quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

FRANZ LISZT


"Quando nos mantemos fiéis ao verdadeiro gênio da música, mesmo a música mais nova, com todas as suas vantagens instrumentais refinadas, não tem qualquer outro sentido senão o da flauta de Tubal Caim, o da gaita de foles do primeiro chinês, o do canto dos povos das montanhas, o do salmo do monge, o do tambor dos africanos, o do pequeno órgão da Cecília, o do violino de Paganini, o das óperas de Mozart ou o da canção de Hugo Wolf, ou seja, a função de, numa outra língua que não a das palavras, da pintura ou da arquitetura, mas a linguagem dos sons, falar de alma para alma." (Franz Liszt)



Em Raiding, Burgenland, na Região da Boêmia, que naquela época ficava na parte húngara do império austríaco, um lugarejo próximo a Budapeste, nascia nas primeiras horas do dia 22 de Outubro de 1811, Ferenc (ou Franz) Liszt, filho de Adam Liszt e Anna Lager. 
Os pais
Seu pai trabalhava como administrador das propriedades do Príncipe Nicolas Eszterházy, candidato napoleônico ao trono húngaro, um generoso mecenas que protegeu Joseph Haydn e Ludwig van Beethoven e que recebia os mais notáveis intérpretes da Europa em sua corte de Eisenstadt. Adam também tocava violino e cantava no coro da igreja. Sua mãe era uma austríaca e cantora profissional. Franz foi o único filho do casal.
Desde cedo tem aulas de piano e cello com seu pai, um educador musical ambicioso e severo, Franz assimilava tudo com extrema facilidade. Aprendeu a ler música antes de aprender o alfabeto. 
Príncipe Nicolas Eszterházy
Bastante sensível, aos seis anos reproduzia com perfeição o que ouvia o seu pai tocar, considerado um menino prodígio, aos oito anos de idade já arriscava algumas composições, e aos nove se apresentou pela primeira vez, na cidade vizinha de Sopron, executando um concerto de Ries. Após este sucesso, surgiram novas oportunidades em outras cidades, como Oldenburgo, Eisenstadt e Presburgo. Franz Liszt iniciara sua carreira de pianista, vários nobres húngaros decidiram contribuir com fundos, o que permitiu a Liszt fazer estudos sérios e completos.
Carl Czerny                   Antonio Salieri
Em 1822, com a autorização do príncipe Eszterházy, Adam leva a sua família para Viena, na capital austríaca, Franz estuda piano gratuitamente, com o professor Carl Czerny, que foi aluno de Beethoven, enquanto Antonio Salieri, mestre da capela da corte, lhe ensina teoria musical.
Depois de dois anos de estudos, sua primeira apresentação foi brilhante. O programa constava de músicas que exploravam o efeito do virtuosismo do jovem. Os jornais o acolheram como um fenômeno. Liszt, aos doze anos, já era um ídolo. Foi aplaudido inclusive por Beethoven em abril de 1823, numa de suas apresentações, que ficou impressionado com a técnica do jovem pianista. Meses depois a família volta para a Hungria, para concertos em Budapeste, e posteriormente para uma longa série de concertos pela Alemanha e França. Em 1824 estreou em Paris, obtendo, como sempre, sucesso estrondoso, a família decidiu se estabelecer na cidade para que Franz Liszt pudesse estudar no Conservatório Nacional de Paris, entretanto sua admissão foi negada por ser estrangeiro.
Anton Reicha             Ferdinando Paer
Assim completou seus estudos com aulas particulares de composição dos mestres Anton Reicha e Ferdinando Paer. Aos 14 anos de idade, compôs sua primeira ópera, em um ato, "Don Sancho".
As apresentações se seguem, sem interrupções, viajando por várias cidades europeias, o jovem pianista, então com 17 anos sofre um esgotamento nervoso, e obriga a tirar um período de férias no litoral francês. 
Papa Gregório XVI

Sublimado por uma crise mística, ele decide seguir sua nova vocação religiosa e vai estudar em Roma. Pouco antes de sua ordenação, o Papa Gregório XVI resolve cortar a carreira sacerdotal de Franz em benefício da paz nos conventos. 

A revista L’Opinion publicou matéria com destaque à atração que todas as noviças tinham pelo jovem Liszt, após assistirem seu demoníaco virtuosismo ao executar músicas ao piano ou ao órgão. O músico nunca confirmou ou desmentiu esta história. 

Em agosto de 1827, morre seu pai. Retorna a Paris junto com sua mãe, abandonando os concertos, assumindo a posição de chefe de família, passa então a lecionar música para as damas da alta aristocracia parisiense. 
Caroline

Apaixona-se por uma aluna, Caroline, filha do Conde Saint Cricq, tão jovem quanto ele. O pai da garota, então ministro do Rei Carlos X, pensava em algo mais ambicioso para a filha do que um jovem professor de música. 

Melancólico e deprimido, o compositor adoeceu e entrou em nova crise de misticismo, mergulhou também na leitura de Dante, Voltaire, Vitor Hugo e outros clássicos.


Em 1830, a revolução contra a monarquia de Carlos X, consegue tirar Liszt da apatia. Afastando-se do misticismo, o músico passou a se envolver na agitação política que ocorre na França, participando de reuniões intelectuais, interessando-se pôr uma sociedade igualitária, na qual o músico e o artista em geral teriam posição de destaque.
Alphonse de Lamartine                Victor Hugo                            Heinrich Heine
Liszt decide fixar residência em Paris e logo faz amizade com os intelectuais Alphonse de Lamartine, Victor Hugo e Heinrich Heine. 

Berlioz
Paganini
Através de Hector Berlioz ele é iniciado nas técnicas de direção orquestral.
Em 1831 ele conhece e escuta Nicolo Paganini. Deslumbrado com o virtuosismo do diabo do violino, Liszt resolvera tornar-se o ‘Paganini do piano’. 
Adaptou para o piano, o terceiro movimento do Concerto nº 2 para Violino e Orquestra, de Paganini, daí resultando a Fantasia sobre a Campanella. 
Chopin                                          Sand                              Mendelssohn
Conheceu também Frederic Chopin, George Sand e Felix Mendelssohn Bartholdy, o que fez com que Liszt percebesse os seus próprios limites musicais. Chopin revelou-lhe um novo estilo pianístico, o cromatismo e a flutuação da harmonia. Berlioz, a música programática. E Paganini, o virtuosismo exagerado. Em Maio de 1832, numa carta ao seu aluno e amigo Pierre Wolff, Liszt escreve: Há duas semanas que o meu espírito e os meus dedos trabalham como loucos - Homero, a Bíblia, Platão, Locke, Byron, Hugo, Beethoven, Bach, Hummel, Mozart, Weber todos eles estão à minha volta. Estudo-os, observo-os, devoro-os com entusiasmo e, para, além disso, exercito-me entre quatro e cinco horas diárias. Se não ficar louco, quando eu regressar, vais ter perante ti um artista!
As influências recebidas traduziram-se na escolha de seus temas literários para grande número de composições (poemas sinfônicos). Quando reapareceu, seu domínio no teclado transformou-o no mais famoso pianista da época. Os anos seguintes são marcados por incessantes viagens através de toda a Europa, assim como por inúmeras composições e apresentações. Nessa época sua fama com as mulheres era grande, entre seus casos amorosos estão: a condessa Adèle de Laprunarède e sua amiga mademoiselle de Barre, a bela princesa italiana Cristina Belgiojoso, a aventureira e cortesã Lola Montez, a quase adolescente Marie Duplessis e a jovem condessa Valentine de Cessiat, sobrinha de seu amigo Lamartine.
Marie de Savigny

Em 1833 conheceu Marie de Savigny, condessa d’Agoult, que exerceria papel importante em sua vida. Ela, já casada e com três filhos, fizera um casamento de conveniência. Ela tinha vinte e oito anos, seis anos mais velha do que ele, ela era culta, bela, independente e rica, quando Liszt a conheceu. Ele, virtuose consagrado, também culto, uma personalidade atraente.
Impelido pôr seus ideais, Liszt fundou, em 1834, juntamente com Chopin e Berlioz, a Gazeta Musical de Paris, órgão de imprensa destinado a defender os direitos do artista e a esclarecer a opinião pública sobre a função da arte na sociedade.
Em 1835, Marie abandonou o marido e os dois amantes foram viver na Suíça. Afastou-se temporariamente da carreira de concertista, Franz Liszt dedicou-se inteiramente à composição. 
Neste período dedicou-se também à divulgação de obras de outros compositores. Aqui reside um dos grandes méritos de Liszt: admirar o gênio no outro e trabalhar pelo seu reconhecimento pôr parte do público. Trabalhou no Conservatório de Genebra. Seus alunos compunham-se de vinte e oito mulheres e cinco homens.
As filhas Blandine e Cosima
De sua união com Marie nasceram os três filhos de Liszt: Blandine, Cosima e Daniel. Logo após o nascimento do último filho, as relações entre o casal começaram a se deteriorar e o rompimento tornou-se inevitável, efetivando-se no final de 1839, pois Marie Liszt cansara de desculpar as suas repetidas infidelidades. Ela regressou com os filhos para Paris e Liszt voltou à vida errante de concertista. Ele continuou a visitar os filhos durante todos os verões, até 1844. Nesta data ele assume a guarda das crianças e as leva para viver em Paris, após uma violenta disputa pela guarda dos filhos do casal, devido as constantes viagens deixa as crianças em Paris com a mãe.
Entre 1839 e 1847 Franz Liszt estava no auge da fama, sendo considerado o mais brilhante virtuose do piano na época. Ele apresentava sua arte por toda a Europa, numa atividade sem descanso. Seus contratos de concertos o levaram a cidades como Reykjavík, São Petersburgo e Istambul. Em 1839 ela faz um retorno triunfal à sua Hungria natal. Todos os grandes teatros querem sua presença e todos os públicos o aplaudem com delírio após assistirem o espetacular domínio que Liszt exerce sobre o piano.
Entre 1841 e 1842, em Berlim, Liszt é tão festejado como pianista, sobretudo pelo universo feminino, que Heinrich Heine cria o termo “lisztomaníaco".
Em 18 de Setembro de 1841 foi iniciado em Frankfurt, Lodge Zur Einigkeit (União) com a presença do futuro imperador Guilherme I. Foi elevado ao segundo grau em 08 de fevereiro de 1842 na Loja de São João do Concorde em Berlim Oriental.
Ele também deu concertos em Lojas em Colônia, Solingen, Iserlohn e Zurique, bem como Reims (para a Loja Sinceridade em 03 de dezembro de 1845).

Apesar de toda a fama e sucesso Lizst não era feliz. A glória não o satisfazia e, desorientado e solitário, sentia a necessidade de uma relação amorosa sólida e estável. 
Carolyn von Sayn-Wittgenstein

O equilíbrio só foi encontrado em 1847, aos 36 anos, quando conheceu a princesa polonesa Carolyn von Sayn-Wittgenstein, seu último grande amor. Ela era casada, mas vivia separada do marido, ela tinha 28 anos, era culta com uma personalidade forte e independente.

Com ela partilhava suas ideias, tanto no plano religioso como no intelectual e artístico. Ao seu lado, Liszt viveu o período mais fértil como compositor. Mudou-se para Weimar, vivendo no castelo da princesa Carolyne abandonou a carreira de solista para assumir o cargo de diretor musical da Ópera. 


Wagner
Foi lá que nasceu seu interesse pela música orquestral e que conheceu o compositor Richard Wagner. 

Foi graças a Liszt que Wagner teve suas primeiras óperas encenadas. Neste período desde que abandonou sua carreira de concertista, deixou de comparecer às Lojas.

O casamento com Carolyne não foi possível, pois ela não conseguiu obter do Vaticano a anulação de seu casamento. Seu catolicismo desviou para o misticismo. 

Bülow
Sua filha Cosima casa-se com Hans Guido Freiherr von Bülow, maestro, pianista e compositor alemão em 1857. 

Papa Pio IX
No ano seguinte, aborrecido com suas funções em Weimar e separado da princesa, Liszt foi para a Itália interessado pela grande renovação da música religiosa. Em 1864, a princesa enviuvou ambos já haviam renunciado ao projeto de casamento. 

Em Roma, ele se tornou abade em 1865. Nesse período dedicou-se a obras sacras. É o momento de a escalada do conflito entre a Igreja e Maçonaria, sob o Papa Pio IX, com o qual gozava de proteção. 
Recebeu ordens religiosas, e dedicou-se a obras sacras, como a Missa solene de Gran, para a inauguração da basílica de Gran. 
Dividindo o seu tempo entre Roma e Budapeste, dedicou-se ao ensino da música; entre seus alunos destacam-se alguns que, mais tarde, tornaram-se músicos famosos como Georges Bizet, Camille Saint-Saëns, Isaac Albéniz, Moriz Rosenthal e outros.
Bizet                           Saint-Saëns                      Albéniz                  Rosenthal

Estátua de Hummel

No início dos anos 1870, ele retornou discretamente à Maçonaria e começou em Budapeste a participar das Lojas, de forma muito casual.

Em 1881, em Pressburg (Bratislava) apresentou um concerto organizado pela Loja Sigilo (Lodge Zur Verschwiegenheit) para a construção de uma estátua de Hummel.



Richard Wagner e Cosima decidem se casar, após anos de um romance secreto, Franz Lizst achou essa relação abominável e se deprimiu mais ainda quando Cosima lhe contou que queria se converter ao protestantismo para se casar com Wagner.
Cosima conseguiu obter o divórcio de Bülow em 1870. Wagner e Cosima se casaram no mesmo ano em 25 de agosto. Liszt rompe as relações com o casal e a reconciliação entre ocorre somente em 1872.
Wagner e Cosima
Fez uma visita à Inglaterra, em 1886, mas a viagem esgotou-o. Em Budapeste foi festejado como compositor nacional da Hungria. O último concerto ocorreu no dia 19 de julho, em Luxemburgo. Já debilitado, contrariando as ordens de seu médico, vai a Weimar onde assistiria ao Festival de Bayreuth, realizado sob a direção da sua filha Cosima, em julho de 1886, assistiria à apresentação da ópera Tristão e Isolda de seu amigo Wagner, e presenciando o triunfo do compositor. O esforço da viagem causa-lhe profundo esgotamento físico. A 31 de julho de 1886, alguns dias de completar 75 anos, já atacado pela pneumonia, Liszt entra em crise aguda de delírio e expira. Assistido por uma de suas alunas morre da mesmo forma que viveu, voltado para a arte: antes de dar o último suspiro, balbucia o nome Tristão - uma das maiores criações do gênero humano, foi sepultado no cemitério da cidade de Bayreuth.
Uma segunda versão retrata que os últimos de Liszt sobre a terra, em Bayreuth,  foram repletos de indiferença, maus tratos e solidão. Após cair enfermo durante visita a essa cidade que consagrou seu genro Richard Wagner, Liszt recebe atendimento médico incompetente e, por parte de sua filha Cosima, é tratado com severidade e frieza. A filha, embora residindo em Wahnfried (a bela casa onde viveu com Richard Wagner), deixa o pai moribundo vivendo em quartos de aluguel. O belo e irresistível jovem Franz Liszt havia se transformado em um homem idoso, com sobrepeso, perda de dentes…
Essas revelações bombásticas, entre outras, são as que estão recolhidas em publicação baseada nos diários de Lina Schmaulhausen, aluna de Liszt que se responsabilizou de cuidar, para se dizer de alguma forma, do grande mestre em sua senilidade.
Entre suas composições até hoje fazem sucesso as nacionalistas 19 veementes Ungarische Rhapsodien (1846-1885), seus dois concertos para piano e orquestra, as peças para piano as Années de pèlerinage (1837-1854), as Harmonies poétiques et religieuses (1848), os poemas sinfônicos Ce qu'on entend sur la montagne (1848), inspirado em Victor Hugo, a sonata em si menor (1853) e Les Préludes (1854), sobre as Méditations poétiques de Lamartine e a sinfonia de programa Faust (1855) e as Légendes (1863). Liszt também transcreveu várias obras de compositores diversos, tais como Beethoven, Schubert e Paganini.

A sua Rapsódia Húngara nº 2 aparece em alguns desenhos animados:

Uma Cilada para Roger Rabbitt







Pernalonga
https://drive.google.com/file/d/0B9F356bpnhA-NjQ2SjBkT3dLRUE/view?usp=sharing&resourcekey=0-btHV0H9b8pYe0davYulF_w








Pica-pau
https://drive.google.com/file/d/0B9F356bpnhA-eDRoWW1obXpDcUU/view?usp=sharing&resourcekey=0-uWb8Id2I7Dzgg9aBGnxbMw







Tom & Jerry





Para degustarem, ouvirem e baixarem algumas músicas de Franz Lizst acesse o link abaixo:

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

GEORGE GERSHWIN

No dia 26 de Setembro de 1898, nascia no Brooklyn em Nova York, Jacob Brushkin Gershowitz, o segundo filho do casal de imigrantes judeus Moritz Gershowitz, russo e Rosa Brushkin, lituana. Com certeza um nome pouco conhecido entre aqueles que apreciam a música, entretanto o hábito bastante comum os estrangeiros naquela época, acabaram americanizando seus nomes para facilitar a vida nos Estados Unidos. Moritz e Rosa passaram então a ser conhecidos, respectivamente, como Morris e Rose. O primogênito, Israel, tornou-se Ira. E foi assim que Jacob Gershowitz virou George Gershwin.
George e Ira Gershwin
Ira e George sempre foram companheiros e desde cedo tomaram gosto pela música. Ira gostava de estudar, era fascinado por arte e aos 14 anos pediu um piano de presente aos pais. George vivia pelas ruas de East Side, arrumando encrencas e jogando beisebol. Para surpresa geral, foi George quem mais se encantou com o instrumento em casa. Aos 12 anos, conseguiu sozinho tirar de ouvido uma canção. Impressionados pelo talento, seus pais contrataram um professor particular que passou a dar aulas de piano aos meninos. Como não era um aluno exemplar abandonou o curso médio de comércio onde estudava para trabalhar em na editora musical New York’s Tin Pan Alley como leitor de partituras, isto entre os 15 e 16 anos. O emprego consistia em tocar piano para os fregueses, mostrando os lançamentos musicais. Nas horas vagas, trabalhava em suas próprias composições, inicialmente jingles publicitários.

Depois de algumas decepções, publica sua primeira canção, “When you want'em, you can't get'em, when you got'em, you dont' want'em”, em 1916. Cansado de tocar música clássica que considerava ultrapassada, compunha trechos inspirados no jazz de Nova Orleans que começava se popularizar.
Três anos depois em 1919 compôs seu grande sucesso, “Swanee”, canção interpretada por Al Jonson no musical Simbad que rendeu a George reconhecimento e um bom dinheiro, com sucesso vieram também críticas, principalmente pelo seu estilo revolucionário em que misturava o clássico com o jazz.

George and Paul Whiteman
George compôs a maioria das suas obras em parceria com o seu irmão Ira. Entre 1920 e 1924, escreveram canções para a Broadway, mas foi quando conheceram o maestro Paul Whiteman, que propôs a produção de uma peça de jazz sinfônico.

O resultado foi "Rhapsody in Blue". Na estreia da obra, estavam na plateia nomes como Stravinsky, Rachmaninov e Leopold Stokowski. Com o sucesso o nome de George Gershwin entrou, definitivamente, para a história artística dos Estados Unidos.


Seguiram-se outras composições com razoável sucesso, tais como o Concerto em Fá maior, Um americano em Paris e Segunda Rapsódia. Em parceria com seu irmão Ira, os musicais:  "Lady Be Good" (1924), "Strike Up The Band" (1927), "Girl Crazy" (1930) e "Of Thee I Sing" (1931), sendo esta a primeira comédia musical a ganhar o prêmio Pulitzer.

Edwin duBose Hayward
No ano de 1935 trabalhou naquele que era o seu projeto mais ambicioso e audacioso, a ópera Porgy and Bess, baseado no libreto de Edwin duBose Hayward, intitulado Porgy, que retrata o drama amoroso entre uma bela mulher e um mendigo, ambos negros. Além da música George, também escreveu as letras juntamente com Ira. A obra alcançou grande sucesso, ao mesmo tempo em que houve muita resistência motivada pelo preconceito racial. Independente disso a peça se tornou a maior ópera americana de todos os tempos.

Cena de Porgy and Bess


No início de 1937, Gershwin começou a queixar-se de constantes dores de cabeça. Em 11 de Fevereiro de 1937, apresentou Concerto para Piano em Fá Maior com a Orquestra Sinfônica de San Francisco sob a regência do maestro francês Pierre Monteux. Estranhamente teve problemas de coordenação e apagões durante apresentação.
Na época morava com seu irmão Ira e sua cunhada Leonore numa casa alugada em Beverly Hills período em que trabalhavam em projetos de filmes de Hollywood. Leonore Gershwin sentia-se perturbada com as constantes mudanças de humor de George e sua aparente incapacidade de comer sem derramar comida na mesa de jantar.

Além das dores de cabeça, passou a ter alucinações olfativas, e em 23 de junho, depois de um incidente em que Gershwin tentou empurrar Paul Mueller, para fora do carro em que estavam andando, George foi internado no Cedars of Lebanon Hospital em Los Angeles para a observação. 

Os exames não mostraram qualquer causa física e ele foi liberado, no dia 26, com um diagnóstico de "provável histeria". 

Cedars of Lebanon Hospital
Os problemas de coordenação motora e acuidade mental pioraram, e na noite de 09 de julho Gershwin desmaiou na casa de Harburg onde ele trabalhava para a Goldwyn Follies. Ele foi levado de volta para Cedars of Lebanon, onde ele entrou em coma.


Os médicos suspeitaram que houvesse algum tumor cerebral. Os familiares procuraram pelo neurocirurgião pioneiro Dr. Harvey Cushing em Boston, que, havia se aposentado e, recomenda o Dr. Walter Dandy que estava em um barco de pesca na baía de Chesapeake com o governador de Maryland. Dandy foi rapidamente levado para terra pela Guarda Costeira e enviado para o Aeroporto de Newark para pegar um avião para Los Angeles, no entanto, a condição de Gershwin foi considerada crítica e a necessidade de cirurgia imediata. Uma tentativa por médicos do Cedars para extirpar o tumor foi feita nas primeiras horas do dia 11 de Julho de 1937, mas não foi bem sucedida, e George faleceu ao amanhecer.

John O' Hara

Muitos amigos e fãs de Gershwin ficaram chocados e devastados. John O'Hara, escritor, comentou:

" George Gershwin morreu neste dia, mas não preciso acreditar nisso, se eu não quero crer." 


Ele foi sepultado no Westchester Hills Cemetery em Hastings-on-Hudson , Nova Iorque. 


Um Concerto em sua memória foi realizado no Hollywood Bowl no dia 8 de Setembro de 1937, em que Otto Klemperer conduziu sua própria orquestração do segundo dos três Prelúdios de Gershwin.

Gershwin recebeu sua única indicação ao Oscar de Melhor Canção Original em 1937, por "They Can't Take That Away from Me", escrito com seu irmão Ira para o filme Shall We Dance, estrelado por Fred Astaire e Ginger Rogers.


A indicação foi póstuma, George Gershwin morreu dois meses depois do lançamento do filme. Maurice Ravel, de quem ele era admirador, disse-lhe, quando estudava em Paris com Nadia Boulanger. “Não queira ser um Ravel de segunda, você é um Gershwin de primeira”.

Assim foi feito e apesar da sua vida bastante curta, tornou-se num dos compositores mais conhecidos de todos os tempos. 

Para ouvir e conhecer um pouco da música de Gershwin acesse ao link abaixo:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-bDFteWZsNDhHTDQ?resourcekey=0-8O4MUtjakuqmY3-ATL_VYA&usp=sharing

terça-feira, 18 de novembro de 2014

BOLERO

A BAILARINA!
Ida Rubinstein

Ida Lvovna Rubinstein, nascida em Kharkov na Ucrânia no dia 05 de Outubro de 1885, foi atriz e dançarina russa, considerada muito bonita, expressiva e audaciosa no palco. Oriunda de família judia russa muito rica, ainda jovem ficou órfã, sendo criada por parentes, teve uma educação refinada e orientada para as artes. Aos dezenove anos com recursos próprios montou a peça Antígona de Sofócles, tomando para si, o papel principal. Casou-se com o seu primo Vladimir Horwitz em 1908. No mesmo ano montou o espetáculo de dança Salomé, baseado na obra de Oscar Wilde, considerado indecente e erótico pelos censores do Império. No ano seguinte, ingressa no grupo de balé de Serguei Diaghilev, participando de diversas apresentações por dois anos. Durante a Primeira Guerra, pouco se apresenta, dedicando-se a obras de caridade e assistência financeira aos feridos de guerra. Em 1920 volta a atuar com a companhia de Diaghilev. Oito anos mais tarde funda a sua própria companhia, Les Balles de Ida Rubinstein.
Artistas renomados ou ainda não se tornaram muito conhecidos através de encomendas suas.  A criação do balé Bolero, de Maurice Ravel, foi uma encomenda sua ao autor, em 1928. Neste mesmo ano, ela o interpretaria, com coreografia de Bronislava Nijinska.

A COREÓGRAFA

Bronislava Nijinska,
 coreógrafa oficial da companhia de Ida Rubinstein e irmã de Vaslav Nijinsky, nascida em Minsk, na atual Bielorrússia, em 08 de Janeiro de 1891, além de coreógrafa, foi dançarina e professora de balé, também fez parte da companhia de Diaghilev juntamente com o seu irmão. Sua mais importante criação foi Les Noces baseada na música de Igor Stravinsky.



O AUTOR
Maurice Ravel

Isaac Albéniz
O Bolero é uma obra musical em um único movimento escrita para orquestra, é a peça mais famosa de Maurice Ravel. Composta entre Julho e Outubro de 1928, tem o seu título original era Bolero-Fandango. O bolero é um ritmo que mescla raízes espanholas com influências locais. Como citado anteriormente obra foi um pedido da dançarina Ida Rubinstein, que encomendou a Ravel a criação de um balé com características espanholas, a princípio seria uma orquestração da obra Iberia de Isaac Albéniz, o que não foi possível, pois os direitos foram passados por Albéniz ao seu pupilo Ferdinand Enrique Arbos. Sendo assim teve compor algo totalmente novo e específico.

O RITMO E A DURAÇÃO

O bolero tem um ritmo invariável e uma melodia uniforme e repetitiva, a notação de tempo na partitura original é semínima igual a 76, entretanto há um risco e o número 66 substituindo a marcação original, o que significa que o metrônomo baterá 76 vezes por minuto, e pela quantidade de compassos a duração teórica original da peça seria de catorze minutos e dez segundos. Este tipo de notação é bastante comum em partituras. Na primeira gravação de Piero Coppola, contando com a presença do compositor, o Bolero durou quinze minutos e quarenta segundos. Ravel comentou tempos mais tarde, a um jornalista do Daily Telegraph que a obra duraria dezessete minutos. Anos mais tarde o maestro português Pedro de Freitas Branco, amigo de Ravel, dirigiu uma execução lenta da obra (semínima = 54), o que fez com que a obra durasse 18m30s.

Ravel em 1931 comentou: “Devo dizer que o Bolero raramente é regido como penso que deveria ser. Digo, o Bolero deve ser executado em tempo único do início ao fim, no estilo queixoso e monótono das melodias árabe-espanholas. [...] Os virtuoses são incorrigíveis, imersos em suas fantasias, como se os compositores não existissem”.
A caixa, instrumento musical que teve a sua origem na Europa do século XV, a sua utilização básica era a marcação de ritmos em marchas militares. Este instrumento dita o ritmo do bolero, são dois compassos repetidos cento e sessenta e nove vezes, estes dois compassos em ostinato dão ao Bolero de Ravel o ritmo uniforme e invariável.

OSTINATO
Em música, ostinato é um motivo ou frase musical que é persistentemente repetido numa mesma altura. A ideia repetida pode ser um padrão rítmico, parte de uma melodia ou uma melodia completa.
Basso ostinato (também chamado de baixo ostinato; em inglês "ground bass") é uma parte do baixo ou linha do baixo que se repete continuamente enquanto a melodia, e possivelmente a harmonia feita sobre ele, se altera. Foi desenvolvido já no Século XIII e usado com frequência da era barroca em diante.

Em música popular, muitos riffs para baixo podem ser vistos como uma versão moderna do baixo ostinato. Dois exemplos são as canções Money (2), do Pink Floyd (de The Dark Side of The Moon - 1973) e Planet Caravan (2), do Black Sabbath.
Uma pequena peça com um ostinato famoso pode ser encontrada na música tema do filme Tubarão composta por John Williams. Foram utilizadas duas notas da seção do baixo da escala, repetidas em vários andamentos, para expressar as diferentes atividades do tubarão assassino. Esse ostinato de duas notas talvez seja a música de filme mais facilmente reconhecível da história do cinema.
Outro exemplo bastante conveniente para se entender o método é a famosa canção do ABBA, "Take a Chance on Me"(2). Nesse vídeo musical, os quatro membros do grupo são distribuídos nos quatro cantos da tela; durante a execução da canção, Benny and Björn cantam, repetidamente, "take a chance, take a chance, take a, take a chan-chance", ao mesmo tempo em que Agnetha e Frida cantam a letra da canção.
Sendo uma estrutura acessível que permite a improvisação, o ostinato foi amplamente utilizado no período barroco. Por cerca de um século e meio, começando por volta de 1770, a técnica quase foi abandonada. Ela ressuscitou repentinamente no início do século XX com o desenvolvimento do jazz.

De volta ao Bolero de Ravel, a única sensação de mudança é dada pelos efeitos de orquestração e dinâmica, com um crescendo progressivo e uma curta modulação em Mi maior próxima ao fim, mas retorna ao Dó maior original faltando apenas oito compassos do final. Alguns críticos dizem que o Bolero é o mais longo crescendo da música erudita mundial, outros o citam como um grande orgasmo musical.
Ravel considerava como um simples estudo de orquestração. Um exercício de composição privilegiando a dinâmica em que se pretendia uma redefinição e reinvenção dos movimentos de dança. O Bolero, entretanto guarda muita originalidade e, em sua versão de concerto, chegou a ser uma das obras musicais mais interpretadas a ponto de permanecer, até 1993, em primeiro lugar na classificação mundial de direitos da Sociedade dos Autores, Compositores e Editores de Música (SACEM). O próprio Ravel ficou surpreendido com a divulgação e popularidade, pois para ele a obra só teria sentido acompanhada da coreografia. Para ele não existia música nenhuma neste balé apenas a dança.

O BALÉ
Ida Rubinstein com o figurino do balé.

Ravel pretendia que o balé fosse montado em área externa, com uma fábrica ao fundo, numa alusão à Carmen de Bizet, ópera que admirava. No entanto, a montagem situou a ação num obscuro café de Barcelona, iluminado apenas por uma lâmpada. A bailarina começa a dançar sobre uma grande mesa enquanto, homens permanecem sentados jogando cartas.


Alexandre Benois
Desenho de Benois
O balé teve a sua estreia em Paris, na Ópera Garnier, em 22 de Novembro de 1928, com a regência de Walther Straram, coreografia de Bronislava Nijinska e cenários de Alexandre Benois. Ida Rubinstein representava o papel da bailarina de flamenco, numa coreografia sensual que despertou escândalo.


René Chalupt, crítico da época, escreveu:
“Movimento orquestral inspirado numa dança espanhola, caracterizado por ritmo e tempo invariáveis, uma melodia obsessiva em dó maior, repetida sem nenhuma modificação, exceto pelos efeitos orquestrais, num crescendo que termina com uma modulação em mi maior e uma coda estrondosa.”
Nota: Coda (que traduzindo do idioma italiano para o português quer dizer cauda) é a seção com que se termina uma música.
O Bolero foi a única composição de Ravel em 1928, sendo que não compunha para um balé desde La Valse em 1919.


Em 1934, o estúdio Paramount produziu um filme, protagonizado por Carole Lombard e George Raft, intitulado Bolero, em que a música desempenha importante papel. A fama da obra já não podia ser detida.



Algumas curiosidades sobre a obra:

- O saxofone sopranino na partitura original é um saxofone em Fá; todavia, hoje há somente saxofones em Mi bemol. Não se sabe se alguma vez um saxofone sopranino em Fá terá existido, ou se Ravel pretendia uma transposição. Tanto as partes de saxofone como de saxofone sopranino são tocadas no saxofone soprano em Si bemol.

- O Bolero é tocado diariamente na Praia do Jacaré em João Pessoa-PB durante o pôr-do-sol, pelo músico Jurandy do Sax. (1)

- A música faz parte da trilha sonora do anime Digimon e do jogo Xenogears.

- Em 1961, o dançarino e coreógrafo Maurice Béjart criou sua versão para o Bolero, tornando-a uma de suas obras mais importantes. Em 1980, a coreografia de Béjart foi reproduzida pelo bailarino argentino Jorge Donn no filme Retratos da Vida (Les uns et les autres), do diretor francês Claude Lelouch. (1)

- Nos jogos de inverno de 1984, a dupla Torvill & Dean do Reino Unido fizeram a sua apresentação ao som do Bolero. (1)

- No desfile cívico-militar do Dia da Independência, 07 de setembro de 2014, a tropa da Polícia Militar da Paraíba desfilou aos acordes do Bolero de Ravel, adaptado pela Banda de Música da PMPB.

- A dupla Jica e Turcão fizeram uma versão do Bolero chamada Bolero da Rosicler, sendo a base da música feita por um despertador. (1 e 2)

- Trabalho do curso de Cinema de Animação da Escola de Belas Artes da UFMG. (1)

(1) são os vídeos que estão disponíveis e (2) são as músicas, além de algumas versões do Bolero, no link abaixo: