terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

JOHN MARSH

John Marsh


John Marsh, nascido em 31 de Maio de 1752 em Dorking, Surrey, na Inglaterra.
Marsh foi em grande parte autodidata, tornou-se proficiente em vários instrumentos, incluindo viola e violino.
Mais um daqueles que foram contemporâneos de Wolfgang Amadeus Mozart, entretanto como viveu apenas na Inglaterra, não há registros de qualquer encontro dele com o gênio austríaco.
Considerado o mais prolífico compositor inglês de sua época, de acordo com o seu próprio registro escreveu cerca de trezentas e cinquenta composições, destas trinta e nove sinfonias, sendo que desta apenas as nove que foram impressas e outras três final de movimentos sobreviveram, todo o restante se perdeu.
Estudou violino com Wafer, um organista em Gosport quando tinha quatorze anos, em virtude da mudança com a família para Romsey, não podendo continuar seus estudos formais que então foram interrompidos.
Em 1774, fixou residência em Salisbury, e então se juntou à orquestra provincial e tornou-se seu violinista principal. Ao mesmo tempo, começou lecionar órgão.
Nesta época, Marsh começa a compor hinos e, ocasionalmente, substituiu o organista em Canterbury.
Em 1787, mudou-se definitivamente para Chichester, passando o restante de sua vida, tornou-se um líder entre os músicos amadores. Marsh compôs obras de câmara, fugas de órgãos e voluntaries, hinos, salmos e canções seculares.
Marsh se considerava um amador e suas composições demonstram uma compreensão completa de técnicas musicais. Sua música era despretensiosa.
Além da música, John Marsh tinha outros interesses, foi autor de livros e artigos sobre música, geometria, astronomia e religião, entretanto sua maior obra foram seus diários, que narram suas atividades diárias, trata-se de um acervo com trinta e sete volumes que estão entre as fontes mais valiosas de em formação sobre a vida e música na Inglaterra do século 18.
Brian Robins, de Eastbourne, editou estes volumes em 1802. Eles representam um dos mais importantes documentos musicais e sociais do período, que teve o primeiro volume reeditado em 1998.
Ele também estudou táticas militares e conseguiu a promoção para o posto de capitão com uma companhia de voluntários. No final de sua vida, ele se em teressou por um movimento estabelecido para converter os judeus ao cristianismo anglicano.
Faleceu em 31 de outubro de 1828 em Chichester, Sussex.
O filho de Marsh foi poeta e clérigo Edward Garrard Marsh.
Suas obras sobreviventes são:

As Sinfonias de Salisbury
(*) Sinfonia No. 8 [9] em G Maior (1778)
(*) Conversação Sinfonia para duas orquestras No. 10 em E-bemol Maior (1778)
(*) Sinfonia No. 2 [12] em B-bemol Maior (1780)
Sinfonia No. 1 [13] em B-bemol Maior (1781)

As Sinfonias de Canterbury
Sinfonia No. 5 [16] em  E-bemol Maior (1783)
Sinfonia No. 3 [17] em  D Maior (1784)

As Sinfonias de Chichester
Sinfonia No. 4 [19] em  F Maior (1788)
(*) Sinfonia No. 7 [24] em  E-bemol Maior (La Chasse) (1790)
(*) Sinfonia No. 6 [27] em  D Maior (1796)

Os Finais
Finale No. 3 em  E-bemol Maior (1799)
Finale No. 1 em  D Maior (1800)
Finale No. 2 em  B-bemol Maior (1801)




As peças assinaladas com (*) estão disponíveis para audição.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CARL STAMITZ

Johann Stamitz
Karel Filip Stamic, nascido na cidade de Mannheim, na atual Alemanha, no dia 07 de Maio de 1.745 e batizado no dia seguinte, foi o primogênito do casal Maria Antonia Luneborn e Johann Wenzel Anton Stamitz, famoso compositor do movimento clássico e um dos fundadores da Escola de Mannheim. Tornou-se mais conhecido pelo seu nome germânico Karl ou Carl Philipp Stamitz e irmão do também compositor Anton Stamitz, cinco anos mais novo.
Com seu pai teve as primeiras lições de violino e composição. Johann Stamitz faleceu em 1.757, sendo substituído por Christian Cannabich à frente da Orquestra do Palácio de Mannhein, e assumiu também a responsabilidade de prosseguir como professor do pequeno Carl e de seu irmão, Anton. O garoto teve ainda como professores Ignaz Holzbauer, diretor musical da corte, e o compositor da corte Franz Xaver Richter.

Cannabich - Holzbauer - Richter


Foi o responsável pela introdução do clarinete na orquestra de Mannheim, em 1.758, graças ao seu entusiasmo, Carl ficara impressionado com as possibilidades expressivas e virtuosísticas daquele instrumento que foram demonstradas por Joseph Beer, seu grande amigo e fundador da escola de clarinete na Alemanha.
viola d'amore

Já sendo considerado um virtuoso no violino, na viola e na viola d’amore, o que lhe valeu o emprego como violinista na orquestra da corte em Mannheim, aos dezessete anos de idade, ali permaneceu por oito anos.

Duque de Noailles

A partir de 1.770, quando decide pedir demissão do cargo de violinista, começa a viajar pela Europa, como solista virtuoso, aceitando compromissos de curto prazo.

Carl Stamitz foi para Paris, onde se tornou conhecido como violinista, tendo trabalhado com Louis, duque de Noailles, que o fez seu compositor de corte.




Palácio Tuileries, Paris
Ele também se apresentou nos Concerts Spirituels, no palácio Tuileries, algumas vezes juntamente com seu irmão Anton.

Anton Stamitz

Stamitz usou Paris como sua base, fazendo frequentes passeios para várias cidades alemãs, onde se apresentava:

Esteve em 12 de abril de 1773 em Frankfurt am Main; no ano seguinte esteve em Augsburg; em 1775 visitou a capital russa, São Petersburgo.

Carl era considerado um compositor prolífico e um talentoso intérprete com grandes ambições, um dos mais proeminentes representantes da segunda geração da Escola de Mannheim, entretanto não conseguiu conquistar uma posição estável junto às grandes orquestras ou nas diversas cortes, acredita-se que isso tenha ocorrido por seu estilo de vida instável e itinerante.

Beer

Durante o período em que viveu em Paris, Stamitz trabalhou com Joseph Beer, uma parceria que se revelou fecunda tanto para Stamitz como para Beer.

Pelo menos um dos concertos de clarinete de Stamitz (o concerto nº 6 em E-bemol maior) aparenta ter sido composto em pelos dois homens, ambos os nomes aparecem na capa de um manuscrito vienense.


Em 1777 ele morou por um tempo em Estrasburgo, onde Franz Xaver Richter foi diretor musical. 

Abel e J.C. Bach
Thomas Erskine
Durante os anos 1777 e 1778 ele foi bem sucedido em Londres, um dos muitos músicos austro-alemães, como Carl Friedrich Abel, J.C. Bach e em seus últimos anos Joseph Haydn, para ser atraído para lá.


Sua estadia em Londres foi possivelmente facilitada por seu contato com Thomas Erskine, conde de Kellie, que tinha recebido lições do pai de Carl, Johann durante uma excursão do continente.
Frederico II

Seus concertos para violoncelo foram escritos para Frederico Guilherme II da Prússia, que era um talentoso músico amador: Mozart e Beethoven também escreveram música para o rei.

Em 1780 mudou-se para a Hague onde também foi violinista na corte do príncipe de Orange.

Hiller
Entre 1782 e 1783, Stamitz deu concertos em Haia e em Amsterdã. Em 1785 regressou à Alemanha para assistir a concertos em Hamburgo, Lübeck, Braunschweig, Magdeburg e Leipzig. 

Em abril de 1786 ele fez o seu caminho para Berlim, onde em 19 de maio de 1786 ele participou na execução do Messias de Haendel, sob a batuta de Johann Adam Hiller.



Mais tarde, viajou para Dresden, Praga, Halle e depois Nuremberg, onde em três de novembro de 1.787 ele encenou uma grande festividade musical em comemoração a ascensão do pioneiro balonista francês Jean Pierre Blanchard.

Durante o inverno de 1789-90 dirigiu os concertos amadores em Kassel, mas não conseguiu um emprego com o tribunal de Schwerin. Agora casado e pai de quatro filhos pequenos, ele foi forçado a retomar uma vida de viagem.

Em 12 de novembro de 1792 ele deu um concerto no teatro da corte de Weimar, que era então sob a direção de Johann Wolfgang Goethe. Em 1793 empreendeu uma última viagem ao longo do rio Reno até Mannheim, antes de desistir finalmente de viajar.

Em 1794, ele desistiu de viajar e se mudou com sua família para Jena, no centro da Alemanha, durante os anos que passou ali, não havia uma banda ou orquestra, com isso Carl Stamitz viu sua condição descer gradualmente para a pobreza.

Após sua morte no dia 9 de Novembro de 1801, um número substancial de tratados sobre alquimia foram encontrados em sua biblioteca. Devido a isso, talvez o motivo de ter deixado tantas dívidas, fossem as tentativas de fazer ouro.

É particularmente conhecido pelos seus concertos para clarinete e para viola.

O estilo de sua música não está muito distante das obras galantes do jovem Mozart, ou as do período médio de Haydn, caracterizada por melodias atraentes, embora a sua escrita para os instrumentos solo não é excessivamente virtuosismo.

Escreveu 50 sinfonias, 38 sinfonias concertantes, 11 concertos para clarinete, 3 concertos para violoncelo, 40 concertos para instrumentos de sopro e cordas, em diversas combinações destes instrumentos. 

Diversas formas de música de câmara, como duos, trios, quartetos e quintetos de vários instrumentos. Escreveu, também, duas óperas, que infelizmente, se perderam: Der verliebte Vormund e Dardanus.


A sua última sinfonia data de 1791, o ano da morte de Mozart.

Conheça um pouco de seu trabalho

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

VANHAL


Nascido em 12 de Maio de 1739, na Província de Nechanice, na área de Hradec Kralové, no Reino da Boemia, hoje República Checa. 

Filho de agricultores em regime de servidão à família Schaffgotsch, seu nome em sua língua nativa é Jan Křtitel Vaňhal, entretanto tornou-se mais conhecido como Johann Baptist Vanhal, ou como algumas vezes ele mesmo assinava Wanhal. Foi um compositor clássico da atual República Tcheca e contemporâneo de Wolfgang Amadeus Mozart.
Cartão Postal - Nechanice
Ainda na infância, com a família e músicos locais foi introduzido no meio musical, aprendeu a tocar violino e órgão, seu professor foi Anton Erban, então Mestre de Capela de Nechanice.

Grande parte dos primeiros vinte anos de sua vida foi passada em cidades próximas, onde aprendeu a cantar e tocar instrumentos de cordas e de sopro.

Ele também foi enviado para Marscherdorf, onde aprendeu alemão e outros assuntos, que se fazia necessário para quem quisesse seguir na carreira musical no Império Habsburg, em Viena.
Opocžno (Opočno) no centro do mapa

Aos 13 anos, em 1752, Wanhal tornou-se organista em Opocžno (Opočno), mais tarde, em 1.759, tornou-se diretor de coral em Hniewczowes (Hněvčeves) na província de Jičin. Ali conheceu Mathias Nowak, um excelente violinista que o treinou para ser um violinista virtuoso e escrever concertos.

Condessa Schaffgostch
Transferiu-se para Viena em 1761 a convite da Condessa Schaffgostch, sua suserana, ele era um jovem brilhante e atraente, que imediatamente floresceu.

Libertou-se da escravidão e, em menos de dez anos, compôs pelo menos 34 sinfonias e foi reconhecido como um dos mais importantes compositores sinfônicos da época.

Foi professor de canto, violino e piano para a alta nobreza. Ainda na corte teve aulas de composição com Karl Ditters von Dittersdorf entre 1762 e 1763.

O Barão I. W. Riesch de Dresden, que desejoso em ter seu próprio estabelecimento musical, visitou Viena em busca de um Mestre de Capela adequado. Ficou impressionado com o jovem Wanhal e decidiu patrocinar uma estada prolongada na Itália, onde o músico poderia socializar e aprender com os melhores compositores e experimentar a atmosfera dos grandes tribunais aristocráticos, e aprender o estilo italiano de composição, que estava muito na moda, então em seu retorno seria o Mestre de Capela do Barão. Permaneceu por lá até 1771 viajou pela Itália, onde conheceu seus conterrâneos Florian Leopold Gassmann, em Roma, e Gluck em Veneza.

Na Itália escreveu suas óperas Il Trionfo di Clelia e Demofonte, em parceria com Gassmann, esses trabalhos foram perdidos.

Ao retornar da Itália, ao invés de ir a Dresden trabalhar para o Riesch, alegando que sua saúde estava debilitada por uma doença mental, dirigiu-se à corte do Conde Johann Ladislaus Erdödy, em Varazdin, na atual Croácia, e trabalhando como Mestre de Capela, ali permaneceu por oito anos, entre 1772 a 1780.

Retorna a Viena em 1780, nesta época, o compositor para de escrever sinfonias e quartetos de cordas, concentrando-se em música para piano e em pequenos conjuntos de câmara, missas e outras músicas sacras, atendendo as oportunidades oferecidas pela indústria da música vienense. Desta maneira poderia controlar a dispersão de suas obras, as editoras vienenses publicaram posteriormente mais de 270 cópias de sua música.

Ele também escreveu muitas peças para o entretenimento e instrução do público, incluindo algumas músicas de programas historicamente baseados, como "Die Schlacht bei Würzburg", que atraiu comentários sarcásticos de críticos na Alemanha.

Vanhal foi um dos primeiros compositores que quebrou a dependência uma pessoa rica (como foram Wolfgang Mozart e Joseph Haydn), vivendo exclusivamente de suas obras, compondo por comissão ou para publicação e das aulas que ministrava, e compunha peças com propósito de instrução, dentre os seus alunos ilustres consta Ignace Pleyel. Foi um pioneiro.

Vanhal foi altamente apreciado por seus colegas profissionais, incluindo Haydn e Mozart.

Vanhal, Dittersdorf, Haydn e Mozart

Em 1784, numa ocasião famosa, formaram o mais destacado quarteto de cordas na história da música, quando tocaram em conjunto Haydn, Mozart e Dittersdorf.

Aos poucos foi saindo de cena, deixou de se apresentar em público, como era bastante econômico, continuo vivendo em bons quartos perto da Catedral de Santo Estêvão.

Foi autor de obras vocais e instrumentais. Ajudou na evolução da Sinfonia como forma musical escrevendo mais de uma centena delas. Sua música tem um tom melancólico.

Durante a sua vida foi um compositor de grande êxito, suas sinfonias conquistaram, tão logo publicadas, vários lugares da Europa e Estados Unidos, sendo muitas delas consideradas altamente influentes para o movimento "Sturm und Drang" (tempestade e ímpeto - um movimento literário romântico alemão, que ocorreu no período entre 1760 a 1780).

Essas obras apresentam grandes temas que têm saltos e contorno melódico imprevisível, os tempos mudam rapidamente e de forma inesperada, o mesmo acontecendo à dinâmica, onde tentam refletir as fortes mudanças emocionais.

Existe uma interessante trilogia entre a Sinfonia em Sol Menor de sua autoria, a Sinfonia nº 39 de Joseph Haydn e a Sinfonia nº 25 de Mozart, todas contemporâneas e na mesma tonalidade, escritas em 1768.

Seus últimos anos de vida foram dedicados à missão de professor de música. Johann Baptist Vanhal faleceu no dia 20 de Agosto de 1813 em Viena.

Entre as suas 1300 composições, constam como trabalhos vocais: missas, réquiem, motetos e duas óperas, enquanto que as instrumentais são 54 quartetos, 30 concertos, mais de 100 sinfonias, sonatas, divertimentos, serenatas e numerosas peças para piano a duas e quatro mãos, além de diversas músicas de câmara.

Coube a Paul Bryan publicar em 1997, um catálogo temático das suas obras.

Para conhecer um pouco de sua obra.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

STILLE NACHT

Não falarei sobre o Solstício de Verão, que ocorreu nesta quarta-feira, dia 21 de Dezembro de 2016, pois já comentei algumas vezes sobre isso neste blog.


STILLE NACHT



Há quase duzentos anos, a pequena cidade de Oberndorf bei Salzburg, na Áustria entrava para a história da música mundial. 


Foi ali na Véspera de Natal de 1.818 na Igreja de St. Nikola que foi apresentada pela primeira vez a mais popular canção natalina Stille Nacht, Silent Night ou Noite Feliz.




A poesia foi escrita pelo padre Joseph Mohr e a melodia foi composta em 1.818 por Franz Xaver Gruber, professor e organista.

Os autores:


JOSEPH MOHR

Josephus Franciscus Mohr, nascido em Salzburgo no dia 11 de Dezembro de 1792, filho de Anna Schoiberin, uma bordadeira oriunda da cidade de Hallein, e Franz Mohr, um soldado mercenário e desertor, oriunda da cidade de Mariapfarr, região montanhosa de Lungau ao sul de Salzburg.

Teve como padrinho de batismo, Joseph Wohlmuth, o último carrasco oficial de Salzburgo, que não assistiu ao batismo, tendo sido representado por uma Franziska Zachin. Como os pais eram solteiros, Joseph de acordo com o costume da época, recebeu o nome de seu padrinho.

O vigário e diretor musical da Catedral de Salzburgo, Johann Nepomuk Hiernle foi o seu incentivador e primeiro professor de música, ainda menino foi cantor e violinista nos corais da Igreja Universitária e do Mosteiro Beneditino de São Pedro. Entre 1.808 a 1.810, estudou em Kremsmünster, na Alta Áustria, retornando a Salzburg estudou no Lyceum e em 1.811 foi admitido no seminário, graças a uma dispensa especial, por ser filho ilegítimo. Formou-se e foi ordenado sacerdote em 21 de Agosto de 1.815.

No outono daquele ano foi enviado para trabalhar na aldeia de Ramsau, próximo a Berchtesgaden, servindo como padre assistente em Mariapfarr entre 1815 e 1817. Foi nessa localidade que escreveu Stille Nacht em 1816.

Com a saúde debilitada retornou a Salzburg no verão de 1817, após uma breve recuperação foi enviado à Paróquia de Oberndorf, onde conheceu Franz Gruber, professor na vizinha Arnsdorf.

Mohr foi um homem generoso e doou a maior parte do seu salário para a caridade, foi transferido de um lugar para outro, e permaneceu em Oberndorf apenas até 1819.

Depois de Oberndorf ele foi enviado para Kuchl, seguido de estadias em Golling an der Salzach, Bad Vigaun, Adnet E Anthering. Em 1827 foi feito pastor de Hintersee, e em 1837 da aldeia alpina de Wagrain.

Aqui ele criou um fundo para permitir que crianças de famílias pobres pudessem frequentar a escola e um sistema para o cuidado dos idosos. Mohr faleceu de doença pulmonar no dia 4 de dezembro de 1848, aos 55 anos.

FRANZ GRUBER

Franz Xaver Gruber nasceu no dia 25 de Novembro de 1.787, na aldeia de Hochburg, na Alta Áustria, próximo a nascente do Rio Salzach, filho dos tecelões de linho Josef e Maria Gruber. Seu nome dado foi gravado no registro de batismo como "Conrad Xavier", mas foi mais tarde alterado para "Franz Xaver". Foi o quinto dos seis filhos do casal.

Seu pai se opunha tenazmente ao talento musical do filho. Mas Franz começou a aprender a tocar órgão escondido do pai. Teve aulas de música com Andreas Peterlechner, o organista local, Andreas um dia adoeceu e o jovem Franz, então com 12 anos de idade, substituiu-o ao órgão, surpreendendo a todos. E durante toda a doença do organista oficial foi Franz quem acompanhou os hinos da comunidade. Diante disso, o velho Gruber teve que ceder, e deixou-o estudar para tornar-se organista.

Franz trabalhou como tecelão até os 18 anos e então estudou para se tornar professor. Ele completou a sua educação musical e estudou com o organista da igreja de Burghausen, Georg Hartdobler.

Em 1807, Gruber tornou-se professor em Arnsdorf, e também zelador e organista da igreja.

No ano seguinte casou-se com uma viúva, Maria Elisabeth Fischinger Engelsberger. Eles tiveram dois filhos, os quais ambos morreram jovens.

Para melhorar os seus rendimentos financeiros, em 1816, ele assumiu as responsabilidades adicionais de organista e mestre de coro na Igreja de São Nicolau, na aldeia vizinha de Oberndorf bei Salzburg, onde conheceu o padre Joseph Mohr.


Após a morte de sua primeira esposa, em 1825, Gruber se casou com uma ex-aluna, Maria Breitfuss. Eles tiveram dez filhos, quatro dos quais sobreviveram até a idade adulta. Em 1829 mudou-se para Berndorf, assumindo funções de professor, sacristão e maestro, permanecendo ali por seis anos.

Em 1835, obteve sua nomeação como maestro e organista da paróquia de Hallein, em Salzburgo, onde compôs muitas outras músicas religiosas.

Maria Gruber morreu durante um parto em 1841. No ano seguinte, ele se casou com Katherine Wimmer.

Gruber continua sua carreira musical até a sua morte aos 76 anos, em Hallein, no dia 07 de Junho de 1.863.

A OBRA


Os dois, o padre e o organista, logo se tornaram grandes amigos, ligados pelo amor de Deus e interesse pela música. Ambos comentavam a falta de um hino simples que cantasse com pureza o nascimento de Jesus.

Antes da véspera de Natal de 1.818, o padre assistente Joseph Mohr caminhou três quilômetros para apresentar um manuscrito de seis estrofes que fora escrito em 1.816, a seu amigo Franz Gruber.
Igreja St. Nikola
Ele precisava de uma música para a Missa do Galo que estava a apenas algumas horas de distância, e esperava que seu amigo, um professor que também servia como mestre de coro e organista da igreja pudesse musicar o seu poema. Gruber compôs a melodia para "Stille Nacht" de Mohr em apenas algumas horas. Entretanto o órgão da igreja estava quebrado, assim foi feito um arranjo para violão.

Karl Mauracher
Os autores cantaram Stille Nacht pela primeira vez na Missa de Natal na Igreja de São Nicolau, no dia 24 de Dezembro de 1818, enquanto Mohr tocava violão e o coral repetia as duas últimas linhas de cada verso.

Um ano mais tarde, Karl Mauracher, um perito, que veio para Oberndorf a fim de consertar o órgão, ouviu a melodia de Gruber. 

Gostou tanto do hino que levou uma cópia da música para sua aldeia natal, no Vale do Zillertal, perto de Innsbruck, no Tirol.

A partir dali, letra e melodia espalharam-se pelo mundo, com sucesso cada vez maior. Mas não se sabendo os nomes dos autores, pensou-se que era uma canção folclórica do Tirol.

Posteriormente, Franz Gruber compôs o arranjo para órgão e para orquestra.

Fora de Oberndorf, a música encontrou seu caminho por duas famílias musicais: Rainer e Strasser. Os Rainer cantaram na véspera de Natal de 1819 em sua igreja em Fügen, e três anos depois apresentaram para o czar Alexander I da Rússia e o imperador Franz I da Áustria. Eles também fizeram a primeira apresentação de Stille Nacht nos Estados Unidos, em Nova York, em 1839.

Os Strasser eram uma família de fabricantes de luvas que também eram excelentes cantores. Todos os anos, viajavam para feiras alemãs vendendo suas luvas e muitas vezes cantavam para entreter os compradores. Um jornal de Leipzig relatou que os Strasser cantaram Stille Nacht numa destas feiras em 1832.

Em meados dos anos 1800, a música era bem conhecida e bem amada, mas sua autoria era desconhecida.

Imperador
Frederico Guilherme IV
Em 1854, o Imperador Frederico Guilherme IV chegou a ouvir este hino, quando apresentado pelo coro da Capela Imperial de Berlim. E ele ordenou que se procurasse pelos autores.

O padre Mohr então já havia falecido. Mas Franz Xaver Gruber, que (após seis anos em Berndorf) desde 1835 trabalhava como organista e regente do coral na paróquia de Hellein (próximo de Salzburgo) e pôde dar todos os detalhes a respeito da origem de letra e melodia do seu hino de Natal, em correspondência datada de 30 de Dezembro de 1.854.

O manuscrito original foi perdido, entretanto outro manuscrito foi descoberto em 1.995, com a caligrafia de Mohr, os pesquisadores dataram o documento como sendo de 1.820, sendo este o manuscrito mais antigo que se tem com a letra de seu autor. O documento é de propriedade do Salzburg Museum Association.


Na década de 1.890, várias inundações do rio Salzach destruíram grande parte de Oberndorf, a igreja foi demolida em 1.906, e uma capela memorial foi erigida em seu local em 1937. 

Nela há um belo altar de madeira e vitrais dedicados ao Mohr e Gruber.

Todos os anos em 24 de dezembro, a área circundante é iluminada com centenas de velas e pessoas de vários lugares do mundo vão até ali para cantar e celebrar este maravilhoso hino.


A letra original e a sua tradução para o português.


Stille Nacht, Heilige Nacht
Stille Nacht, heilige Nacht,
alles schläft, einsam wacht
nur das traute, hochheilige Paar.
Holder Knabe im lockigen Haar,
schlaf' in Himmlischer Ruh',
schlaf' in himmlischer Ruh'!

Stille Nacht, heilige Nacht,
Hirten erst gutgemacht!
Durch der Engel Halleluja
tönt es laut von fern und nah:
Christ, der Retter, ist da!
Christ, der Retter, ist da!

Stille Nacht, heilige Nacht!
Gottes Sohn, o wie lacht
Lieb' aus deinem göttlichen Mund,
da uns schlägt die rettende Stund',
Christ, in deiner Geburt!
Christ, in deiner Geburt!

Stille Nacht, heilige Nacht,
die der Welt Heil gebracht,
Aus des Himmels goldenen Höh'n,
uns der Gnaden Fülle läßt seh'n,
Jesum in Menschengestalt!
Jesum in Menschengestalt!

Stille Nacht, heilige Nacht,
wo sich heut' alle Macht
väterlicher Liebe ergoß,
und als Bruder huldvoll umschloß,
Jesus die Völker der Welt!
Jesus die Völker der Welt!

Stille Nacht, heilige Nacht,
lange schon uns bedacht,
als der Herr vom Grimme befreit,
in der Väter urgrauer Zeit
aller Welt Schonung verhieß!
Aller Welt Schonung verhieß!
Noite silenciosa, noite sagrada
Noite silenciosa, noite santa,
Todos dormem, acordo solitário
Só os fiéis, e o santo par.
Santo bebê tão meigo e suave,
Dorme em paz celestial,
Dorme em paz celestial!

Noite silenciosa, noite santa,
Os pastores fizeram bem!
Pelos anjos Aleluia
Parece alto de perto e de longe:
Cristo, o Salvador nasceu!
Cristo, o Salvador nasceu!

Noite silenciosa, noite santa!
Filho de Deus, como rir
O amor de seu rosto santo,
parece-nos como a aurora da graça redentora,
Cristo, seu nascimento!
Cristo, seu nascimento!

Noite silenciosa, noite santa,
trouxe a salvação para o mundo,
Das alturas do céu "de ouro”,
Nós contemplamos a graça de Sua,
Jesus em forma humana!
Jesus em forma humana!

Noite silenciosa, noite santa,
Se hoje todo o poder
amor paterno derramado,
E como um irmão adotado,
Jesus, os povos do mundo!
Jesus, os povos do mundo!

Noite silenciosa, noite santa,
nós há muito O esperávamos,
quando o Senhor o livra da ira
do Pai de longínquos tempos
Prometida para poupar em todo o mundo!
Prometida para poupar toda a humanidade!


John Freeman Young

Em 1859, o padre episcopal John Freeman Young, que então servia na Igreja da Trindade, na cidade de Nova York, publicou a tradução inglesa que é mais frequentemente cantada hoje, usando três dos seis versos originais de Mohr.


Durante a primeira guerra mundial, em 1914, na Frente Ocidental as tropas alemãs entoaram a versão alemã da canção, o que chamou a atenção das tropas britânicas, que se juntaram cantando a versão inglesa, assim, em ambos os lados ao invés de trocar tiros, trocaram saudações de Natal, uns com os outros, culminando numa trégua não oficial durante a véspera e o dia de natal daquele ano, e com a confraternização entre as tropas inglesas, alemãs e francesas.


A canção foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Áustria e da Humanidade pela UNESCO em Março de 2.011.

A obra foi gravada por grande número de intérpretes dos mais variados gêneros musicais, com versões em mais de 140 idiomas.


A versão cantada por Bing Crosby é o terceiro single mais vendido de todos os tempos, com cerca de 10 milhões de cópias.

Atualmente letra e música são de Domínio Popular.




Versão atual em alemão
Versão em Inglês
Music: Franz Xaver Gruber, 1818
Words: Joseph Mohr, 1816/1818

Stille Nacht, heilige Nacht,
Alles schläft; einsam wacht
Nur das traute hochheilige Paar.
Holder Knabe im lockigen Haar,
Schlaf in himmlischer Ruh!
Schlaf in himmlischer Ruh!

Stille Nacht, heilige Nacht,
Hirten erst kundgemacht
Durch der Engel Halleluja,
Tönt es laut von fern und nah:
Christ, der Retter ist da!
Christ, der Retter ist da!

Stille Nacht, heilige Nacht,
Gottes Sohn, o wie lacht
Lieb' aus deinem göttlichen Mund,
Da uns schlägt die rettende Stund'.
Christ, in deiner Geburt!
Christ, in deiner Geburt!
Music: Franz Xaver Gruber, 1818
Words: John Freeman Young, 1863

Silent night, holy night
All is calm all is bright
'Round yon virgin Mother and Child
Holy infant so tender and mild
Sleep in heavenly peace
Sleep in heavenly peace

Silent night, holy night,
Shepherds quake at the sight.
Glories stream from heaven afar,
Heav'nly hosts sing Alleluia;
Christ the Savior is born
Christ the Savior is born

Silent night, holy night,
Son of God, love's pure light.
Radiant beams from Thy holy face,
With the dawn of redeeming grace,
Jesus, Lord, at Thy birth
Jesus, Lord, at Thy birth


Duas versões em português

1ª versão - Pedro Sinzig, c. 1912

Noite feliz! Noite feliz!
o Senhor, Deus de amor,
pobrezinho nasceu em Belém.
Eis, na lapa, Jesus, nosso bem!
Dorme em paz, ó Jesus!
Dorme em paz, ó Jesus!

Noite feliz! Noite feliz!
Oh! Jesus, Deus da luz,
quão afável é teu coração
que quiseste nascer nosso irmão
e a nós todos salvar!
e a nós todos salvar!

Noite feliz! Noite feliz!
Eis que, no ar, vêm cantar
aos pastores os anjos dos céus,
anunciando a chegada de Deus,
de Jesus Salvador!
de Jesus Salvador!
2ª versão - Anônimo

Noite de paz! Noite de amor!
Tudo dorme em derredor.
Entre os astros que espargem a luz,
proclamando o menino Jesus,
brilha a estrela da paz!
brilha a estrela da paz!

Noite de paz! Noite de amor!
Nas campinas ao pastor
lindos anjos, mandados por Deus,
anunciam as novas dos céus:
Nasce o bom Salvador!
Nasce o bom Salvador!

Noite de paz! Noite de amor!
Oh! que belo resplendor
ilumina o Menino Jesus!
No presépio do mundo eis a luz,
sol de eterno fulgor!
sol de eterno fulgor!

Assim encerramos as atividades deste blog neste ano de 2016, divirtam-se com as várias versões.

Albanês - Gezur Krislinjden
Alemão - Frohe Weihnacht
Armênio - Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand
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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

BAGUER



Em destaque, a Catalunha
Carlos ou Carles Baguer foi um compositor e organista espanhol da era clássica. 

Em sua época era conhecido como “Carlets”, originário da Catalunha, nascido em Barcelona, num dia incerto do mês de Março de 1.768.

Tendo servido a maior parte de sua vida na Catedral da Cidade.


Catedral de Barcelona
Teve a sua formação musical com o seu tio Francesc Mariner, que além de compositor era o organista da Catedral de Barcelona, aos dezoito anos, em 1786, foi nomeado vice-organista da Catedral, com a morte de seu tio, três anos mais tarde, assumiu o cargo, permanecendo por quase vinte anos, até a sua morte.

Órgão da Catedral
de Barcelona
Baguer foi uma das figuras musicais mais importantes da Catalunha naquela época. Famosos eram os seus improvisos e interpretações, entretanto suas composições foram de maior importância.

Teve como alunos durante a sua vida Matthew Ferrer, seu sucessor na catedral catalã, Ramon Carnicer e Bernat Betran.

Em 1796, teria ocorrido uma disputa entre Baguer e Francesc Queralt para ser o responsável pela apresentação do Oratório da Paixão daquele ano, tendo sido vencedor Queralt.

Haydn
Pleyel

Suas obras de importância mais significativas foi o conjunto de dezenove sinfonias em estilo clássico, demonstrando a influência do classicismo italiano e da escola de Viena, principalmente Franz Haydn e Pleyel




Boccherini
Estas obras fazem dele, juntamente com Luigi Boccherini e Gaetano Brunetti, os principais compositores de sinfonias na Espanha.

Brunetti
Ele também escreveu um concerto para dois fagotes, um concerto de trompa inglesa (obra esta que foi perdida), peças para órgão, seis duetos de flautas, música vocal (canções, árias, cavatinas...) dentre elas algumas canções de natal.

Igreja de S.Felipe Neri
Também é extensa produção musical de natureza religiosa: missas, antífonas, salmos, oratórios e dramas sagrados, como a morte de Abel, A Ressurreição de Lázaro, para apresentação na Igreja de São Felipe Neri e na Catedral de Barcelona.

Gozzi
Musicou também uma ópera, A Princesa Filósofa (La Principessa Filosofa), um drama em três atos, com libreto de Carlo Gozzi, que estreou em 1797 no Teatro de Santa Cruz de Barcelona. 

Teatro Santa Cruz
Suas obras foram preservadas em vários arquivos catalães (Barcelona, ​​Montserrat, Canet de Mar, Olot, Cervera, Esparraguera, Villafranca del Penedes, Gerona, Manresa) e alguns no restante da Espanha (Barbastro, Toledo).

Carlos Baguer foi ordenado sacerdote, mas renunciou ao estado clerical em 1801.


Faleceu em 29 de Fevereiro de 1808, o dia em que tropas francesas ocuparam a Cidadela e Montjuïc.

Apesar de contemporâneo de Wolfgang Amadeus Mozart, não há registros que tenham se conhecido.

Por não dispor de material deste autor, no link está a íntegra do álbum Symphonies da Série Contemporaries of Mozart.