quarta-feira, 8 de outubro de 2014

ERNESTO NAZARETH

Compositor brasileiro dotado de uma extraordinária originalidade, porque transita com fôlego entre a música popular e erudita, fazendo-lhe a ponte, a união, o enlace. (Mario de Andrade)

Na região do Porto do Rio de Janeiro, Bairro Cidade Nova, na encosta do Morro do Nheco (atual Morro do Pinto) na Rua do Bom Jardim (hoje Rua Marquês de Sapucaí) na modesta casa de número 9, nascia Ernesto Júlio Nazareth, no dia 20 de Março de 1863, filho do despachante aduaneiro Vasco Lourenço da Silva Nazareth e de D. Carolina Augusta da Cunha Nazareth, pianista.
O país vivia períodos caracterizados por grandes mudanças e instabilidade social e política no país, como a guerra do Paraguai, o movimento abolicionista e a instauração da República.
Ainda na infância, sofreu uma queda que lhe afetou o ouvido direito, causando problemas auditivos que lhe acompanhariam por toda a vida.
Os pais e irmão (a mãe
aparece grávida de Ernesto
na foto)
Os saraus familiares eram comuns em sua residência, tendo assim início o seu convívio com a música. Por sua mãe foi apresentado ao piano e com ela aprendeu os primeiros acordes de Chopin, Mozart e Beethoven, também músicas populares da época como polcas, valsas e modinhas.
Charles Lucien Lambert
Aos dez anos de idade, com o falecimento de D. Carolina, sua mãe, a educação do garoto ficou a cargo de seu pai, que contratou o jovem pianista amador Eduardo Rodolpho de Andrade Madeira, um amigo da família para dar continuidade à sua educação musical. Charles Lucien Lambert, professor de piano norte americano de Nova Orleans, radicado no Rio de Janeiro, também lhe ministrou algumas lições, passando desde então a formar-se autodidaticamente.
Em 1877, aos 14 anos de idade, estudando no Colégio Belmonte - foi colega de Olavo Bilac - iniciou suas composições. Sua primeira música foi "Você Bem Sabe", dedicada a seu pai, e editada pela Casa Arthur Napoleão, que durante muito tempo foi o principal centro musical no Rio de Janeiro, seu proprietário ficou entusiasmado com o novo ritmo. A partir daí outras obras vieram como: “Gentes! O imposto pegou”, “Gracieta”, “O nome dela” e “Cruz, Perigo!”.
Sua primeira apresentação pública aconteceu aos 17 anos de idade no Club Mozart. No ano seguinte, em 1881, compôs a polca "Não caio noutra!", seu primeiro grande sucesso, com diversas reedições.  Nos anos que se seguiram apresentou-se em diferentes clubes da corte, inclusive no Club Rossini em São Cristóvão. Naquela época, a polca, pelo seu aspecto brejeiro e alegre, fazia bastante sucesso.
Ernesto Nazareth e Teodora Amália de Meireles
Os filhos:
 Eulina - Diniz (alto)
Maria de Lourdes e Ernestinho (abaixo)
Em 14 de julho de 1886, aos 23 anos de idade, casou-se com Teodora Amália de Meireles, a quem dedicou o tango "Dora", nome pelo qual era tratada na intimidade. O casal teve quatro filhos: Eulina, Diniz, Maria de Lourdes e Ernestinho.
A partir de 1889, a agora Casa Arthur Napoleão e Miguez, passou a publicar a "Revista Musical e de Belas-Artes", situada na Rua do Ouvidor, o estabelecimento propiciou ao compositor valiosas relações com o mundo musical de então. Daí em diante, passou a ser um profissional do piano e da música.
"Brejeiro," composto em 1893, uma de suas composições mais famosas, é lançado pela Casa Vieira Machado, com a qual alcançou sucesso nacional e internacional, foi considerado o marco do tango brasileiro, foi publicada em Paris e nos Estados Unidos em 1914. Em razão de dificuldades financeiras, Nazareth vendeu os direitos dessa peça para Editora Fontes e Cia. por 50.000 réis, anos mais tarde foi gravado pela banda da Guarda Republicana de Paris.
Catulo da Paixão
Cearense
Seu primeiro concerto como pianista aconteceu no Salão Nobre da Intendência de Guerra, por iniciativa do Clube São Cristóvão no Rio de Janeiro, em 1898.
A primeira gravação de sua autoria, o tango brasileiro, “Está Chumbado”, foi realizada pela Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro em 1902.
O cantor Mario Pinheiro grava “Brejeiro”, com o título de “O sertanejo enamorado”, com letra de Catulo da Paixão Cearense, em 1904. (Link da música na voz de Vicente Celestino): https://drive.google.com/folderview?id=0B9F356bpnhA-YXlWX3dFSVJGQ0U&usp=sharing

O SERTANEJO ENAMORADO (Brejeiro)
Ai, ladrãozinho,
Nesse lábio de coral
Dá-me um beijinho
Não te pode, fazer mal

És tão sestrosa
Não há como tú
Flor tão cheirosa, não há
(para ladrão)
Não me apoquentes, assim,
Ai de mim
Ai, ai, ai de mim

Teu lábio cheira
Como um galho de Alecrim
Tú és faceira
Queres dar, cabo de mim

Ouve um suspiro de amor
Estes ais,
Que dá um martírio de dor, ora meu Deus !
Como é penoso viver, a gemer
Ai, ai a gemer.

Eu canto em minha viola, ternuras de amor
Mas de muito amar
O choro, as mágoas consola
Teu belo rigor, quer minha vida acabar

Eu sou Jaçanã ferida
Gemendo de amor
Lá na solidão
Minh'alma no peito vencida
Soluça de dor
Nesta pobre canção

Na minha choça, seu escravo, sou até
Tenho uma roça e uma casa de sapé
Foi para dar-te que a fiz e que vivo
Por amar-te feliz
Valha-me Deus
Nela contigo serei
Mais que um rei
Há, ai ! Mais que um rei

Como eu sou rico, se me cresce, o milharal
Ai, como fico, se floresce, o cafezal
Mas fico mudo, sem ti chora tudo
Tudo, tudo daqui, úi, úi, úi!
Quando me negas ó flor, teu amor,

Ai ! O teu amor !



É nomeado, em 1907, terceiro escriturário do Tesouro Nacional. Ficando pouco tempo na função, vivendo exclusivamente de música, com aulas particulares de piano e tocando em casas de música, de família e clubes. Em 1908, empregou-se como pianista na Casa Mozart. 
Fachada do Cinema Odeon

De 1909 a 1913, e de 1917 a 1918, trabalhou na sala de espera do antigo Cinema Odeon (anterior ao prédio moderno da Cinelândia), muitas personalidades ilustres iam àquele estabelecimento apenas para ouvi-lo, dentre eles Rui Barbosa. Foi em homenagem a este cinema que Nazareth batizou sua composição mais famosa, o tango "Odeon", composto em 1910.
Arthur Rubinstein & Darius Milhaud
Ali também conheceu o pianista Arthur Rubinstein e o compositor Darius Milhaud, que vivia no Brasil como secretário diplomático da missão francesa. "Seu jogo fluido, desconcertante e triste ajudou-me a compreender melhor a alma brasileira", declarou Milhaud sobre Ernesto Nazareth. Trechos de canções de Nazareth foram citadas em seu balé Le Boeuf sur le Toit (O Boi no Telhado) e a suíte "Saudades do Brasil". Estas obras encontram-se neste link:https://drive.google.com/folderview?id=0B9F356bpnhA-WUhpWFRzV0M4M28&usp=sharing)
Vivia em uma casa no bairro de Ipanema, em 1917, quando morre sua filha, Maria de Lourdes, considerado o primeiro abalo dos inúmeros que Ernesto enfrentou...
Em 1919, trabalha como pianista demonstrador da Casa Carlos Gomes à Rua Gonçalves Dias, do pianista e compositor Eduardo Souto, executava músicas para serem vendidas, entre elas, as suas próprias composições. Na época, a maneira mais comum de se tomar conhecimento das novidades musicais era através das casas de música e seus pianistas demonstradores. E em 1920, Heitor Villa-Lobos dedicou a ele a peça "Choros nº 1", para violão. Em 1922 foi convidado pelo compositor Luciano Gallet a participar de um recital no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, tocou seus tangos: "Brejeiro", "Nenê", "Bambino" e "Turuna".
Segundo os biógrafos, ele era muito exigente com as pessoas que executavam suas músicas, e frequentemente mandava parar a execução antes do final. No ano seguinte, participou da inauguração da Rádio M.E.C. (antiga Rádio Sociedade do Rio de Janeiro), como pianista.
Piano Sanzin doado por
seus admiradores paulistas
Em 1926, Nazareth embarcou para uma turnê no estado de São Paulo, que foi planejada inicialmente para durar três meses, mas acabou se prolongando por onze, com concertos na Capital, Campinas, Sorocaba e Tatuí. Tinha então 63 anos, e foi a primeira vez que saiu do estado do Rio de Janeiro. Nessa ocasião, Mário de Andrade fez uma conferência sobre sua obra, foi também homenageado pela Cultura Artística de São Paulo e ainda tocou no Conservatório Dramático e Musical de Campinas. Apresentou-se no Teatro Municipal de São Paulo. Seus admiradores se uniram e deram-lhe um piano italiano Sanzin, que hoje faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro. Em 1927, Nazareth retornou à sua cidade natal, já apresentando sinais de surdez.
Em 1929, morre sua mulher, o que lhe provocou profundo abalo.
Em 1930, concluiu sua última composição, a valsa "Resignação". No mesmo ano, gravou ao piano a polca "Apanhei-te, cavaquinho" e os tangos brasileiros: "Escovado", "Turuna" e "Nenê" de sua autoria, para a casa Edson. (Link com estas gravações e outras de 1912, conforme a relação abaixo):
https://drive.google.com/folderview?id=0B9F356bpnhA-Ynd5MkZhTTh2Nms&usp=sharing


Gravações de 1912:
Odeon - Ernesto Nazareth (piano) e Pedro de Alcântara (flautim)
Favorito - Ernesto Nazareth (piano) e Pedro de Alcântara (flautim)
Linguagem do coração (de Joaquim Callado)  - Ernesto Nazareth (piano) e Pedro de Alcântara (flautim)
Choro e poesia (de Catullo da Paixão Cearense) - Ernesto Nazareth (piano) e Pedro de Alcântara (flautim)

Gravações de 1930:
Nenê - Ernesto Nazareth (piano)
Turuna - Ernesto Nazareth 
Apanhei-te cavaquinho - Ernesto Nazareth
Escovado - Ernesto Nazareth

Por volta de 1932, passou a residir em Laranjeiras. Apresentou um recital só com músicas de sua autoria em um concerto precedido por uma conferência de Gastão Penalva. Neste mesmo ano realizou uma turnê pelo sul do país. 
Foto como interno da Colônia Juliano Moreira
Após um longo processo de perda de audição, o compositor foi definitivamente vitimado pela surdez, somando-se a isso os abalos que sofreu com as mortes de sua filha e da esposa causou-lhe uma deterioração e forte perturbação mental, e a consequente internação no Instituto Neuropsiquiátrico situado na Praia Vermelha, foi também diagnosticado como portador de sífilis e em 1933 é internado na Colônia Juliano Moreira, situada em Jacarepaguá.
Cemitério São Francisco Xavier
Cachoeira dos Ciganos
No dia primeiro de fevereiro de 1934, saiu para um passeio pelas alamedas do sanatório e, sem ser visto, fugiu, desaparecendo. Após três dias de buscas, o corpo do compositor foi encontrado nas águas da Cachoeira dos Ciganos. Ernesto Nazareth foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju, mesma região da cidade onde nasceu.

Deixou 211 peças completas para piano, que retrataram o ambiente musical das serestas e dos choros do Rio de Janeiro. O musicólogo Mozart de Araújo disse sobre sua obra: "As características da música nacional foram de tal forma fixadas por ele e de tal modo ele se identificou com o jeito brasileiro de sentir a música, que a sua obra, perdendo embora a sua funcionalidade coreográfica imediata, se revalorizou, transformando-se hoje no mais rico repositório de fórmulas e constâncias rítmico-melódicas, jamais devidas, em qualquer tempo, a qualquer compositor de sua categoria".  Compôs em torno de 90 tangos, cerca de 40 valsas e em torno de 20 polcas, destinando-se o restante de sua obra a gêneros variados como mazurcas, schottisches, marchas carnavalescas etc. Dentre sua obra as músicas mais conhecidas são: "Apanhei-te, cavaquinho", "Ameno Resedá", "Confidências", "Coração que sente", "Expansiva", "Turbilhão de beijos", "Odeon", "Fon-fon", "Escorregando", "Brejeiro" e "Bambino".
O tango brasileiro era o nome dado no fim do século XIX e começo do XX, ao estilo hoje conhecido como choro ou chorinho, entretanto naquela época a palavra "choro" designava não um gênero, mas conjuntos musicais normalmente compostos de flauta, cavaquinho e violões que animavam as festas chamadas de forrobodós, executando polcas, lundus, habaneras e mazurcas e outros gêneros estrangeiros de uma maneira sincopada. O tango Brasileiro era uma variante do gênero musical cubano conhecido como habanera ou tango-habanera. Na dança passou a ser designado de maxixe, que era proibida ou mal vista. Assim o "Tango Brasileiro" escondia a relação com o maxixe dessas composições.
Estudiosos afirmam que existe uma diferença harmônica, sendo o Tango Brasileiro um pouco mais complexo do que o Maxixe.
Sua obra situa entre o popular e o erudito, cai bem tanto nas mãos de Arthur Moreira Lima como de Jacob do Bandolim.
Curiosidades:
O Instituto Cultural Cravo Albin (ICCA) criou o Diploma Ernesto Nazareth uma honraria concedida aos artistas com representatividade na história da MPB.
Seus tangos-brasileiros têm a indicação metronômica de MM semínima igual a 80 batidas, já no choro, a indicação é de 100 batidas.
Para mostrar essa diferença, Nazareth compôs o choro "Apanhei-te Cavaquinho." Foi uma das únicas composições que ele considerou como choro. O mesmo entendimento tinham Chiquinha Gonzaga, Antonio Calado, Alexandre Levy e outros.
Assim como Rachmaminoff, Nazareth tinha as mãos muito grandes, o que lhe facilitava compor e tocar acordes acima de uma oitava, o que torna difícil a interpretação de sua obra, no piano, por aqueles cujas mãos tem um tamanho normal.
Com o agravamento da surdez, tocava debruçado sobre o piano para conseguir ouvir sua própria música.

No link abaixo é possível ouvir toda a obra de Ernesto Nazareth, entretanto não é possível fazer o seu download:

Este outro link direciona para o site desenvolvido pelo Instituto Moreira Salles em comemoração aos 150 anos de Ernesto Nazareth:

Aqui o link com parte da obra de Ernesto Nazareth:


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

FRANÇOIS COUPERIN

Na Rua François Miron, numa residência atrás da Igreja de Saint Gervais em Paris no dia 10 de novembro de 1668, nascia François Couperin, filho de Charles e Marie Couperin. A família Couperin veio de Chaumes-en-Brie, uma pequena cidade a 48 quilômetros leste de Paris. Foi uma das grandes dinastias da música, da qual se enumeram músicos profissionais desde os finais do século XVI até meados do século XIX.
Igreja de Saint Gervais
Seu pai foi quem lhe ensinou os primeiros passos na música, entretanto faleceu quando o garoto tinha apenas 10 anos de idade, continuando os estudos com Jacques Thomelin, que foi como um segundo pai para ele. Aos dezessete anos tornou-se organista da Igreja de Saint Gervais de Paris, cargo que foi ocupado pelo seu pai desde 1.661 até sua morte, este posto foi ocupado pela família por 173 anos, desde 1653 com seu tio Louis Couperin. A linhagem de músicos era tão prestigiosa e ramificada quanto o clã Bach.
Casou-se em 1.689 com Marie-Anne Ansault, cuja família era bastante influente no mundo dos negócios, o casal teve quatro filhos: os músicos Nicolas, Marie-Madeleine e Marguerite-Antoinette, e François Laurent. No ano seguinte publicou suas duas primeiras obras para órgão: Missa para os conventos de religiosos e religiosas e a Missa Solene para a utilização de paróquias (Messe pour les couvents de Religieux et Religieuses e a Messe solennelle à l'usage des paroisses), nessa mesma época sua mãe faleceu. 
Luis XIV - o Rei Sol
Aos 25 anos de idade, em 1693, François Couperin sucedeu ao seu professor Thomelin na Capela Real, em Versailles, com o título de Organista do Rei, indicado por Luis XIV, abrindo acesso aos círculos aristocráticos franceses da época. Foram muitas as oportunidades financeiras que se abriram, além do cargo, passou a exercer o magistério de composição e de cravo a príncipes e princesas.
Em 1696, foi laureado com um brasão próprio. Dois anos depois publica um trabalho didático sobre a arte do acompanhamento. No início do século XVIII foi distinguido com a Ordem de Cavaleiro de Latrão, estava tão bem sucedido financeiramente que se mudou da casa contígua à igreja de Saint Gervais para um grande apartamento na Rua de Saint François. Durante o reinado do Rei Sol, tornou-se um dos mais importantes e proeminentes compositores franceses, muito admirado por contemporâneos.
Arcangelo Corelli
Durante este período compôs sonatas em trios, que refletiam a sua admiração por Arcangelo Corelli, mestre barroco italiano, que conhecera provavelmente, através do envolvimento com a corte inglesa do exilado James II, que muito apreciava as obras italianas.
Em 1713 publica o primeiro dos quatro volumes com 27 suítes para cravo, os demais foram publicados em 1717,1722 e 1730.
Por volta dessa época, Couperin compôs uma das suas mais impressionantes peças de música religiosa, "Leçons de Ténebrès" (Lições da Escuridão), uma composição com base em textos sagrados para vozes solistas com um acompanhamento esparso, para ser executada durante a Semana Santa.
Luis XV
Em 1715, mesmo com o falecimento do rei Luis XIV permaneceu no cargo de organista, e ainda houve um incremento no número de alunos trazidos à corte por Luís XV. No ano seguinte publicou seu livro mais famoso “L'Art de toucher le clavecin” (A arte de tocar o Cravo), descrevendo sugestões para dedilhação, toque, ornamentação e outros aspetos da técnica para teclado. Johann Sebastian Bach adotou o sistema de dedilhação, e até o uso do polegar, criado por Couperin.
Em 1717 foi agraciado com o título Ordinaire de la Musique de la Chambre du Roi. A cada domingo apresentava um concerto com seus colegas, concertos em forma de suítes para violino, viola da gamba, oboé, fagote e cravo, seu instrumento predileto, o qual era considerado um virtuoso. Nesse mesmo ano publicou Pièces pour le clavecin (Peças para o cravo), uma série com quatro volumes de música para cravo contendo mais de 200 obras que podem tanto ser executadas no instrumento como podem ser interpretadas como pequenas obras para orquestra de câmara. François conseguia fazer o cravo soar como ninguém conseguira até então, essas peças exigem uma técnica bastante apurada para sua execução, misturando o refinamento harmônico francês com a expressividade da melodia italiana, além dos títulos dados para cada peça que remetia a poemas tais como: Le Rossignol-em-amour (O Rouxinol enamorado) ou La Distraite (A Distraída).
Publicou em 1722 a obra: 4 Concerts royaux (Quatro Concertos Reais), trata-se de quatro suítes compostas entre 1714-1715, sem qualquer indicação de instrumentação podendo ser executada apenas pelo cravo, como por cordas e sopros. Os concertos são compostos por um prelúdio e sucessão de danças na forma tradicional, Allemande, Sarabande ou Courante, seguido por outras danças, entretanto foram compostos mais para serem ouvidos do que dançados. Esta coleção foi completada em 1724 por um conjunto intitulado "Nouveaux Concerts" (Novos Concertos), com o subtítulo “Les goûts-réunis” (Os gostos reunidos), onde encontra-se a obra Le Parnasse ou L’Apothèose de Corelli.
Orgão da Igreja de St, Gervais
François Couperin nunca deixou a Igreja de St. Gervais, e arranjava ainda tempo para compor. Em 1723, como o seu estado de saúde se encontrava debilitado, fez do seu primo Nicolas Couperin seu assistente, e eventualmente seu sucessor em St. Gervais.
Em 1725, compôs uma homenagem a Jean Baptiste Lully, um italiano de nascimento e radicado na França, mestre do barroco francês, o concerto instrumental “L'apotheóse de Lully“, assim foram duas apoteoses dedicadas, respectivamente, aos dois estilos opostos, Lully e Corelli.
Les Nations (As Nações) escrita em 1726, um conjunto de quatro suítes, representa a sua obra mais importante como música de câmara, todas com o seu primeiro movimento uma “sonade” seguida pelas danças conforme a tradição francesa, as suítes são intituladas La Française, L’Espagnole, L’Imperiale e La Pièmontoise.
Em seus últimos anos compôs concertos para flauta, violino, viola de gamba e cravo, instrumento ao qual dedicou a maior parte de sua produção.
Couperin - o Grande, como era conhecido para diferenciá-lo dos demais membros do clã, faleceu em Paris no dia 11 de Setembro de 1733, em Paris, e seu corpo foi sepultado na capela Saint-Joseph do cemitério Saint-Eustache.
Sua obra foi bastante profícua, tendo como destaque a música de câmara, a religiosa e as peças para cravo, estas últimas foram descritas como "tesouros nacionais", permanecendo como marcos do repertório para teclado e símbolo da música barroca instrumental francesa.
Bach e Haendel
Couperin influenciou seus contemporâneos como Bach e Haendel, entretanto sua música caiu no esquecimento durante mais de um século, coube a Johannes Brahms sua redescoberta quando em 1880 publicou sua edição das "Peças para o cravo". Outros que colaboraram pelo seu ressurgimento foram mestres como Debussy, Wanda Landowska e, principalmente, Ravel que inclusive fez uma homenagem com Le Tombeau de Couperin (O túmulo de Couperin). Richard Strauss, também chegou a orquestrar algumas de suas peças.
Johannes Brahms        Claude Debussy                     Wanda Landowska                  Maurice Ravel            Richard Strauss
O especialista em música renascentista e barroca, Jordi Saval, classificava François Couperin como um músico por excelência que acreditava na habilidade da música em expressar-se em prosa e verso, se entrássemos na sua poesia descobriríamos que ela é mais bela do que a beleza.
Foi sem dúvida um grande observador da sua época. 

No link encontram-se algumas das obras citadas - aproveitem...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

PRIMAVERA

Dia 22 de Setembro de 2014, às 23 horas e 29 minutos, terá início a Primavera no Hemisfério Sul do Planeta.
Se a natureza não estiver totalmente desequilibrada por obra do ser humano recomeçam as chuvas que marcam o período de transição entre a estação seca e a estação chuvosa.
Além das chuvas caracteriza a estação o reflorescimento das flores. As paisagens ficam mais coloridas com a grande diversidade de flores.
A estação é bastante celebrada em todas as culturas, pois marca o fim do inverno, estação sempre associada ao mau tempo, desconforto e em termos históricos escassez de comida, tanto que diversos compositores renderam em sua obra algo relacionado à estação, tais como:

- As quatro estações de Antônio Vivaldi;
- O oratório As Estações de Joseph Haydn;
- A sagração da Primavera de Igor Stravinsky;

- Valsa das Flores, na suíte o Quebra Nozes de Piotr Tchaikovsky;
- Vozes da Primavera de Johann Strauss II;
- Canção da Primavera de Felix Mendelssohn Bertoldy;


- Murmúrio de Primavera de Christian Sinding;
- A última primavera de Edvard Grieg;
- Canção de Ninar Primaveril de Joaquin Rodrigo;


- Primavera Apalache de Aaron Copland
- Sonata para Violino Nº 5 em Fá maior, Op.24 – Primavera - de Ludwig van Beethoven
- As estações portenhas de Astor Piazolla;

- Primavera - Suíte Sinfônica de Claude Debussy.

Sendo a mais popular “As Quatro Estações de Vivaldi, que tem diversas interpretações, com os mais diversos instrumentos. No link uma versão em violões e outra em acordeão.

Na primavera, o bom tempo permite que se abram as janelas nas casas para que fiquem arejadas depois de meses completamente fechadas durante o inverno. As pessoas também costumam livrarem-se de algumas das coisas velhas que tinham guardadas e compram coisas novas.

Com tudo isto, o homem do campo se prepara para deitar ao solo as sementes que produzirão os frutos no outono.

E então é interessante lembrar desta passagem bíblica:
O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo, mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe:
Senhor! Não semeaste, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio?
E ele lhes disse:
Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram:
Queres que arranquemos?
Ele, porém, lhes disse:
Não! Para que colhendo o joio, não arranqueis também o trigo com ele.
Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros:
Colha primeiro o joio, e atai-o em molhos para queimar, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.
Mateus 13:24-30


O que semeia a boa semente é o Filho do homem, o campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno. O inimigo, que o semeou, é o diabo; a ceifa é o fim do mundo; os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.
Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade.
E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Mateus 13:37-43

Por fim,

“Vai-te ao longo da costa discorrendo,
e outra terra acharás de mais verdade,
lá quase junto donde o Sol ardendo
iguala o dia e noite em quantidade.”

Lusíadas, Cap. II, quadra 63.

Nesta data dia e noite têm igual duração.
Quando se procura saber a que horas é que o Sol hoje nasceu e a que horas será o ocaso,  pode vir uma informação como o Sol nasceu às 06h41 e irá pôr-se às 18h49. Então o dia terá 12 horas e 8 minutos e não às 12 horas certas que teria de acordo com a definição de equinócio.


Como a Terra tem à sua volta uma atmosfera, a luz do Sol que chega até nós tem que a atravessar. Essa camada gasosa, semelhante a uma lente desvia ligeiramente a luz. Essa refração é mais intensa junto ao horizonte. A refração junto ao horizonte é suficiente para nos deixar ver o Sol quando ele ainda está abaixo do horizonte, acrescentando assim alguns minutos ao dia.


A forma e tamanho aparentes do Sol também influenciam na duração do dia. O Sol nasce quando o bordo superior surge acima do horizonte e o ocaso ocorre quando o bordo superior desaparece abaixo do horizonte. Entretanto o que marca o Equinócio é a trajetória aparente do centro do disco solar. Sendo assim aproveitem bem esses minutos a mais…




quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Debussy


Claude Achille Debussy nascido em Saint Germain-em-Laye nas proximidades de Paris na França no dia 22 de Agosto de 1862, filho de Manuel Achille Debussy e Victorine Josephine Sophie Manoury. Era o mais velho dos cinco filhos. Em 1867 a família mudou-se para Paris. Seu pai não se fixava em emprego algum, enquanto que sua mãe era costureira sustentava o lar com os poucos recursos que tinha.  A precária educação das crianças foi confiada a sua tia paterna Clémentine Debussy. Apenas Claude teve o triste privilégio de ser educado pela mãe, mulher que jamais suspeitou de sua natureza excepcional.  A educação que transmitiu a Claude se limitou aos rudimentos de leitura, escrita e noções de cálculo. Nunca frequentou a escola. Autodidata, chegou a tornar-se um homem culto, embora revelasse algumas lacunas em sua formação.  Passando uma temporada com a tia Clémentine, sua madrinha, em Cannes, ainda menino, recebeu ali as primeiras aulas de piano.
Mathilde Mauté de Fleurville
E por volta de 1871 conheceu sua professora e incentivadora Madame Mathilde Mauté de Fleurville, uma exímia pianista e ex-aluna de Chopin, que depois de ouvir o menino ao piano, percebendo sua vocação musical, se predispôs a dar-lhe aulas gratuitamente. Ela preparou o jovem para admissão no Conservatório de Paris, foram quase dois anos de preparativos e logicamente Chopin tornou-se, para ele, um dos grandes modelos a serem seguidos. Em outubro de 1872. Debussy contava dez anos ao entrar para a classe de piano de Marmontel. Mas o professor diria depois: "Ele não se interessa muito pelo piano, mas adora música". Aos 11 anos chamava atenção de seus mestres, Ernest Giraud e Albert Lavignac, pela criatividade. Com Durand e Bazille, seus professores de harmonia e acompanhamento, respectivamente, foram diversos dissabores provocados pela incompreensão de seu talento. Debussy não se adaptava ao ensino acadêmico imposto no conservatório. Insucessos nos concursos de piano que participou, fizeram com que desistisse da carreira como concertista, preferindo seguir como compositor. Datam de 1876 as primeiras composições, nascidas de improvisações ao piano.
Em 1884, após receber o Grande Prêmio de Roma de Composição, com o resultado do concurso passou a estudar durante três anos na Villa Medici, por conta do Estado Francês, mas com o compromisso de anualmente compor uma partitura que seria examinada pelos professores do conservatório de Paris. Entretanto tudo o desagradava em Roma, o clima, disciplina, colegas, por várias vezes quis abandonar tudo e voltar para Paris. Lia muito nas horas vagas e tocava Bach ao piano.
Em 1887, na cidade de Paris frequenta as reuniões semanais na casa do poeta Stephane Mallarmé, envolvendo-se com a vanguarda artística e literária. Não gostava da convivência com outros músicos e por vezes se apresentava como jardineiro, isto porque não gostava da música francesa da época, gostava apenas de Massenet. Conhece Gabrielle Dupont, com quem vive junto durante dez anos.
Nadezha von Meck
Em 1892 Debussy começou a compor o Prélude à Aprés-Midi d’un Faune (Prelúdio para a Tarde de um Fauno), partitura concluída dois anos depois e considerada sua primeira obra prima. Em Viena conhece Brahms, no ano seguinte Tristão e Isolda de Wagner deixa o compositor bastante impressionado, Em 1889, toma contato com a música do Oriente.
Nadezhda von Meck, protetora de Tchaikovsky ao ouvir falar de seu talento promissor convidou-o a integrar como pianista um trio musical que apadrinhava, e nesse convívio teve contato com a obra de Mussorgsky que influenciou sua maneira de compor.

Marie Rosalie "Lilly" Texier
Emma Bardac
Casa-se em 19 de Outubro de 1899 com Marie Rosalie Texier, uma costureira.  Entre 1902 e 1904, compõe a maior parte de La Mer. O relacionamento durou apenas cinco anos, entra em sua vida Emma Bardac, esposa de um banqueiro e ex-amante de Gabriel Fauré, com ela inicia uma nova relação sentimental, Rosalie ao saber que fora trocada por outra, mais rica e sofisticada, tenta o suicídio, sem sucesso. O caso provoca um escândalo, sendo criticado por sua atitude, até mesmo pelos amigos mais próximos. Apesar de tudo, consegue o divórcio em 1908 e finalmente casa-se com Emma.

O reconhecimento de seu talento como compositor ocorrera somente em 1902 com a estreia da ópera Pélleas et Melisande. Em 1905, concluiu sua principal obra sinfônica La Mer, que é a impressão musical da imagem e do som do oceano.
Em 30 de Outubro de 1905, havia nascido sua filha com Emma, Claude-Emma Debussy, sua suíte de piano Children’s Corner composta entre 1906 e 1908 é dedicada a pequena Chouchou, apelido de sua filha.
Debussy & Chouchou
Debussy tornou-se inimigo das grandes orquestras, passando a dar mais importância aos acordes isolados, timbres, pausas e ao contraste entre registros. Queria compor com liberdade, fora das regras tradicionais.
Os anos finais de sua vida foram em Paris, marcados pelo aparecimento de um câncer, que tomou conhecimento em 1909. A maior parte de sua obra tardia constitui-se de música de câmara, incluindo três extraordinárias sonatas para violoncelo, para violino e para flauta, viola e harpa. Com o organismo solapado pelo câncer, Debussy trabalhou com notável coragem. A eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, roubou-lhe todo o interesse pela música. Após um ano de silêncio, ele percebeu que tinha de contribuir para a luta da única maneira que podia, "criando com o melhor de minha capacidade um pouco daquela beleza que o inimigo está atacando com tanta fúria." Uma de suas últimas cartas fala de sua "vida de espera - a minha existência sala de espera, eu poderia chamá-la - porque sou um pobre viajante esperando por um trem que não virá." Seu último trabalho, a Sonata para Violino e Piano L 140, foi executado em maio de 1917, com ele ao piano. Ele tocou essa mesma peça em setembro, em Saint-Jean-de-Luz. Foi a última vez que tocou em público. Debussy morreu em 25 de março de 1918, durante o bombardeio de Paris, durante a última ofensiva alemã da Primeira Guerra Mundial. Encontra-se sepultado no Cemitério de Passy, em Paris. Pouco tempo depois, em 14 de julho de 1919, também morreria sua filha, Chouchou, de difteria. Ela foi sepultada no túmulo de seu pai, em Passy.
As suas composições mais conhecidas são: "Claire de Lune" (1890-1905), "Prélude à l'aprés-midi d'un faune" (1894) com que, para Pierre Boulez, começou a Música moderna, e "La Mer" (1905).
A música inovadora de Debussy agiu como um fenômeno catalisador de diversos movimentos musicais em outros países. Na França, só se aponta Ravel como influenciado, mas só na juventude, não sendo propriamente discípulo. Influenciados foram também Béla Bartók, Manuel de Falla, Heitor Villa-Lobos e outros. Toda a arte de Debussy foi uma lição de inconformismo.

Como curiosidade: Encontro alguma semelhança entre Riverie e Chovendo na Roseira de Tom Jobim:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-UWY2Nzh5bWZSNk0?resourcekey=0-RNvWfi_fU5B52TxxQcAuBA&usp=sharing



Como sempre, para ouvir ou baixar, acesse o link abaixo:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-cEthSXNFc1V2YWc?resourcekey=0-o2SDj1vHxCTp21_MnwGjqQ&usp=sharing

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

MUZIO CLEMENTI


Nascido em Roma na Itália no dia 23 de Janeiro de 1752, era o mais velho dos sete filhos de Nicolò Clementi, um ourives respeitável na região e também um músico amador, e de Magdalena Kaiser, de origem alemã.
Com grande talento musical, teve como primeiro mestre de música o organista Buroni, com ele teve aulas de piano e harmonia, posteriormente estudou contraponto com Gaetano Carpani e técnica vocal com Giuseppe Santarelli, e órgão com Giovanni Corticelli, aos 12 anos de idade foi nomeado organista da Igreja San Lorenzo, nesta mesma época compôs o oratório Martirio dei glorioso santi Girolamo e Celso.
O inglês Peter Beckford impressionado com seu talento o levou para Dorsetshire, interior da Inglaterra, onde estudou arduamente entre os anos de 1766 a 1773, praticando cravo e produzindo suas primeiras composições. Com o passar dos anos alcançou a fama como concertista e professor.
Joseph II
Foi cravista e diretor da orquestra da Opera Italiana de Londres em 1780. Nesta época tornou-se conhecido ao compor três obras, Opus 2, 3 e 4, sendo duas das seis sonatas para piano e uma com três peças à quatro mãos e três sonatas a duas mãos. No ano seguinte viajou para Munique, Estrasburgo e Viena na sua primeira turnê. Nesta última cidade tocou com Mozart, de quem adquiriu antipatia, numa exibição para o imperador Joseph II.
Após a turnê retornou à Londres em 1783, estabelecendo-se como pianista, professor e empresário, associando-se a uma editora de partituras e uma fábrica de pianos, a Clementi & Company.

Foi, provavelmente, o primeiro compositor a escrever peças dedicadas às possibilidades dinâmicas do então novo instrumento de teclas e cordas percutidas: o piano.
Meyerbeer
Teve como alunos Johann Baptist Cramer e Giacomo Meyerbeer, sendo que com eles se apresentou em várias cidades europeias. Em 1802 teve início outra turnê por Paris, Viena e São Petersburgo, desta vez com John Field e com propósitos mais comerciais como a venda de instrumentos. Field ficou em São Petersburgo e ele voltou para Londres para assumir o cargo de Diretor da Phillarmonic Society.
No mesmo ano casou-se com a berlinense Carolina Lehman, que morreu um ano depois durante o nascimento de seu filho Carlo. Em 1807 sua fábrica de pianos foi destruída pelo fogo. Casou-se novamente em 1811 com Emma Gisbome, com quem teve quatro filhos.

D.Scarlatti                        C.P.E. Bach                       J.C. Bach

Foi desenvolvedor da técnica para piano, utilizando como exemplos as sonatas para cravo de Domenico Scarlatti e do estilo das composições de Carl Philipp Emanuel Bach e seu irmão mais novo, Johann Christian Bach, filhos de Johann Sebastian Bach. Por sua técnica influenciou compositores como Johann Baptist Cramer, Ignaz Moscheles, Frederic Kalkbrenner e Carl Czerny.
J.B. Cramer       I. Moscheles       F. Kalkbrenner          C.Czerny  

Suas sonatas foram as primeiras escritas especialmente para piano, e não para cravo. Também adicionou ainda à sonata o terceiro movimento, além dos dois que eram típicos no estilo italiano, dando à sonata um novo nível de desenvolvimento e obtendo assim grande sucesso.

Beethoven foi um estudioso tanto de sua técnica pianística quanto composicional. Clementi admirava Beethoven, sendo o executante mais admirado de suas peças para piano e editor de suas composições no Reino Unido.

Suas obras mais famosas são a Sonatina em dó maior, Opus 36 número 1, e os três volumes pedagógicos intitulados Gradus ad Parnassum (1817 /1819 /1826), que serviram de base a todas as produções do gênero.

Além destas obras foram 106 sonatas para piano, muitas sinfonias, aberturas etc, entretanto grande parte de suas partituras se perderam ou ficaram incompletas.
Suas sinfonias que, juntamente com a Sinfonia em Ré Maior de Cherubini, são as únicas obras de compositor italiano que se comparam com as grandes sinfonias vienenses da época.

Faleceu no dia 10 de março de 1832, aos 80 anos, em sua propriedade de Evesham em Worcestershire, perto de Londres, sendo sepultado no claustro da Abadia beneditina de Westminster, onde também foram enterrados Isaac Newton e Charles Darwin, entre outros.

Para ouvir e acessar a parte da obra deste compositor clique no link abaixo:
https://drive.google.com/drive/folders/0B9F356bpnhA-dU9jQ2NiTVZyRVk?resourcekey=0-4tNblwYwPLYw4iKzH5fc2A&usp=sharing