quinta-feira, 14 de agosto de 2014

RACHMANINOFF


Nos idos dos anos 70, houve uma novela chamada BRAVO, não me recordo dela em si, mas sua trilha sonora, aquele Long Play de Vinil foi o meu primeiro contato com a obra deste russo. História de Três Amores era a primeira faixa do lado A daquele disco. E para voltar no tempo e sentir um pouco da nostálgica época da vitrola e daquelas bolachas pretas. Falarei de Sergei Vassilievitch Rachmaninoff. - Optei pela grafia por esta, visto que era a forma com que o autor assinava na forma ocidental. Entretanto encontram-se várias grafias para o seu nome e sobrenome: Sergey ou Sergej, Rachmaninov, Rachmaninow, Rakhamaninov e Rakhamaninoff.


"Minha visão é um produto do temperamento, assim como a música russa. Nunca tentei, conscientemente, escrever música russa ou qualquer outra espécie de música".

Nikolai Zverev
Filho de aristocratas russos empobrecidos, seus pais foram pianistas amadores, nascido no dia 1º de Abril de 1873 em Semyonovo, nas proximidades da província de Novgorod no noroeste da Rússia. Teve uma educação musical refinada e de causar inveja a muitos. Suas primeiras lições de piano foram com sua mãe. A família mudou-se para São Petesburgo, ingressou no Conservatório da cidade, aos sete anos idade estudou música com Anna Dmitrieva Ornazkaia. Mais tarde, em Moscou, teve aulas de piano com Nikolai Zverev, de contraponto com Serguei Taneyev e de harmonia e composição com Anton Arensky no conservatório de Moscou entre os anos de 1885 e 1892 se graduou como compositor e pianista com distinção. Estudou também com seu primo Alexander Ziloti, ex-aluno de Franz Liszt. O jovem Sergei era considerado bastante preguiçoso e faltava às aulas para patinar no gelo. Foi o regime rigoroso de Zverev que o disciplinou. Suas primeiras peças sérias para piano foram compostas e executadas nesta época.
Em 1892, completou seu Concerto para Piano No. 1 (Op. 1, 1891), que ele revisou em 1917. Na mesma época, compôs um conjunto de peças para piano, Morceaux de Fantaisie (Opus 3) na qual o Prelúdio em Dó-sustenido Menor era parte integrante e que se tornou famoso. De acordo com Francis Crociata, o compositor ficou confuso com a fascinação do público por essa composição. Esta peça de piano estabeleceu o estilo e temperamento de sua obra: escura, melancólica e chocante. Rachmaninoff compunha de maneira fortemente dramática e romântica, assim como o seu grande antecessor russo, Tchaikovsky, em breve falaremos dele.
No mesmo ano, formou-se no conservatório de Moscou com distinção como pianista e compositor, a Ópera Aleko em um ato, baseada num libreto de Nemirovich-Danchenko e inspirada no poema do célebre escritor Aleksander Puchkin, apresentada no Teatro Bolshoi em 09 de maio de 1893, foi sua peça de formatura e rendeu uma medalha de ouro como premiação.
Ainda naquele ano, escreveu “O Rochedo”, baseado num poema de Lermontov e no conto “Durante a Viagem” de Tchekov, que relata o breve romance entre um homem maduro e uma jovem em uma pousada, Rachmaninoff dedicou a obra ao autor da narrativa.
Stravinsky descreveu Rachmaninov como uma "carranca de seis pés e meio", Sergei era muito alto, quase dois metros de altura, e em público mantinha sempre uma expressão severa, com mãos grandes e dedos muito longos, cruzava o teclado do piano melhor do que qualquer outro pianista. Sua figura, para aqueles que o conheciam na intimidade, era outra, tinha um ótimo senso de humor e apreciação por boa comida e bom vinho.
Cesar Cui
Alexander Glazunov

Em 27 de Março de 1897 estreou a sua Sinfonia nº 1 em Ré Menor Opus 13, regida por Alexander Glazunov, foi um fracasso, a obra foi comparada pelo crítico Cesar Cui “como a dez pragas do Egito admirada apenas pelos inatos de conservatório de música no inferno”, isto o levou a uma forte depressão, incapaz de compor durante quase três anos, trabalhando exclusivamente como pianista. Dizem que Glazunov estaria bêbado...


Nikolai Dahl

A crise criativa foi resolvida através de ajuda médica, compondo em 1900 seu Concerto Para Piano nº 2, Opus 18, dedicado ao seu médico Dr. Nikolai Dahl, um pioneiro da hipnose em Moscou que conseguiu devolver a sua autoconfiança, na estreia o próprio Rachmaninoff foi o solista, e a peça é considerada como uma de suas composições mais populares.

Natalie e Sergei Rachmaninoff
Natalie Satina, sua prima, era sua paixão desde a infância, entretanto devido aos laços consanguíneos, só poderiam assumir o matrimônio com a bênção dos pais e a autorização do Czar. A mãe de Natalie agilizou os trâmites e em 29 de Abril de 1902, casaram-se numa igreja dentro de um quartel militar sob muita chuva em Moscou, a união durou até a morte de Sergei.

Após várias apresentações como maestro, Entre 1904 e 1906, foi regente e diretor musical do Teatro Bolshoi. A agitação política contínua, greve de bailarinos e outros entreveros, fizeram com que pedisse demissão do teatro, após o que ele foi para a Itália (em Florença e depois em Marina di Pisa) até julho. Ele passou os três invernos seguintes em Dresden, na Alemanha, trabalhando intensivamente como compositor e retornando à familiar Ivanovka apenas nos verões.
Em Dresden, escreveu o poema sinfônico A Ilha dos Mortos (1909) e o concerto N.3 (1909), este escrito especialmente para sua primeira viagem aos Estados Unidos, onde foi bem recebido e convidado a permanecer naquele país, mas preferiu retornar a Moscou.
Entre 1901 e 1917, viveu o seu momento mais feliz. Como compositor havia desenvolvido uma obra pianística excelente:
- Entre 1901 e 1903 – Prelúdios Op.23,
- 1907 - Sonata nº 1 em Ré menor,
- 1910 - Prelúdios Op. 32,
- 1911 - Estudos Op. 33
- 1917 - Estudos Op. 39, além das obras orquestrais e vocais.
Em 1911, foi diretor da Orquestra Filarmônica de Moscou, assim durante dois anos suas obrigações o mantiveram na capital russa.
Assim que se desligou do cargo retomou as suas viagens, e em 1913 na cidade de Roma, compôs Os sinos Op. 35, uma sinfonia para orquestra, coro, e três solistas: uma soprano, um tenor e um barítono, baseou-se no poema de Edgard Allan Poe. Assim como o poema, a obra apresentava quatro momentos, as etapas da vida humana, representadas através da sonoridade de quatro tipos de sino, que tentou reproduzir através da orquestra.
Os sinos de prata do primeiro movimento: o Nascimento;
Os sinos de casamento: a Cerimônia Nupcial;
Os sinos de alarme: o Amadurecimento; por fim
Os sinos de ferro: retratando a morte.
Rachmaninoff considerava esta a sua obra mais primorosa.

OS SINOS – Edgard Alan Poe
I
Escuta: nos renós tilintam sinos
argentinos!
Ah! Que de mundo de alegria o som cantante prenuncia!
Como tinem, lindo, lindo,
No ar da noite fria e bela!
Vão tinindo e o céu inteiro se constela,
Florescente, refulgindo
Com deleites cristalinos!
Dão ao Tempo uma cadência tão constante
Como um rúnico descante,
Com os tintinabulares, pequeninos sons, bem finos,
Que nascendo vão dos sinos,
Sim, dos sinos, sim, dos sinos,
Saltitantes, bimbalhantes, dentre os sinos.
II
Escuta: em núpcias vão cantando os sinos,
Áureos sinos!
Quantos mundos de ventura seu tanger nos prefigura!
No ar da noite, embalsamado,
Como entoam seu enlevo abençoado!
Tons dourados, lentas notas
Concordantes...
E tão límpido poema aí flutua
Para as rolas que o escutam, divagantes,
Vendo a lua!
Volumoso, vem das celas retumbantes
Todo um jorro de eufonia
Que se amplia,
"O futuro é belo e bom!"
- clama o som,
Que arrebata, com em êxtases divinos,
No balanço repicante que lá soa,
Que tão bem, tão bem ecoa
Na vibrante voz dos sinos, sinos, sinos,
Carrilhões e sinos, sinos,
No rimado, consonante som dos sinos.
III
Escuta: em longo alarma bradam sinos,
Brônzeos sinos!
Ah! Que história de agonia, turbulenta, se anuncia!
Treme a noite, com pavor,
Quando os ouve em seu bramido assustador.
Tanto é o medo que, incapazes de falar,
Limitam-se a gritar,
Em tons frouxos, desiguais,
Clamorosos, apelando por clemência ao surdo fogo,
Contendo loucamente com o frenesi do fogo,
Que se lança bem mais alto,
Que em desejo audaz estua
De, no empenho resoluto de algum salto,
(sim! agora ou nunca mais!),
Alcançar a fronte pálida da lua!
Oh! Os sinos, sinos, sinos!
De que lenda pavorosa, de alarmar,
Falam tanto?
Clangorantes, ululantes, graves, finos,
Quanto espanto vertem, quanto,
No fremente seio do ar!
E por eles bem a gente sabe - ouvindo
Seu tinido,
Seu bramido -
Se o perigo é vindo ou findo.
Bem distintamente o ouvido reconhece
Pela luta,
Na disputa,
Se o perigo morre ou cresce,
Pela ampliante ou descrescente voz colérica dos sinos,
Badalante voz dos sinos,
Sim, dos sinos, sim, dos sinos,
Do clamor e do clangor que vêm dos sinos!
IV
Escuta: dobram, lentamente, os sinos,
Férreos sinos!
Ah! Que mundo pensares tão solenes põem nos ares!
Na silente noite fria,
Quando a alma se arrepia
À ameaça desse canto melancólico de espanto!
Pois em cada som saído
Da garganta enferrujada
Há um gemido!
E os sineiros (Ah! essa gente
Que, habitando o campanário,
Solitário,
Vai dobrando, badalando a redobrada
Voz monótona e envolvente...),
Quão ufanos ficam eles, quando vão
Tombar pedras sobre o humano coração!
Nem mulher nem homem são,
Nem são feras: nada mais
Do que seres fantasmais.
E é seu Rei quem assim tange,
É quem tange, e dobra, e tange.
E reboa
Triunfal, do sino, a loa!
E seu peito de ventura se intumesce
Com os hinos funerários lá dos sinos;
Dança, ulula, e bem parece
Ter o Tempo num compasso tão constante
Qual de rúnico descante,
Pelos hinos lá dos sinos!
Ah! Dos sinos!
Leva o Tempo num compasso tão constante
Como em rúnico descante,
Pela pulsação dos sinos,
A plangente voz dos sinos,
Pelo soluçar dos sinos!
Leva o Tempo num compasso tão constante,
Que a dobrar se sente, ovante,
Bem feliz esse rúnico descante,
Com o reboar que vem dos sinos,
A gemente voz dos sinos,
O clamor que sai dos sinos,
A alucinação dos sinos,
O angustioso,
Lamentoso, lutuoso som dos sinos!
São João Crisóstomo
No verão de 1910, após o retorno de sua turnê pelos Estados Unidos, escreveu sua primeira obra religiosa, a Opus 31 – Liturgia de São João Crisóstomo, uma peça para coral em vinte movimentos, cinco anos mais tarde, em 1915, escreveu a sua segunda obra litúrgica, Vésperas, peça “à capella” para coral em quinze movimentos, baseada nos textos da Cerimônia de Vigília Pascal da Igreja Ortodoxa Russa. O que difere uma obra da outra foi a maior preocupação, na segunda obra, com a adequação à finalidade litúrgica, enquanto que na primeira havia um tom profano.
A Revolução Bolchevista Russa de 1917 viu-se forçado a fugir para o exílio com esposa e duas filhas. Abandonou sua produção como compositor, retomando sua carreira como concertista de piano, fixa residência em Nova Iorque, nos Estados Unidos até 1928. Durante sete anos, passou períodos na França e na Suíça, até o seu retorno definitivo aos Estados Unidos em 1935.
Thomas A. Edison


Em 1919, fez gravações para Thomas Edison usando um piano vertical o qual o inventor admitiu ser de qualidade inferior; entretanto, os discos renderam fama ao compositor. No ano seguinte ele assinou um contrato exclusivo com a Victor Talking Machine Company e continuou a fazer gravações com a Victor até fevereiro de 1942.



Nessa época produziu poucas obras, por passar parte de seu tempo com sua família, e devido à saudade de sua terra natal; ele sentiu que abandonar a Rússia foi como deixar para trás sua inspiração. Voltou a compor apenas em 1926, quando escreveu o Concerto para piano nº 4, considerado o menos interessante de seus concertos, iniciou a sua composição ainda na Rússia, e ao concluir deixou-se influenciar pela a música americana.
Variações sobre um Tema de Corelli foi escrita em 1931, no mesmo ano, juntamente com outros exilados russos, foi um dos fundadores de uma escola de música em Paris que posteriormente ganharia seu nome, o Conservatoire Rachmaninoff.
Rapsódia sobre um tema de Paganini composta em 1934, homenagem ao grande virtuose da história da música romântica, é atualmente um dos seus trabalhos mais conhecidos.  Entre os anos de 1935 e 1936 compôs a Sinfonia nº 3 foi a primeira obra orquestral desde a Ilha dos Mortos em 1909, uma obra influenciada pela linguagem musical americana. O tema morte aparece em seu canto de cisne, composto em 1940, foram Danças Sinfônicas, seu último trabalho completo, faz referência ao Alliluya da obra Vésperas e ao primeiro tema de sua Primeira Sinfonia. O nome original era Danças fantásticas, com parte de sua música aproveitada do balé Os citas iniciado em 1915 que não chegou a ser concluído. Trata-se de uma obra de profundo lirismo. Suas mais belas nostálgicas e melancólicas melodias estão presentes nestas três obras.
Rachmaninoff caiu doente durante uma turnê de concertos em 1942, e foi subsequentemente diagnosticado com um melanoma maligno, mesmo assim atraído por atores e diretores russos que proliferavam em Hollywood, mudou-se para Beverly Hills. Devido ao seu estado de saúde, o compositor foi levado para Nova Orleans. Ciente da gravidade da doença, pediu uma enfermeira russa e um rádio que lhe permitisse ouvir música emitida de Moscou.
Em 1 de Fevereiro de 1943, Sergei e Natalie Rachmaninoff tornaram-se cidadãos americanos.

Seu último recital, em 17 de fevereiro de 1943 no Alumni Gymnasium da Universidade de Tennessee em Knoxville, profeticamente performando a Sonata No. 2 em Si Bemol Menor de Chopin, que contém a famosa marcha fúnebre. Uma estátua comemorativa do último concerto de Rachmaninoff existe no Parque de World's Fair, em Knoxville.

Pessoas que o conheceram nesta época diziam que era homem mais triste que já haviam visto. Em 1961, o maestro Ormandy declarou:
Rachmaninoff foi, na realidade, duas pessoas. Ele odiava sua própria música e estava geralmente infeliz ao executá-la ou conduzi-la para o público, então é este lado triste que o público conhece. Entretanto, entre seus amigos mais próximos, ele tinha um senso de humor muito bom e tinha um bom espírito.
Residência onde faleceu Rachmaninoff
Faleceu em 28 de março de 1943, na sua residência de Beverly Hills, Los Angeles – Califórnia, distante de sua terra natal que, apesar de muitos anos de exílio, nunca chegou a esquecer, corroído pelo câncer e pela amargura de saber que a guerra assolava seu país. Nas horas finais de sua vida, ele insistia que podia ouvir música tocando em algum lugar por perto. Após ser repetidamente assegurado de que não era o caso, ele declarou: "então a música está na minha cabeça".
Desde 1931 a reprodução de sua música era proibida pelas autoridades russas, por considerá-la perigosa e burguesa, após a sua morte, um movimento para recuperar a obra de Rachmaninoff como parte do patrimônio russo teve início. Sua música passou, a partir de então, a se impor com força nos círculos musicais soviéticos.
Sua produção teve forte declínio, entre 1892 e 1917, enquanto viveu principalmente na Rússia escreveu trinta e nove composições com números opus.  Durante o exílio, entre 1918 e 1943, completou apenas seis.
Embora tenha sido quase toda escrita no século XX, a música de Rachmaninoff é classificada como Romântica do século XIX.

Curiosidades:




Em 1923 Rachmaninoff se introduziu no pioneirismo da aviação ao estudar os desenhos de Igor Sikorsky e, de acordo com o filho de Sikorsky, doou uma quantia de $5000 e disse "eu acredito em você, confio em você, pague-me de volta somente quando puder, vá, comece a fazer seus aviões".







Na Alemanha produziu-se uma vodca chamada "Rachmaninoff", em homenagem ao compositor.





Eric Carmen


A canção popular norte americana, "All by Myself" (cujo sucesso foi escrito por Eric Carmen e gravada em 1975, e mais tarde por Sheryl Crow (1994) e Celine Dion (1996), é um arranjo temático do II movimento - Adagio Sostenuto - do Concerto para Piano No. 2, Opus 18, em dó menor de Rachmaninoff.
Eric Carmen também escreveu Never Gonna Fall in Love Again, desta vez, se baseando no III movimento---Adagio---da Sinfonia Nº2, Opus 27, em mi menor, também de Rachmaninoff. (ambas encontram-se no link abaixo)





Em 1965, Robert Wright e George Forrest, os escritores de Kismet, escreveram um musical chamado "Anya", usando a música de Rachmaninoff como base.








O Concerto para piano n.º 2 de Rachmaninoff é mencionado no filme The Seven Year Itch ("O Pecado Mora ao Lado") de 1955, que estrelava Marilyn Monroe.





A Rapsódia Sobre um Tema de Paganini foi trilha sonora do filme Somewhere in Time ("Em Algum Lugar do Passado"), de 1980.



O filme Shine de 1996, sobre a vida do pianista David Helfgott, gira em torno do Concerto para Piano No. 3 de Rachmaninoff.




O concerto para piano n.º 2 foi uma das músicas preferidas pela Princesa Diana. Segundo o livro "Diana crônicas íntimas" de Tina Brown, a princesa costumava ouvi-la ao escrever cartas e em momentos de descanso.



O concerto para piano n.º 2 e outras obras aparecem ou são mencionadas no anime Nodame Cantabile.




A "Sinfonia No. 3" é brevemente mencionada no filme "Homem de Ferro 2", de 2010, como "a Terceira de Rachmaninoff", pelo vilão Justin Hammer.



Para ouvir e copiar as obras do autor acesse ao link abaixo:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-eGJyZWkxOFR4cHc?resourcekey=0-9zEXfLIHb6C3633qN8azTg&usp=sharing

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

ANDREAS STAIER


Andreas Staier
Nascido no dia 13 de Setembro de 1955 em Göttingen na Alemanha. Estudou piano moderno e cravo em Hanover e Amsterdã. Teve como professores de piano Kurt Bauer e Erika Haase, com Lajos Rovatkay teve aulas de cravo.
Entre 1983 e 1986 foi o cravista solo do Musica Antiqua Köln, grupo fundado em 1973 por Reinhard Goebel com estudantes do Conservatório de Colônia, especializado em música barroca, com o qual excursionou com frequência, ao mesmo tempo continuava seus estudos em interpretação em música clássica e pós-clássica de pianoforte. Em 1986 abandonou o grupo para partir em carreira de solista, tanto no fortepiano quanto no cravo. Fez uma turnê, acompanhado por Wilbert Hazelzet, flautista e Hajo Bäss, violinista, sob o nome de Les Adieux.
Entre 1987 e 1996, foi professor de cravo na Schola Cantorum, em Basileia.
Staier ganhou uma reputação como um cravista distinto, fortepianista, e intérprete de música de câmara. Seu repertório inclui a música séculos 17, 18 e 19.
Participou como solista, em concertos na Europa, Estados Unidos e Japão acompanhando orquestras tais como: Concerto Köln, Orquestra Barroca de Friburgo, Academia de Música de Berlim e a Orquestra dos Champs-Elysées.
Formou um Trio com o violinista Daniel Sepec e o violoncelista Jean-Guilhen Queyras, gravou recentemente obras de Beethoven para a Harmonia Mundi.
Também se apresenta em duo (teclado a quatro mãos) com Christine Schornsheim, Alexander Melnikov e Tobias Koch. Assim como em duo com o barítono alemão Georg Nigl, com as violinistas Petra Müllejans e Isabelle Faust e o clarinetista Lorenzo Coppola. Tem também tocado com artistas de renome internacional como Anne Sophie von Otter, Pedro Memelsdorff, Alexej Lubimov e o tenor Christoph Prégardien.
Considerado como o mais proeminente especialista em cravo e pianoforte da atualidade. A sua discografia é considerada uma referência e bastante premiada pela crítica internacional.
Curiosidades:

O fortepiano é um instrumento musical de teclas, antecessor do piano atual. Foi inventado por Bartolomeo Cristofori por volta de 1700, e foi construído e vendido por toda a Europa até o século XIX. Ainda são fabricados em números relativamente pequenos, primordialmente para servir às pessoas e organizações interessadas em performances de época.

Cravo é a designação dada a qualquer instrumento musical de tecla, incluindo os grandes instrumentos comumente chamados de cravos, mas também os menores: virginal, o virginal muselar e a espineta. Todos esses instrumentos pertencem ao grupo das cordas pinçadas, ao invés de percuti-la como no piano ou no clavicórdio. 
Outras nomenclaturas para o instrumento:
clavicembalo, cembalo em italiano e alemão. Clavecin em francês. Clavicordio no espanhol, gerando confusão com o clavicórdio. Por essa razão, nos círculos musicais espanhóis, utilizam a palavra italiana ou, mais comumente, a palavra francesa.
Um cravista é um músico que toca o cravo.

Recentemente em gravações da obra de Beethoven utilizou o mesmo piano que pertenceu ao compositor.


Para acessar e ouvir parte da obra deste músico acesse o link abaixo:

sábado, 26 de julho de 2014

Sinfonia nº 5 de Beethoven

As biografias sobre Beethoven sempre o tratam como gênio. A genialidade é um dom. E Ludwig van Beethoven realmente foi um.
Edmond Bordeaux Szekely, em seu livro, Ludwig Van Beethoven, escreveu: “Beethoven foi mais do que um simples músico, foi um super-homem... Seus acervos de ideias criativas capacitam-no a igualar-se a um Shakespeare, ou a um Michelângelo, na história da evolução humana”.
As sinfonias ímpares de Beethoven, excluindo a Nona, são vigorosas. Enquanto que as sinfonias pares são elegantes e ternas, refletindo aspecto masculino nas ímpares, e aspecto feminino nas pares, coincidência?
Não creio, tanto que a Nona Sinfonia é o elo de união entre o masculino e o feminino.
Não irei comentarei sobre as sinfonias, o que já foi feito em uma postagem anterior, tampouco sobre a biografia deste gênio, que fico devendo, e sim de uma peça específica, sua Sinfonia n.º 5 em Dó menor Op. 67, composta entre 1804 e 1808, trata-se de uma das obras mais populares da Música Erudita, se não for a mais conhecida! Exatamente o centro das nove sinfonias.
Meu primeiro contato com a música chamada clássica foi num programa que passava aos domingos pela manhã, e que eu não gostava, achava bastante chato... “Concertos para a Juventude” na Rede Globo de Televisão. Talvez tenha sido num destes programas que ouvi aqueles acordes iniciais da Quinta Sinfonia pela primeira vez, não me recordo ao certo.
As quatro sinfonias anteriores foram compostas em tonalidade maior (Dó, Ré, Mi bemol e Si Bemol, respectivamente), sendo esta a primeira em tonalidade menor, fato que tornou a ocorrer apenas em 1824 com a Sinfonia n.º 9, em Ré menor op. 125, complementando a 6ª em Fá, a 7ª em Lá e a 8ª em Fá.
Quando começou a escrever essa sinfonia, Beethoven encontrava-se num momento difícil de sua vida. Desilusões amorosas, e a surdez que se acentuava.
Capa da publicação da Sinfonia com a dedicatória
ao príncipe Lobkowitz (acima) e ao conde Razumovsky (abaixo)
A Quinta Sinfonia começou a ser composta em 1805, logo após o término da Terceira. Havendo entre as duas, afinidade expressiva. Como uma ideia central poderosa. Curiosamente algo aconteceu fazendo que a composição ficasse interrompida durante todo o ano de 1806. Voltou a trabalhar na obra em 1807, concluindo no início do ano seguinte, a Sinfonia foi dedicada ao conde Andrey Kirillovich Razumovsky e ao príncipe Franz Josef Maximillian von Lobkowitz, seus principais mecenas na época.
O motivo da interrupção é desconhecido, sabe-se que neste período Beethoven compôs a Quarta Sinfonia, uma peça menos sisuda. Talvez o seu envolvimento afetivo com a condessa Theresa Brunswick que ocorreu justamente naquele ano, fizera-lhe alterar o humor ou ainda, viu-se afastando daquela alternância já mencionada, entre o masculino e o feminino, o que o obrigou a criar a peça intermediária.
Existe ainda a possibilidade da dúvida, afinal trata-se de uma obra revolucionária para época, não havia a introdução lenta das outras sinfonias da escola Haydniana, que Beethoven seguira nas sinfonias anteriores, também não há a fanfarra das aberturas das óperas. A sinfonia parte direto para o tema principal.
"Beethoven enfrenta as ondas do mar e permanece no leito do oceano que para as nuvens no seu curso, dispersa as névoas e revela o puro azul do céu e a face escaldante do sol.”  Foi essa a descrição quanto à energia do primeiro movimento feita por Richard Wagner.
O primeiro movimento expressa o sentimento de conflito e luta, enquanto os seguintes progridem para sua superação, culminando no sentimento de exultação e vitória do final.
Os instrumentos usados nesta sinfonia são:
Família
Instrumentos
Madeira
2 flautas
2 oboés
2 clarinetes (em si bemol e dó)
2 fagotes
1 contrafagote e 1 piccolo (ambos apenas no 4º Movimento)
Metais
2 trompas (em mi bemol e dó)
2 trompetes
3 trombones (alto, tenor e baixo, apenas no 4º Movimento)
Percussão
2 Tímpanos (em sol e em dó)
Cordas
Violinos
Violas
Violoncelos e
Contrabaixos

Composta em quatro movimentos, que representariam cada um os quatro elementos da natureza:
O primeiro andamento: Allegro con brio, grande tensão, com dramatismo extremo, o fogo.
Uma análise do primeiro movimento, eu me lembro dessa explicação no filme CONRACK, estrelado por Jon Voight:
O destino ou a morte batendo à porta, os instrumentos duelam algo como o bem e o mal, o arrependimento ou desfaçatez, por fim a batalha final... Quem vence? A música neste movimento é rápida e enérgica.
O segundo andamento: Andante com Moto – Più mosso – Tempo I, uma marcha fúnebre que se eleva pela sua emoção e beleza, o ar. Temos a predominância de uma melodia triste, bonita e sentimental. Retratando as desilusões pelas quais que o compositor passava e sofria.
O terceiro andamento: Scherzo Allegro – Trio – Scherzo, uma contração, a água. É a parte musical mais simples da sinfonia. Representaria o terceiro movimento vem como a esperança diante da tristeza representada no movimento anterior.
O quarto andamento: Allegro – Presto, magnificência, a terra. É a parte mais emotiva da composição e tem um tom triunfal. Beethoven quis representar a esperança de novos rumos que sua vida podia tomar.
A Quinta Sinfonia é uma síntese de tudo o que representa Beethoven: Sua força, tristeza e grandiosidade.
Como já comentado na postagem sobre as sinfonias, na Quinta, a Esfera da Cabala, A Força do Rigor, o Geburah, foi expressa por Beethoven, o Destino batendo à nossa porta. Sua audição é recomendada quando quisermos sair dos estados de irritação, egoísmo, vingança e ódio. Conhecida como ”Sinfonia da Vitória” tem a interpretação espiritual da conquista do eu inferior. É a Sinfonia do ‘Destino do Homem’. Estimula a traçar as estruturas do que queremos ser na vida, ou seja, a criar nosso destino.
Provemos então da taça...
Algumas curiosidades:
Durante a Segunda Guerra Mundial, os países ocupados pela Alemanha eram proibidos de ouvir outras rádios que não as indicadas pelo III Reich. Todavia, muitas pessoas desafiavam a proibição para escutar a BBC de Londres, que durante a guerra usou como prefixo as notas iniciais da V Sinfonia de Beethoven, cujas notas - três curtas e uma longa - correspondem a letra "V" - vitória - em código Morse. Nesta, como em outras ocasiões, a liberdade foi associada a Beethoven.
código Morse
Em 1976, o pianista Walter Murphy gravou uma versão em música disco para esta sinfonia, e a lançou como single. O single fez muito sucesso, chegou ao primeiro lugar na Billboard Hot 100 e foi incluído no legendário filme Os Embalos de Sábado à Noite. "A Fifth of Beethoven" é considerada um clássico desse gênero, e frequentemente aparece quando se fala na era Disco.

Uma pesquisa do Programa de Oncobiologia da UFRJ expôs uma cultura de células MCF-7, ligadas ao câncer de mama, à meia hora da obra. Um em cada cinco delas morreu, numa experiência que abre uma nova frente contra a doença, por meio de timbres e frequências.


Maiores informações sobre a pesquisa no link abaixo:

No link disponível a Quinta Sinfonia na íntegra e a versão Disco.



quinta-feira, 17 de julho de 2014

Hino da Alemanha

Após comentar sobre o Hino Nacional Brasileiro, e com o término da Copa do Mundo... Decidi, então, prestar uma homenagem à grande campeã do torneio – A Alemanha!

Sendo assim e seguindo os mesmos moldes do post anterior, discorrerei sobre o Hino Nacional da Alemanha.
Antes, porém falarei de Joseph Haydn...
Joseph Haydn é um dos nomes mais importantes da história da música erudita. Haydn, Mozart e Beethoven, são considerados a trindade do movimento clássico da música erudita.
Nascido na vila de Rohrau, na Áustria, em 31 de março de 1732.Haydn é dono de uma obra grandiosa e com grande importância para o repertório da música erudita. O compositor é tido como o pai do quarteto de cordas e da sinfonia clássica. Foram mais de 100 sinfonias, além de 83 quartetos de cordas e dezenas de criações em diversos gêneros instrumentais e vocais, sacros e profanos.  Faleceu em 1809, aos 77 anos após a tomada de Viena pelo exército francês de Napoleão Bonaparte.
Por que falar de Joseph Haydn?
Para aqueles que não sabem o segundo movimento de seu Quarteto “Imperador”, de 1797, foi posteriormente adotado como Hino Nacional da Alemanha.
O Quarteto de Cordas.
Capa da partitura de Gott Erhält
Franz II
Em seu retorno a Viena, vindo da Inglaterra, Joseph Haydn foi convidado a escrever o Hino Imperial para Franz II, e impressionado que estava pelo God Save The King que ouvira na Inglaterra, esboçou o seu Gott Erhält, Franz den Kaiser ou Deus Salve o Imperador Franz. Esta peça passou a ser o segundo dos quatro movimentos do Quarteto de Cordas nº 62 em Dó Maior, Opus 76, nº 3 – Intitulado: O Imperador.
A Poesia
August Heinrich Hoffmann
von Fallersleben
O poeta e professor de literatura August Heinrich Hoffmann von Fallersleben, nascido em 2 de abril de 1798 em Fallersleben, hoje bairro de Wolfsburg, escreveu várias canções infantis e no ano de 1841, encontrava-se exilado na ilha de Helgoland, dominada na época pela coroa inglesa. Ouvia com frequência hinos homenageando diversos países, exceto a sua Alemanha. Então tomando como base a melodia do Hino do Imperador, escreveu os versos de A Canção dos Alemães (Das Lied der Deustchen). Trata-se de um poema que enaltece sua pátria e o sentimento de orgulho em ser alemão. O refrão "Alemanha, Alemanha acima de tudo, acima de tudo no mundo..." foi frequentemente interpretado como uma arrogância nacionalista, embora a letra tenha sido escrita à época da desagregação política da Alemanha, e visava, antes, expressar o anseio do povo por uma pátria unida. Recebeu quatro moedas de ouro do Império Alemão pelo texto, faleceu em 19 de Janeiro 1874 em Corvey.
Durante o Império Alemão (1871-1918) foi hino nacional popular, exaltando o sentimento nacionalista dos alemães. Terminada a Primeira Guerra Mundial (1918), dando fim ao Império Alemão, o primeiro Presidente da República de Weimar, Friedrich Ebert, elevou a Canção dos Alemães à condição de hino nacional, em 1922.
Segue o poema original, em alemão e traduzido para o português.
Das Lied der Deutschen
A Canção dos Alemães
I
Deutschland, Deutschland über alles,
Über alles in der Welt,
Wenn es stets zu Schutz und Trutze
Brüderlich zusammenhält,
Von der Maas bis an die Memel,
Von der Etsch bis an den Belt
Deutschland, Deutschland über alles,
Über alles in der Welt.
II
Deutsche Frauen, deutsche Treue,
Deutscher Wein und deutscher Sang
Sollen in der Welt behalten
Ihren alten schönen Klang,
Uns zu edler Tat begeistern
Unser ganzes Leben lang.
Deutsche Frauen, deutsche Treue,
Deutscher Wein und deutscher Sang.
III
Einigkeit und Recht und Freiheit
Für das deutsche Vaterland!
Danach laßt uns alle streben
Brüderlich mit Herz und Hand!
Einigkeit und Recht und Freiheit
Sind des Glückes Unterpfand.
Blüh' im Glanze dieses Glückes,
Blühe, deutsches Vaterland.

I
Alemanha, Alemanha acima de tudo
Acima de tudo no mundo,
Quando sempre, na defesa e resistência
Fica unida fraternalmente,
Do Mosa ao Nemen
Do Ádige ao Belt
Alemanha, Alemanha acima de tudo
Acima de tudo no mundo.
II
Mulheres alemãs, fidelidade alemã,
Vinho alemão e canto alemão
Devem manter no mundo
O seu velho e belo som,
Inspira-nos para ato nobre
Durante toda a nossa vida.
Mulheres alemãs, fidelidade alemã,
Vinho alemão e canto alemão.
III
Unidade e justiça e liberdade
Para a pátria alemã.
Zelaremos todos para isso
Fraternamente com coração e mão!
Unidade e justiça e liberdade
São a garantia da felicidade.
Floresça no esplendor dessa felicidade.
Floresça pátria alemã!

Horst Ludwig Wessel
O Governo nazista do Terceiro Reich (1933-1945) utilizou a primeira estrofe da canção, acrescentando o seu brado de guerra "Bandeiras ao alto, cerrar fileiras”, como hino nacional, juntamente com Horst Wessel Lied ("a Canção de Horst Wessel"), também conhecida como "Die Fahne hoch" ("Bandeira ao Alto") foi o hino do Partido Nacional Socialista (NSDAP).
A música foi composta por Horst Ludwig Wessel (nascido em 9 de setembro de 1907), foi um ativista nazi alemão, membro do partido em seus primeiros anos, .transformado postumamente em herói do movimento nazi após seu assassinato em 23 de fevereiro de 1930.
Não colocarei a letra em alemão e a tradução, tampouco a música estará disponível para audição ou download... Aqueles que tiverem interesse em conhecer, procurem no GOOGLE e no YOUTUBE com certeza encontrarão. Isso porque é proibida a sua execução na Alemanha por força da Lei §86 StGB ainda em vigor, e no Brasil conforme determina a Lei nº 7716, Art. 20 § 1º de 05/01/1989, que trata e define os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor, alteração do texto original, através da redação dada pela lei nº 9.459 de 15/05/1997, com pena de reclusão de dois a cinco anos e multa.
Após a queda do Terceiro Reich, em 1945, quando as bandeiras foram recolhidas e a Alemanha estava em ruínas. Dividida em dois países. A luta diária pelo pão e a busca de moradia e emprego eram as principais preocupações do povo. O sentimento de culpa e vergonha pelas atrocidades nazistas também impediam qualquer sentimento patriota. A Constituição Alemã de 1949, na Alemanha Ocidental não estabeleceu um hino nacional. Já a Alemanha Oriental adotou como hino nacional, durante sua existência. A canção cuja letra é de Johannes R. Becher (1891 - 1958), e a melodia de Hanns Eisler (1898 - 1962), e contrariando o hino alemão que vigorou até o nazismo (1933 - 1945), no qual as letras colocavam a Alemanha acima de tudo no mundo, o hino da República Democrática da Alemanha, cujo título é "Reerguidos das Ruínas" (Auferstanden aus Ruinen), evoca a paz e a confraternização entre as nações do mundo.
Johannes R Becher - Hanns Eisler

Auferstanden aus Ruinen
Reerguidos das Ruínas
Auferstanden aus Ruinen
und der Zukunft zugewandt,
laß uns dir zum Guten dienen,
Deutschland einig Vaterland.
Alte Not gilt es zu zwingen,
und wir zwingen sie vereint,
denn es muß uns doch gelingen,
daß die Sonne schön wie nie
über Deutschland scheint,
über Deutschland scheint.
Glück und Frieden sei beschieden
Deutschland, unserm Vaterland.
Alle Welt sehnt sich nach Frieden,
reicht den Völkern eure Hand.
Wenn wir brüderlich uns einen,
schlagen wir des Volkes Feind.
Laßt das Licht des Friedens scheinen,
daß nie eine Mutter mehr
ihren Sohn beweint,
ihren Sohn beweint.
Laßt uns pflügen! Laßt uns bauen,
lernt und schafft wie nie zuvor,
und der eignen Kraft vertrauend
steigt ein frei Geschlecht empor.
Deutsche Jugend: bestes Streben
uns'res Volks in dir vereint,
wirst du Deutschlands neues Leben,
und die Sonne schön wie nie
über Deutschland scheint,
über Deutschland scheint.

Reerguidos das ruínas
E voltados para o futuro,
Sirvamos a ti para o bem,
Alemanha, pátria unida.
Votos antigos há a renovar
E, unidos, assim faremos.
Pois apenas de nós depende
Que o sol, belo como nunca,
Brilhe sobre a Alemanha,
Brilhe sobre a Alemanha.
Conhecerás a alegria e a paz,
Alemanha, nossa pátria.
O mundo inteiro pela paz anseia,
Por isso avançai e estendei as mãos.
Quando nos unimos fraternalmente,
Derrotamos o inimigo do povo!
Que brilhe a luz da paz,
Para que nenhuma mãe volte a chorar
A morte do seu filho,
A morte do seu filho.
Aremos, construamos;
Aprendei e trabalhai como nunca antes
E, com confiança e força,
Uma geração livre despontará.
Juventude alemã, o melhor esforço
do nosso povo concentra-se em ti;
Te tornas a nova vida da Alemanha,
E o sol, mais belo que nunca,
Brilha sobre a Alemanha,
Brilha sobre a Alemanha.


Theodor Heuss
Konrad Adenauer
Somente após o período mais crítico do pós-guerra é que o hino nacional voltou a ser assunto no país. O primeiro presidente da República Federal da Alemanha, Theodor Heuss, optou por novos caminhos e pediu que compositores e poetas apresentassem sugestões de hinos. Apesar do envio de diversas músicas, a população não acreditava que esse fosse o melhor meio para resolver a questão.
Um acontecimento externo foi o estopim para a solução do problema. Quando a equipe alemã de atletismo venceu um torneio em 1951 na Suécia, a orquestra tocou a Canção dos Alemães na solenidade de entrega das medalhas.
Em 1952, Heuss enviou uma carta ao chanceler federal Konrad Adenauer, solicitando que a música de Joseph Haydn fosse novamente reconhecida como o hino nacional. O premiê alemão, por sua vez, determinou que apenas a terceira estrofe do texto de Von Fallersleben fosse cantada em solenidades oficiais.
Segue apenas a terceira estrofe do poema original, em alemão e traduzido para o português.
Das Lied der Deutschen
A Canção dos Alemães
III
Einigkeit und Recht und Freiheit
Für das deutsche Vaterland!
Danach laßt uns alle streben
Brüderlich mit Herz und Hand!
Einigkeit und Recht und Freiheit
Sind des Glückes Unterpfand;
Blüh' im Glanze dieses Glückes,
Blühe, deutsches Vaterland.

III
União e justiça e liberdade
Para a pátria alemã.
Zelaremos todos para isso
Fraternamente com o coração e a mão.
União e justiça e liberdade
São fundamentos da felicidade.
Floresce no brilho desta felicidade
Floresce, pátria alemã!

Com a reunificação alemã em 1990, qual deveria ser o hino do novo país?
Lothar de Maizière

O então primeiro ministro da Alemanha Oriental, Lothar de Maizière, propôs que "Ausferstanden aus Ruinen" fosse o hino da Alemanha unificada, entretanto a proposta foi rechaçada pelo Chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl.

Helmut Kohl
Assim, após a reunificação alemã, o então hino nacional da República Democrática da Alemanha, a canção Reerguidos das Ruínas, passou a ser unicamente um arquivo histórico da música alemã, sendo uma das canções mais belas que existem, entretanto para os alemães que viveram no lado ocidental do Muro de Berlim pouco conhecem a transcendência deste hino patriótico.
Richard von Weizäcker
Assim deixou de ser hino oficial com a reunificação alemã, passando a ser hino da Alemanha unificada o até então hino da República Federal Alemã, Deutschlandlied. Conforme estabelecido em troca de correspondência, de 19 e 23 de Agosto de 1991, entre o Chanceler Federal Helmut Kohl e o Presidente Federal Richard von Weizsäcker confirmando a tradição da "Canção dos Alemães" como exortação à unidade alemã: «Todas as estrofes da canção formam um todo, que é um documento da história alemã (...). A terceira estrofe da ‘’Canção dos Alemães’’, escrita por Hoffmann von Fallersleben com a melodia de Joseph Haydn, é o Hino Nacional do Povo Alemão.»

Em 1995, durante a visita do presidente Roman Herzog ao Brasil, o hino da Alemanha Oriental, que já não era oficial há seis anos, foi erroneamente executado em vez do hino correto.
Em 16 de junho de 2008, a rede de TV suíça, SRG, durante a transmissão da partida entre Alemanha e Áustria pela Eurocopa, equivocadamente colocou a legenda da letra usada pelo regime nazista, o atual hino alemão e o que era usado pelo regime nazista tem a mesma melodia e utiliza o mesmo poema como base, porém utilizando estrofes diferentes, tal fato levou a emissora pedir desculpas solenes por tal falha.

A polêmica da letra está nas duas primeiras estrofes que embora indiretamente, remetem ao nazismo, com frases que enaltecem a superioridade alemã em relação aos demais países e também referências claramente machistas. Não é mais proibido por lei cantar tais estrofes, mas por questões nacionalistas os alemães cantam somente a terceira estrofe. Isso quando cantam! A maioria apenas põe-se em posição ereta e escuta a execução do hino nacional. A demonstração do nacionalismo, da exaltação à pátria, é um tabu até hoje, em virtude do passado nazista recente. O patriotismo exacerbado há 70 anos levou o país a uma situação caótica que culminou com a maior atrocidade da história moderna. Muitos alemães ainda têm problema em sentir orgulho pela pátria, hastear bandeiras ou cantar hinos, situação que mudou radicalmente, pelo menos entre os jovens, na Copa Mundial de 2006, quando o espírito patriótico ressurgiu.
No link pode se ouvir e baixar os quatro movimentos do Quarteto de Cordas de Joseph Haydn, o hino alemão instrumental, a canção com a letra completa e apenas a terceira estrofe e o Hino da Alemanha Oriental.

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