noturno, um gênero para piano de caráter melancólico e sonhador, em andamento vagaroso. Sendo sua maior obra são seus 18 Noturnos, peças que influenciaram Chopin e Fauré.

Faleceu no dia 11 de Janeiro de 1837 em Moscou, vítima de pneumonia, com quase cinquenta e cinco anos de idade, foi sepultado no Cemitério Vvedenskoye.

Seu catálogo de obras apresenta a letra H à frente da numeração que se refere ao nome de seu organizador Cecil Hopkinson em 1961.
Franz Liszt escreveu o seguinte no prefácio de uma edição póstuma dos Noturnos de Field:
“Ninguém obteve tais vagas harmonias eólicas, estes meios-suspiros flutuando pelo ar, lamentando suavemente, e dissolvidos em deliciosa melancolia”.

Chopin
Sua obra para piano influenciou diversos pianistas e compositores tais como, Chopin, Mendelssohn, Liszt, Thalberg, Moscheles e outros.