quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ONSLOW



André George Louis Onslow foi um compositor francês, com ascendência inglesa, que em função de sua posição social, fortuna e gosto pessoal, deram-lhe a liberdade de seguir caminhos diferentes da maioria de seus contemporâneos franceses.
George Onslow (o avô)

Nascido no dia 27 de Julho de 1784, em Clermont-Ferrand, seu pai, Edward Onslow era inglês e sua mãe Marie Rosalie de Bourdeilles de Brantôme, francesa. Seu avô paterno, George Onslow, foi membro do parlamento de Rye em East Sussex, de 1776 até 1801.

Em sua formação musical teve como professores Jan Ladislav Dussek e Johann Baptist Cramer, apesar de citar em sua autobiografia que a música era um interesse secundário.

Isso mudou em 1801, após ouvir a abertura da ópera Stratonice de Étienne Méhul em Paris. 


Narrou em sua biografia: "Ao ouvir esta peça, eu experimentei uma emoção tão viva, vinda das profundezas de minha alma, que eu me vi invadido por sentimentos anteriormente desconhecidos por mim, e até hoje este momento está presente no meu pensamento. Depois disso, eu vi a música com outros olhos, o véu que escondia sua beleza de mim foi rasgado, tornou-se a fonte da minha alegria mais íntima, e a fiel companheira da minha vida".

François Joseph Fétis
Foi a partir deste momento que iniciou a sua produção, compondo os primeiros quintetos de cordas, Opus 1, e os quartetos de cordas, Opus 4.

Publicados por sua própria conta. 

Interessante que nessa época ele não havia recebido qualquer aula de composição. Por ser abastado não se preocupava com apoio crítico ou financeiro. François Joseph Fétis narrou que apesar de sua falta de formação, Onslow tinha todo o lazer necessário para superar os obstáculos.

Aprendeu a tocar violoncelo e interpretou músicas de câmara de Mozart, Beethoven e Haydn com outros músicos amadores.

Anton Reicha
Em 1808, decidiu estudar composição com Anton Reicha em Paris, na mesma ocasião casou-se com Charlotte Françoise Delphine de Fontanges. E com ela teve três filhos.

Pierre Baillot
Fixou residência inicialmente próximo a sua cidade natal, no Chateau de Chalendrat de seu pai em Mirefleurs, mais tarde, no Chateau de Bellerives em Perignat, La Roche-Noire.

Habitualmente ia à Paris durante o inverno, quando frequentemente suas composições eram apresentadas por músicos como os violinistas Pierre Marie François de Sales Baillot e Théophile Tilmant, e os irmãos Dancla.

Em 1824 e 1827, estrearam as suas primeiras óperas, L'Alcalde de la vega e Le colporteur, no Théâtre Feydeau, em Paris, sob os auspícios da Opéra-Comique.

Mendelssohn
Le colporteur também foi produzida na Alemanha, e até mesmo em Londres, em 1831.

Berlioz
Em 1825, em Paris, conheceu Felix Mendelssohn, na época com 16 anos, numa apresentação de um dos quartetos de Onslow.

Foi um dos primeiros entusiastas da música de Hector Berlioz, cujas oito cenas de Fausto (1829) e a abertura Les francs-juges (1830) ele elogiou.


Pleyel
Em 1829, depois que Onslow começou seu quinteto op. 38 (seu décimo quinto), ele foi gravemente ferido em um acidente de caça, o que o deixou parcialmente surdo em uma orelha; completando o quinteto no final, ele nomeou os movimentos finais "Fever", "Convalescence" e "Recovery". O trabalho foi subtitulado "De la Balle" ("The Bullet").

Sua reputação estava em franca ascensão tanto na França, como no exterior, com a publicação de uma série de trios, quartetos e quintetos, editadas em Paris por Ignaz e Camille Pleyel. 
Breitkopf und Härtel 

Suas obras foram publicadas na Alemanha por Breitkopf und Härtel e na Áustria por C. F. Peters. Outras editoras alemãs, incluindo Hoffmeister, Steiner e Simrock, também publicaram suas obras.

Na década de 1830, os quartetos de Onslow estavam no repertório do Quarteto de Müller, que os desempenhava na corte de Meiningen do Duque Bernhard II e no quarteto de Friedrich Pixis, o mais jovem de Praga.

Em 1831 Onslow foi eleito o segundo membro honorário da Philharmonic Society de Londres (Felix Mendelssohn foi o primeiro).

Ele escreveu para a Sociedade, sua Segunda Sinfonia, Op. 42, e continuou a manter relações estreitas com os principais músicos de Londres, incluindo John Ella e George Frederick Anderson.
Opus 22

Liszt & Chopin
Em 1834, Frédéric Chopin e Franz Liszt interpretaram a Grande Sonata de Onslow por quatro mãos, Op. 22 na sua apresentação de estreia em Paris.


De 1835 a 1838, Onslow foi o presidente do musical Athenée em Paris, uma associação fundada em 1829 para "propagar o estudo e o espírito da música", com a intenção de reunir amadores e profissionais.

Em 1837 estreou em Paris da terceira ópera de Onslow: Guise ou les etats de Blois. Em 1839 Onslow fundou a "Sociedade Filarmônica de Clermont" em que o violinista polonês emigrado Alexandre Tarnowski era muito ativo. Foram realizadas performances da própria música de câmara de Onslow, e também de sua ópera Guise, incluindo passagens que foram cortadas das performances de Paris.
Cherubini

Em 1842, a riqueza de Onslow aumentou com a morte de seu sogro, que possuía extensas propriedades. No mesmo ano, o seu prestígio musical francês foi consolidado quando sucedeu Luigi Cherubini como membro da Académie des Beaux-Arts.

Foi convidado para o festival de música de Aachen em 1846, e no ano seguinte, durante a sua última viagem para fora da França, Onslow realizou sua Quarta Sinfonia em Colônia, no Niederrheinisches Musikfest.

Durante seus últimos anos, ele escreveu uma série de peças para o conjunto de câmara grande com piano, incluindo quintetos, um sexteto (Op. 77b) e um septeto (Op. 79), ele também escreveu um noneto (op. 77a) para cordas e sopros.

Em sua trajetória musical compôs 36 quartetos de cordas e 34 quintetos de cordas, 10 trios de piano, três óperas realizadas (uma ópera precoce, Les deux oncles, permaneceu em manuscrito) e quatro sinfonias, além de várias obras para piano solo, dueto de piano e sonatas para cordas solo e piano.

Dragonetti
De seus quintetos de cordas, os três primeiros (Op. 1) foram escritos para dois violinos, duas violas e violoncelo, como os quintetos de Mozart. Os restantes foram quase todos escritos para dois violinos, uma viola e dois violoncelos. Depois de ouvir o virtuoso, o baixista Domenico Dragonetti interpretar o seu décimo quinteto, a Onslow começou a fornecer em seus quintetos subsequentes a opção de substituir um dos violoncelos por um contrabaixo.

Seu interesse em conjuntos e formas de câmara parecia alinhá-lo mais de perto com as tradições musicais alemãs. Além disso, sendo possuído de uma fortuna independente, ele poderia escrever para si mesmo, em vez de necessitar de satisfazer os desejos de público ou empresários.

Onslow morreu inesperadamente (embora depois de um período de declínio de saúde) em Clermont-Ferrand, no dia 03 de Outubro de 1853, após uma caminhada matinal.

Como diversos compositores que tiveram muito sucesso durante a vida, o compositor caiu em esquecimento rapidamente após sua morte e só foi revivida nos últimos anos.



Aqui é para ouvir e se deliciar

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

GRIEG

Retornando aos trabalhos depois de um longo período de férias, retomamos o nosso blog... E o escolhido para esse recomeço foi:


Edvarg Hagerup Grieg, nascido no dia 15 de Junho de 1.843 em Bergen, uma cidadezinha portuária ao sul da Noruega. Filho de Alexander Grieg, vice-cônsul e comerciante, e Gesine Judithe Hagerup, professora de música.

Bergen
O nome da família era escrito originalmente Greig e tem origens escocesas. Após a Batalha de Culloden em 1746, o bisavô de Grieg, Alexander Greig, viajou por várias cidades europeias e acabou por se instalar na Noruega em 1770 e estabelecendo interesses comerciais em Bergen.


Edvard Grieg nasceu numa família tipicamente burguesa e musical do século 19. 


Tanks Upper Secondary School
Desde cedo demonstrou interesse pelo piano, instigado por sua mãe Gesine Judithe, uma excelente pianista, e o ensinou a tocar aos seis anos de idade, Grieg estudou em várias escolas, incluindo Tanks Upper Secondary School.

Logo, o jovem começou a mostrar suas qualidades, influenciado por Mozart, Weber e Chopin.  As suas primeiras composições datam de 1857.

Ole Bull
No verão de 1858, Grieg conheceu o célebre violinista norueguês Ole Bull, que era amigo da família, o irmão de Ole Bull foi casado com a tia de Grieg.


Conservatório de Leipzig
O violinista ouviu o Edvard tocar piano e ficou tão impressionado, e percebendo os dotes daquele menino de 15 anos e convenceu seus pais a enviá-lo para estudar no Conservatório de Leipzig na Alemanha, o melhor e mais moderno centro musical da Europa, na época.
Plaidy - Moscheles - Richter - Hauptman - Reinecke
No conservatório de Leipzig, estudou piano com Louis Plaidy, E. F. Wenzel e Ignaz Moscheles. Harmonia e contraponto com Ernst Friedrich Richter, Robert Papperitz e Moritz Hauptman. Composição com Carl Reinecke.

Na primavera de 1860, Edvard contraiu duas doenças pulmonares ameaçadoras de vida, pleuresia e tuberculose. Ao longo de sua vida, a saúde de Grieg foi prejudicada por um pulmão esquerdo destruído e uma deformidade considerável de sua coluna torácica.

Richard Wagner
Ele sofria de inúmeras infecções respiratórias e, finalmente, desenvolveu insuficiência cardíaca e pulmonar combinada. Grieg foi admitido muitas vezes em spas e sanatórios tanto na Noruega como no exterior. Vários de seus médicos se tornaram seus amigos pessoais.
Clara Schumann

Grieg teve a oportunidade de assistir, em Leipzig, de importantes recitais como o de Clara Schumann na Gewandhaus e óperas de Wagner, como Tannhäuser.

Ali ele permaneceu por quatro anos, até 1862. Escreveu sua Op. 1, que consistia em quatro peças para piano, além de suas quatro músicas para contralto com textos alemães, que constituem sua Op. 2. 
Conheceu a tradição musical européia e descobriu que o seu objetivo sempre fora compor uma música verdadeiramente norueguesa.
Gade

Mais tarde, em 1863, mudou-se para Copenhague, por um curto período para estudar com o compositor dinamarquês Niels Gade, na época a única cidade escandinava com rica vida cultural.

Entretanto, o jovem compositor em pouco tempo se opõe à orientação conservadora. Não lhe interessava o mendelssohnianismo que norteava a conduta criadora de Gade.

Hartmann
Nordraak
Neste período, conheceu o dinamarquês Johann Peter Emilius Hartmann e o norueguês Rikard Nordraak, compositor do atual hino nacional da Noruega, importantes compositores, que se tornariam grandes amigos e influências, que marcaram seu estilo de composição.

Schumann e Mendelssohn
As fontes folclóricas norueguesas passaram a ser parte essencial de sua obra, tornando-se Grieg um dos grandes expoentes da música nacionalista, sempre lutando contra o domínio da música alemã, cujos principais representantes eram Robert Schumann e FélixMendelssohn.

Foi também em Copenhague onde reencontrou a prima Nina Hagerup, uma excelente cantora, ambos encetaram um romance secreto.
Nina e Edvard
Em 1865 compõe a primeira sonata para piano e as célebres Peças Líricas entre muitas outras obras, mesmo ano em que fica noivo de sua prima, celebrando a efeméride Grieg presenteou Nina com as Melodias do Coração – Opus 5. Matrimônios entre primos não eram bem vistas, ambas as famílias reprovaram a união e nenhum parente compareceu à cerimônia.

Pouco depois, em 1868, nasceu Alexandra, única filha do casal. A menina morreu ainda bebê, aos 13 meses, vítima de meningite. A perda da criança motivou Nina e Grieg a viverem de cidade em cidade, entre um espetáculo e outro, durante longos anos.

Grieg promoveu a música norueguesa através de concertos e aulas. Grieg foi aplaudido em cidades como Leipzig, Praga, Berlim, Londres e Paris. Além de famoso, ficou relativamente rico.

Na França chamaram Grieg de "Chopin do Norte" e de "Mozart da Escandinávia". Tornou-se regente da Det Harmoniske Selskab e em 1871 foi um dos fundadores da Christiania Musikforening.


Ibsen

Grieg acabaria por se tornar no mais forte expoente da cultura musical escandinava.

Em 1876 estréia a música de cena para "Peer Gynt", de Henrik Ibsen, da qual extrai duas suítes sinfônicas, de absoluto sucesso mundial.


No verão de 1884, ele começou a construção de sua futura casa em Troldhaugen. Foi nesta cidade onde passou o resto de seus anos, compondo e revisando velhas pontuações ou caminhando nas montanhas norueguesas.
Residência do casal Grieg em Troldhaugen
Em 1898, seus esforços para difundir a música de seu país culminaram com a criação do primeiro festival de música da Noruega, que se realizou em Bergen.


Para este evento ele compôs Danças Sinfônicas Op.64, baseada nas músicas de Lindeman. 


Lindeman e Svendsen
Sua saúde se deteriorou, mas continuou a fazer apresentações em cidades estrangeiras, como Varsóvia e Paris.

Edvard Grieg era admirador do trabalho de vários compatriotas seus, tais como Ludwig Mathias Lindeman, Ole Bull e Johan Svendsen. Compositores que utilizaram a música tradicional do seu país.

Em 1906 ele compôs seu último trabalho, o Fire Salmer (quatro salmos), baseado em melodias populares.


Grainger

Neste mesmo ano, esteve em Londres para conhecer o pianista e compositor australiano Percy Grainger. Grainger era um grande admirador de Grieg, uma enorme empatia estabeleceu-se entre ambos os músicos.

Liszt
Pioneiro na utilização impressionista da harmonia e da sonoridade ao piano. 

Recebeu apoio de FranzLiszt, seu grande amigo e incentivador. 

Faleceu aos 64 anos, em sua cidade natal, no Hospital Municipal de Bergen, no dia 4 de Setembro de 1907, de um esgotamento crônico em decorrência da pleurite que o acompanhou desde a juventude.

Imagem do Funeral
Halvorsen
Toda a Noruega chorou por aquele que foi não só o mais importante compositor norueguês, mas também um especial cultor da história e do folclore do país. Mais de trinta mil pessoas assistiram ao funeral, invadindo as ruas de Bergen.

Seguindo seu desejo, sua própria Marcha Funeral em Memória de Rikard Nordraak foi interpretada em uma orquestração por seu amigo Johan Halvorsen e em seguida foi executado o movimento da Marcha Funeral da Sonata para Piano nº 2 de Chopin. 


Entrada do Museu
Grieg foi cremado, e suas cinzas foram sepultadas em uma cripta de montanha perto de sua casa, Troldhaugen.

Após a morte de sua esposa, suas cinzas foram colocadas ao lado dele, na pequena chácara onde o casal morou até o final da vida. Hoje neste local está o Museu Edvard Grieg dedicado ao seu legado.

"Toda a arte verdadeira surge do ser humano". Este foi o lema que acompanhou a carreira de Edvard Grieg, o compositor que colocou a Noruega no mapa mundial da música.

Edvard Grieg é a pessoa mais célebre da cidade de Bergen, com inúmeras estátuas retratando sua imagem.

Muitas entidades culturais têm o seu nome:

o maior prédio de concertos da cidade (Grieghallen),

a escola de música mais avançada (Grieg Academy),


e seu coro profissional (Edvard Grieg Kor).

Em 1991, foi veiculado este comercial do aparelho de som da Philco Hitachi em que a música tema era o Amanhecer de Peer Gynt. 



quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

AMAZING GRACE


Neste dia 21 de Dezembro quando ocorre o Solstício de Verão em nosso hemisfério, há exatos 210 anos, falecia na Inglaterra John Newton.


John Newton nasceu em Wapping, Londres, em 24 de Julho de 1725, filho de John Newton, um capitão de um navio mercante, bem respeitado e bem sucedido envolvido no comércio em toda a região do Mediterrâneo para a East India Company, um homem bastante severo e reservado, e Elizabeth Seatclife, era uma mulher bastante frágil, cristã protestante muito religiosa, atenciosa e cuidadosa, foi ela quem ensinou ao pequeno John as Escrituras – lia capítulos inteiros da Bíblia de uma vez – bem como hinos e poemas. Ela lhe ensinou a ler e escrever, e sonhava que John fosse um ministro do evangelho. Lamentavelmente ela faleceu de tuberculose duas semanas antes que ele completasse sete anos de idade. Pouco tempo depois, seu pai casou-se novamente.

Foi ai, que sua vida e seu comportamento mudaram totalmente, seu pai teve outro filho com a sua madrasta e passaram a dar mais atenção ao bebê do que ao pequeno John. Com isso começou a andar e sofrer influência de más companhias. Abandonou os estudos e aos onze anos de idade acompanhou seu pai em algumas viagens pelo Mar Mediterrâneo. Quando seu pai decidiu aposentar-se, arrumou diversas ocupações para o filho que ou por descaso ou desinteresse perdeu diversas oportunidades.

Certa feita faltou pouco para que John Newton embarcasse num navio de guerra que levava a bordo um amigo dele. Mais tarde, ele soube que aquele navio naufragara e que seu amigo, junto com vários outros tripulantes, tinha morrido afogado.

HMS Harwich
Aos 19 anos de idade, Newton foi obrigado a se alistar como aspirante da Marinha Real para servir no navio HMS Harwich. 
Passado algum tempo, achou que as condições de lá eram intolerantes, e acabou por desertar.


John foi capturado, encarcerado, açoitado a bordo do navio, fustigado com chicote de nove tiras, e rebaixado, uma pena abrandada, pois na época a deserção era penalizada com enforcamento.

John Newton entrou em terrível depressão e desespero, que o levaram, por vezes, a querer se lançar ao mar e a planejar maneiras de assassinar o capitão que o humilhara. Entretanto, não demorou muito para que a situação dele mudasse, quando o capitão de seu navio fez uma permuta entre ele e marinheiros de um navio que estava preste a zarpar para a África Ocidental à procura de escravos.

Em seu novo ambiente, Newton não fez absolutamente nada para ser benquisto pelos oficiais do navio.

Newton ficou um período na África, ao longo da costa da Guiné, trabalhando para um traficante de escravos inglês que vivia com uma amante africana. Essa mulher não gostava de Newton. Quando John contraiu malária, ela o tratou cruelmente, com insultos e subnutrição para que morresse de fome.

Posteriormente foi acusado de roubar o traficante inglês, com isso foi acorrentado e tratado como escravo. Essa situação perdurou por um ano, até que foi cedido a outro traficante de escravos. Newton foi mantido cativo na África por 15 meses ao todo.

Seu retorno para Inglaterra foi a bordo do navio Greyhound, que não era um navio de escravos, mas sim mercante em ouro, marfim, cera e madeira.

E foi justamente a bordo deste navio que a sua vida começou a mudar novamente...

Na noite de 21 de março de 1748, durante uma de suas viagens, uma violenta tempestade se abateu sobre o navio, que por pouco não afundou, momentos depois de ele deixar o convés, o marinheiro que tomou o seu lugar foi jogado ao mar, por isso ele próprio guiou a embarcação pela tempestade. Homens, animais e provisões foram arrastados pela força das águas e caíram no mar. Newton orou a Deus pela primeira vez depois de anos. Ele temia estar à beira da morte e, se a fé cristã fosse verdadeira, estava certo de que não seria perdoado. John refletiu em tudo o que fizera naqueles últimos anos, inclusive a atitude de zombar dos fatos históricos do Evangelho, e ficou abalado. 

Passados quatro dias, a tempestade diminuiu. Pela providência de Deus, a cera de abelha, que se encontrava no porão de carga, ajudou que o navio continuasse a flutuar. 

Newton atribuiu a Deus aquele livramento que tiveram. Ele começou a ler o Novo Testamento com mais interesse. Quando chegou à passagem de Lucas 15, John percebeu os impressionantes paralelos entre a sua vida e a vida do filho pródigo.

John não teve a oportunidade de rever ao seu pai, o Capitão Newton havia se afogado num acidente de natação antes de seu retorno.
John Wesley

Em sua volta a Inglaterra visitou a família de Mary "Polly" Catlett, sua antiga paixão, e após três propostas, ela concordou em casar com ele. O casamento ocorreu em fevereiro de 1750.

Na Inglaterra, passou a ouvir pregadores como John Wesley, fundador da igreja metodista, que condenava o tráfico de escravos e a sua vida mudou totalmente.

Newton logo decidiu que queria se tornar um ministro do evangelho, e assim ele se candidatou para a ordenação. 

Ele foi rejeitado várias vezes, mas, finalmente, em 1764, tornou-se um pastor anglicano, e passou ministrar em Olney, Buckinghamshire.

Foi autor de vários hinos e grande defensor do fim da escravidão na Inglaterra.

Em 1782, Newton disse: “Minha memória já quase se foi, mas eu recordo duas coisas: que eu sou um grande pecador, e que Cristo é meu grande salvador!”

Em 1788 publicou "Thoughts Upon the Slave Trade" (Considerações sobre o comércio de escravos), no qual expunha os maus tratos do tráfico e confessava sua culpa, colaborando, no final da vida, com o político inglês William Wilbeforce (1759-1833), autor dos projetos de lei que extinguiram definitivamente o tráfico de escravos na Inglaterra.

Nos últimos 43 anos de sua vida ele pregou o evangelho em Olney e em Londres.

John Newton faleceu com a idade de 82 anos, em 21 de dezembro de 1807.

Em 1893, os restos mortais de John e Mary foram reenterrados no antigo cemitério da igreja Olney, onde suas sepulturas podem ser visitadas.

Sobre a sepultura está o gravado epitáfio que ele próprio escreveu e que resume sua vida, que diz em parte:
“John Newton Clerk, uma vez um infiel e um libertino, um mercador de escravos na África, foi, pela misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, perdoado e inspirado a pregar a mesma fé que ele tinha se esforçado muito por destruir.”



O seu mais famoso testemunho continua vivo: AMAZING GRACE.


Com mais de 200 anos, é a canção mais gravada de todos os tempos.


Trata-se de um tradicional hino protestante, cuja a letra foi impressa pela primeira vez no Newton's Olney Hymns em 1.779, sem qualquer partitura musical. Presume-se que era recitado e não cantado naquela época.

Não existe uma data precisa desta composição, provavelmente foi escrita entre 1760 e 1770, e foi baseada na passagem em que o rei Davi rememora a misericórdia de Deus para com um homem tão insignificante e pecador como ele:

“Então entrou o rei Davi, e ficou perante o Senhor; e disse: Quem sou eu, Senhor Deus? E qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui? E ainda isto, ó Deus, foi pouco aos teus olhos; pelo que falaste da casa de teu servo para tempos distantes; e trataste-me como a um homem ilustre, ó Senhor Deus.” (1 Crônicas 17:16,17)

O que é graça? Segundo o grego, graça vem de charis que significa “graça ou favor imerecido”. Em outras palavras se trata de receber algo que você não merecia receber. Isso é graça.

A canção foi composta em meio a confrontos e lutas pela liberdade, ou seja, da Graça sobre todas as raças e tornou se mais que uma canção cristã, mas um símbolo de luta por justiça e igualdade possível apenas através da Graça de Deus.

A partir de 1808, um ano após a extinção do tráfico de escravos na Inglaterra, o texto de Amazing Grace foi associado, tanto na Europa quanto na América, a mais de 20 melodias diferentes.

William Walker
Em 1835, em meio a todas essas adaptações, o texto do hino foi anexado por William Walker, no hinário "Southern Harmony" (Harmonia Sulina), à canção tradicional norteamericana "New Britain" (ela, por si, resultado da fusão das melodias "Gallaher" e "St. Mary"), anteriormente impressa pela Columbian Harmony (Cincinnati, 1829), por Charles H. Spilman e Benjamin Shaw. A fama da melodia e a felicidade da combinação tornaram essa a mais popular de todas as versões e, nas décadas subsequentes, o Amazing grace passou a circular quase exclusivamente com a melodia de "New Britain".



Amazing grace tornou-se uma espécie de hino ecumênico, entre os povos de língua inglesa, para os momentos mais difíceis, tanto pessoais quanto coletivos, não apenas pela beleza de seu texto e melodia, mas especialmente pelo seu significado espiritual.

Curiosidades:

Em 21 de dezembro de 1965, data da morte de John Newton, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou a Convenção internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial (em inglês ICERD - International Convention on the Elimination of All Forms of Racial Discrimination).


Os escravos eram proibidos de falar, gritar, esbravejar, então eles cantavam apenas com sons sem pronunciar palavra alguma, todos juntos, talvez fosse esse o ritmo original da música. Uma palestra de Wintley Phipps narra como seria esse cântico.




Amazing Grace foi utilizada em vários filmes, dentre eles:
- Jornada nas Estrelas II: A Ira De Khan.
Montgomery Scott toca "Amazing Grace" durante o funeral do Sr. Spock


- Memphis Belle: A Fortaleza Voadora.


A tripulação e membros da equipe de terra entoam a canção durante os preparativos para a última missão da aeronave.

No dia 11 de junho de 1988, no estádio de Wembley, em Londres, foi organizado um show comemorando os 70 anos de Mandela que levou cerca de 80 mil pessoas ao estádio de Wembley, em Londres e foi televisionado para 63 países. Foram seis horas de música e discursos de personalidades e políticos. Dentre os artistas estavam:
Sting, Dire Straits, Stevie Wonder, George Michael, Bee Gees, Whitney Houston.


Jessy Norman, famosa cantora lírica foi convidada encerrar o evento, ela cantaria Amazing Grace, uma majestosa mulher afro-americana usando um esvoaçante dashiki africano, enquanto atravessa o palco. Sem nenhum acompanhamento, sem instrumento musicais, apenas Jessy. A multidão se agita, nervosa. Poucos reconhecem a diva da ópera. Uma voz grita pedindo Rock and Roll. Outros se juntam ao grito. A cena começa a ficar pesada.
Jessy Norman começa a cantar, muito lentamente, os primeiros versos do hino. De repente o público fica em silêncio diante da ária da graça. E após alguns instantes, diversas centenas de fãs estavam cantando junto.

No Brasil uma das primeiras versões foi do cantor João Alexandre - Graça Sublime.

Estima que o hino seja tocado cerca de 10 milhões de vezes por ano.



Para aqueles que quiserem conhecer um pouco da história de John Newton, há um filme com a história de John Newton, que no Brasil foi lançado como Jornada pela Liberdade, mas o título original é “Amazing Grace”.

Ao todo, são cerca de 3,000 versões até hoje. Algumas com intérpretes famosos como Elvis Presley, B.J. Thomas, Aretha Franklin, Willie Nelson, Rod Stewart, Whitney Houston, Celine Dion, Il Divo, Andrea Bocelli, Celtic Woman e Susan Boyle. (Essas versões e algumas outras estão disponíveis aqui)

"Amazing Grace"

Amazing grace! How sweet the sound
That saved a wretch like me!
I once was lost, but now am found;
Was blind, but now I see.

’Twas grace that taught my heart to fear,
And grace my fears relieved;
How precious did that grace appear
The hour I first believed.

Through many dangers, toils and snares,
I have already come;
’Tis grace hath brought me safe thus far,
And grace will lead me home..

The Lord has promised good to me,
His Word my hope secures;
He will my Shield and Portion be,
As long as life endures.

Yea, when this flesh and heart shall fail,
And mortal life shall cease,
I shall possess, within the veil,
A life of joy and peace.

The earth shall soon dissolve like snow,
The sun forbear to shine;
But God, who called me here below,
Will be forever mine.



John Newton, Olney Hymns (London: W. Oliver, 1779)
"Sublime Graça"

Maravilhosa Graça, quão doce o som.
Que salvou um pecador como eu
Uma vez estive perdido, mas agora fui encontrado.
Estava cego, mas agora vejo.

Foi a graça que ensinou meu coração a temer.
E a graça meus medos aliviou;
Quão preciosa essa graça se mostrou.
Na hora em que pela primeira vez eu acreditei.

Por muitos perigos, labutas e tentações,
Eu já vim;
Essa graça me trouxe salvo até aqui,
E a graça me levará para casa.

O Senhor prometeu o bem para mim
Sua Palavra assegura minha esperança;
Ele será meu Escudo e Porção
Enquanto a vida durar.

Sim, quando esse coração e carne falharem,
E a vida mortal cessar,
Eu possuirei através do véu
Uma vida de paz e alegria

A Terra logo se dissolverá como a neve
O sol deixará de brilhar
Mas Deus, que me chamou aqui em baixo,
Será para sempre meu





Esta postagem é dedicada à memória de Alberto Djinishian, um apaixonado pela canção Amazing Grace.

Com esta postagem encerramos as atividades em 2.017! Tenham todos um ótimo Natal que a Sublime Graça esteja presente em vossos lares, e que no próximo ano possamos dar continuidade a tudo aquilo que planejamos. Saúde e Paz!