quarta-feira, 11 de maio de 2016

WILLIAM BOYCE


Igreja St. James Garlick Hyth
Nascido no ano seguinte à chegada de Handel na Inglaterra, sua vida profissional seria à sombra do compositor. No entanto, este "Luminar no crepúsculo da Música Inglesa", como Boyce foi chamado, aludindo à geração que se seguiu à morte de Purcell em 1695, teve o seu reconhecimento, tornando-se compositor para a Capela Real, quando tinha vinte e cinco anos e Mestre Musical do Rei em 1755, quatro anos antes de Handel morrer. William Boyce foi um dos mais importantes compositores Ingleses do século 18.

Filho de um marceneiro e carpinteiro chamado John Boyce e Elizabeth Cordwell, nascido em 1711 na Maiden Lane (atual Skinner Lane) em Londres, a família mudou para este endereço no primeiro semestre deste ano.

A localização exata de sua casa nesta rua pode ser identificada como no lado norte ao leste de Doby Court. William foi o último dos quatro filhos do casal. 

Sua data de nascimento exata é desconhecida, mas sabe-se que ele foi batizado em 11 de setembro de 1711 na igreja em frente a sua casa: St. James' Garlick Hyth. 

Como três, dez e oito dias separam os respectivos nascimentos e batismos de seu irmão e irmãs, é razoável supor que William Boyce nasceu no início de setembro 1711.

Em fevereiro 1722, seu pai de William Boyce foi nomeado Bedel na Empresa dos Marceneiros. O posto trazia consigo alojamento para a família no Edifício dos Marceneiros. 

Maurice Greene
A família mudou-se em maio 1723, William tinha 11 anos, suas irmãs mais velhas Joanne e Elizabeth eram 19 e 13, respectivamente, e seu irmão John quase 17.

Aos doze anos, William é admitido no coral infantil da Catedral de St. Paul, sob a direção de Charles King, posteriormente quando sua voz começa a mudar, estuda música com Maurice Greene, que era o organista da Catedral.

Johann Pepusch
Em 1735, ele foi nomeado para seu primeiro posto profissional: organista da Oxford Chapel, na Vere Street, em Cavendish Square, Londres. Ali recebeu treinamento musical de Johann Pepusch. 

Ministrou cravo em várias escolas próximas. Ele permaneceu lá por dois anos antes assumir este mesmo cargo na St. Michael, em Cornhill, foi nesta época que começou a perder a audição.

Em 1736, compôs o oratório David’s Lamentation over Saul and Jonathan (Lamento de Davi sobre Saul e Jonatas) com texto de seu amigo John Lockman, apresentado pela primeira vez em 16 de abril de 1736 na Sociedade Apollo, que tinha sido fundado por Maurice Greene em 1731. 

Também apresentado em 18 de agosto de 1737 na Câmara Municipal, Windsor em ajuda das "Viúvas e Órfãos dos Senhores do Coro de St. George em Windsor Castle".

Ele 21 de Junho de 1736 se tornou compositor da Chapel Royal, foi ali que fez alguns de seus maiores hinos e músicas de igreja.

Em 1737, ele foi nomeado regente do Festival Three Choirs (Gloucester, Worcester e Hereford), uma celebração que é realizada anualmente em Londres até os dias de hoje. 

Foi para um destes festivais que ele escreveu seu 'Worcester Overture' que foi mais tarde publicado como Sinfonia Número 8.

Escreveu Ode for St. Cecilia’s Day, com outro texto de John Lockman, em 1739, nesta composição Boyce seguiu os passos de seus mestres, Greene e Pepusch. 

Embora composta para a Sociedade de Apollo e Catedral Coro de St. Paul, que também foi apresentada em Dublin, no dia 17 de dezembro de 1740 pela Sociedade Filarmónica. 

O The Faulkerner’s Dublin Journal informou que "foi permitido por vários dos melhores juízes, para ser uma das performances mais grandiosas que jamais se ouviu”.

O trabalho permaneceu em seu repertório pelos cinco anos seguintes.

A opereta Peleus and Thetis foi escrita em 1740 com texto de Lord Lansdowne. Três anos mais tarde escreve 'Solomon' para a peça de Edward Moore. Com destaque para canção ‘Softly Rise, O Southern Breeze’, que permaneceu popular por mais de cinquenta anos.

All Hallows
No verão de 1748 casou-se com Hannah - seu sobrenome permanece desconhecido. Em 29 de  Abril de 1749, o casal tem uma filha.

Em 1749 um novo órgão foi instalado na igreja All Hallows - The Great and Less, em Thames Street. William Boyce foi escolhido como organista. Ainda naquele ano, compôs a música para uma ode escrita por William Mason a ser utilizada na instalação do Duque de Newcastle como chanceler da Universidade de Cambridge.

A ode foi realizada em 1º de julho e no dia seguinte seu hino “O be joyful” foi tocado na Great St. Mary’s church como um exercício para o grau de Doutor em Música que a Universidade lhe conferiu no dia 3 de julho.

John Dryden
Atendendo ao pedido de David Garrick, diretor da companhia teatral Drury Lane, fez a música para The Secular Masque, obra de John Dryden.

A peça estreou, ainda naquele mês de Julho em Cambridge, no drama não existe uma trama e sim uma discussão entre os deuses e deusas em relação ao declínio dos valores morais.

Em 1750, duas companhias teatrais rivais, a Drury Lane, e Covent Garden de Christopher Rich decidem encenar Romeu e Julieta, com a disputa pelo público, teve início a Batalha dos Romeus.



David Garrick
Na encenação apresentada por Rich havia um cortejo fúnebre para Julieta acompanhado pela música de Thomas Arne, era o ponto alto da peça, que levava maior público para a Covent Garden. 

Assim Garrick decidiu introduzir também em sua produção tal cortejo e solicitou a Boyce que fizesse a música num prazo de uma semana a inclusão foi realizada e a peça teve audiências maiores do que a concorrente.

Com o sucesso foi convidado a compor a música para a companhia, The Shepherd’s Lottery com texto de Moses Mendez também bem recebida pelo público.



A partir de 1752, Boyce para de produzir regularmente para o teatro devido ao aumento de sua surdez. Dois anos depois Garrick pediu novas composições para tocar entre os atos da peça Bodicea, William fez, mas sem o sucesso esperado.

Após a morte de Greene em 1755, Boyce foi nomeado o seu sucessor como Master of the King’s band e também como maestro do festival anual de "Sons do Clero" na Catedral de St. Paul. Como Mestre de Banda do Rei, produziu duas odes a cada ano - uma para celebrar o Ano Novo e outra para o aniversário do rei. As Aberturas dessas odes formaram a base de suas "Oito Sinfonias" e "Doze Aberturas".

Após a morte de John Travers, em 1758, ele se tornou um dos três organistas da Capela Real. Para celebrar as vitórias britânicas contra os franceses em 1759, Boyce escreveu aquela que se tornaria uma de suas canções mais famosas: "Heart of Oak".

William Boyce, seu filho, nasce em 25 de Março de 1764. Quinze anos mais novo que a sua irmã. Mais tarde tornou-se famoso no mundo da música como contrabaixista nas orquestras de Londres.

Com o aumento de sua surdez aumentou, em 1768 ele renunciou ao seu cargo no St. Michael, Cornhill e em 1769 foi demitido da All hallows. 

Posteriormente desistiu das aulas retirou-se para Kensington Gore, ali editou sua agora famosa coleção de 'Catedral Music'. Greene, seu antigo professor, havia começado o trabalho, mas sua saúde debilitada impediu que completasse. Deixou o material com Boyce na esperança de concluísse a obra.

No dia 07 de fevereiro de 1779 aos 67 anos de idade, William Boyce faleceu, de acordo com John Hawkins a causa de sua morte foi gota. Foi sepultado sob o centro da cúpula da St.Paul Cathedral, na manhã do dia 16 de fevereiro. 


Os corais da St. Paul, Westminster Abbey e Royal Chapel cantaram juntos no seu funeral, incluindo o seu hino "If we believe that Jesus died”. A organização do velório afirma que, "Ao término do culto da manhã, o cadáver será levado até a sepultura durante este tempo, será executada a Marcha Solene composta pelo Dr. Boyce", do sua quarta Sonata para Trio por John Jones, o organista da Catedral.

Em seu epitáfio foi escrito:
"Feliz em suas composições, muito mais feliz no fluxo constante da harmonia através de cada cena da vida".

No ano seguinte a sua morte sua esposa publica “Fifteen Anthems and a Te Deum and Jubilate” e em 1790 é publicado um segundo volume.

Em 1788 Sir John Hawkins publicou As Memórias de William Boyce.

Charles Burney
O compositor Charles Wesley disse: "Um homem mais modesto do que o Dr. Boyce eu não conheci. Nunca o ouvi falar uma palavra vã ou mal-humorada, seja para exaltar-se ou depreciar alguém".

Vinte e quatro anos após a morte do compositor Charles Burney escreveu sobre William Boyce: "Não houve nenhum professor que eu tenha amado, honrado e respeitado mais".

Boyce foi esquecido após a sua morte, apenas a sua música de igreja continuou viva no repertório da Catedral Anglicana.



Constant Lambert foi o responsável pela redescoberta das obras do compositor entre 1928 e 1930.
Sua canção Heart of Oak é usada como marcha da Marinha Real do Reino Unido e da Marinha Canadense.
Constant Lambert
Boyce também escreveu músicas para rituais maçônicos.

Boyce nasceu numa época de transição no desenvolvimento da Maçonaria na Grã-Bretanha. 

Como a música já desempenhava um papel de alguma importância em certas cerimônias maçônicas. Estima-se que até 1760, ao menos cem músicas maçônicas foram publicadas e estavam disponíveis para uso em reuniões de fraternidades. 

É provável que Boyce tenha participado de uma loja, alguns autores apontam William como maçom de destaque e autor da canção: “No sect in the world can with Masons compare”, cantada até hoje em algumas oficinas.

Moses Mendez
Uma referência a supostas credenciais maçônicas de William Boyce estão na segunda edição do Die Musik in Geschichte und Gegenwart (A Música no Passado e no Presente) no verbete que trata do compositor, há um artigo de um musicólogo inglês que diz sobre o comentário sobre as obras  “The chaplet” e “The shepherd's lottery”, diz os libretos de ambas as peças foram escritas por Moses Mendez, um rico corretor judeu da bolsa e escritor, que não só era um amigo pessoal do compositor, mas como Boyce, foi sem dúvida um maçom ".



Heart of Oak – música de William Boyce – letra de David Garrick

Come, cheer up, my lads, 'tis to glory we steer,
To add something more to this wonderful year;
To honour we call you, as freemen not slaves,
For who are so free as the sons of the waves?
(Chorus sung once...)
Heart of oak are our ships, jolly tars are our men,
we always are ready; Steady, boys, steady!
We'll fight and we'll conquer again and again.

We never see the French but we wish them to stay,
They always see us and they wish us away;
If they run, we will follow, we will drive them ashore,
And if they won't fight, we can do no more.
(Chorus sung once...)

They swear they'll invade us, these terrible foes,
They frighten our women, our children and beaus,
But should their flat bottoms in darkness get o'er,
Still Britons they'll find to receive them on shore.
(Chorus sung once...)
[Verse sometimes omitted]
Britannia triumphant, her ships sweep the sea,
Her standard is Justice—her watchword, 'be free.'
Then cheer up, my lads, with one heart let us sing,
Our soldiers, our sailors, our statesmen, and king.

(Final Chorus sung twice...)


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Yo-Yo Ma


Hiao-Tsiun Ma
Yo-Yo Ma, nascido em 07 de Outubro de 1955, é um músico norte-americano nascido na França, de origem chinesa, considerado um dos melhores violoncelistas da história.

Yo-Yo Ma nasceu numa família de origem chinesa com forte influência musical. Sua mãe, Marina Lu, era cantora, e seu pai, Hiao-Tsiun Ma, era maestro, violinista e compositor. 

Yo-Yo Ma começou estudando violino e depois viola, antes de se interessar pelo violoncelo, instrumento que começou a manipular aos quatro anos de idade, com seu pai. 

Depois de um primeiro concerto em Paris, aos seis anos de idade, a família de Yo-Yo Ma se muda para Nova York.


Leonard Rose
Yo-Yo Ma era uma criança prodígio, tendo aparecido na televisão norte-americana com oito anos de idade, em um concerto conduzido por Leonard Bernstein. 

Ele entrou para a Juilliard School (na qual tinha aulas com Leonard Rose), e passou um semestre estudando na Universidade de Columbia antes de se matricular na Universidade de Harvard, mas se questionava sobre se valeria a pena continuar a estudar até que, nos anos 70, o estilo de Pablo Casals o inspirou. 

Myung-Whun Chung
Retorna à França para tocar com a Orquestra Nacional da França e com a Orquestra de Paris, sob a direção de Myung-Whun Chung.


Já desde sua infância e adolescência, Yo-Yo Ma possuía uma fama bastante estável e havia tocado com algumas das melhores orquestras do mundo.

Suas gravações e interpretações das Suítes para violoncelo solo de Johann Sebastian Bach são particularmente aclamadas.



Yo-Yo e sua irmã


Sua irmã mais velha, Yeou-Cheng Ma, também nascida em Paris, é violinista e junto com Yo-Yo coordena um projeto chamado Children’s Orchestra Society (COS) em Long Island, nos EUA.







Em 1978, Yo-Yo Ma se casou com a violinista Jill Hornor. Eles têm dois filhos, Nicholas e Emily. 

Foto de família
Em janeiro de 2006, Yo-Yo Ma recebeu o título de Mensageiro da Paz ONU, a exemplo de vários outros músicos.

Ele foi premiado com a Medalha Nacional de Artes em 2001, [3] Medalha Presidencial da Liberdade em 2011, e o Polar Music Prize em 2012.
Silk Road Project
Atualmente, Yo-Yo Ma toca com o Silk Road Project, que visa juntar músicos de vários lugares do mundo de países pelos quais passava a histórica Rota da Seda. 


Além de gravações do repertório clássico padrão, ele gravou uma grande variedade de música popular, como blues de raiz norte americano “bluegrass”, melodias tradicionais chineses, os tangos de Astor Piazzolla, e música brasileira. Ele também colaborou com o cantor de jazz Bobby McFerrin.


Apresento aqui o álbum Yo-Yo Ma plays Ennio Morricone de 2004 com gravações de várias trilhas sonoras de filmes de Morricone interpretadas pelo violoncelista e produzido pelo próprio Ennio Morricone
Ennio Morricone

O álbum foi gravado com a Roma Sinfonietta Orchestra e com Gilda Buttà no piano. Morricone foi o responsável também pela orquestração e regência. O disco foi lançado em 28 de setembro de 2004.
Gilda Buttà

O álbum ficou 105 semanas na parada de álbuns clássicos Billboard Top.
As canções apresentadas são:

The Mission

"Gabriel's Oboe"
"The Mission: The Falls"

Giuseppe Tornatore Suite
"The Legend of 1900: Playing Love"
"Cinema Paradiso: Nostalgia"
"Cinema Paradiso: Looking for You"
"Malèna: Main Theme"
"A Pure Formality: Main Theme"

Sergio Leone Suite
"Once Upon a Time in America: Deborah's Theme"
"Once Upon a Time in America: Cockeye's Song"
"Once Upon a Time in America: Main Theme"
"Once Upon a Time in the West: Main Theme"
"The Good, the Bad, and the Ugly: Ecstasy of Gold"

Brian De Palma Suite
"Casualties of War: Main Theme"
"The Untouchables: Death Theme"

Moses and Marco Polo Suite
"Moses: Journey"
"Moses: Main Theme"
"Marco Polo: Main Theme"

The Lady Caliph
"Dinner"
"Nocturne"

Cello & Piano
Legend of 1900 - Playing Love
The Mission - Gabriel's Oboe

quarta-feira, 27 de abril de 2016

BY THE THROAT

Ben Frost

Nascido em 1980, Ben Frost é um compositor e produtor australiano, radicado em Reykjavík, Islândia. Frost compõe música minimalista, instrumental e experimental, com influências que abrangem do minimalismo clássico ao punk rock e black metal.

Capas dos álbuns Steel Wound, School of Emotional Engineering, Theory of Machines e Aurora (da esquerda para direita)

Dentre seus álbuns destacam-se: Steel Wound (2003), School of Emotional Engineering (2004), Theory of Machines (2007), By The Throat (2009), Sólaris (2011) em parceria com Daniel Bjarnason, e Aurora (2014).
Capa do álbum Sólaris - com Daniel Bjarnason
Ele é colaborador dos seguintes grupos de dança:
- Companhia de Dança Contemporânea de Chunky Move,
- Companhia de Dança Islandesa, e;
- Com o coreógrafo britânico Wayne McGregor.

O que irei destacar foi o disco que me fez conhecer este compositor, trata-se do álbum By the Throat de 2009, uma obra atemorizadora, angustiante e claustrofóbica. O som dos lobos é impressionante. Não é para todos os ouvidos. A faixa cinco traz uma dúvida: se está defeituosa ou se é proposital, é proposital. Algumas vezes nos remete a Vangelis, outras Angelo Badalamenti em TWIN PEAKS, outros momentos lembra Brian Eno, mas a obra completa fala por si só. A partir deste ponto vou recorrer ao texto que me apresentou este álbum escrito por Luke D. Chevalier no blog PQPBACH


BY THE THROAT – por Luke D. Chevalier
Muitas obras musicais são caixinhas de surpresa de sentimentos: felicidade, melancolia, nostalgia, tristeza, raiva, euforia, entre outros. A maioria se situa entre a felicidade, que geralmente (mas nem sempre) está atrelada aos tons maiores (ré maior, fá maior, etc.) e a tristeza (ré menor, dó menor, etc.).
Se navegarmos pelas músicas do período clássico e romântico, é muito fácil identificar os sentimentos da música em algum lugar entre esses dois polos, felicidade e tristeza. Na virada para o século XX, isso fica mais difícil entre os românticos tardios. No início do século XX, os compositores modernos nos deleitam com novos sentimentos até então pouco explorados, o suspense na Sagração de Stravinsky, e não bem um sentimento, mas imagens nostálgicas, nas obras de Debussy.
Mas o que até então eu nunca tinha experimentado, embora trilhas sonoras de filmes já tenham chegado perto, é terror. Terror no sentido mais puro da palavra, terror de verdade, da morte, da dor, uma mistura de medo e desespero em algo muito pior. Isso puramente a partir da música, não da mistura de sensações que os filmes nos trazem.

Ben Frost

BY THE THROAT, lançado em 2009, pelo compositor e produtor musical Ben Frost, que apesar de ser australiano, vive na Islândia, é uma experiência musical ímpar. Este álbum une a beleza de uma melodia levemente nostálgica com o terror de um ambiente criado pela música.
Um internauta descreveu soberbamente essa experiência auditiva:
“(…)And with this latest [album], the chills rise up my spine and hold me, in perpetual, electric shock. The cover art alone puts into my mind the images of my final moments, lying naked on the snow, steam rising from the breath of a hungry wolf, his teeth sunk into my throat. And the track titles do not let up. Through The Glass Of The Roof, Through The Roof Of Your Mouth, Through The Mouth Of Your Eye. And the music? Dark grinding metallic strings scratched through distorted pads, deep breaths, growls, and choking melodies. The intensity of the bass and guitar riffs create instant goose bumps, tickling the inside of my ears, and clawing at my chest. White knuckled at the seat, I think I accidentally scratched a healing scab off of my back and now I’m bleeding through this white collar shirt, the tie restricting my cries. Let me out! I’ve heard some dark and terrifying ambiance in my lifetime, but Frost’s onslaught is incredible(…)”
Recomendo que os senhores ouçam sozinhos, em casa e principalmente, no escuro. Como diz no final de seu comentário o ouvinte que citei acima, após terminar, vocês vão desejar voltar à sentir a angústia da melodia do piano, e o terror de toda essa experiência.

Ben Frost (1980): BY THE THROAT
01 Killshot
02 The Carpathians
03 Ó God Protect Me
04 Híbakúsja
05 Untitled Transient
06 Peter Venkman Part I
07 Peter Venkman Part II
08 Leo Needs A New Pair Of Shoes
09 Through The Glass Of The Roof
10 Through The Roof Of Your Mouth
11 Through The Mouth Of Your Eye

O álbum é produzido pelo próprio músico e por Valgeir Sigurdsson.
Valgeir Sigurdsson

Os músicos participantes são:


Nico Muhly – cravo e piano; Jeremy Gara – Percussão; Russell Fawcus – Cordas;


Quarteto Amiina - Cordas; Borgar Magnason – Baixo;


Paul Corley – Percussão e Programações e Sam Amidon - Cordas

quinta-feira, 21 de abril de 2016

THE MASONICS

Uma postagem diferente para o feriado de Tiradentes.



Conheci recentemente em um dos vários blogs que visito a banda THE MASONICS, sugestivo esse nome.

O encontro foi no blog Lágrima Psicodélica (http://lagrimapsicodelica3.blogspot.com.br/2016/03/the-masonics.html), onde consta a seguinte descrição:

“Banda inglesa que tem sua sonoridade voltada ao garage-rock, R&Blues, Punk, com poderosos instrumentais entrelaçados por baladas beat. Para variar, não são divulgados por aqui. À pedidos do blogueiro Skin”. E dispõe os links para vários discos dos rapazes.

Fiz o download de todos, e gostei do que ouvi, assim decidi compartilhar a título de curiosidade algumas faixas.

Antes pesquisei um pouco sobre eles... 

São originários de Rochester e Londres. Com influências musicais de The Kinks, The Beatles, Bo Didley, Chuck Berry dentre outros.


A banda é formada atualmente por:

- Mickey Hampshire: Guitarra e Voz
- John Gibbs: Baixo e
- Bruce Brand: Bateria.

Em alguns discos há uma mulher entre eles: Miss Ludella Black.

Já participaram da banda outros quatro baixistas:
Liam Watson, Johnny Barker, Johnny Johnson e Nick Brown.

No FanPage no Facebook da banda eles se apresentam da seguinte maneira:

- MICK (the Milk) HAMPSHIRE: yelping, crooning, cheesewire disassembly and guitaring.
- JOHN (Fist of Fury) GIBBS: pounding, debassing and caterwauling.
- BRUCE (Bash) BRAND: thwacking, tubthumping and traprattling, with the odd bit of squealing and squawking.

Miss LUDELLA BLACK: Occasional honorary superstar girl type all-singing facesaver.

DISCOGRAFIA:
ALBUMS:


1991 - THE MASONICS 
1998 - SILENTLY BY NIGHT
2003 - THE MASONIC MACHINE TURNS ON YOU!


1998 - DOWN AMONG THE DEAD MEN
2004 - LIVE IN LONDON
2005 - OUTSIDE, LOOKING IN


2007 - ROYAL & ANCIENT
2009 - FROM THE TEMPLE VAULTS
2011 - IN YOUR NIGHT OF DREAMS AND OTHER FOREBODING PLEASURES


SINGLES & EPs:


1994 - Empty Shell Of A Man/You Just Dont Care/Tell That To A Hungry Man/Why Did She Have To Go (Wonderlamp)
1995 -In A Mans Heart/Hey Calinda / She Cut Me To The Bone
1995 - Mumbo Jumbo/Good Or Bad Don’t Complain/Creature Called Doubt
1997 - The Earl Of Hell/Upside Down Man / Never So Sad


2005 - Skull Of A Man (featuring Miss Ludella Black)
2006 - When You Cry At Night / Where's Johnny Moped Now?

2009 - Sometimes Friend (feat. Ludella Black) / Hungry Monkey


quarta-feira, 13 de abril de 2016

GEORG ANTON BENDA

GEORG ANTON BENDA, cujo nome original era Jiří Antonín Benda, foi um compositor, violinista e mestre de capela do período clássico, amplamente admirado durante a sua vida. Tem como data de batismo o dia 30 de junho de 1722. Nascido em Staré Benátky, na Bohemia, atual República Tcheca.
Franz Benda
Foi o quarto dos seis filhos de Jan Jiří Benda, músico e tecelão de linho, e Dorota Brixi, descendente de uma família de músicos bem conhecidos, ele e František Benda, o mais velho, foram os mais famosos dentre todos os irmãos.
Seus outros irmãos são: Jan Jiří Benda, Viktor Benda, Josef Benda e Anna Františka Hatašová, sendo os dois últimos mais novos que Georg.
Foi iniciado na música com o seu pai. Estudou no Piarist Gymnasium (escola secundária) em Kosmanos e posteriormente foi seminarista no Jesuit Gymnasium em Gitschin de 1739 a 1742, que era conhecido por sua intensa música vocal e instrumental, retórica, e, especialmente, o seu teatro.

Aos dezenove anos, se juntou aos demais membros da família que estavam em Berlim, na corte de Frederico, o Grande, da Prússia, um amante da música, que lhe concedeu o título de segundo violinista na Capela de Berlim. No ano seguinte, a convite de seu irmão mais velho, Franz foi para Potsdam onde trabalharia como compositor e arranjador. 
Friedrich III
Em 1750, recebeu o cargo de Mestre de Capela na Corte de Friedrich III, Duque de Saxe-Gotha, permaneceu no cargo por trinta anos, foi onde ele desenvolveu o seu talento para a composição, especializando-se em música instrumental e religiosa. O clero local proibia qualquer ideia de formar um teatro musical, exceção feita para o aniversário da Duquesa Luisa Dorotea em 1765, ocasião em que escreveu sua primeira ópera Xindo reconnosciuto.
Com o sucesso desta obra e vários pequenos intermezzos que compôs, O Duque concedeu-lhe uma bolsa para que estudasse na Itália, onde teve contato com vários compositores de ópera da época, influenciando assim o seu estilo de composição, no seu retorno dedicou-se à composição de óperas populares.
Como um membro da orquestra da corte, ele aprendeu as composições de Johann Joachim Quantz.
Com a morte da duquesa em 1767 e do próprio Duque em 1772, passou a prestar serviços ao sucessor Duque Ernst II, a partir dai começa a escrever um novo estilo que fundia o drama falado com a música.
Esta foi sua contribuição mais importante, o desenvolvimento dos melodramas alemães, uma forma de entretenimento musical que influenciou Mozart. O (das) Melodram, um recurso dramatúrgico-musical em meio à ópera, designando um trecho ou cena em que há execução falada do texto com acompanhamento simultâneo de música instrumental.
Casou-se e teve cinco filhos, todos com talento musical, destacando-se Friedrich Ludwig Benda. Os demais foram Heinrich, Catharina Justina, Hermann Christian, Carl Ernst Eberhard.
Em 1774, o diretor da companhia teatral Abel Seyler chegou a Gotha, e encomendou alguns melodramas, incluindo Ariadne auf Naxos, Medea e Pygmalion. Ariadne auf Naxos é considerado seu melhor trabalho. 
Johann Christian Brandes

Com texto de Johann Christian Brandes (1722-1795) e música incidental de Benda. Diferente da ópera homônima de Richard Strauss, essa peça setecentista é um duodrama (obra teatral para dois personagens) que havia sido escrito entre 1772 e 1773, recebendo alguns poucos números musicais de Anton Schweitzer (1735-1787), mas teve sua música finalizada Benda, que compôs claros acompanhamentos simultâneos a alguns dos trechos falados. Na sua estreia em 1775, a ópera recebeu críticas entusiasmadas na Alemanha e depois, em toda a Europa, com os críticos de música chamando a atenção para a sua originalidade, doçura, e execução engenhosa. Logo começou a ser imitado. Ao mesmo tempo, Benda ganhou uma reputação como compositor de Singspiel (um subgênero alemão da ópera), tornando-se o compositor mais popular do gênero do tempo. A disputa com a rival Anton Schweitzer o levou a renunciar ao posto de Kappeldirector que o Ernest II havia lhe concedido, e deixar Gotha, viajando por um ano para Hamburgo e Viena.

Além disso, ele escreveu muitas peças instrumentais, incluindo sinfonias e algumas sonatinas.
Jean Jacques Rousseau
Os melodramas nasceram da ideia de alternância entre a música e a palavra falada, influencia de J. J. Rousseau, tanto em termos práticos e artisticamente. Rousseau queria que a música criasse uma base para o discurso do ator, Benda tinha como requisito básico a veracidade dramática - ele queria criar um novo drama musical.

Também escreveu músicas para rituais maçônicos, Benda foi iniciado maçom e membro da Loge Archimedes zu den drei Reissbrettern em Altenburg

Fama crescente provocada por seus melodramas permitiu-lhe visitar vários centros musicais, como Paris, em 1781- onde estreou sua opereta Romeu e Julieta, uma versão com final feliz, e Mannheim em 1787, onde formalmente se aposenta. Seu último trabalho, ironicamente, é uma cantata intitulada Bendas Klagen (Lamentações) de 1792.
Estabeleceu-se na pequena aldeia de Köstritz na atual Alemanha, aonde aos 73 anos de idade, no dia 06 de Novembro de 1795, veio a falecer, deixando seu filho, Friedrich Ludwig Benda (1752-1796), que continuou a tradição musical familiar, servindo como diretor musical em Hamburgo e mais tarde em Mecklenburg, antes de finalmente se tornar o concertino em Königsberg. Ele morreu menos de um ano depois de seu pai.
Benda foi uma das pessoas mais famosas no final século 18, compositor conhecido principalmente por sua música sacra e inovações no teatro musical. Em seus melodramas, em particular, pode-se notar uma sensibilidade harmônica e melódica que faz ressaltar o texto. Seus singspiels são mais complexos e tom sério é frequentemente muito mais progressista do que em trabalhos semelhantes feitos por Johann Adam Hiller. Sua música instrumental é tranquila ainda mantendo elementos do estilo galante, com temas sequenciados e motivos rítmicos curtos.

Sua obra inclui:
- 13 óperas (incluindo música incidental e duodramas);
- 166 cantatas (Principalmente Luterana);
- duas missas;
- um oratório;
- seis cantatas seculares;
- cerca de 25 canções;
- 30 sinfonias;
- 23 concertos (principalmente de violino e cravo);
- 54 sonatas para teclados sonatas;
- várias outras sonatas para violino e flauta;
- também um grande número de obras para teclado.


Alguns de seus descentes ainda hoje são atuantes no meio musical europeu, observe o nome do regente da Prague Chamber Orchestra - Christian Benda.


Para ouvir e baixar algumas de suas obras, clique aqui.