quinta-feira, 24 de março de 2016

PÁSCOA e o MESSIAS

A Páscoa é uma comemoração pagã muito anterior ao Cristianismo, ela é celebrada no Primeiro Domingo de Lua Cheia após o Equinócio de Primavera, no Hemisfério Norte. A data é sempre entre os dias 22 de março e 25 de abril. Durante os 40 dias que precedem a Semana Santa e a Páscoa - período conhecido como Quaresma - os cristãos se dedicam à penitência para lembrar os 40 dias passados por Jesus no deserto e os sofrimentos que ele suportou na cruz. A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, que lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, ocasião em que as pessoas cobriam a estrada com folhas da palmeira, para comemorar a sua chegada. A Sexta Feira Santa é o dia em que os cristãos celebram a morte de Jesus na cruz. E por fim, com a chegada do Domingo de Páscoa, os cristãos celebram a Ressurreição de Cristo e a sua primeira aparição entre os seus discípulos. 

O que é a Páscoa?

"Para os Cristãos é a Ressurreição de Cristo, para os Judeus é a celebração do êxodo, para os pagãos é a comemoração da Primavera no hemisfério norte.
Todas as comemorações nos remetem a uma passagem de um estágio para outro, da morte para uma nova vida, da servidão para liberdade, do recolhimento para plenitude.
Assim sendo a Páscoa é o tempo de meditar, de buscar, de agradecer, de semear a paz. Tempo de encontrar o tempo para abrir os braços para acolher o próximo, de abrir as mãos e ceder àqueles que necessitem o carinho, o apoio, o afeto, a amizade e o amor, é tempo de ser mais irmão.
Tempo de recomeçar! Dar continuidade a todos os projetos que por algum motivo ficou engavetado, tempo de compromisso,

tempo de perdoar aos outros e a si mesmo. Tempo de reencontro.
Tempo de libertar aquilo que de melhor temos guardado dentro de nós, tempo de libertação dos sonhos, tempo de renascer.

O tempo de passagem, olhar para trás e ver tudo o que fez e principalmente o que deixou de fazer.
Tempo de encontrar os porquês, tempo de encontrar os caminhos, de encetar os passos e iniciar mais uma longa jornada.
Uma jornada que nos leve para a Luz, para o amor e para a vida.
Pois a Páscoa é o Tempo de Ressurreição.
Tenha uma ótima Páscoa e celebre a sua passagem."

Sugiro a audição do Oratório Messias de Handel, para mergulhar nesta meditação e não ficar apenas no chocolate.

Em Dezembro de 2014, comentei sobre a obra Messias de Haendel, http://harmoniasangreal.blogspot.com.br/2014/12/messias.html .
Não vou compartilhar novamente a obra, pois o seu link continua ativo e disponível na postagem citada.
Desta vez compartilharei um link com os leitores são as letras das canções. Assim sendo, boa diversão!

George F. Handel (1685 – 1759) – Messias - O nome do Oratório foi tirado do conceito judaico e cristão de messias. Para os cristãos, o Messias é Jesus. "Messias" é uma obra imersa em espiritualidade.

Após a "Sinfonia" de abertura temos:

Primeira Parte – A profecia e o nascimento de Jesus

Comfort ye my people - a inquietação dá lugar à esperança "Consolai oh meu povo, diz o vosso Deus. Anunciai a Jerusalém que a sua servidão terminou".
Thus saith the Lord - anúncio da chegada da catástrofe e calamidades “Breve farei tremer os céus e terra, os mares e os continentes e chegará então o consolo para todos os povos; O Senhor a quem buscais virá ao seu tempo”.
And the glory of the Lord – Nesse coral Handel colocou todo o versículo de Isaías,40,5. “Porque vai ser revelada a glória do Senhor e todos os povos verão aquilo que Deus, nosso Senhor prometeu”.
But who may abide –se refere ao fogo purificador.
And he shall purify – um dueto vocal “e Ele purificará os filhos de Levi”.
Behold, a virgin – Inicia-se com uma terna recitação anunciando a chegado do menino Jesus.
For unto us a child – Não é o trecho mais famoso do oratório, mas com certeza um dos mais belos. ”Pois nasceu uma criança entre nós, um filho foi-nos dado e sobre Seus ombros recairá a soberania”.(Isaías,9,6.)
Glory to God – Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade (Lucas, 2,13-14).
His yoke is easy –“Seu jugo é suave e sua carga leve” (Mateus,11,30).

Segunda Parte - A Paixão

Behold the lamb – “Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (João,1,29).
Surely he hath born – o martírio de Jesus “Certamente foi Ele quem levou sobre si nossos sofrimentos e dores”.
All we like sheep – o espírito que se afasta de Deus.
Behold and see – O sofrimento de Jesus pelos pecados dos homens e que, mesmo assim, não abandonou as suas almas. “Olhai e vê se há dor comparável a esta que me atormenta” (Lamentações 1,12)
Lift up your heads uma marcha triunfal sobre a morte e o pecado.
Thou art gone up on high –ária composta para soprano, algumas interpretações utiliza uma adaptação para baixo.
Unto which of the angels, introduz o coral com uma impressionante vitalidade.
Let all the angels é um ritual que se apresenta sem contraponto.
The Lord gave the word – A louvação.
Why do the nations – Questiona o por que das nações lutarem entre si.
Allelujah – o mais famoso trecho do Oratório e de toda a obra de Handel. Festejando o conflito superado.

Terceira Parte - A Redenção.

I Know that my Redeemer liveth –Ária: ”Eu sei que o meu Redentor vive e que se levantará sobre a terra no último dia”(Jó,19,25-26).
Since by man came – A dicotomia entre a vida e a morte, o pecado e a ressurreição. “E como em Adão morremos todos, assim em Cristo todos ressuscitaremos” (I Coríntios, 15, 21-12).
Behold, I tell you a mystery e a música The trumpet shall sound representa a ressurreição dos mortos.
If God be for us, who can be aginst us? – Essa Ária é um auto de fé com acompanhamento do violino.
Worthy is the Lamb – “Digno é o cordeiro, que foi sacrificado para redimir-nos” (Apocalipse, 5,12). Assim, o Messias encerra-se magistralmente, como se fosse uma grande antífona.

quinta-feira, 17 de março de 2016

AS ESTAÇÔES - O OUTONO





Neste final de semana, dia 20/03 às 1:30hs da manhã, tem início o Outono no Hemisfério Sul. É a estação do ano que ocorre após o verão e antes do inverno, sendo assim considerado como um período de transição entre essas duas estações antagônicas.

A característica principal do outono é a gradativa redução da luz solar diária ao longo de sua duração. Isso acontece porque o seu início se faz, justamente, no ápice do equinócio, período em que a Terra encontra-se igualmente iluminada, entre o Hemisfério Norte e Sul, pelo sol, por isso há dias e noites com a mesma duração. Nessa época, o fenômeno também é chamado de equinócio de outono, o que também é útil para diferenciar o outro equinócio que marca o início da primavera.

As características do outono são:


- Noites gradativamente mais longas que os dias à medida que a estação avança, pois se trata de um período de transição entre o equinócio e o solstício de inverno;
- Aumento da incidência de ventos;
- Redução gradativa das temperaturas;
- Maior incidência de nevoeiros pela manhã;
- Diminuição da umidade do ar;
- Em alguns tipos de vegetação, ocorre a queda das folhas para adaptação à mudança de clima e também em razão da diminuição da fotossíntese diante da menor incidência de iluminação solar;
- No Brasil, ocorre uma queda de temperatura nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Nessa última região (e também nas regiões serranas), podem acontecer algumas geadas e, eventualmente, neve.
O outono é a terceira estação do ano e vem em seguida ao verão. Como vivemos num país de clima tropical, as estações não são bem definidas. Naturalmente, apresentam alguma  diferença entre si, mas não tão acentuadamente como nos países de clima temperado.



É o tempo da colheita de muitos produtos agrícolas. Há arvores que perdem suas folhas no outono, principalmente nas regiões frias. E sem folhas, elas atravessam o inverno, voltando a brotar na primavera.

Postagem que merece ser apreciada sobre o tema:

Carla Bruni-Sarkozy, nascida no norte da Itália, em Turim, Piemonte, no dia 23 de Dezembro de 1967, foi criada na França e na Suíça. A música está no seio familiar. Sua mãe é a concertista de piano Marisa Borini, que era casada com o industrial e compositor clássico Alberto Bruni Tedeschi. É irmã da atriz Valeria Bruni Tedeschi. Seu irmão, Virginio Bruni Tedeschi, morreu em julho de 2006 por complicações de HIV/AIDS. Recentemente descobriu que é filha biológica do empresário italiano, radicado no Brasil desde os anos 1970, Maurizio Remmert. Carla tem uma meia-irmã por parte de pai chamada Consuelo Remmert. Depois de uma carreira bem sucedida como modelo entre 1987 e 1998, trocou as passarelas pela música. A canção Autumn foi lançada em seu álbum de 2007 intitulado No Promises.



Chester Burton Atkins, conhecido como Chet Atkins, nascido em Luttrell, Tennessee, no dia 20 de junho de 1924 e falecido em Nashville, no dia 30 de junho de 2001, foi um guitarrista e um produtor musical americano. É conhecido por ter desenvolvido um estilo complexo de tocar conhecido como thumbpicking ou fingerpicking, inspirado principalmente por Merle Travis, em que tocava a melodia, o ritmo, e o baixo simultaneamente, tendo influenciado o guitarrista Mark Knopfler. A música Autumn Leaves é a terceira faixa do lado A do disco Solo Flights de 1968.


Djavan Caetano Viana, nascido em Maceió no dia 27 de janeiro de 1949 é um cantor, compositor, produtor musical e violonista brasileiro. As músicas de Djavan são conhecidas pelas suas "cores". Ele retrata muito bem em suas composições a riqueza das cores do dia a dia e se utiliza de seus elementos em construções metafóricas de maneira distinta dos demais compositores. É conhecido mundialmente pela sua tradição e o ritmo da música cantada. A canção Outono é a faixa de seu disco de 1992 – Coisa de Acender.




Edgar Holland Winter, nascido em 28 de dezembro de 1946, em Beaumont no Texas, é um músico americano que teve êxito significativo nos anos 1970 e 1980. Edgar é um multi-instrumentista. Assim como seu irmão, Johnny Winter, ele também é facilmente identificado pelo seu albinismo. Lançado em 1972, o álbum They Only Come Out at Night do Edgar Winter Group nos apresenta a faixa Autum.




Eithne Ní Bhraonáin, conhecida como Enya, nascida em Gaoth Dobhair, no dia 17 de maio de 1961 é uma cantora, instrumentista e compositora irlandesa. Enya é uma transliteração aproximada de como Eithne é pronunciado na língua irlandesa. Começou sua carreira musical em 1980, e se juntou rapidamente à banda Clannad, de sua família, antes de sair para prosseguir com sua carreira solo. Através de seu álbum Watermark, que foi lançado em 1988, obteve reconhecimento internacional, e Enya ficou conhecida por seu som único, que foi caracterizado por camadas de voz, melodias folk, cenários sintetizados e reverberações etéreas. A música The First of Autumn foi lançada em seu quinto álbum, intitulado A day without rain, no ano 2000.

Steve Jablonsky
Steve Jablonsky nascido em Nova York, no dia 9 de Outubro de 1970, é compositor de trilhas sonoras para filmes, programas de televisão e jogos eletrônicos. Em sua carreira, Steve trabalhou com Hans Zimmer, Nick Glennie-Smith, Trevor Rabin e Harry Gregson-Williams. Em 2005, Steve Jablonsky inicia a primeira colaboração com Michael Bay no filme The Island. Juntos com foram responsáveis pelas trilhas dos filmes: Transformers (2007), Transformers: Revenge of the Fallen (2009), Transformers: Dark of the Moon (2011). Entre 2007 e 2008 fez parte da equipe da EA Sim compondo o tema oficial da terceira versão do jogo The Sims. Steve Jablonsky também foi responsável pela trilha sonora do aclamado Gears of War, sendo deste game a canção Autumn of Mankind, aqui apresentada no arranjo para piano feito Michael Huang.


Per-Olov Kindgren é um violonista clássico, compositor e professor de música sueco conhecido por suas interpretações ao violão clássico de Bach aos Beatles, nascido em Bogotá, na Colômbia, no dia 10 de Junho de 1956, filho de um engenheiro sueco que estava a trabalho no país. É também compositor e professor de música. Em 1960 sua família retornou à Suécia, ele é bastante conhecido por suas versões para o violão clássico de músicas de Bach aos Beatles. Autumn From 'The Four Seasons' foi lançada em seu primeiro álbum de 1992 intitulado Images, Nordic Guitar Quartet.





Rata Blanca é uma banda de heavy metal formada na cidade de Buenos Aires, Argentina, pelo guitarrista Walter Giardino, em 1986, era uma banda que combinava riffs pesados com estruturas melódicas e harmônicas da música clássica - Otoño Medieval é de seu primeiro álbum lançado em 1988.







Roberto Carlos Braga, cantor e compositor brasileiro nascido no dia 19 de Abril de 1941, em Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo. Embora tivesse iniciado a carreira sob influência do samba-canção e da bossa nova, no início da década de 1960, Roberto mudou seu repertório para o rock. Folhas de Outono faixa do álbum Em Ritmo de Aventura de 1967.



Sungha Jung violonista Sul Coreano nascido em Cheongju no dia 02 de Setembro de 1996, Late Autumn faz parte do seu álbum intitulado Two of Me lançado em 01 de Maio de 2015.


The Moody Blues banda foi formada em 1964 em Birmingham, Inglaterra, após algumas mudanças na formação e alterações no estilo sonoro, o Moody Blues conseguiu alcançar sucesso com suas apresentações bombásticas e um característico som orquestral. Forever Autumn, a música era um originalmente um jingle para comercial da Lego em 1969. Anos mais tarde foi utilizada no musical A Guerra dos Mundos com interpretação de Justin Hayward do Moody Blues e lançada na coletânea Anthology de 1998.

Divirta-se com algumas músicas que tem o Outono como tema: 
https://drive.google.com/drive/folders/0B4FphzZsBcqhNnZJWlRUeTVUUjQ?resourcekey=0-OVVRELekI7Hm-K_6X1thCA&usp=sharing

quinta-feira, 10 de março de 2016

PIAZZOLLA

Astor Pantaleón Piazzolla nascido em Mar del Plata – Argentina no dia 11 de março de 1921, caso ainda estivesse vivo, completaria 95 anos, filho único dos imigrantes italianos Vicente “Nonino” Piazzolla e Asunta Mainetti, foi um bandoneonista e compositor argentino, cujo repertório incluía clássicos, como Adios Nonino, Libertango, dentre outras composições que trouxeram ao tango elementos do jazz e da música erudita.
Vicente, Asunta e Astor
Em 1925, aos quatro anos foi com a sua família viver em Nova York em busca de melhores condições de vida, permaneceram lá até 1936, com um breve retorno a sua cidade natal em 1930.
Nos Estado Unidos se tornou fluente em espanhol, inglês, italiano e francês. Em 1929 ganhou seu primeiro bandoneón de seu pai, que comprou o instrumento numa casa de penhores por dezenove dólares. A garoto estuda durante um ano com Andrés DÁquila, e realiza a sua primeira gravação não comercial em acetato, Marionete Spagnol, em 30/11/1931, na Rádio Recording Studio.
Dois anos mais tarde, em 1933, passou a estudar com o pianista húngaro Bela Wilda, discípulo de Sergei Rachmaninoff, e com ele aprende a gostar de música clássica, em especial de Johann Sebastian Bach.
Tempos depois conheceu o cantor Carlos Gardel, que se tornou amigo da família e convidou o pequeno Astor a participar do filme “El Dia Que Me Quieras” em 1935, onde Astor fazia uma pequena aparição, como entregador de jornal. Esta cena é emblemática na história do tango.

No ano seguinte, 1936, a família regressa para Mar del Planta, Astor Piazzolla estava com 15 anos de idade e mesmo ainda muito jovem começou a tocar em algumas orquestras de tango, quando passou a ter um contato mais direto com o tango e tornar-se um grande admirador das interpretações do violinista Elvino Vardaro, um exímio tocador de tango, que mais tarde viria a fazer parte de seu grupo.


Anibal Troilo

Dois anos mais tarde, aos 17 anos de idade, resolveu sair de Mar Del Plata e rumou para capital Buenos Aires, lá começou a tocar em diversos grupos e em algumas orquestras de tango, até realizar o seu sonho, em 1939, quando consegue ingressar na Orquestra de Aníbal Troilo Pichuco, que era um dos melhores intérpretes do bandoneon.

Alberto Ginastera
Raul Spivak
Necessitando evoluir musicalmente, e ser o arranjador da orquestra Troilo, inicia seus estudos com Alberto Ginastera em 1941.

No ano seguinte casa-se com Dedé Wolff, em 1943 nasce Diana, no mesmo ano estuda piano com Raul Spivak. Em 1944 nasce Daniel. Seus arranjos são considerados avançados para sua época.
Diana, Dede, Astor e Daniel - Mar del Plata - 1954

Francisco Fiorentino
Data de 1943 sua primeira composição de caráter erudito a Suíte para Cordas, Harpa e Orquestra. Em 1944 deixa a Orquestra de Troilo para acompanhar a orquestra do cantor Francisco Fiorentino por dois anos.
Em 1946, forma a sua primeira orquestra que dura apenas três anos, com esta orquestra desenvolve em suas obras um grande impulso criativo e colocando mais dinamismo harmônico nas orquestrações, enfim um tango ousado e moderno, e muito diferente daquele normalmente tocado dentro da Argentina, o que fez com seu nome começasse a aparecer.
Ainda neste ano compõe El Desbande, considerado por ele como seu primeiro tango.
Começa a compor trilhas sonoras para filmes e em 1949, desfaz a orquestra e por pouco quase não abandona o tango por completo. Por esse tempo ele estudava com os grandes maestros Bartok e Stravinsky e ainda direção orquestral com Hermann Scherchen, além de ouvir muito jazz. 
Bela Bartok                      Igor Stravinsky                  Hermann Scherchen
O músico perseguia um estilo, uma música que em nada se parecia com o tango. Aos 28 anos decide abandonar o bandoneon para dedicar-se à escrita e para aprofundar seus estudos musicais.
Entre 1950 e 1954 compõe várias obras, claramente distintas da concepção do tango até então, quando começa a definir o seu estilo: Para lucirse, Tanguango, Prepárense, Contrabajeando, Triunfal, Lo que vendrá.
Fabien Sevitzky
Em 1953 participa do Concurso Fabien Sevitzky com a obra: Buenos Aires (três peças sinfônicas) - composta em 1951, conquistando o primeiro prêmio, a obra é apresentada na Faculdade de Direito de Buenos Aires pela Orquestra Sinfônica da Radio do Estado com a adição de dois acordeões e sob a direção do próprio Sevitzky.
Dentre os prêmios deste concurso estava uma bolsa de estudo do governo francês e Piazzolla foi para Paris estudar música clássica com Nadia Boulanger, quando teve a oportunidade de mostrar a ela o seu tango. Nadia passou a incentivar Piazzolla com uma frase:
Nadia Boulanger

"Astor, suas peças clássicas são bem escritos, mas o verdadeiro Piazzolla está aqui, nunca mais deixar isso para trás." Isto fez com que retornasse ao tango e ao bandoneón. Desta forma começou a trabalhar com mais afinco e eficiência a estrutura sofisticada do tango e gravou uma série de músicas.

Em 1955, Astor Piazzolla retornou para a Argentina e fundou o Octeto Buenos Aires, quando ele passou a mostrar verdadeiramente a sua nova música e dando início a idade contemporânea do tango. Esse Octeto durou até 1958, quando ele retornou para Nova Iorque para trabalhar como arranjador.
Permaneceu nos Estados Unidos até 1959, e nessa época escreveu a canção Adiós Nonino, uma das mais conhecidas de suas composições, feita em homenagem ao seu pai, quando este estava no leito de morte, Vicente “Nonino” Piazzolla. Diria, vinte anos depois: “Talvez eu estivesse rodeado de anjos. Foi a mais bela melodia que escrevi e não sei se alguma vez farei melhor".



Com Adiós Nonino,Decarísimo e Muerte de un Ángel começou a trilhar um caminho de sucesso que tería picos em seu concerto no Philarmonic Hall de Nova York e na musicalização de poemas de Jorge Luis Borges.
Regressou então para Argentina onde fundou muitos de seus quintetos que ficariam famosos.
Astor e Amelita
Em 1966 seu casamento com Dedé Wolff acabou e pouco tempo depois passou a namorar a cantora Amelita Baltar. 
Desse época, até por volta do início da década de 70, Piazzolla fez diversas composições e atuou em Paris, Itália e Buenos Aires. Em 1973, após um período exaustivo de grande produtividade como compositor, ele sofreu um ataque cardíaco fazendo com que ele tivesse que diminuir as suas atividades artísticas.
Nesse mesmo ano mudou-se para Itália e durante esse período fez uma série de gravações e composições que duraram por volta de cinco anos.
Em 1973, teve algumas músicas usadas como trilha sonora do filme Toda Nudez Será Castigada, dirigido por Arnaldo Jabor e adaptado da peça homônima de Nélson Rodrigues. A principal delas foi Fuga n° 9, do disco Música Contemporânea de la Ciudad de Buenos Aires, Vol.1 (1971).
Por conta disso, Piazzolla ganhou uma Menção Especial do Júri, como melhor trilha, no Festival de Gramado do mesmo ano.
Em 1974 separou-se de Amelita Baltar e dois anos mais tarde conheceu Laura Escalada com que viveu até sua morte.
Astor e Laura Escalada
 
Em 1988, participou do Programa Chico & Caetano da Rede Globo. Participação de Astor Piazzolla no Programa Chico & Caetano em 1988

Até por volta de 1990, Astor Piazzolla fez uma série de concertos com o seu quinteto, inúmeras gravações, principalmente pela Europa, América do Sul, Japão e Estados Unidos.
No dia 4 de agosto de 1990, em Paris, Astor Piazzolla sofreu um acidente vascular cerebral e dois anos mais tarde, faleceu em Buenos Aires no dia 4 de julho de 1992.
Piazzola deixou um legado de mais de 1000 obras, gravações com diversos artistas como Gary Burton, Tom Jobim e Fernando Suarez Paz, entre outros.
A música de Astor Piazzolla é sem dúvida uma das maiores expressões artísticas que a Argentina já deu ao mundo. Incorporando ao tango um pouco de jazz e um pouco de música clássica, Piazzolla conseguiu um resultado formidável e ao mesmo tempo inovador, sofisticando esse ritmo portenho e revolucionando seus conceitos.

Por muito tempo recusou escrever ou colocar uma letra na sua grande obra-prima, porém, aceitou a proposta da cantora argentina Eladia Blázquez, que lhe apresentou um poema que havia escrito sob a versão musical, e ele, comovido, concordou. Resta referir que Eladia renunciou a quaisquer direitos de autor que podia reclamar, enaltecendo ainda mais esta grande obra do tango.
Astor Piazzolla e Eladia Blázquez - 1988

ADIÓS NONINO
Desde una estrella al titilar...
Me hará señales de acudir,
por una luz de eternidad
cuando me llame, voy a ir.
A preguntarle, por ese niño
que con su muerte, lo perdí,
que con "Nonino" se me fue...
Cuando me diga, ven aquí...
Renaceré... Porque...

¡Soy...! la raíz, del país
que amasó con su arcilla.
¡Soy...! Sangre y piel, del "tano" aquel,
que me dio su semilla.
Adiós "Nonino".. que largo sin vos,
será el camino.
¡Dolor, tristeza, la mesa y el pan...!
Y mi adiós.. ¡Ay! Mi adiós,
a tu amor, tu tabaco, tu vino.
¿Quién..? Sin piedad, me robó la mitad,
al llevarte "Nonino"...
Tal vez un día, yo también mirando atrás...
Como vos, diga adiós ¡No va más..!

Recitado:
Y hoy mi viejo "Nonino" es una planta.
Es la luz, es el viento y es el río...
Este torrente mío lo suplanta,
prolongando en mi ser, su desafío.
Me sucedo en su sangre, lo adivino.
Y presiento en mi voz, su propio eco.
Esta voz que una vez, me sonó a hueco
cuando le dije adiós Adiós "Nonino".

¡Soy...! La raíz, del país
que amasó con su arcilla...
¡Soy...! Sangre y piel,
del "tano" aquel,
que me dio su semilla.
Adiós "Nonino"... Dejaste tu sol,
en mi destino.
Tu ardor sin miedo, tu credo de amor.
Y ese afán... ¡Ay...! Tu afán
por sembrar de esperanza el camino.
Soy tu panal y esta gota de sal,
que hoy te llora "Nonino".
Tal vez el día que se corte mi piolín,
te veré y sabré... Que no hay fin.

Para ouvir e baixar, inclusive a versão cantada - acesse:

quarta-feira, 2 de março de 2016

AMARAL VIEIRA


José Carlos Amaral Vieira nascido em São Paulo – Capital no dia 2 de março de 1952. Amaral Vieira é um dos mais bem sucedidos, versáteis e completos músicos brasileiros de sua geração. Este grande êxito dentro da carreira artística deve-se à postura de seriedade de sua intensiva atividade musical, que lhe assegurou, no Brasil e Exterior, uma sólida posição como pianista, compositor, pedagogo e musicólogo.
Ele não veio de uma família musical, começou a tocar piano aos seis anos de idade. Apaixonou-se pelo som do piano enquanto ouvia as lições de sua irmã cinco anos mais velha do que ele, que tocava sem entusiasmado. Ele disse a ela: "Você acabou de tocar por cinco minutos, e eu vou fazer isto pelos próximos cinquenta e cinco anos." Seus pais acreditavam que o ouviam era a filha praticando, entretanto ela lia um livro, enquanto o seu irmão tocava piano. O guri tentou persuadir seus pais a deixá-lo ir para a escola de música, enquanto eles diziam que um rapaz deveria jogar futebol ao invés de tocar piano. Mas ele não se intimidou.
Aos oito anos de idade faz o primeiro recital de piano, início de aclamada carreira como intérprete, suas primeiras composições datam de 1961:
- Opus 001 Fuga para quatro vozes,
- Opus 002 Allegro (incompleto) para orquestra de cordas,
- Opus 003 Allegro com brio (incompleto) para piano.

João de Sousa Lima

No Brasil estudou piano com o famoso compositor e maestro brasileiro João de Sousa Lima, que reconheceu o talento do jovem e disposto a dar-lhe aulas particulares especiais, disse: "Eu vou te ensinar, mas com uma condição... Eu não vou fazer concessões especiais para você, porque você é jovem eu vou tratá-lo como um adulto." 

Arthur Hartmann             Lucette Descaves                     Olivier Messiaen
Estudou também composição com Artur Hartmann. Posteriormente em 1965, quando tinha 13 anos, ingressou no Conservatoire Supérieur de Musique de Paris teve como professora de piano Lucette Descaves e o compositor Olivier Messiaen foi seu mestre e orientador em composição. Prosseguiu seus estudos como bolsista do DAAD e diplomou-se na Escola Superior de Música de Freiburg, Alemanha, onde teve aulas com Carl Seemann (piano) e Konrad Lechner (composição). 

Seemann     -       Lechner

Após ser diplomado, foi convidado pelo British Council a aperfeiçoar seus conhecimentos em Londres num estágio com o pianista Louis Kentner, que foi discípulo de um aluno pessoal de Liszt na Hungria.

Louis Kentner

Foi recomendado para o cargo de chefe do Departamento de Música da Escola Yehudi Menuhin para as crianças musicalmente talentosas no Reino Unido. Um posto muito cobiçado, por seu prestígio e estabilidade financeira. Entretanto pensou:
- Eu sou um brasileiro. Não tenho o dever de trabalhar para o meu próprio país?
Todo mundo ao redor dele tentou dissuadi-lo, dizendo que ele estava jogando fora uma oportunidade de ouro. Optou por retornar ao Brasil.
Hoje, ele comenta: "Se eu tivesse aceitado a proposta, tenho certeza que não teria me desenvolvido. Eu poderia ter sido abençoado com oportunidades, mas a minha vida teria sido sem desafios. E este é o desafio que nos faz crescer como seres humanos”.
Em 1977 retorna ao Brasil, fixa residência em São Paulo e tem início a sua carreira como divulgador da música de concerto, com ênfase especial à apresentação de um repertório de grande responsabilidade e muitas vezes, ainda inédito em nosso país, como foi o caso da apresentação integral, pela primeira vez na América Latina, do Ciclo das 19 Rapsódias Húngaras de Franz Liszt, que Amaral Vieira realizou no Museu de Arte de São Paulo.
Em 1978 conquistou o Prêmio Internacional de Composição "Arthur Honneger". Dois anos depois conquistou o Grande Prêmio da Fondation de France (outorgado à sua Trilogia opus 137).
Em 1984 aconteceu em São Paulo o Festival Amaral Vieira - O Compositor e sua Obra – foram 14 concertos, com a interpretação de 157 peças de sua autoria, mobilizando quase 200 musicistas no evento.

Lizst

Recebeu o Prêmio Liszt do governo húngaro em 1986 por ocasião do centenário de morte do compositor e em reconhecimento aos seus estudos, gravações e performances da música de Franz Liszt.
É responsável desde 1989 pelo LAUDATE DOMINUM, um programa de rádio dedicado à música sacra que não faz distinção de credo ou de período estético, da música antiga à contemporânea. Ecumênico na acepção plena da palavra, o programa contempla compositores das mais diversas épocas, nacionalidades e credos religiosos e é transmitido ainda nos dias de hoje pela Rádio Cultura FM de São Paulo, aos Domingos, às 9 horas da manhã, com reapresentação as terças-feiras, sempre às 22 horas. Neste programa já foram apresentadas centenas de obras inéditas em nosso país. O programa também vai ao ar aos domingos na Rádio Sodré de Montevidéu (Uruguai).
Amaral Vieira dedica grande parte de seu tempo ao trabalho de pesquisa musical, e em 1990 funda o Arquivo de Música Sacra Brasileira “Furio Franceschini”.
Em 1992 recebe no Japão o Prêmio Min-On1992 da Honra Suprema pelo conjunto de seu trabalho cultural, sendo a primeira vez que foi outorgado a um artista latino americano.
Daisaku Ikeda
No mesmo ano, recebe o convite do Presidente da SGI, para se apresentar no Ikeda Auditorium da Universidade Soka, com a Orquestra Sinfônica Fuji, interpretando sua obra O Alvorecer do Século da Humanidade, inspirada em texto literário de Daisaku Ikeda, Presidente da ‘SGI’, Soka Gakkai International, Japão, com a presença de mais de cinco mil pessoas e transmissão ao vivo por TV para todo o Japão.
No ano seguinte, em fevereiro de 1993, recebe o Prêmio SGI de Cultura do Japão, pelo seu trabalho artístico em prol da Cultura e da Paz Mundial.
No Brasil, a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) concedeu por sua obra Fantasia Coral para mezzo-soprano, piano, órgão, harpa, coro e duas bandas sinfônicas, o prêmio de “Melhor Obra Vocal de 1992”.
Foi presidente da Sociedade Brasileira de Musicologia entre os anos de 1993 e 1995.
Elias Álvares Lobo
André da Silva Gomes
 Deve-se a ele, entre outros menores, três grandes achados para a Musicologia: o quarto ato, até então desaparecido, (na versão de canto e piano) da ópera “A Louca” (1862) do compositor paulista Elias Álvares Lobo; o “Tratado de Contraponto e Composição” (1830) do compositor luso-brasileiro André da Silva Gomes; em novembro de 1995 descobriu uma composição inédita de Villa-Lobos, a Valsa Brilhante de 1904, para violão constando em catálogo das obras do mestre como “não localizada”. As três obras em manuscritos originais únicos.
Foi novamente agraciado pela APCA com o prêmio da “Melhor Obra Sinfônica de 1993” com “Sons Inovadores”.

Entre janeiro de 1994 e abril de 1995, Amaral Vieira realizou com o mais absoluto êxito tournées pelo Oriente Médio, Alemanha, Bélgica, Japão, China e Bolívia, além de apresentações no Brasil, num total de 85 concertos.

Em dezembro de 1995, quatro de suas obras sacras (Missa Pro Defunctis para coro a cappella, Requiem in Memoriam e Te Deum para coro e orquestra, e Stabat Mater para coro e cordas) foram gravadas pela Orquestra, Coro e Solistas da Eslováquia, e, em agosto de 1996, tiveram seu lançamento simultâneo em CD: na Eslováquia pelo selo Slovart Music e no Brasil pelo selo Paulus.
Em 1996 Amaral Vieira foi agraciado com seis prêmios em reconhecimento ao seu trabalho:
Prêmio Ary Barroso, “Personalidade Artística de 1995”; Prêmio Ateneu Rotário de 1996, do Rotary Club de São Paulo; Prêmio “Homem do Ano 1996” atribuído pela Tertúlia Pensão Jundiaí; Prêmio de “Honra ao Mérito, Paz e Cultura”, atribuído pela Associação Brasil SGI; Prêmio “Taplow Court Culture Award”, da Inglaterra, pelo conjunto de seus trabalhos; Prêmio de “Melhor Obra Sinfônica de 1996” pela APCA para a sua Canção da Juventude opus 274, para orquestra.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convidou Amaral Vieira para a realização de uma extensa viagem de concertos por oito países da América Latina, apresentando-se com extraordinário sucesso na Colômbia, Equador, Peru, Chile, Paraguai, Uruguai, Argentina e Bolívia, recebendo sempre a mais calorosa acolhida por parte do público e críticos musicais.
Nesse mesmo ano realizou duas tournées no Japão (uma de fevereiro a maio, e outra de setembro a dezembro) quando se apresentou em 114 recitais por várias cidades daquele país e concertos com orquestra nas cidades principais, estes últimos, exclusivamente dedicados às suas obras orquestrais.
Em abril/maio de 1996 foram gravadas no Japão as seguintes obras de Amaral Vieira: Sons Inovadores - opus 266 para orquestra, Alvorada de Esperança da Civilização Universal - opus 268 para piano, O Alvorecer do Século da Humanidade - opus 259 para piano e orquestra, Canção da Juventude - opus 274 para orquestra e Words of Encouragement - opus 267 para solistas vocais, coro misto, coro infantil, orquestra de cordas, piano, celesta harpa e percussão, com as quais saiu um CD “Vieira’s World” do selo Min-On.
No mês de junho/1996 fez uma tournée pela Hungria e Romênia após o que foi convidado a integrar o Júri do 4º Concurso Internacional de Piano “Dinu Lipatti” na Romênia.
Um estojo com três álbuns contendo suas interpretações para as obras de Liszt foi editado em setembro em Paris, pelo Selo SM International, com distribuição mundial.
Recebe mais duas honrarias do Japão: Prêmio "Soka University Award of Highest Honor" - Professor Emeritus, o mais alto prêmio daquela Universidade e "Certificado da Amizade Soka", pela Congregação Estudantil da Universidade Soka, ambos em 1997.
Três álbuns inteiramente dedicados às suas composições foram editados em 1997 nos Estados Unidos. No mesmo ano teve suas obras para órgão gravadas pelo artista inglês Iain Quinn (“Obras Completas Para Órgão (1984/96)”).
Em 1997 esteve em Portugal fazendo concertos e ministrando cursos de interpretação para pianistas, tendo sido convidado a fazer parte do Júri do Concurso Internacional do Porto em 1998. Em seguida viajou para a Eslováquia, onde duas de suas obras sacras (Te Deum in Stilo Barocco e Missa Choralis) foram gravadas pela Orquestra e Coro daquele país, estando o CD resultante desse registro, já disponível, na Europa, pela Slovart Records, e no Brasil, pela Paulus.
Em outubro do mesmo ano, seguiu para o Japão, para o lançamento de seu CD “The Refined Timbre of the Historic Fortepiano” gravado em um Schweighofer de 1840; na mesma viagem fez, com muito sucesso, concertos na China, onde foi convidado pela China Performing Arts Agency, a maior agência de concertos do mundo, a voltar em 1999 para uma grande tournée de concertos pelo país.
Em 1998 o compositor tomou posse da Presidência da Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, tendo terminado seu mandato em dezembro de 2002.
Suas turnês de concertos incluíram, afora o Brasil, quase todos os países da Europa, América do Sul, Oriente Médio, China e Japão.
Recebe o prêmio da APCA para orquestra e “Melhor Obra Camerística de 1999” com seu quinteto “Fronteiras”.
Assume durante o período de 1999 a 2001 a Direção Artística do Festival Internacional São Bento de Órgão, realizado no Mosteiro de São Bento (SP) que trouxe ao Brasil organistas os mais famosos e recebeu uma média de público de 1.200 pessoas a cada recital.
Em janeiro de 2000 Amaral Vieira foi eleito para a Cadeira nº 39 (Patrono Luciano Gallet) da Academia Brasileira de Música, tendo sido à época o mais jovem Acadêmico dessa prestigiosa Instituição, criada por Villa-Lobos.
Em abril de 2001 assumiu a presidência da Fundação Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, cargo que ocupou por oito anos.
Tendo completado em 2002, cinquenta anos de idade, muitas foram as comemorações com execuções de suas obras durante o ano todo em várias cidades do Brasil e exterior.
Em março de 2003, recebe do Japão, o “Prêmio Arte da Soka Gakkai”, pelo conjunto de seu trabalho como compositor, pianista e divulgador da arte musical em todos os seus segmentos. Este prêmio foi instituído no início desse ano e Amaral Vieira é o primeiro artista estrangeiro a recebê-lo.
Fez parte do Júri do XIX Concurso Internacional de Piano de Epinal na França em 2003, 2007 e 2009, quando o presidiu.
Em fevereiro/março de 2005 esteve pela sétima vez no Japão, onde fez uma tournée de 15 concertos, e em 2008, mais uma tournée de 24 apresentações completando assim, somente naquele país, desde 1994, o espantoso número de 250 concertos em mais de 200 cidades. Nesta mesma viagem recebeu o Prêmio de “Embaixador Honorário da Música” da Universidade Soka dos Estados Unidos por sua importante e incessante contribuição para a Arte em nosso país e no mundo.
Amaral Vieira tornou-se, no Japão, o mais conhecido artista brasileiro dentro de sua área. O público acorre sempre com incomum entusiasmo aos seus recitais, cujos ingressos se esgotam de dois a três meses antes de cada tournée. É importante ressaltar que os teatros japoneses são geralmente de grandes dimensões, chegando a comportar até 5.000 pessoas num único evento.
Em 2006 compôs o “Concerto Breve” opus 321, para piano e orquestra. A obra foi encomendada pelo “Projeto Guri” em comemoração aos 10 anos de sua existência e estreada em dezembro daquele ano, na Sala São Paulo, pela Orquestra do Projeto Guri, tendo como solista o jovem pianista Fausto Ito sob a regência do Maestro John Neschling.
No mês de julho de 2008, o pianista foi agraciado com o prêmio "2008 Golden Laurel Award", outorgado pela "The Delian Society" pelo conjunto de sua obra. É a primeira vez que esta distinção é conferida a um compositor brasileiro. O prêmio é dado uma vez ao ano para um único compositor vivo no mundo. A indicação foi feita por membros da sociedade e a escolha final ratificada por uma comissão internacional. A organização dedicou uma página a Amaral Vieira oficializando o recebimento do Golden Laurel Award, que pode ser acessado no site www.deliansociety.org/vieira.html. Fundada em 2004, essa renomada sociedade musical com sede na Florida (EUA) atua em mais de 30 países em seis continentes.
Em dezembro de 2010 foi apresentada, no Teatro do MASP (SP), a estreia mundial de sua “Cantata de Natal” opus 327 para solistas, coro a quatro vozes, dois pianos, saxofone, tímpanos e percussão.
Em abril de 2011 aconteceu a estreia mundial de sua obra “Missa Paschalis” opus 328 para coro a quatro vozes e orquestra, no Domingo de Páscoa, na Catedral da Sé de São Paulo.
Suas gravações fonográficas contam atualmente com mais de 120 títulos e incluem obras dos mais diversos compositores, assim como o registro de suas próprias composições, que ultrapassam 500 obras, e têm sido gravadas por ele próprio e por outros artistas em vários países do mundo.
Entre algumas de suas composições mais notórias podem ser citadas:
Sonata Piccola, Op. 123
Trilogia - Elegia, Noturno e Toccata Op. 137
Fábulas, Op. 174, 10 peças para piano
Cinco Bagatelas para piano, Op. 178
Te Deum, Op. 181
Missa pro defunctis, Op. 187
Prólogo, Fuga e Final, Op. 194
Requiem in Memoriam, Op. 203
Te Deum in stilo barocco, Op. 213 (1986)
Stabat Mater, Op. 240
O Alvorecer do Século da Humanidade, Op. 259 (1991)
Sons Inovadores, Op. 266 (1992)
Palavras de Encorajamento, Op. 267
Alvorada de Esperança da Civilização Universal Op. 268
Canção da Juventude, Op. 274
Missa Choralis. Op. 282 (1984)
The Snow Country Prince, Op. 284
Aquarelas Japonesas Op. 325 (2010)
In Natali Domini (Cantata de Natal) Op. 327