quarta-feira, 22 de março de 2017

MYSLIVECEK



Josef Mysliveček nascido no dia 09 de Março de 1737, em Praga, na atual República Tcheca, sendo um dos filhos gêmeos de um próspero dono de moinho, o outro foi Joachim.

Foi um compositor checo que contribuiu para a formação do classicismo do século XVIII na música, atuando principalmente na Itália.

Recebeu os primeiros rudimentos musicais ainda escola pública local.

Estudou filosofia na Universidade Charles-Ferdinand em sua cidade natal. 

Moleiro em ação num moinho
Em 1758, assumiu o posto de mestre moleiro, profissão de seu pai, mas logo desistiu da profissão, deixando o cargo para seu irmão, a fim de prosseguir estudos musicais.

Giovanni Pescetti
Estudou composição com Franz Habermann e Josef Seger no início da década de 1760, ainda em Praga.

Publicou um conjunto de seis sinfonias, em 1762, obtendo grande sucesso.

Em 1763, patrocinado pelo Conde Vincent von Waldstein, mudou-se para Veneza, onde estudaria com Giovanni Battista Pescetti.

Na Itália tornou-se conhecido como Il Boemo ("o boêmio") e também Giuseppe Venatorini ("José, caçador pequeno"), uma tradução literal de seu nome.

Depois de sua chegada à Itália, Mysliveček nunca deixou o país, exceto uma visita a Praga entre 1767-68, uma breve visita a Viena em 1773,onde conheceu Charles Burney e uma estadia prolongada em Munique entre dezembro de 1776 e abril de 1778.

A sua primeira ópera Semiramide, foi realizada em Bergamo em 1766.

Teatro San Carlo
Já a ópera Il Bellerofonte atingiu grande sucesso quando foi apresentada em Nápoles no Teatro San Carlo no dia 20 de Janeiro de 1767.

Leopold e Wolfgang Mozart
Tornou-se membro da Accademia Filarmonica di Bologna em 1.771, na mesma época conheceu Wolfgang e Leopold Mozart, que logo o consideraram como um amigo íntimo.

Nunca foi empregado diretamente por um nobre, prelado ou governante, ao contrário da maioria de seus contemporâneos. 

Ganhou sua vida com o ensino, executando, e compondo a música, e recebeu frequentemente gratificações dos admiradores ricos. A personalidade dinâmica irresistível impressionara a ambos. 

Em uma carta a seu pai Leopold, escrita em Munique em 11 de outubro de 1777, Mozart descreveu seu caráter como "cheio de fogo, espírito e vida".

A relação com a família Mozart perdurou até 1778, quando os contatos foram interrompidos quando ele não conseguiu cumprir a promessa de organizar uma comissão de ópera para Mozart no Teatro San Carlo em Nápoles.

Mozart usou motivos musicais tirados de várias composições de Mysliveček.

Além da reputação de promiscuidade registrada na correspondência de Mozart, nada se sabe sobre a vida amorosa de Mysliveček. O compositor nunca se casou, e nenhum nome dos amantes é gravado.

Faleceu em Roma no dia 04 de Fevereiro de 1781, na pobreza, quase esquecido e doente com sífilis, doença essa que já era citada em algumas correspondências entre os Mozart.



Seu corpo foi enterrado na Igreja de San Lorenzo in Lucina, Roma.

Dedicado principalmente à ópera, Mysliveček permaneceu fiel às convenções da ópera séria italiana, sem entrar nos aspectos dramáticos em suas obras. 


Apesar de ser considerado o pai da ópera Tcheca, e um dos primeiros compositores checos a se tornar um famoso compositor de ópera, deve-se observar que a sua linguagem operística não tem características checos adequadas, mas apenas na ópera séria italiana.

Como compositor escreveu, além das quase trinta óperas, pouco mais de vinte sinfonias, concertos, trios, quartetos, quintetos, octetos, sonatas para violino e música de teclado. Compôs algumas obras sacras, como Missas, Cantatas, Salmos e Oratórios.

Sua influência sobre o jovem Mozart era frequentemente reconhecida e, recentemente, alguns musicólogos teorizam que parte dos primeiros trabalhos de Mozart, na verdade, seriam de Mysliveček.

quinta-feira, 16 de março de 2017

PAUL WRANITZKY

Paul Wranitzky é o nome germanizado do compositor clássico Pavel Vranický, nascido no Império dos Habsburgo, na Morávia, atual República Tcheca, na cidade de Neureisch (Nová Říše), no dia 30 de Dezembro de 1756.
Império Habsburgo - Morávia ao norte (em azul)
Estudou na Faculdade de Teologia da Universidade de Olomouc.

Palacký University Olomouc.
Fundada no século XVI,
é a mais antiga Universidade da Morávia e
a segunda universidade mais antiga da República Checa.

Aos vinte anos ele se mudou para Viena para procurar oportunidades na capital do império, como fizeram a maioria dos compositores tchecos da época.

Não existe comprovação, mas acredita-se que ele estudou com Haydn. De qualquer forma foi influenciado em sua música de câmara pelos quartetos de Haydn.

A partir de 1790 dirigiu duas orquestras da corte austríaca, obtendo respeito e admiração de Mozart, Haydn e Beethoven.

Foi o regente escolhido por Beethoven para conduzir a sua Sinfonia nº 1 em 1800.

Wranitzky foi um compositor prolífico, sua obra inclui dez óperas, 44 sinfonias, pelo menos 56 quartetos de cordas e uma grande quantidade de outras músicas de orquestra e de câmara.

Sua ópera, Oberon de 1789 foi um dos favoritos neste gênero e inspirou Emanuel Schikaneder a escrever o libreto de A Flauta Mágica para Mozart em 1791.

Wranitzky morreu em Viena em 29 de setembro de 1808. Beethoven escreveu uma obra menor, porém encantadora, Variations on a Russian Dance (WoO 71), baseada em um tema da obra Das Waldmädchen (The Forest Maiden) de Wranitzky.

Seu meio-irmão, Antonín, também foi um compositor.



quarta-feira, 8 de março de 2017

SIR WILLIAM HERSCHEL


Friedrich Wilhelm Herschel ou simplesmente William Herschel nascido em Hannover, então parte do Sacro Império Romano, na atual Alemanha, aos 15 dias de novembro de 1738, foi um dos dez filhos de Anna Ilse Moritzen e Isaac Herschel, foi um compositor alemão naturalizado inglês, apesar de ser reconhecido por seu trabalho como astrônomo. A música sempre esteve presente em sua família.

Isaac Herschel era militar e fazia parte da Banda da Guarda, levando o jovem William, aos catorze anos, para a força militar, bem como o seu irmão Jakob, ambos fizeram parte da banda.

George II
Três anos mais tarde, quando as coroas da Grã Bretanha e Hannover foram unidas pelo Rei George II, o regimento passou a servir a Inglaterra. 

À medida que a ameaça da guerra com a França se aproximava, os Guardas Hanoverianos foram retirados da Inglaterra para defender Hanôver.

No final de 1757, com a derrota na batalha de Hastenbeck, Isaac Herschel mandou seus filhos para Inglaterra em busca de refúgio.

Sir Ralph Milbanke
Embora seu irmão mais velho Jakob tivesse recebido sua demissão da Guarda Hanoveriana, Wilhelm foi acusado de deserção, carregou este peso até 1782, quando obteve o perdão do rei George III.

Na Inglaterra passou a lecionar música, além do oboé, ele tocava violino e cravo e mais tarde o órgão.

Atuou como chefe da banda de milícias em Durham entre 1760 e 61. Visitou a casa de Sir Ralph Milbanke em Halnaby Hall, onde escreveu duas sinfonias, além de apresenta-las.

Charles Avison
Em 1761, mudou-se para Sunderland, local que compôs sua Sinfonia nº 8 em Dó menor, tempos depois foi contratado por Charles Avison como primeiro violino e solista para sua orquestra de Newcastle, onde ele tocou por uma temporada.

Depois de Newcastle, ele se mudou para Leeds e Halifax, onde foi o primeiro organista na igreja de São João Batista (atual Halifax Minster).

Ele se tornou o organista da Capela Octagon, Bath, uma elegante capela, na qual também foi Diretor de Concertos Públicos.

Caroline Lucretia Herschel
Foi nomeado organista em 1766 e deu seu concerto introdutório em primeiro de janeiro de 1767. Como o órgão ainda estava incompleto, ele mostrou sua versatilidade, executando suas próprias composições, incluindo um concerto de violino, um concerto de oboé e uma sonata de cravo. O órgão foi terminado em outubro 1767.

Seus irmãos Dietrich, Alexander e Jakob, também foram músicos em Bath.

Em 1772, sua irmã Caroline, com quem compartilhou a paixão pela astronomia, passou a viver com ele em Bath. 

Seu interesse pela teoria da música levou-o para a matemática e, finalmente, para a astronomia. Herschel construiu seus próprios telescópios grandes espelhos, que foram reconhecidos como os melhores do seu tempo, ainda maior do que os usados em Greenwich. A casa que eles compartilham agora é a localização do Museu Herschel de Astronomia.

Réplica de seu telescópio exposto em uma das salas
do Museu de Astronomia Herschel

Em 1780, Herschel foi nomeado diretor da orquestra de Bath, com Caroline, frequentemente aparecendo como soprano solista.

Ele compôs numerosas obras musicais, incluindo 24 sinfonias e muitos concertos, bem como algumas músicas da igreja. 

O astrônomo alemão, Sir William Herschel, explorou minuciosamente o céu noturno durante sua vida.

Suas descobertas incríveis revelavam cada vez mais a majestade da obra celestial do nosso Criador.

Placa do museu
identificando os irmãos Herschel
e suas principais descobertas
Após observar cuidadosamente com seu telescópio, Herschel fez uma descrição magnífica do planeta Saturno: “Talvez não haja outro objeto nos céus que nos presenteie com uma variedade de fenômenos tão extraordinários como o planeta Saturno: um globo magnífico, circundado por um estupendo anel duplo, assistido por sete satélites naturais, ornamentado com cinturões equatoriais, achatado nos polos, girando em seu eixo, eclipsando e sendo eclipsado por seu anel e satélites…”.

Nos sete anos seguintes, Herschel catalogaria todas as estrelas de magnitude 1 a 4, medir a altura de uma centena de montanhas lunares e observar detalhadamente estrelas duplas e nebulosas, como a grande nebulosa de Orion.

Faz parte de suas descobertas, a rotação axial de Marte e Júpiter.

Herschel observando o céu com sua irmã Caroline

No entanto, a surpresa veio em 13 de Março de 1781, quando ele fez a descoberta que mudou a astronomia de seus dias. Por quase um século, desde a descoberta das quatro luas ao redor de Saturno por Cassini, nenhum corpo celeste havia sido acrescentado ao sistema solar.

O achado de Herschel não foi de um mero satélite planetário, mas um planeta inteiro. O planeta Urano.
Planeta Herschel

Herschel, até então um mero astrônomo amador relativamente desconhecido mesmo na Inglaterra, tornou-se uma celebridade.

Ele foi premiado pela Sociedade Real de Londres com a medalha Copley.

Adotando uma estratégia historicamente comprovada, Herschel nomeou o novo planeta "Georgium Sidum", em homenagem ao então governante monarca inglês George III.


O truque funcionou mais uma vez, com o rei George III que em 1782 deu a William e Caroline os títulos de "astrônomo do rei" e "assistente do astrônomo do rei", uma honra que veio com uma pensão de vida para ambos.
George III visitando o observatório dos Herschel
Mudou-se para Datchet, perto de Castelo de Windsor. Em 1786 foi finalmente instalado em Slough.

Mary Pitt
Em 08 de maio de 1788, William Herschel casou-se com Mary Pitt, ex-Baldwin, a viúva do rico comerciante londrino John Pitt, que havia morrido em 1786.

No dia 07 de Março de 1792, nasce o único filho do casal, John Frederick William Herschel.

Em 1800, tornou-se interessado no espectro solar, e descobriu a primeira evidência para a produção de energia solar fora do "espectro visível", no que é agora conhecido como o infravermelho.

Ele catalogou 2.000 novas nebulosas, 800 estrelas duplas, dois satélites de Urano (Titânia e Oberon), dois de Saturno (Mimas e Enceladus) e cometas dos anos de 1807 e 1811. Ele estudou estrelas duplas, e é responsável por determinar que tal duplicidade não se devesse a um efeito de perspectiva, mas uma ligação física entre as estrelas.

Ele também estudou a estrutura da Via Láctea e concluiu que ela era achatada, em formato de disco e com o Sol em seu centro.

Ele também foi o primeiro a usar a palavra 'asteróide', que deriva da palavra grega aster 'estrela' + eidos 'forma, formato', em 1802, para descrever a aparência semelhante a das estrelas das pequenas luas dos planetas gasosos e dos planetas menores. No entanto, somente a partir da década de 1850 que a palavra passou a ser usada para descrever certos planetas pequenos.

Em 1813 foi eleito membro estrangeiro na Academia Real de Ciências Suíça. Ajudou na fundação da Sociedade Astronômica de Londres em 1820, na qual em 1831 recebeu uma carta real e se tornou a Academia Real de Astronomia.


Foi membro da Academia de Ciências de Paris, da Sociedade Real (Royal Society) e da Sociedade Astronômica (Royal Astronomical Society) ambas de Londres.


Ele foi homenageado com o título de cavaleiro (Sir) em 1816, e ganhou, entre outros prêmios e honrarias, a título póstumo, a medalha de ouro da Sociedade Astronômica Real (1826) e a medalha da Academia de Ciências da Prússia (1846). Grande parte de seus escritos foram coletados nos anais da Royal Society of London

William morreu em sua casa em Slough, perto de Windsor, em 25 de agosto de 1822, e Caroline em primeiro de setembro de 1848.

A tradição astronômica da família ainda continuaria com seu filho (John Herschel) e dois netos. 

Uma pequena pedra em sua memória foi desvelada na Abadia de Westminster em 08 de Novembro de 1954. Em seu epitáfio está escrito em latim: 'Coelorum Perrupit Claustra, Alibi Sepultus'. ("Ele atravessou os confins do céu, enterrado em outro lugar"). Seu jazigo encontra-se na igreja de St Laurence, Upton, perto de Slough, Buckinghamshire.

William Herschel foi também um dos muitos compositores contemporâneos de Mozart, entretanto isso não é fato marcante em sua biografia.




terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

JOHN MARSH

John Marsh


John Marsh, nascido em 31 de Maio de 1752 em Dorking, Surrey, na Inglaterra.
Marsh foi em grande parte autodidata, tornou-se proficiente em vários instrumentos, incluindo viola e violino.
Mais um daqueles que foram contemporâneos de Wolfgang Amadeus Mozart, entretanto como viveu apenas na Inglaterra, não há registros de qualquer encontro dele com o gênio austríaco.
Considerado o mais prolífico compositor inglês de sua época, de acordo com o seu próprio registro escreveu cerca de trezentas e cinquenta composições, destas trinta e nove sinfonias, sendo que desta apenas as nove que foram impressas e outras três final de movimentos sobreviveram, todo o restante se perdeu.
Estudou violino com Wafer, um organista em Gosport quando tinha quatorze anos, em virtude da mudança com a família para Romsey, não podendo continuar seus estudos formais que então foram interrompidos.
Em 1774, fixou residência em Salisbury, e então se juntou à orquestra provincial e tornou-se seu violinista principal. Ao mesmo tempo, começou lecionar órgão.
Nesta época, Marsh começa a compor hinos e, ocasionalmente, substituiu o organista em Canterbury.
Em 1787, mudou-se definitivamente para Chichester, passando o restante de sua vida, tornou-se um líder entre os músicos amadores. Marsh compôs obras de câmara, fugas de órgãos e voluntaries, hinos, salmos e canções seculares.
Marsh se considerava um amador e suas composições demonstram uma compreensão completa de técnicas musicais. Sua música era despretensiosa.
Além da música, John Marsh tinha outros interesses, foi autor de livros e artigos sobre música, geometria, astronomia e religião, entretanto sua maior obra foram seus diários, que narram suas atividades diárias, trata-se de um acervo com trinta e sete volumes que estão entre as fontes mais valiosas de em formação sobre a vida e música na Inglaterra do século 18.
Brian Robins, de Eastbourne, editou estes volumes em 1802. Eles representam um dos mais importantes documentos musicais e sociais do período, que teve o primeiro volume reeditado em 1998.
Ele também estudou táticas militares e conseguiu a promoção para o posto de capitão com uma companhia de voluntários. No final de sua vida, ele se em teressou por um movimento estabelecido para converter os judeus ao cristianismo anglicano.
Faleceu em 31 de outubro de 1828 em Chichester, Sussex.
O filho de Marsh foi poeta e clérigo Edward Garrard Marsh.
Suas obras sobreviventes são:

As Sinfonias de Salisbury
(*) Sinfonia No. 8 [9] em G Maior (1778)
(*) Conversação Sinfonia para duas orquestras No. 10 em E-bemol Maior (1778)
(*) Sinfonia No. 2 [12] em B-bemol Maior (1780)
Sinfonia No. 1 [13] em B-bemol Maior (1781)

As Sinfonias de Canterbury
Sinfonia No. 5 [16] em  E-bemol Maior (1783)
Sinfonia No. 3 [17] em  D Maior (1784)

As Sinfonias de Chichester
Sinfonia No. 4 [19] em  F Maior (1788)
(*) Sinfonia No. 7 [24] em  E-bemol Maior (La Chasse) (1790)
(*) Sinfonia No. 6 [27] em  D Maior (1796)

Os Finais
Finale No. 3 em  E-bemol Maior (1799)
Finale No. 1 em  D Maior (1800)
Finale No. 2 em  B-bemol Maior (1801)




As peças assinaladas com (*) estão disponíveis para audição.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CARL STAMITZ

Johann Stamitz
Karel Filip Stamic, nascido na cidade de Mannheim, na atual Alemanha, no dia 07 de Maio de 1.745 e batizado no dia seguinte, foi o primogênito do casal Maria Antonia Luneborn e Johann Wenzel Anton Stamitz, famoso compositor do movimento clássico e um dos fundadores da Escola de Mannheim. Tornou-se mais conhecido pelo seu nome germânico Karl ou Carl Philipp Stamitz e irmão do também compositor Anton Stamitz, cinco anos mais novo.
Com seu pai teve as primeiras lições de violino e composição. Johann Stamitz faleceu em 1.757, sendo substituído por Christian Cannabich à frente da Orquestra do Palácio de Mannhein, e assumiu também a responsabilidade de prosseguir como professor do pequeno Carl e de seu irmão, Anton. O garoto teve ainda como professores Ignaz Holzbauer, diretor musical da corte, e o compositor da corte Franz Xaver Richter.

Cannabich - Holzbauer - Richter


Foi o responsável pela introdução do clarinete na orquestra de Mannheim, em 1.758, graças ao seu entusiasmo, Carl ficara impressionado com as possibilidades expressivas e virtuosísticas daquele instrumento que foram demonstradas por Joseph Beer, seu grande amigo e fundador da escola de clarinete na Alemanha.
viola d'amore

Já sendo considerado um virtuoso no violino, na viola e na viola d’amore, o que lhe valeu o emprego como violinista na orquestra da corte em Mannheim, aos dezessete anos de idade, ali permaneceu por oito anos.

Duque de Noailles

A partir de 1.770, quando decide pedir demissão do cargo de violinista, começa a viajar pela Europa, como solista virtuoso, aceitando compromissos de curto prazo.

Carl Stamitz foi para Paris, onde se tornou conhecido como violinista, tendo trabalhado com Louis, duque de Noailles, que o fez seu compositor de corte.




Palácio Tuileries, Paris
Ele também se apresentou nos Concerts Spirituels, no palácio Tuileries, algumas vezes juntamente com seu irmão Anton.

Anton Stamitz

Stamitz usou Paris como sua base, fazendo frequentes passeios para várias cidades alemãs, onde se apresentava:

Esteve em 12 de abril de 1773 em Frankfurt am Main; no ano seguinte esteve em Augsburg; em 1775 visitou a capital russa, São Petersburgo.

Carl era considerado um compositor prolífico e um talentoso intérprete com grandes ambições, um dos mais proeminentes representantes da segunda geração da Escola de Mannheim, entretanto não conseguiu conquistar uma posição estável junto às grandes orquestras ou nas diversas cortes, acredita-se que isso tenha ocorrido por seu estilo de vida instável e itinerante.

Beer

Durante o período em que viveu em Paris, Stamitz trabalhou com Joseph Beer, uma parceria que se revelou fecunda tanto para Stamitz como para Beer.

Pelo menos um dos concertos de clarinete de Stamitz (o concerto nº 6 em E-bemol maior) aparenta ter sido composto em pelos dois homens, ambos os nomes aparecem na capa de um manuscrito vienense.


Em 1777 ele morou por um tempo em Estrasburgo, onde Franz Xaver Richter foi diretor musical. 

Abel e J.C. Bach
Thomas Erskine
Durante os anos 1777 e 1778 ele foi bem sucedido em Londres, um dos muitos músicos austro-alemães, como Carl Friedrich Abel, J.C. Bach e em seus últimos anos Joseph Haydn, para ser atraído para lá.


Sua estadia em Londres foi possivelmente facilitada por seu contato com Thomas Erskine, conde de Kellie, que tinha recebido lições do pai de Carl, Johann durante uma excursão do continente.
Frederico II

Seus concertos para violoncelo foram escritos para Frederico Guilherme II da Prússia, que era um talentoso músico amador: Mozart e Beethoven também escreveram música para o rei.

Em 1780 mudou-se para a Hague onde também foi violinista na corte do príncipe de Orange.

Hiller
Entre 1782 e 1783, Stamitz deu concertos em Haia e em Amsterdã. Em 1785 regressou à Alemanha para assistir a concertos em Hamburgo, Lübeck, Braunschweig, Magdeburg e Leipzig. 

Em abril de 1786 ele fez o seu caminho para Berlim, onde em 19 de maio de 1786 ele participou na execução do Messias de Haendel, sob a batuta de Johann Adam Hiller.



Mais tarde, viajou para Dresden, Praga, Halle e depois Nuremberg, onde em três de novembro de 1.787 ele encenou uma grande festividade musical em comemoração a ascensão do pioneiro balonista francês Jean Pierre Blanchard.

Durante o inverno de 1789-90 dirigiu os concertos amadores em Kassel, mas não conseguiu um emprego com o tribunal de Schwerin. Agora casado e pai de quatro filhos pequenos, ele foi forçado a retomar uma vida de viagem.

Em 12 de novembro de 1792 ele deu um concerto no teatro da corte de Weimar, que era então sob a direção de Johann Wolfgang Goethe. Em 1793 empreendeu uma última viagem ao longo do rio Reno até Mannheim, antes de desistir finalmente de viajar.

Em 1794, ele desistiu de viajar e se mudou com sua família para Jena, no centro da Alemanha, durante os anos que passou ali, não havia uma banda ou orquestra, com isso Carl Stamitz viu sua condição descer gradualmente para a pobreza.

Após sua morte no dia 9 de Novembro de 1801, um número substancial de tratados sobre alquimia foram encontrados em sua biblioteca. Devido a isso, talvez o motivo de ter deixado tantas dívidas, fossem as tentativas de fazer ouro.

É particularmente conhecido pelos seus concertos para clarinete e para viola.

O estilo de sua música não está muito distante das obras galantes do jovem Mozart, ou as do período médio de Haydn, caracterizada por melodias atraentes, embora a sua escrita para os instrumentos solo não é excessivamente virtuosismo.

Escreveu 50 sinfonias, 38 sinfonias concertantes, 11 concertos para clarinete, 3 concertos para violoncelo, 40 concertos para instrumentos de sopro e cordas, em diversas combinações destes instrumentos. 

Diversas formas de música de câmara, como duos, trios, quartetos e quintetos de vários instrumentos. Escreveu, também, duas óperas, que infelizmente, se perderam: Der verliebte Vormund e Dardanus.


A sua última sinfonia data de 1791, o ano da morte de Mozart.

Conheça um pouco de seu trabalho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

VANHAL


Nascido em 12 de Maio de 1739, na Província de Nechanice, na área de Hradec Kralové, no Reino da Boemia, hoje República Checa. 

Filho de agricultores em regime de servidão à família Schaffgotsch, seu nome em sua língua nativa é Jan Křtitel Vaňhal, entretanto tornou-se mais conhecido como Johann Baptist Vanhal, ou como algumas vezes ele mesmo assinava Wanhal. Foi um compositor clássico da atual República Tcheca e contemporâneo de Wolfgang Amadeus Mozart.
Cartão Postal - Nechanice
Ainda na infância, com a família e músicos locais foi introduzido no meio musical, aprendeu a tocar violino e órgão, seu professor foi Anton Erban, então Mestre de Capela de Nechanice.

Grande parte dos primeiros vinte anos de sua vida foi passada em cidades próximas, onde aprendeu a cantar e tocar instrumentos de cordas e de sopro.

Ele também foi enviado para Marscherdorf, onde aprendeu alemão e outros assuntos, que se fazia necessário para quem quisesse seguir na carreira musical no Império Habsburg, em Viena.
Opocžno (Opočno) no centro do mapa

Aos 13 anos, em 1752, Wanhal tornou-se organista em Opocžno (Opočno), mais tarde, em 1.759, tornou-se diretor de coral em Hniewczowes (Hněvčeves) na província de Jičin. Ali conheceu Mathias Nowak, um excelente violinista que o treinou para ser um violinista virtuoso e escrever concertos.

Condessa Schaffgostch
Transferiu-se para Viena em 1761 a convite da Condessa Schaffgostch, sua suserana, ele era um jovem brilhante e atraente, que imediatamente floresceu.

Libertou-se da escravidão e, em menos de dez anos, compôs pelo menos 34 sinfonias e foi reconhecido como um dos mais importantes compositores sinfônicos da época.

Foi professor de canto, violino e piano para a alta nobreza. Ainda na corte teve aulas de composição com Karl Ditters von Dittersdorf entre 1762 e 1763.

O Barão I. W. Riesch de Dresden, que desejoso em ter seu próprio estabelecimento musical, visitou Viena em busca de um Mestre de Capela adequado. Ficou impressionado com o jovem Wanhal e decidiu patrocinar uma estada prolongada na Itália, onde o músico poderia socializar e aprender com os melhores compositores e experimentar a atmosfera dos grandes tribunais aristocráticos, e aprender o estilo italiano de composição, que estava muito na moda, então em seu retorno seria o Mestre de Capela do Barão. Permaneceu por lá até 1771 viajou pela Itália, onde conheceu seus conterrâneos Florian Leopold Gassmann, em Roma, e Gluck em Veneza.

Na Itália escreveu suas óperas Il Trionfo di Clelia e Demofonte, em parceria com Gassmann, esses trabalhos foram perdidos.

Ao retornar da Itália, ao invés de ir a Dresden trabalhar para o Riesch, alegando que sua saúde estava debilitada por uma doença mental, dirigiu-se à corte do Conde Johann Ladislaus Erdödy, em Varazdin, na atual Croácia, e trabalhando como Mestre de Capela, ali permaneceu por oito anos, entre 1772 a 1780.

Retorna a Viena em 1780, nesta época, o compositor para de escrever sinfonias e quartetos de cordas, concentrando-se em música para piano e em pequenos conjuntos de câmara, missas e outras músicas sacras, atendendo as oportunidades oferecidas pela indústria da música vienense. Desta maneira poderia controlar a dispersão de suas obras, as editoras vienenses publicaram posteriormente mais de 270 cópias de sua música.

Ele também escreveu muitas peças para o entretenimento e instrução do público, incluindo algumas músicas de programas historicamente baseados, como "Die Schlacht bei Würzburg", que atraiu comentários sarcásticos de críticos na Alemanha.

Vanhal foi um dos primeiros compositores que quebrou a dependência uma pessoa rica (como foram Wolfgang Mozart e Joseph Haydn), vivendo exclusivamente de suas obras, compondo por comissão ou para publicação e das aulas que ministrava, e compunha peças com propósito de instrução, dentre os seus alunos ilustres consta Ignace Pleyel. Foi um pioneiro.

Vanhal foi altamente apreciado por seus colegas profissionais, incluindo Haydn e Mozart.

Vanhal, Dittersdorf, Haydn e Mozart

Em 1784, numa ocasião famosa, formaram o mais destacado quarteto de cordas na história da música, quando tocaram em conjunto Haydn, Mozart e Dittersdorf.

Aos poucos foi saindo de cena, deixou de se apresentar em público, como era bastante econômico, continuo vivendo em bons quartos perto da Catedral de Santo Estêvão.

Foi autor de obras vocais e instrumentais. Ajudou na evolução da Sinfonia como forma musical escrevendo mais de uma centena delas. Sua música tem um tom melancólico.

Durante a sua vida foi um compositor de grande êxito, suas sinfonias conquistaram, tão logo publicadas, vários lugares da Europa e Estados Unidos, sendo muitas delas consideradas altamente influentes para o movimento "Sturm und Drang" (tempestade e ímpeto - um movimento literário romântico alemão, que ocorreu no período entre 1760 a 1780).

Essas obras apresentam grandes temas que têm saltos e contorno melódico imprevisível, os tempos mudam rapidamente e de forma inesperada, o mesmo acontecendo à dinâmica, onde tentam refletir as fortes mudanças emocionais.

Existe uma interessante trilogia entre a Sinfonia em Sol Menor de sua autoria, a Sinfonia nº 39 de Joseph Haydn e a Sinfonia nº 25 de Mozart, todas contemporâneas e na mesma tonalidade, escritas em 1768.

Seus últimos anos de vida foram dedicados à missão de professor de música. Johann Baptist Vanhal faleceu no dia 20 de Agosto de 1813 em Viena.

Entre as suas 1300 composições, constam como trabalhos vocais: missas, réquiem, motetos e duas óperas, enquanto que as instrumentais são 54 quartetos, 30 concertos, mais de 100 sinfonias, sonatas, divertimentos, serenatas e numerosas peças para piano a duas e quatro mãos, além de diversas músicas de câmara.

Coube a Paul Bryan publicar em 1997, um catálogo temático das suas obras.

Para conhecer um pouco de sua obra.