sexta-feira, 19 de setembro de 2014

PRIMAVERA

Dia 22 de Setembro de 2014, às 23 horas e 29 minutos, terá início a Primavera no Hemisfério Sul do Planeta.
Se a natureza não estiver totalmente desequilibrada por obra do ser humano recomeçam as chuvas que marcam o período de transição entre a estação seca e a estação chuvosa.
Além das chuvas caracteriza a estação o reflorescimento das flores. As paisagens ficam mais coloridas com a grande diversidade de flores.
A estação é bastante celebrada em todas as culturas, pois marca o fim do inverno, estação sempre associada ao mau tempo, desconforto e em termos históricos escassez de comida, tanto que diversos compositores renderam em sua obra algo relacionado à estação, tais como:

- As quatro estações de Antônio Vivaldi;
- O oratório As Estações de Joseph Haydn;
- A sagração da Primavera de Igor Stravinsky;

- Valsa das Flores, na suíte o Quebra Nozes de Piotr Tchaikovsky;
- Vozes da Primavera de Johann Strauss II;
- Canção da Primavera de Felix Mendelssohn Bertoldy;


- Murmúrio de Primavera de Christian Sinding;
- A última primavera de Edvard Grieg;
- Canção de Ninar Primaveril de Joaquin Rodrigo;


- Primavera Apalache de Aaron Copland
- Sonata para Violino Nº 5 em Fá maior, Op.24 – Primavera - de Ludwig van Beethoven
- As estações portenhas de Astor Piazolla;

- Primavera - Suíte Sinfônica de Claude Debussy.

Sendo a mais popular “As Quatro Estações de Vivaldi, que tem diversas interpretações, com os mais diversos instrumentos. No link uma versão em violões e outra em acordeão.

Na primavera, o bom tempo permite que se abram as janelas nas casas para que fiquem arejadas depois de meses completamente fechadas durante o inverno. As pessoas também costumam livrarem-se de algumas das coisas velhas que tinham guardadas e compram coisas novas.

Com tudo isto, o homem do campo se prepara para deitar ao solo as sementes que produzirão os frutos no outono.

E então é interessante lembrar desta passagem bíblica:
O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo, mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe:
Senhor! Não semeaste, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio?
E ele lhes disse:
Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram:
Queres que arranquemos?
Ele, porém, lhes disse:
Não! Para que colhendo o joio, não arranqueis também o trigo com ele.
Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros:
Colha primeiro o joio, e atai-o em molhos para queimar, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.
Mateus 13:24-30


O que semeia a boa semente é o Filho do homem, o campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno. O inimigo, que o semeou, é o diabo; a ceifa é o fim do mundo; os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.
Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade.
E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Mateus 13:37-43

Por fim,

“Vai-te ao longo da costa discorrendo,
e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto donde o Sol ardendo
iguala o dia e noite em quantidade.”

Lusíadas, Cap. II, quadra 63.

Nesta data dia e noite têm igual duração.
Quando se procura saber a que horas é que o Sol hoje nasceu e a que horas será o ocaso,  pode vir uma informação como o Sol nasceu às 06h41 e irá pôr-se às 18h49. Então o dia terá 12 horas e 8 minutos e não às 12 horas certas que teria de acordo com a definição de equinócio.


Como a Terra tem à sua volta uma atmosfera, a luz do Sol que chega até nós tem que a atravessar. Essa camada gasosa, semelhante a uma lente desvia ligeiramente a luz. Essa refração é mais intensa junto ao horizonte. A refração junto ao horizonte é suficiente para nos deixar ver o Sol quando ele ainda está abaixo do horizonte, acrescentando assim alguns minutos ao dia.


A forma e tamanho aparentes do Sol também influenciam na duração do dia. O Sol nasce quando o bordo superior surge acima do horizonte e o ocaso ocorre quando o bordo superior desaparece abaixo do horizonte. Entretanto o que marca o Equinócio é a trajetória aparente do centro do disco solar. Sendo assim aproveitem bem esses minutos a mais…




quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Debussy


Claude Achille Debussy nascido em Saint Germain-em-Laye nas proximidades de Paris na França no dia 22 de Agosto de 1862, filho de Manuel Achille Debussy e Victorine Josephine Sophie Manoury. Era o mais velho dos cinco filhos. Em 1867 a família mudou-se para Paris. Seu pai não se fixava em emprego algum, enquanto que sua mãe era costureira sustentava o lar com os poucos recursos que tinha.  A precária educação das crianças foi confiada a sua tia paterna Clémentine Debussy. Apenas Claude teve o triste privilégio de ser educado pela mãe, mulher que jamais suspeitou de sua natureza excepcional.  A educação que transmitiu a Claude se limitou aos rudimentos de leitura, escrita e noções de cálculo. Nunca frequentou a escola. Autodidata, chegou a tornar-se um homem culto, embora revelasse algumas lacunas em sua formação.  Passando uma temporada com a tia Clémentine, sua madrinha, em Cannes, ainda menino, recebeu ali as primeiras aulas de piano.
Mathilde Mauté de Fleurville
E por volta de 1871 conheceu sua professora e incentivadora Madame Mathilde Mauté de Fleurville, uma exímia pianista e ex-aluna de Chopin, que depois de ouvir o menino ao piano, percebendo sua vocação musical, se predispôs a dar-lhe aulas gratuitamente. Ela preparou o jovem para admissão no Conservatório de Paris, foram quase dois anos de preparativos e logicamente Chopin tornou-se, para ele, um dos grandes modelos a serem seguidos. Em outubro de 1872. Debussy contava dez anos ao entrar para a classe de piano de Marmontel. Mas o professor diria depois: "Ele não se interessa muito pelo piano, mas adora música". Aos 11 anos chamava atenção de seus mestres, Ernest Giraud e Albert Lavignac, pela criatividade. Com Durand e Bazille, seus professores de harmonia e acompanhamento, respectivamente, foram diversos dissabores provocados pela incompreensão de seu talento. Debussy não se adaptava ao ensino acadêmico imposto no conservatório. Insucessos nos concursos de piano que participou, fizeram com que desistisse da carreira como concertista, preferindo seguir como compositor. Datam de 1876 as primeiras composições, nascidas de improvisações ao piano.
Em 1884, após receber o Grande Prêmio de Roma de Composição, com o resultado do concurso passou a estudar durante três anos na Villa Medici, por conta do Estado Francês, mas com o compromisso de anualmente compor uma partitura que seria examinada pelos professores do conservatório de Paris. Entretanto tudo o desagradava em Roma, o clima, disciplina, colegas, por várias vezes quis abandonar tudo e voltar para Paris. Lia muito nas horas vagas e tocava Bach ao piano.
Em 1887, na cidade de Paris frequenta as reuniões semanais na casa do poeta Stephane Mallarmé, envolvendo-se com a vanguarda artística e literária. Não gostava da convivência com outros músicos e por vezes se apresentava como jardineiro, isto porque não gostava da música francesa da época, gostava apenas de Massenet. Conhece Gabrielle Dupont, com quem vive junto durante dez anos.
Nadezha von Meck
Em 1892 Debussy começou a compor o Prélude à Aprés-Midi d’un Faune (Prelúdio para a Tarde de um Fauno), partitura concluída dois anos depois e considerada sua primeira obra prima. Em Viena conhece Brahms, no ano seguinte Tristão e Isolda de Wagner deixa o compositor bastante impressionado, Em 1889, toma contato com a música do Oriente.
Nadezhda von Meck, protetora de Tchaikovsky ao ouvir falar de seu talento promissor convidou-o a integrar como pianista um trio musical que apadrinhava, e nesse convívio teve contato com a obra de Mussorgsky que influenciou sua maneira de compor.

Marie Rosalie "Lilly" Texier
Emma Bardac
Casa-se em 19 de Outubro de 1899 com Marie Rosalie Texier, uma costureira.  Entre 1902 e 1904, compõe a maior parte de La Mer. O relacionamento durou apenas cinco anos, entra em sua vida Emma Bardac, esposa de um banqueiro e ex-amante de Gabriel Fauré, com ela inicia uma nova relação sentimental, Rosalie ao saber que fora trocada por outra, mais rica e sofisticada, tenta o suicídio, sem sucesso. O caso provoca um escândalo, sendo criticado por sua atitude, até mesmo pelos amigos mais próximos. Apesar de tudo, consegue o divórcio em 1908 e finalmente casa-se com Emma.

O reconhecimento de seu talento como compositor ocorrera somente em 1902 com a estreia da ópera Pélleas et Melisande. Em 1905, concluiu sua principal obra sinfônica La Mer, que é a impressão musical da imagem e do som do oceano.
Em 30 de Outubro de 1905, havia nascido sua filha com Emma, Claude-Emma Debussy, sua suíte de piano Children’s Corner composta entre 1906 e 1908 é dedicada a pequena Chouchou, apelido de sua filha.
Debussy & Chouchou
Debussy tornou-se inimigo das grandes orquestras, passando a dar mais importância aos acordes isolados, timbres, pausas e ao contraste entre registros. Queria compor com liberdade, fora das regras tradicionais.
Os anos finais de sua vida foram em Paris, marcados pelo aparecimento de um câncer, que tomou conhecimento em 1909. A maior parte de sua obra tardia constitui-se de música de câmara, incluindo três extraordinárias sonatas para violoncelo, para violino e para flauta, viola e harpa. Com o organismo solapado pelo câncer, Debussy trabalhou com notável coragem. A eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, roubou-lhe todo o interesse pela música. Após um ano de silêncio, ele percebeu que tinha de contribuir para a luta da única maneira que podia, "criando com o melhor de minha capacidade um pouco daquela beleza que o inimigo está atacando com tanta fúria." Uma de suas últimas cartas fala de sua "vida de espera - a minha existência sala de espera, eu poderia chamá-la - porque sou um pobre viajante esperando por um trem que não virá." Seu último trabalho, a Sonata para Violino e Piano L 140, foi executado em maio de 1917, com ele ao piano. Ele tocou essa mesma peça em setembro, em Saint-Jean-de-Luz. Foi a última vez que tocou em público. Debussy morreu em 25 de março de 1918, durante o bombardeio de Paris, durante a última ofensiva alemã da Primeira Guerra Mundial. Encontra-se sepultado no Cemitério de Passy, em Paris. Pouco tempo depois, em 14 de julho de 1919, também morreria sua filha, Chouchou, de difteria. Ela foi sepultada no túmulo de seu pai, em Passy.
As suas composições mais conhecidas são: "Claire de Lune" (1890-1905), "Prélude à l'aprés-midi d'un faune" (1894) com que, para Pierre Boulez, começou a Música moderna, e "La Mer" (1905).
A música inovadora de Debussy agiu como um fenômeno catalisador de diversos movimentos musicais em outros países. Na França, só se aponta Ravel como influenciado, mas só na juventude, não sendo propriamente discípulo. Influenciados foram também Béla Bartók, Manuel de Falla, Heitor Villa-Lobos e outros. Toda a arte de Debussy foi uma lição de inconformismo.

Como curiosidade: Encontro alguma semelhança entre Riverie e Chovendo na Roseira de Tom Jobim:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-UWY2Nzh5bWZSNk0?resourcekey=0-RNvWfi_fU5B52TxxQcAuBA&usp=sharing



Como sempre, para ouvir ou baixar, acesse o link abaixo:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-cEthSXNFc1V2YWc?resourcekey=0-o2SDj1vHxCTp21_MnwGjqQ&usp=sharing

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

MUZIO CLEMENTI


Nascido em Roma na Itália no dia 23 de Janeiro de 1752, era o mais velho dos sete filhos de Nicolò Clementi, um ourives respeitável na região e também um músico amador, e de Magdalena Kaiser, de origem alemã.
Com grande talento musical, teve como primeiro mestre de música o organista Buroni, com ele teve aulas de piano e harmonia, posteriormente estudou contraponto com Gaetano Carpani e técnica vocal com Giuseppe Santarelli, e órgão com Giovanni Corticelli, aos 12 anos de idade foi nomeado organista da Igreja San Lorenzo, nesta mesma época compôs o oratório Martirio dei glorioso santi Girolamo e Celso.
O inglês Peter Beckford impressionado com seu talento o levou para Dorsetshire, interior da Inglaterra, onde estudou arduamente entre os anos de 1766 a 1773, praticando cravo e produzindo suas primeiras composições. Com o passar dos anos alcançou a fama como concertista e professor.
Joseph II
Foi cravista e diretor da orquestra da Opera Italiana de Londres em 1780. Nesta época tornou-se conhecido ao compor três obras, Opus 2, 3 e 4, sendo duas das seis sonatas para piano e uma com três peças à quatro mãos e três sonatas a duas mãos. No ano seguinte viajou para Munique, Estrasburgo e Viena na sua primeira turnê. Nesta última cidade tocou com Mozart, de quem adquiriu antipatia, numa exibição para o imperador Joseph II.
Após a turnê retornou à Londres em 1783, estabelecendo-se como pianista, professor e empresário, associando-se a uma editora de partituras e uma fábrica de pianos, a Clementi & Company.

Foi, provavelmente, o primeiro compositor a escrever peças dedicadas às possibilidades dinâmicas do então novo instrumento de teclas e cordas percutidas: o piano.
Meyerbeer
Teve como alunos Johann Baptist Cramer e Giacomo Meyerbeer, sendo que com eles se apresentou em várias cidades europeias. Em 1802 teve início outra turnê por Paris, Viena e São Petersburgo, desta vez com John Field e com propósitos mais comerciais como a venda de instrumentos. Field ficou em São Petersburgo e ele voltou para Londres para assumir o cargo de Diretor da Phillarmonic Society.
No mesmo ano casou-se com a berlinense Carolina Lehman, que morreu um ano depois durante o nascimento de seu filho Carlo. Em 1807 sua fábrica de pianos foi destruída pelo fogo. Casou-se novamente em 1811 com Emma Gisbome, com quem teve quatro filhos.

D.Scarlatti                        C.P.E. Bach                       J.C. Bach

Foi desenvolvedor da técnica para piano, utilizando como exemplos as sonatas para cravo de Domenico Scarlatti e do estilo das composições de Carl Philipp Emanuel Bach e seu irmão mais novo, Johann Christian Bach, filhos de Johann Sebastian Bach. Por sua técnica influenciou compositores como Johann Baptist Cramer, Ignaz Moscheles, Frederic Kalkbrenner e Carl Czerny.
J.B. Cramer       I. Moscheles       F. Kalkbrenner          C.Czerny  

Suas sonatas foram as primeiras escritas especialmente para piano, e não para cravo. Também adicionou ainda à sonata o terceiro movimento, além dos dois que eram típicos no estilo italiano, dando à sonata um novo nível de desenvolvimento e obtendo assim grande sucesso.

Beethoven foi um estudioso tanto de sua técnica pianística quanto composicional. Clementi admirava Beethoven, sendo o executante mais admirado de suas peças para piano e editor de suas composições no Reino Unido.

Suas obras mais famosas são a Sonatina em dó maior, Opus 36 número 1, e os três volumes pedagógicos intitulados Gradus ad Parnassum (1817 /1819 /1826), que serviram de base a todas as produções do gênero.

Além destas obras foram 106 sonatas para piano, muitas sinfonias, aberturas etc, entretanto grande parte de suas partituras se perderam ou ficaram incompletas.
Suas sinfonias que, juntamente com a Sinfonia em Ré Maior de Cherubini, são as únicas obras de compositor italiano que se comparam com as grandes sinfonias vienenses da época.

Faleceu no dia 10 de março de 1832, aos 80 anos, em sua propriedade de Evesham em Worcestershire, perto de Londres, sendo sepultado no claustro da Abadia beneditina de Westminster, onde também foram enterrados Isaac Newton e Charles Darwin, entre outros.

Para ouvir e acessar a parte da obra deste compositor clique no link abaixo:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-dU9jQ2NiTVZyRVk?resourcekey=0-4tNblwYwPLYw4iKzH5fc2A&usp=sharing

terça-feira, 26 de agosto de 2014

CONCERTO DE ARANJUEZ - J.RODRIGO

CONCERTO DE ARANJUEZ

Com a deflagração da Guerra Civil Espanhola em Julho de 1936, o compositor Joaquin Rodrigo passou a viver como nômade, estando ora em uma cidade ou país, ora em outro. Na primavera de 1938, em Paris, num encontro, com o violonista Regino Sainz de la Maza e o Marques de Bolarque, foi lhe sugerido a que compusesse um concerto para violão, algo inédito até então. Nascia ali a semente de seu trabalho mais reconhecido no mundo todo - o Concerto de Aranjuez!
Joaquin Rodrigo                           Regino Sainz de la Maza
Com o término da Guerra Civil em Abril de 1939, em setembro do mesmo ano, o casal, Joaquin Rodrigo e Victoria Kamhi, retornou a Madrid e na bagagem trazia o manuscrito completo do Concerto de Aranjuez. Totalmente escrito em Paris, longe da tensa situação política vivida na Espanha, com o cruel conflito e na iminência da Segunda Grande Guerra Mundial, foi neste contexto que nasceu esta linda obra.
O Concerto de Aranjuez é uma composição musical para violão clássico e orquestra. Poucas vezes o som do violão se entrelaça com música produzida por toda a orquestra, os solos do instrumento se destacam em todos os momentos. A intenção da obra era descrever os jardins do Palácio Real de Aranjuez, a residência de verão do Rei Felipe II na segunda metade do século XVI, e reconstruído em meados do século XVIII por Fernando VI. A beleza de seus jardins é indescritível. Dividido em três movimentos: Allegro con spirito, Adagio e Allegro gentile.
Allegro con spirito, o primeiro movimento, tem como base um fandango. Um tema para o violão. A orquestra com o violão contrastando com os outros instrumentos como - violoncelo, clarinete, oboé e flauta.
O Adagio, o mais conhecido dos três, tem ritmo lento e melodia calma, um suave acompanhamento de violão e cordas. Há diálogo entre o corne inglês e o violão. Existe um crescendo na melodia com o acompanhamento dos instrumentos de sopro, mas gradualmente relaxando para a melodia com arpejos de calma do violão. O adagio é lírico, baseado nas melodias cantadas na Semana Santa.
Guernica bombardeada
Rodrigo e Victoria mantiveram silêncio por muitos anos sobre as fontes do segundo movimento, suspeitava-se que houvesse sido sugerido pelo bombardeio de Guernica, em 1937. Entretanto em sua autobiografia, Victoria afirma que é trata-se de uma lembrança dos dias felizes da lua de mel, e também uma resposta à tristeza pela perda do primeiro filho do casal.
Terceiro e último movimento - Allegro gentile, um único tema repetido várias vezes pelo violão e com orquestração. O Concerto termina romântico.
O título da obra remete ao nacionalismo espanhol do compositor. Aranjuez é uma cidade na Nova Castela, ao sul de Madrid, conhecida pela imponência de seu castelo, erguido no século XVIII. Rodrigo dizia ser a obra uma visita "aos tempos passados, à beleza dos jardins de Aranjuez, suas fontes, árvores e pássaros". O Concerto de Aranjuez representa, na verdade, a vitória do espírito sobre o corpo.
Na estreia em Nove de Novembro de 1940, o solista foi Regino Sainz de la Maza, aquele que sugeriu a composição, acompanhado pela Orquestra Filarmônica de Barcelona, regida por César Mensoza Lasalle, no "Palau de la Musica Catalana", em Barcelona, sendo o primeiro concerto de violão e orquestra da História da Música.
Até a sua estreia, não havia uma obra que apresentasse um violão como instrumento solista. Entretanto a sua execução é uma das maiores dificuldades, pois o concerto foi escrito ao piano, obrigando o intérprete a um virtuosismo sem igual.
Rodrigo tentou inspirar os intérpretes do Concerto: "Eu queria indicar uma época específica, o final do século XVIII e o dos século XIX, as cortes de Carlos IV e Fernando VII, uma atmosfera de majas, toureiros, e sons espanhóis regressos da América."
Estreou em Madrid apenas no dia 12 de fevereiro de 1941, no Teatro Espanhol de Madrid, sobre a direção de Jesús Arámbarri, também com Regino Sainz de la Maza como solista. Posteriormente seria publicada pela Literaria Sociedad General de Autores de España, em 1949.
Em 1991 Paco de Lucia gravou Concerto de Aranjuez com a Orquestra de Cadaqués. Rodrigo esteve presente nas gravações, e teria dito que nunca ninguém tinha tocado a sua peça com tanta paixão e intensidade como Paco de Lucia.
O Concerto teve até hoje mais de 50 gravações e a mais vendida é a do violonista Paco de Lucía. Foi até levado para a Lua, em 1969, para inspirar o astronauta americano Neil Armstrong.
Esta obra musical colocou o violão como instrumento clássico, até então considerado como folclórico. É também considerada a música espanhola mais interpretada em todo o mundo, e, em particular, o seu adagio.

No link abaixo, pode-se acessar várias versões da obra:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-NWRMWVNmei1keFE?resourcekey=0-_lxBs0tExU-CPaDQhKXs9g&usp=sharing

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

JOAQUIN RODRIGO

Joaquín Rodrigo


"Eu só queria que fosse bom. Que desse prazer." Explicando seu sentimento e desejo ao escrever o Concerto de Aranjuez.

Joaquin Rodrigo Vidre, Marquês dos Jardins de Aranjuez, nascido em Sagunto na Espanha no dia 22 de novembro de 1901. Caçula dentre seus dez irmãos, filho de Juana Ribelles e um comerciante e proprietário de terras, Vicente Rodrigo Peirats.


Em 1905 um surto de difteria atingiu Sagunto ceifando a vida de muitas crianças, Joaquin Rodrigo sobreviveu, mas teve como sequela a perda total da visão. Anos mais tarde, sem amargura alguma, que tal fato foi provavelmente o que o conduziu à música. "As pessoas cegas são mais felizes, talvez por causa deste rico mundo que permite os voos da imaginação."
Partitura em Braille
Pouco tempo depois a família muda-se para Valencia, ingressa numa escola especial para meninos deficientes visuais. Demonstra interesse pela literatura e pela música, principalmente pelo fato de sua família frequentar teatro e como não podia ver, aprecia as músicas tocadas.
Teve aulas com professores do Conservatório de Valência, aulas de harmonia e composição com Francisco Antich, e influenciaram na sua formação musical Enrique Gomá e Eduardo Lopez Chavarri.
Sua família contratou Rafael Ibañez, que se tornou seu melhor amigo, para servir como secretário, copista e leitor de obras literárias espanholas, trabalhos filosóficos e tudo mais que fosse necessário. Dizia ele: Rafael me emprestou os olhos que eu não tinha.
Tornou-se um excelente pianista já no início dos anos 20. Fazia algumas pequenas composições. Escreveu Dois Esboços para Violino e Piano, sua Opus nº 1 em 1923. Ainda neste ano compôs uma Suíte para Piano, Cançoneta para Violino e Orquestra de Cordas, Ave Maria, e La Berceuse de Outono apenas para piano, e orquestrada nos anos 1930 e incorporada à Música para um Jardim em 1957. Rodrigo escrevia todas as suas peças em Braille.
Em 1924, Juglares, seu primeiro trabalho para orquestra foi executado com sucesso pela Orquestra Sinfônica de Valência sob a regência de Enrique Esquerdo.
Participou de uma competição nacional em 1925 com Cinco Peças Infantis, recebendo menção honrosa do júri.
Paul Dukas
Dois anos depois mudou-se para Paris, e começou a estudar com Paul Dukas na École Normal de Musique, com quem estudou por cinco anos, Dukas o considerava como o melhor compositor espanhol que conhecera até então.
Conheceu Manuel de Falla que acabara de entrar na Legion D’ Honneur Francesa, este insistiu que no concerto apresentado em sua cerimônia de ingresso fossem tocadas músicas de outros compositores espanhóis, e não somente dele, sugerindo Halffter, Turina e Rodrigo. Joaquin sempre agradeceu a oportunidade de apresentar e interpretar a sua própria música a uma plateia tão distinta e bem informada.
Joaquin Rodrigo e Victoria Kamhi
Conheceu Victoria Kamhi, pianista turca, com quem se casou em 1933. Abdicou de sua carreira para dedicar-se exclusivamente a Joaquin Rodrigo.
Anos mais tarde, Victoria, publicou a biografia De la mano de Joaquin Rodrigo – Historia de Nuestra Vida, narrando sua juventude, namoro com Rodrigo e a história de suas vidas.
No seu retorno à Valência, Rodrigo compôs Cântico de la Esposa com letra de San Juan do Cruz, e o poema sinfônico Per la Flor de Lliri Blau, obra que lhe valeu o prêmio do Círculo de Belas Artes de Valencia. Com apoio de Manuel de Falla conseguiu em Madrid, adquiriu a Conta de Bolsa de Estudos de Cartagena que lhe permitiu o regresso à Paris juntamente com Victoria.
Começa a compor incessantemente, neste período surgiram algumas de suas obras mais importantes para piano. Assistia à aulas de Maurice Emmanuel e André Pirro, e algumas aulas de Paul Dukas, com estas aulas solidificou sua base musical.
Mudou-se para Austria para comentar o Festival de Verão de Salzburgo, como correspondente da revista Le Monde Musical e do diário Las Provincias, foi em Salzburg que compôs o tributo à memória de Dukas, a Sonata de Adiós.
Com uma nova extensão da bolsa de estudos partiu para Baden-Baden, na Alemanha em junho de 1936, entretanto com inicio da Guerra Civil Espanhola em 18 de Julho de 1936, houve um corte na bolsa e viveu juntamente com a esposa de aulas de espanhol e música num quarto do asilo para cegos de Friburgo, onde foram acolhidos como “refugiados espanhóis”. Rodrigo realizou um estudo do canto dos pássaros, e compôs dentre outras canções a Cancion del Cucu, inspirada pela beleza dos arredores, com letra de Victoria.
Regino Sainz de la Maza
Na primavera de 1938, foi convidado a ministrar aulas durante o verão na Universidade de Santander. Fez amizades com os escritores Gerardo Diego e Damaso Alonso, e com o crítico Eugenio D’Ors. Num encontro, durante uma viagem a Paris, com o Regino Sainz de la Maza e o Marques de Bolarque, sugeriram a Joaquin que compusesse um concerto para violão. Este trabalho seria o Concerto de Aranjuez.



Em 1939, Manuel de Falla propôs que assumisse uma cadeira de professor de música na Universidade de Granada ou na Universidade de Sevilha, e Antonio Tovar ofereceu um cargo no Departamento de Musica da Radio Nacional Espanhola. O casal queria se estabelecer em Madrid e assim optaram pela oferta de Tovar.
Manuel de Falla                 Antonio Tovar
Chegaram a Madrid, em Setembro de 1939, dois dias antes de explodir a Segunda Grande Guerra Mundial, trazia consigo o manuscrito completo do Concerto de Aranjuez. De acordo com o próprio compositor trata-se de uma visita "aos tempos passados, à beleza dos jardins de Aranjuez, suas fontes, árvores e pássaros". Esta obra representou um dos grandes impulsos que elevaram o violão, frequentemente considerado um instrumento "folclórico", a um instrumento erudito.
Aranjuez - Madrid
Os anos 40 foram de grande importância na vida de Joaquin Rodrigo, naquele período, foi chefe da seção de arte e de propaganda da ONCE, foi aconselhador de música da Radio Nacional. Em 1941 nasceu sua primogênita Cecília. Recebeu o Prêmio Nacional de Música pelo Concierto Heroico para piano e orquestra em 1942. No mesmo ano passou a ser crítico musical dos jornais Pueblo, Marca e Madri. Foi diretor do Departamento de Música da Radio Nacional entre 1944 e 1945. Dirigiu a Classe de Música Manuel de Falla desde a sua criação em 1947 e ao longo de trinta anos na Universidade de Madrid. Em 1948, para as comemorações dedicadas a Miguel de Cervantes criou a obra Ausências de Dulcinéia, premiada com o Prêmio Cervantes.

Andrés Segovia

Em 1954, compôs a Fantasia para um Gentilhombre para violão e orquestra para Andrés Segóvia. Diversos foram os prêmios e honrarias recebidos em reconhecimento de seu trabalho tanto na Espanha como em outros países.
Em 1986, escreveu e apresentou uma de suas ultimas obras: Canção de San Francisco de Assis para coro e orquestra.
                         Rei Juan Carlos I                                 Prêmio Príncipe de Astúrias

Em 1991, o Rei Juan Carlos I deu-lhe o título de Marques dos Jardins de Aranjuez, cinco anos depois recebeu o Prêmio Príncipe de Astúrias, pela contribuição a musica espanhola. Ao receber o prêmio, considerado, a mais alta distinção da Espanha, ele perguntou: "Por que eu?"
Sua companheira e colaboradora, Victoria falece em 21 de Julho de 1997, quase dois anos depois faleceu na sua casa em Madrid, rodeado por sua família, no dia 06 de julho de 1999. Os restos mortais Joaquin e Victoria descansam juntos na abóbada familiar do cemitério de Aranjuez.

Rodrigo foi autor de onze concertos para diversos instrumentos, mais de 60 canções, peças para orquestra e para instrumentos solo, pelo menos 27 peças para violão, além de música para teatro e cinema. Foi o Concerto de Aranjuez que o consagrou mundialmente. O autor teria dito que nunca ninguém tinha tocado a sua peça com tanta paixão e intensidade como Paco de Lucia.

Rodrigo desafiava as teorias com um insistente otimismo: "Tudo o que é belo permanecerá." Àqueles que questionam sua obra Rodrigo continuaria respondendo como costumava: "Meu copo pode ser pequeno. Mas é do meu próprio copo que bebo."


A maioria das peças citadas encontram-se no link abaixo:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-MFFUR0Q1OExtM0E?resourcekey=0-zcoXi8L3iUUEuwRRcyTI6g&usp=sharing